Thursday, September 5, 2013

"Hora do Saguim - O Livro" a caminho



E é assim... Quem promete e não é político, normalmente cumpre.

O livro está feito, a capa está pronta e o lançamento será garantidamente em Outubro.
O próximo post que aqui colocar será o convite para a apresentação do bicho, portanto estejam atentos. Isto se não me apetecer meter antes um powerpoint com gatinhos... Só p'ra adoçar o palato.

Recapitulando: o ilustrador da capa foi o Pedro Carvalho, a designer da mesma foi a Sofia Mota, o conteúdo é da total responsabilidade do hominídeo que atafulhou este mesmo blog de parvoíce e a editora é a El Pep. Já a energia que vos permite ler isto no computador, em príncípio é da EDP. Ou então é de outra companhia que a DECO vos convenceu a contratar para ganhar algum por fora.

É assim a vidinha...

Vemo-nos em Outubro.

Sunday, August 11, 2013

Tá quase...

Malta da pesada... Só para ir dando notícias.

O livro está 100% terminado e revisto.
Tivesse sido outra pessoa a escrever e talvez estivesse bom. Mas como fui apenas eu, está o que está.

De qualquer maneira, agora vai mesmo acontecer e já não dá p'ra voltar atrás.

Em Setembro (ou o mais tardar no início de Outubro) temos o bicho à solta.

Entretanto, muito me queixei eu que não havia nenhuma editora que quisesse pegar nisto e eis que apareceu uma: a El Pep.


Uma "casa" independente que tem lançado muito bons projectos, entre a banda desenhada e a literatura. Prepara-se para lançar o meu, por isso talvez seja este o início do descalabro.

Da última vez que me meti com uma editora fui burlado à bruta.
Portanto, desta vez o meu objectivo é tentar burlar a El Pep. Ainda estou a ver como.

Bom, desta é que é...

Beijinhos e até Setembro.

Ou início de Outubro, o mais tardar.

...

Ah! Cuidado com o calor...

Pomada nessas virilhas.

...

Vocês sabem...

...

Wednesday, July 10, 2013

HABEMUS SAGUINO


O livro está escrito e paginado.
Agora está a ser revisto e a capa a ser terminada.

Vai ser lançado em Setembro e até lá ainda vou anunciar mais uma ou outra novidade.

Portanto, ide de férias, aproveitai a boa vida e depois estai disponível para parvoíce.

Mainada.


Friday, June 7, 2013

Parece que é desta...


É comummente aceite que sou um tretas mas ainda assim gosto de honrar a minha palavra.

O livro sagrado está quase concluído!

E o livro da "Hora do Saguim" também.

Falta apenas escrever 4 textos exclusivos e segue para revisão.
A capa vai estar a cargo do Pedro Carvalho.
O prefácio foi escrito pelo meu bom amigo Sá Granate.
Vai ter cerca de 300 páginas.
E tudo graças ao esforço e ao apoio de zero editoras.

Portanto, já se vê que vai ser coisa bonita.

'Tá quase...

Monday, March 25, 2013

Tenho saudades tuas, David

À medida que um tipo vai envelhecendo vai ganhando interesses inesperados e redescobrindo memórias surpreendentes. Quando digo "um tipo" estou a falar de mim próprio, evidentemente. Estou a tentar implementar aos poucos esta mania de falar na terceira pessoa, sempre como "um tipo", e acho que dentro de um ano ou dois já é coisa para exportar lá para fora. Tentei fazer o mesmo há tempos usando antes o termo "desgraçado" mas, por alguma razão, as pessoas não aceitaram tão bem. São feitios...

Mas enfim, hoje em dia dou por mim a ouvir música que não ouvia na altura em que foi feita, a ver filmes que dantes não me interessavam para nada, a gostar de coisas que não gostava, só pela época que representam e pela nostalgia que me trazem. Posso estar vinte a trinta anos atrasado mas a verdade é que não me importo muito com isso. Desde que um desgraçado possa tirar daí momentos de genuína comoção, acho que é aposta ganha. Viram? Desgraçado não é tão eficaz, de facto.

E se aquilo que eu ontem desprezava hoje faz as minhas delícias, que dizer de tudo o resto que eu já venerava? Tipo a série de animação "David, o Gnomo"?!

Uma vez mais digo: não tenho nada contra nem a favor dos anões. Eles são como são e eu sou como sou, tenho mais meio metro e metade do tamanho do crânio, é certo, mas fora isso pouco nos afasta. Sei que eles por regra têm menos tolerância ao álcool do que as pessoas de dimensão dita normal, mas como também deixei de beber há uns bons meses calculo que até nisso sejamos parecidos. Os anões, é preciso dizê-lo sem rodeios, a meu ver não são nada de especial.

Já quando se fala de gnomos, a conversa é diferente.
Adorava-os em criança e, caso tivesse hoje uma doença grave do foro psicológico, continuava a adorá-los e a acreditar na sua existência.

Para começar, usam aqueles chapéus bicudos que tanto gabo nos Papas (até falei nisso no texto anterior). Continuo a achar que é preciso um indivíduo estar muito seguro de si e da sua sanidade mental para colocar um bicharoco daqueles todos os dias na pinha e achar que se está em condições para sair para a rua. No entanto, duvido que os gnomos associem ao adereço qualquer significado religioso... O que me levanta dúvidas quanto à posição relativamente às questões raciais. Há qualquer coisa de Ku Klux Klan naquele outfit mas prefiro não pensar muito no assunto. É certo que nunca vi nenhum sujeito de raça negra nos episódios de "David, o Gnomo" mas também não é menos certo que toda aquela realidade de floresta e não sei mais o quê pouco tem a ver com o Sul dos Estados Unidos. Lá está: não vale a pena ir por aí.

Depois, tanto David como Lisa (a esposa) eram idosos... E sabemos como as crianças apreciam idosos.
Eu não era excepção, de facto sentia empatia com velhotes mas hoje vejo as coisas com outros olhos. É que a grande generalidade dos gnomos que apareciam na série tinham já uns Invernos a mais, o que me leva a suspeitar que se a população gnoma era já envelhecida na altura, hoje já pouco deveria restar da mesma. Sou capaz de imaginar David com o chapéu meio murcho, sentado numa poça de mijo a ver o Goucha e a queixar-se que "Ser gnomo no meu tempo é que era e a malta nova não quer pegar nisto..." Enfim, preocupações que não me assombravam mas que actualmente, viciadas pela vida adulta, não deixam de surgir na ideia.

Para quem não via a série, David, além de gnomo, era também uma espécie de veterinário. Tipo, curava os animais que estivessem doentes, que tivessem sido apanhados em armadilhas ou que sofressem de uma maleita qualquer. Nenhum dos episódios abordava questões de ordem médica mais complexas ou até mesmo embaraçosas (não me lembro de ver David a ter de retirar um espinho do escroto de um texugo, por exemplo) nem sei se prestava serviços no âmbito da psicoterapia ou de medicinas alternativas, mas se tal acontecia deduzo que tais cenas tivessem sido registadas off the record. O tamanho de David não deixava de ser uma vantagem no exercício da sua profissão porque lhe permitia observar de perto e em grandes dimensões quaisquer orgão que tivesse de tratar. No fundo, uma boa maneira de se poupar uns trocos num microscópio. David era manhoso e sabia-o. No entanto, era também bastante estúpido dado que nunca o vi receber um cêntimo pelos serviços prestados. Os bichos deviam agradecer e dizer que pagavam no fim do mês quando recebessem e o otário dizia que sim e voltava para o buraco a cantarolar e a equilibrar o chapéu bicudo na cabeça. Enfim, há ursos...

Já a Lisa, sejamos sinceros, era uma mula que não fazia nada. Estava gorda como uma porca com um problema glandular e isso é fácil de explicar pelo simples facto que raramente saía do covil que partilhava com o marido. Seria uma trophy wife não fosse o seu aspecto asqueroso e abrutalhado em cima do qual, equilibrava também ela, o seu chapéu bicudo. Ok, podem dizer que provavelmente tratava da lida da casa. Mas quando a casa tem cerca de quinze centímetros quadrados digamos que as tarefas não podem consumir muito tempo ou energia. De qualquer maneira, acredito que houvesse uma certa tensão entre ela e David por causa da sua ineficácia em trazer dinheiro para o agregado familiar. O sair todos os dias para ir trabalhar e o regressar à noite com um sorriso idiota na cara e os bolsos vazios deviam encher Lisa de dúvidas e inquietação. Inquietação essa que nunca é verdadeiramente abordada na série, diga-se.

No entanto, a relação entre os dois não parecia má, embora profundamente assexuada. Os raros momentos de carinho consistiam no esfreganço vigoroso dos narizes, prática que como é sabido foi tornada célebre pelos esquimós. Julgo que pouco devia ter a ver uma coisa com a outra, dado que aquela malta nunca devia ter visto um esquimó à frente, provavelmente era apenas uma maneira de mostrar qualquer coisa parecida com afecto sem ter de aplicar demasiado esforço nem correr o risco de ser erótico. E erotismo com aquelas duas aventesmas era algo para patrocinar os meus pesadelos durante meses.

Mas nem tudo era miserável, David fazia-se sempre transportar no dorso de uma raposa que chamava com um assobio. Provavelmente o único animal honesto e que assim recompensava os serviços de enfermaria prestados pelo gnomo. Uma espécie de limusina com motorista sempre ao dispor não era para qualquer um. Quando era criança, vivia na mesma rua que o ex-presidente da República António de Spínola. E, como se sabe, a malta que foi presidente tem direito a viatura e pinguim condutor todos os dias, até ao pijaminha de madeira. Os ex-presidentes e julgo que o Cavaco também, quando largar o poleiro. Bom, lembro-me de olhar para o velhote e achar que havia muito de David nele... Em vez de uma raposa vermelha era um carro preto e ele não o chamava com assobios mas fora isso era igual. Às vezes há coisas que aproximam os desenhos animados da vida real e só topamos quando somos putos. Enfim...

Os inimigos, também os havia, eram uns deprimentes irmãos mostrengos com narizes de bêbado a quem chamavam trolls, mas nunca constituíam grande ameaça. Faziam patifarias de modo cristão e sempre dentro de certos e determinados limites, porque eram também eles bastante estúpidos. Aliás, só assim se justificava a vida tranquila de David que, como já foi provado ao longo deste texto, não era propriamente a última Coca-Cola do deserto...

Mas voltando ao início, a minha adoração pelo boneco era imensa.
E aos trinta anos, não nego que ver o genérico no youtube faz com que haja uma lagriminha a querer saltar. Isto embora também tenha de recordar com bastante tristeza o momento em que nos separámos definitivamente e que envolveu um berreiro tal que os vizinhos provavelmente pensaram que me estavam a cortar um braço com uma colher de chá.

É que os senhores criadores da série "David, o gnomo", com certeza esgotados por todo o fervilhar criativo que os episódios exigiram e não sabendo como colocar termo à questão, tiveram a ideia brilhante de o fazer traumatizando milhares (quiçá milhões) de malta infantil.

Para quem não sabe, no final de "David, o gnomo", David e Lisa MORREM transformando-se ambos num decrépito e macabro par de árvores.

Sim, tal qual.

...

Ah mas não antes de uma dolorosa despedida lavada em lágrimas entre o gnomo e a raposa motorista (o que talvez tenha indicado que ambos tinham uma relação extra-profissional mas não vale a pena agora desenvolver o assunto).

Sim, MATARAM David e a mula da mulher só para poderem dar a série por finalizada.
Hoje, a transformação de personagens em árvores afigura-se-me como "menos má" mas na altura foi o equivalente a terem sido queimados vivos, decapitados e as cabeças espetadas em estacas à entrada da floresta. Podiam ter feito uma montagem com os trolls a despachá-los a tiro como no fim do Padrinho I, com os violinos de fundo, que aos meus olhos não teria sido menos chocante.

Enfim, a vida é curiosa e à medida que avança as memórias ganham outros valores e significados.
Julgo que é essa a conclusão que um tipo tira daqui.

Seja como for, e com toda a lamechice que isso implica...

Tenho saudades tuas, David.

Wednesday, February 13, 2013

O xôr Bento da contabilidade

Então mas... o Papa demite-se?!

...

Com o desemprego todo que anda p'raí, ele arreda um trabalho bom como aquele p'rá borda do prato?!

...

Parece-me uma decisão um tudo-nada irreflectida, devo confessar. Provavelmente foi tomada a quente e no calor do momento, mas já se sabe como são estes octogenários sempre com o sangue a fervilhar na guelra... Às vezes ganhavam mais se pusessem logo um comprimido debaixo da língua e se se deixassem ficar a reflectir com a nuca inclinada para trás e a boca aberta, esparramados no sofá. Mas enfim, é só uma sugestão.

Demite-se porquê?! Vamos lá a saber...

Está aborrecido porque já não tem mais progressão na carreira?! É que se for isso até compreendo porque depois de se ser representante de Deus na Terra, convenhamos, as coisas tornam-se um bocado maçudas. Deixamos de ler os classificados nos jornais, de ir a sites de emprego, de dar a dica aos amigos que estão noutros sítios melhores... Um tipo é Deus! Não há como bater isso.

Mas ainda assim, nos tempos que correm, acho um bocado cagarola abdicar por falta de desafio. Prefiro mesmo acreditar que a culpa é daquele maldito chapéu bicudo que deve dar cabo das costas.

Não me interpretem mal, eu adoraria usar um chapéu daqueles e dificilmente largaria um emprego em que o pudesse usar em situações que não incluissem piñatas, confettis ou línguas da sogra mas a sociedade não me permite essas liberdades. Permite a ele porque, lá está, até arrumar o cacifo é Deus.

A única maneira de me deixarem usar um chapéu bicudo numa base diária era se a minha cabeça fosse, ela própria, bicuda. Estive a ver uns documentários no National Geographic e parece-me que isso só é possível se se enfaixar a cabeça dos putos desde o berço com ligaduras apertadas. Portanto, todo um meritório e dedicado cuidado diário que os meus pais "decidiram" não ter. E agora eu que me governe com esta cabeça da treta, que não ostenta umas missangas douradas, uns berloques de veludo grená, uns bordados rococó... nada de nada. Uma pobreza franciscana é o que isto é ao nível craniano!

Mas enfim, mesmo que ele esteja com a cervical toda esfrangalhada continuo a achar estranho ter mandado o lugar assim às urtigas... Também me pus a pensar que talvez a culpa tenha sido do mau feitio do patrão. Sempre com ares de "maior" porque... é efectivamente "o maior". Quando assim é, sabemos bem que pode ser um pesadelo ser o secretário, por muitos chapéus bicudos que se possa usar. Deus não aceitou bem a decisão do homem, isso é certo. Mas se o azedume do todo-poderoso se reduz a um raiozinho a cair no pára-raios da Basílica de São Pedro então é aproveitar porque parece que, apesar de tudo, a idade o amansou um bocadinho. Tempos houveram em que lançava pragas, aniquilava civilizações inteiras, exigia sacrifícios... Agora limita-se a cumprir a ciência e a dar razão ao Ben Franklin. Depois não venham dizer que a religião é dogmática e não evolui.

De qualquer maneira, se era para abdicar julgo que Ratzinger nem sequer devia ter pegado nesta empreitada. Já sei que a malta esteve lá reunida, que se gera sempre aquele ambiente de camaradagem, contam-se umas anedotas, brinde p'raqui, brinde p'rali, mas na altura em que estivessem p'ra lançar o fumo branco bastava agradecer e dizer para passar ao próximo porque não se tinha vida p'raquilo. Mas entusiasmou-se e se calhar agora vai ver-se grego se quiser arranjar outra coisa.

É que ser Papa é daqueles papéis que marca uma vida. É como o Radcliffe... O puto até pode ser bom actor e tudo mais mas o pessoal olha para ele e vai ver sempre o Harry Potter! Não há como fugir.

Enfim, mas apesar de ter ficado menos tempo no Vaticano do que o Pedro Barbosa no Sporting (que entrou lá ainda com borbulhas e saiu marreco e já sem cabelo), considero que o pontificado de Bento XVI teve bons momentos que vale a pena recordar num daqueles vídeos que faziam quando alguém era expulso da casa do Big Brother. Talvez com uma música do ceguinho da ópera para puxar a lagriminha... Isto caso queiram dar um pouco mais de dramatismo à coisa, claro.

Agora quem o vai substituir ainda não se sabe ao certo.
Ouvi dizer que toda uma legião de eternos suplentes como o Zé Figueiras da SIC ou o Kardec do Benfica enviaram candidaturas mas foram obviamente recusadas porque não preenchiam os requisitos. Um homem para ser Papa tem de ter as costas fortes (por causa dos tais chapéus bicudos) e também ajuda já ser cardeal e assim... Depois basta saber ler e não ter medo de andar numa espécie de carrinho de golfe. Acaba por não ser um ofício assim tão complicado.

Pessoalmente tenho pena que não se aposte mais na prata da casa e não se promova um estagiário que lá ande, por exemplo, mas admito que pouco percebo de Vaticanos. Eles não mandam em minha casa e eu não mando na deles, é um pacto de cavalheiros que temos vindo a respeitar com bastante sucesso.

A Ratzinger desejo a melhor das sortes embora continue a achar que ele tem nome de vilão dos bonecos animados. Eu não o contrataria para qualquer posição de atendimento ao público precisamente por isso. Se fosse a ele mantinha o Bento mas largava o XVI porque há-de haver sempre o engraçadinho que vai ignorar a numeração romana e ler as consoantes. Mais vale jogar pelo seguro e passava a ser xôr Bento da contabilidade.

Pronto.

Thursday, January 24, 2013

Esse maricas do Armstrong...

Olhem, antes de mais e não tendo nada a ver com o conteúdo propriamente dito deste post, quero aqui deixar novamente o apelo de se ACABAR DE VEZ COM A MERDA DOS PANDAS!!!

É que é uma situação que se tem vindo a arrastar ao longo de décadas e não há ninguém que se chegue à frente e resolva o assunto! Ainda esta semana tivemos o ministro da saúde do Japão a manifestar o desejo do falecimento rápido de milhões de idosos e nem estes bons exemplos de pragmatismo vindos de um país vizinho conseguem sensibilizar os chineses para aquilo que precisa de ser feito!!!

PORRA, ACABE-SE COM OS PANDAS PÁ!!!

O que é que é um panda senão um adolescente idiota e trombudo que passa a vida fechado no quarto a espremer as borbulhas e a recitar poesia barata?! Raisparta que o urso é emo e é estúpido, catano!

Primeiro: não se sabe vestir! Os meus pais tinham uma mobília de quarto preta e branca nos anos 80 mas isso é coisa que ficou lá p'ra trás assim como aqueles brincos de plástico colorido que saiam nas batatas. Segundo: é esquisito e fino, o estupor! Arroz e feijão que há às pazadas e que toda a gente gosta e come, não toca nem obrigado. Só lá vai com caninhas de bambú tenrinhas e às paletes delas que a real peidola do raio do urso não se sustenta com pouco. Como se isto tudo não bastasse, chineses enfiem por favor nas vossas cabeças:

O BICHO NÃO QUER REPRODUZIR-SE!!!

É que eles já deixaram isso muito claro! Nem uns dos outros gostam!!!
Excusam de lhes mostrar filmes pornográficos com bichezas (e acreditem que mostram porque eu li a notícia), de lhes polvilhar o bambú com gindungo (literalmente, não inventem vocês também) ou de lhes injectar hormonas...

O URSO NÃO QUER, ARRUMA-SE A LOJA E DÁ-SE LUGAR A OUTRO QUE ISTO É MESMO ASSIM!

EHPÁ QUE PESADELO!!!

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Bom...
Peço desculpa pelo excesso mas antes de qualquer coisa tinha mesmo de tirar este peso dos ombros. Desconfio que a origem do meu ódio esteja num boneco de um panda que eu tinha quando era pequeno, um daqueles de borracha que guincham quando lhes apertamos o bandulho. A brincar a brincar, ainda ouço aquele silvo aflitivo e aterrador quando estou para adormecer ou quando fecho os olhos em becos escuros, mas enquanto me trato e não me trato, vou desabafando para aqui.

Já agora, não sei bem porque é que ando p'raí a fechar os olhos em becos escuros mas enfim... isso será com certeza material para outra conversa.

Ora bem, grande brincalhão aquele Armstrong hem?
Eu sempre disse que ciclismo era estupidez mas nunca ninguém me deu ouvidos.
Os meus avós dizem que gostam de ver a Volta a Portugal por causa das paisagens mas o certo é que não poucas vezes as paisagens que acabam por ver estão no interior do subsconsciente, com as cabeças reclinadas para trás e a boca aberta, diante da TV.

O ciclismo é uma seca mas é só para quem assiste. Acredito que aqueles que estão a pedalar têm o coração ao ritmo de uma gazela a bombar numa festa de transe, tal é a catrefada de drogaria que levam no bucho.

Que muitos dos atletas usam substâncias ilegais já todos sabíamos e contávamos com isso, o que não é nada comum é vir o tipo que era considerado o rei deles todos assumir descaradamente a moscambilha num programa como o da Oprah. Se era para confessar macacadas ele que escolhesse o Goucha que menos gente vê e ninguém leva a sério. Mas não... O homem quis protagonismo até ao final.

Ao que parece, com testículo ou sem testículo, aquilo foi um ror de etapas e troféus ganhos à conta dos chiribitis. Comeu, bebeu, deu as suas cambalhotas ao nível da cama (que entretanto já não estamos a falar de pandas) e quando a coisa apertou de vez... apareceu e disse que era tudo mentira. Que não houve etapa em que não estivesse mais dopado do que o Jorge Palma em dia de concerto.

Pessoalmente, acho mal.

Quer dizer, não tenho nada contra o homem ter feito batota para baralhar a verdade desportiva, ter enganado milhões de adeptos, ter ofendido uma legião de admiradores, ter-se enchido à grande durante anos à conta de uma mentira.
Se estivessemos a falar de futebol até poderia levar a peito mas ciclismo... Ehpá ele que faça o que quiser. O que me transtorna não é nada disso.
O que me transtorna é terem dado tanta importância a um intrujão destes e não darem reconhecimento nenhum a este campeão que se fartou de atingir feitos ao longo da vida e nem um aplauso, nem uma palavra, um ramo de flores, uma flute de champanhe, nada...

E quando digo campeão, estou a falar de mim, notem.
Nunca pensei dizer isto mas se formos a ver bem, eu, que sou eu, acabo por ser tão campeão quanto o Armstrong.

...

Pronto, adiante...

Tudo o que fiz na minha vida ao nível do extraordinário teve de reconhecimento aquilo que teve de droga: zero.
Ok, nunca venci uma Volta a França, dou-vos isso. Mas já fui a Paris duas vezes de avião e parece que não conta p'ra nada. O que é que vale mais? É o Armstrong a pedalar cá em baixo todo janado ou sou eu lá em cima recostado como um senhor, a deslocar-me aos 900 Km/h de cada vez?! Pois.

Bom, passando a factos concretos dou o exemplo de um feito atingido por mim ainda em tenra idade e que foi ignorado pelo grande público. Portanto, uma coisa pela qual nunca recebi crédito...

Uma vez comi seis sandes de marmelada e queijo num só lanche.

...

SEIS!

E se foram no mesmo lanche estamos portanto a falar de cerca de uma hora.
Droga - nada.
Marmelada e queijo - o suficiente para me fazer tombar com um enfarte do miocárdio logo aos dez anos de existência.

A isto, meus amigos, chama-se domínio das paredes estomacais e dos movimentos basculantes da traqueia que à terceira sandes já queria espichar tudo p'ra fora a ver se me salvava a vida.
Enquanto isto acontecia, eu, pensando nas novas gerações e em todos aqueles para quem podia tornar-me um exemplo, mandei a traqueia à merda e empurrei-lhe mais três paposeco a murro, para atingir o objectivo.

Foi uma vitória silenciosa dado que só foi presenciada por duas pessoas.
E uma delas tinha os dedos no telefone, na iminência de ter de ligar para o 112. Mas eu era uma criança idealista e não conhecia a derrota, o desânimo e a noção de ridículo.

Comi as seis sandes bem apetrechadas de marmelada e queijo e passado duas horas sentei-me p'ra jantar como se nada fosse. Isto sem transfusões de sangue, sem injecções regulares nem demais substâncias suspeitas... Até a marmelada era caseira. Por isso, se vê...

A mim ninguém me chama para ir à Oprah falar desta experiência e cativar novos valores do enfardanço. Quem papa placentas, prega a deuses espaciais e salta nos sofás feito tantam, tem livre trânsito. O Tom Cruise, tudo bem. Agora, malta de verdadeiro valor já não é com eles.

Eu até aposto que ganhava a Volta à França só com uma dieta à base de sandes de marmelada e queijo. Cruzava a meta vinte anos depois, encharcado no próprio vómito e com a pança a rojar pelo alcatrão mas cruzava.
Não era como esse maricas do Armstrong...