Saturday, October 16, 2010

A Problemática dos Lémures

Encerrada de vez a viagem ao México, curada a infecção pulmonar que trouxe como "recuerdo" e de novo na roda viva do trabalho, da compra da casa e do lufa-lufa do dia-a-dia... é tempo de ocupar-me novamente de assuntos que de tão sérios dispensam demoras.

Falo da problemática dos lémures.

Para quem não sabe o que são lémures, coisa imperdoável, aqui fica uma achega: imaginem um guaxinim anoréxico. Aí têm um lémure. Simples, não é?

Por outro lado, se nem sequer sabem o que é um guaxinim então já pouco posso fazer para vos ajudar. Isso é o grau zero dos bichos patuscos, senhores.

Bom, o meu fascínio por lémures é algo que já tem feito correr muita tinta. Nomeadamente a minha. E escusam de dizer que só comecei a gostar deles depois de ter visto o "Madagáscar" porque isso é uma calúnia infame. Ainda o King Julian não sabia dançar o "Move it, move it" e já eu sabia de trás para a frente o que era um lémure e tudo mais que se possa saber acerca deles.

Basta olhar para eles: olhos redondos, muito vivos, como dois holofotes amarelos; orelhas peludas e hirtas, sempre alerta; expressão palerma no focinho; não vale a pena estarmos para aqui com meias-palavras, os lémures, se os animais trabalhassem, eram de longe OS PATRÕES.

Gosto deles, pronto. E podia ficar-me por aqui.

Mas eu nunca me fico por aqui...

Há uns tempos atrás pensei muito seriamente em adoptar um lémure. Pensei tão seriamente que cheguei a trocar alguns e-mails com o Badoca Park, para potenciar ao máximo esta experiência. Quando descobri que adoptar um lémure não significava exactamente trazê-lo para casa, não nego que fiquei algo embargado pela dor. Não foi fácil de recuperar do choque. Mesmo sabendo que o bicho provavelmente não se adaptaria muito bem a Benfica, há por aqui animais com ainda menos maneiras, pensei que o meu papel como pai adoptivo só poderia ser integralmente cumprido com este tipo de proximidade. De que outra maneira poderia eu controlar "as companhias"? Rever-lhe os trabalhos de casa depois das aulas? Falar com ele sobre miúdas?

Sei o que estão a pensar: em Benfica não há lémures fêmeas, logo não há "miúdas"... Mas já vi por aí trambolhos com o cio que certamente até se esfregariam nos escaparates do LIDL se isso não desse prisão. Por isso, um lémure seria para elas uma benção dos céus.

Bom, mas dizia eu que troquei mails com o Badoca Park. Mais do que seria desejável para ambas as partes. Para eles, deve ter sido esquisito responder a tantas perguntas e sentir tanto interesse de um indivíduo em apadrinhar um primata. Quanto à minha pessoa, senti que algo estava a impedir-me de atingir o meu objectivo, algo se estava a colocar entre mim e o meu lémure.

Primeiro queriam impingir-me um lémure de barriga vermelha. Pffffff

Excusado será dizer que os bons são os de cauda anelada. Mas esses não estavam na lista de adopção, o que me levou logo a tecer a minha primeira exigência: "Eu amo todos os seres vivos e todas as criaturas de Deus mas recuso-me absolutamente a adoptar um qualquer ranhoso de barriga vermelha que vocês me queiram impôr..." Foi com esta e outras considerações que facilmente consegui que os lémures de cauda anelada entrassem na equação.

O que me levou ao segundo problema: o apadrinhamento teria de ser presencial. Eu teria de me deslocar até Santo André no Alentejo para oficializar a minha nova condição de "pai adoptivo". E pensando bem era o mais correcto a fazer. Mais do que enviar um cheque frio e impessoal e correr o risco de ver o meu lémure tornar-se um marginal, sem referências nem valores, encostado às palmeiras a fumar marijuana o dia inteiro, a gritar ordinarices aos tratadores e a apalpar as turistas. Eu não poderia suportar tal fracasso no exercer das minhas funções de progenitor. Mas também não me apetecia fazer uma viagem de 200 km para fazer as coisas como deve de ser. Como tal tudo ficou sem efeito até hoje.

Continuo a gostar de lémures e continuo a querer adoptar um. Isto porque entre outras coisas, é-nos permitido dar-lhe nome. E eu queria muito que houvesse um lémure a chamar-se André Oliveira, tal como eu. Pagava bom dinheiro para ouvir os seguintes comentários de um tratador:

- Skippy deixa os outros lémures comerem fruta também. Maggie não mordas a cauda da tua irmã. Estás com o pelo muito giro hoje, Scottie. André Oliveira pára de atirar caganitas às pessoas!

Era espectáculo.

E agora, enquanto o mundo está em crise, o IVA subiu para valores astronómicos, o país está pior do que nunca e o Sócrates goza connosco como um perdido... julgo que estão reunidas as condições para finalmente adoptar o meu lémure.

Vou estudar novamente o assunto, que isto não é para se fazer de ânimo leve, e talvez ganhar coragem de tomar uma atitude.

Um gesto meu hoje, um lémure a menos no mundo do crime amanhã.

Ámen.

6 comments:

Peres said...

De facto, a problemática dos lémures é algo que assombra subtilmente a sociedade actual... :) Adorei a parte das mulheres a esfregarem-se no LIDL, ahahah! Boa boa!

Vânia said...

e depois podias trazer o teu lemur de férias no Verão e iam os dois banharem-se para a piscina, quais dois amigos e um dia....um dia surgia novamente aquele papelinho mágico de "Foram novamente encontradas fezes na pisicina" mas não havia problema, porque como o teu lemur ia gostar de atirar caganitas às pessoas vocês chapinhavam enquanto se deleitavam com a magia de caganitas humanas a voarem entre os dois:-) ai ai, como é bela a relação entre o homem e o animal!

André Oliveira said...

Obrigado, amigo. Tens de por os teus vlogues numa mailing list tb... tenho medo que me escape algum. Abraço.

André Oliveira said...

Vânia, é lémure que se diz. :P

Freedom said...

Se um lémure é um guaxim anoréxico lógicamente que um guaxinim é um lémur penso que é esta a "filosofia" e o pessoal entende.
É a mesma coisa que dizer/escrever lémure ou lémur ou "excusam de dizer..." versus escusam de dizer.
A malta bacana entende.

Se eles trabalhassem na sociedade humana eles talvez fossem "bufos", mafiosos,chulos, traficantes, criminosos,...enfim, teriam um bom e alto cargo em qualquer governo.

O melhor mesmo é adoptares um guaxinim anoréxico. Sempre te podia vigiar o carro e esfregar-se nos escaparates do...vizinho.

André Oliveira said...

Obrigado por apontares o erro ortográfico, pai. Já está corrigido. :)