Friday, December 27, 2013

Agruras de um Natal passado

Estes governantes são tramados, pá.
As coisas que aquelas cabecinhas arranjam p'rá gente não ligar demasiado aos aumentos que tarda nada nos vão obrigar a vender o rabo para sobreviver... E não pensem que isto é apenas mais um dos meus exageros. É que ainda há bocado vi no telejornal que vai subir tudo o que são prestações e contas em 2014, desde o gás à água, passando pela electricidade, prestações da casa e taxas moderadoras dos hospitais. A venda do rabo é cada vez mais uma realidade e só se safará quem tiver bom rabo. Da minha parte, posso garantir que estou em muito maus lençóis porque, da última vez que vi, o meu rabo tinha sido considerado "lixo" pela própria Standards and Poors. Provavelmente, safar-me-ei com um ou outro estivador menos criterioso... Mas até aí será complicado porque também os estivadores andam a passar mal.

E curiosamente até é de lixo que estou a falar. Esta história da greve da recolha, para mim, foi uma jogada de mestre. Com os efeitos desta greve, ao primeiro beduíno que levantar a voz contra a política dos aumentos, sempre podem responder que acabámos o ano atolados em merda até às orelhas e portanto, a partir daí, é sempre a melhorar. Portanto não me parece que hajam coincidências.

Lisboa está tão afogada em lixaria que parece que o terramoto foi na semana passada.
Calculo que até leprosos medievais se recusariam a passar em certas ruas, da maneira como isto está. Eu sou solidário com os homens do lixo, não por causa da história de não quererem passar p'rás freguesias e tudo mais, que aquela malta tem é de trabalhar e calar o bico, mas devido a um exemplo em particular. Quando era miúdo, havia um homem do lixo na minha rua que tinha um cabelo que sim senhor. Forte, viçoso e com aquele lustro cor de petróleo que só meses de recusa à higiene podem explicar. Eu sempre prezei o meu cabelo, mais ou menos até à altura em que comecei a ficar sem ele, e portanto olhava p'raquilo um pouco como os putos do Funchal olham para o Cristiano Ronaldo. Na altura, daria ambas as minhas pernas por uma cabeleira com aquele calibre, primeiro porque o que gostava mesmo era de estar sentado a despachar sandes de marmelada, portanto podia bem passar sem elas, e segundo porque assim teria a certeza de que nunca, mas nunca, viria a experimentar as agruras da calvície.

Cresci fascinado pelo homem do lixo do cabelo de aço e nunca fiquei a perceber a verdadeira natureza de tal fenómeno: se eram genes, se a total ausência de contacto com H2O ou se simplesmente os vapores dos resíduos que fortaleciam o escalpe. Tanto quanto sei, o homem até podia ser careca, mas como não havia banho para retirar os cabelos mortos eles lá ficaram, entrançados, num enorme telhado de pladur capilar. Enfim, ídolos de infância todos temos.

Penso que, principalmente por isso, durante breves momentos também eu quis ser homem do lixo. Aliás, ao longo da minha vida quis ser várias coisas até ter tomado a decisão de ser aquilo que sou hoje. Que é algo que não consigo descrever mas que há quem defina como "freelancer", "jeitoso", "escritor frustrado" ou "aquele tipo que olha para mim fixamente e que me faz deitar a mão ao gás pimenta sempre que aparece". No entanto, as minhas ambições de futuro esbarravam sempre no trágico e rigoroso muro da realidade. Quis ser veterinário mas percebi que era mais do que fazer festinhas aos cães. Quis ser pescador mas percebi que isso era estúpido. Quis ser dono do mundo (e por alguma razão achava que para isso precisava de uma espada e de um cavalo) mas havia um amigo meu que queria ser a mesma coisa e já tinha o cavalo. Quis ser paleontólogo mas depois de ver o Jurassic Park em 93 toda a gente queria. Enfim...

No fundo, o que eu queria mesmo era um cabelo como o do homem do lixo.
E daí o meu carinho por toda aquela malta.
Estou triste por se verem forçados a fazer greve, pelos aumentos que aí vêm e por ter de enfiar a boca em dúzias de sacas fedorentas com restos do Natal para chegar até ao carro e ir para casa.

Estas tristezas todas lembram-me, já agora, uma das coisas mais comoventes que alguma vez vi na televisão. Curiosamente na altura do Natal e também curiosamente protagonizadas por um tipo com um cabelo que sim senhor: Michael Landon da série "Um Anjo na Terra". Quem se lembra desta série provavelmente já estará num lar de terceira idade a comer açorda por uma palhinha e saberá que o único intuito da mesma era fazer chorar. Um pouco como as entrevistas do Daniel Oliveira mas em formato seriado e ainda mais explosivas. Todos os episódios eram tristes à sua maneira mas este... Este rebentou a escala.

Bom, vou deixar aqui o link para não me chamarem mentiroso.
Se vos apetecer ver depois do telejornal de hoje à noite pode ser que fiquem com um impulso incontrolável de sacrificar ninhadas de pandas e de tatuar suásticas na testa, mas isso serão apenas efeitos secundários.

Ora portanto, a sinopse é mais ou menos a seguinte:

Aquilo começa com um puto deficiente (que se não é mesmo deficiente então é muito bom actor) que, em jeito de bónus, é também sem abrigo. O desgraçado está a roubar um queque e um conjunto de velinhas numa loja de conveniência. A dada altura, porque como é deficiente é também um bocado trôpego, o puto lá faz merda e o dono da loja percebe que está a ser roubado. Por pouco não lhe prega uma lamparina bem aviada na tromba porque o rapaz consegue fugir e esgueirar-se até casa. Aqui, "casa" é uma caixa de cartão num beco escuro e badalhoco. Ora, perguntam vocês porque é que o miúdo deficiente foi correr este risco todo para gamar um queque e umas velas? Porque fazia anos e queria celebrar...

...

Eu por esta altura já não sabia se chorava ou se me mijava todo.
Tais eram as convulsões que sentia pelo corpo.

...

Ora, queria celebrar mas não estava sozinho. Tinha a companhia do seu único amigo: um gato sarnento a quem ele chamou repetidas vezes, pelo meio dos incessantes perdigotos que lhe saltavam da boca, de "o meu presente de aniversário". Enfim... Aparece Michael Landon com o seu extraordinário cabelo (semelhante ao do homem do lixo que eu conhecia mas com o factor champô à mistura) e, porque é um anjo e tem contactos privilegiados, consegue fazer com que um casal de classe média alta adopte o miúdo "especial". Ele lá vai para um grande casarão e tal, conhece o filho biológico do casal que surpreendentemente nem é muito mimado e durante um bom quarto de hora até parece que a coisa vai ter final feliz.

...

Aqui, entre o ranho que me escorria pelo peito até às virilhas, eu já tinha gasto duas embalagens de lenços e começava a achar que não valeria a pena abrir uma terceira.

...

A dada altura, por alguma razão há um fogo na casa e a malta que até ali tinha sido muito dócil e compreensiva não hesita um milésimo de segundo a culpar o deficiente e a correr com ele dali p'ra fora.

...

Tal qual.

...

Portanto, o puto lá regressa para a caixa de cartão, que por esta altura tinha mais SIDA que papel, e volta a passar as noites abraçado ao gato e a desejar que a catrefada de parasitas que a bicheza carrega no pêlo não o cegue durante a noite.

...

Fim.




Bom, é possível que não tenha sido 100% assim mas é assim que eu me lembro do raio do episódio. Ainda hoje, aos 31 anos, não há Natal que não me lembre do puto miserável e do Michael Landon sempre que vejo tristezas na televisão e fico receoso em relação ao futuro.

Espero que estes dramas todos se resolvam e que possamos começar o novo ano da melhor maneira.

Menos inquietação, melhores condições para os trabalhadores e se possível...

... mais saudinha para o meu cabelo, se faz favor.

Friday, November 8, 2013

Não me sirvam pudins azedos

Os animais...

...

Estou só a lançar o tema para cima da mesa a ver se alguém começa a discussão.

...

É que eu não sei mesmo o que pensar deles...
Quando era miúdo, era obrigado a manter-me afastado por razões de saúde. Não, não padecia da condição psicológica contra-natura de muitos pastores, tinha era mais alergias do que uma prostituta tailandesa e, por causa disso, não me deixavam ter cães nem gatos. Ok, tive tartarugas, peixes, hamsters e periquitos, mas aqueles que não tiveram mortes precoces e traumatizantes revelavam-se uma enorme desilusão de tão aborrecidos que eram. Toda a gente sabe que só os tem quem não pode ter animais de estimação a sério...

Já na altura tinha dúvidas de como devia entender isto da bicharada e hoje esse debate mental (que é, a todos os níveis, perturbador) está a atingir picos de intensa bizarria.

No outro dia, passeava-me eu de cuecas pela cozinha (já não me lembro se ia beber um copo de água ou se estava apenas a ter um dos meus momentos "especiais"), reparei que no lavatório jazia o corpo adormecido de uma pequena sardanisca. Ora, na infância, e apesar de apreciar fauna no geral, apreciava também muitíssimo tudo o que pudesse estar envolvido com barbárie e selvajaria. Era uma criança de contrastes, acho. Eu podia passar a tarde toda, muito fofinho, a coleccionar cromos de animais selvagens ou a ver documentários na televisão, mas bastava chegar a casa e ver uma barata no corredor para exigir a sua cabeça, babando-me e aos guinchos, para junto aos meus pais. Isso ou ir eu mesmo, por minha iniciativa, desfazer-lhe o corpo e profanar-lhe a alma com a ajuda de chinelos, venenos ou lança-chamas (que infelizmente nunca havia na despensa, por mais que procurasse).

Surpreender uma sardanisca no lavatório da cozinha lembrou-me um episódio semelhante ocorrido no passado, há muitos anos atrás. Numa outra casa, num outro tempo, o meu pai aprisionava um réptil em tudo semelhante num coador (porque também estávamos numa cozinha e era o que ele tinha mais à mão) e pedia-me que o matasse o mais rapidamente possível. Olhei à volta e não vi nada que pudesse ser usado para aniquilar a existência de tal micro-inimigo... Não havia aerossol, não havia um rolo de jornal, apenas... Um enorme e maciço MARTELO.

Peguei na ferramenta e aproximei-me do coador, com um brilho estranho nos olhos muito abertos, enquanto ouvia o meu pai berrar (com os olhos não menos abertos):

DEVAGARINHO!

DEVAGARINHO!

DEVAGARINHO!

...

Alcei o martelo atrás da nuca, sempre inexpressivo e focado na minha missão.

...

Desferi o golpe, fazendo um ângulo perfeito com o braço de modo a imprimir mais violência.

...

E PÁS NA CABEÇA DA BICHA!!!

...

Sardanisca espalhada pelo coador.

Pelo fogão da cozinha.

Pelo chão.

Pela parede.

E ainda hoje o meu pai deve andar a tirar bocados da mioleira dela dos dentes também...

...

É por essas e por outras, por me sentir mal pelo que lhe fiz, que comecei a pensar na vida e a reflectir na génese desse meu apetite por sangue e tripas. Se eu gostava de animais, porquê tanto interesse em matá-los, mesmo que fossem nojentos, incomodativos ou desagradáveis à vista? Já na altura, bastava sair à rua para ver dezenas de pessoas com essas mesmas características (então em Arroios...!), por isso não era justo que uns fossem filhos e outros enteados. Com muito raciocínio e avaliação pessoal, fui crescendo, amadurecendo, desenvolvendo a minha maneira de ver o mundo e hoje, apesar de continuar a ter sentimentos díspares para com os bichos, posso dizer que respeito a existência de todos eles e só muito raramente opto por lhes fazer mal. Apenas quando as vozes na minha cabeça me obrigam a... fazer coisas.

Mas estava eu a dizer...
Encontrei a sardanisca no meu lavatório, muito pequena e esverdeada como uma esmeralda ao sol e, por alguma razão, senti por ela um amor profundo. Estava disposto a retirá-la do meu espaço com todo o carinho e languidez que os anos me ensinaram a ter. A minha oportunidade de fazer as pazes com o universo. Com gestos silenciosos e fluídos, como um mestre de tai-chi, retirei um copo de plástico do armário de cima e um pedaço de cartão para servir de base. Olhando a criatura nos olhos, como que querendo hipnotizá-la com a minha alma terna e caridosa, baixei sobre ela, com muito jeitinho, o copo de plástico para que não conseguisse fugir. Milímetro a milímetro, falando-lhe baixinho com doçura, coloquei também a base de cartão que me iria permitir transportá-la até à rua. Depois de cumprir o meu objectivo (e estando certo que, às tantas, a bicha nem sequer se apercebeu do que tinha acabado de acontecer), subi as escadas até ao terraço evitando os olhares gulosos deste presunto ambulante com patas a quem eu chamo de gato e guardo em casa como animal de estimação (a sério, este barriga de mijo está tão balofo que qualquer dia tenho de ir dormir para o sofá e deixar-lhe a minha cama...)

Bom, cheguei ao terraço segurando a base e o copinho com a sardanisca nas mãos, como uma oferta minha à natureza, glorificando a vida e todas as coisas sagradas, e comecei a pensar o que iria afinal fazer com ela. Atirá-la do terceiro andar não me parecia lá muito boa ideia dado o trabalho que tinha acabado de ter e a harmonia que bailava candidamente no meu coração. Deixá-la no mosaico também podia ser espinhoso caso ela decidisse enfiar-se dentro de casa outra vez. Daí, a solução passou por atirá-la para o telhado, apenas separado do meu terraço por uma grade.

Assim...

Coloquei os braços do outro lado do gradeamento...

Lancei à criatura um suave beijo de despedida, cheio de bondade e calor humano...

Retirei o copo de plástico...

Como eu suspeitava, ela não percebeu logo que estava livre...

Dei balanço com a base de cartão...

Atirei-a para a frente...

E depois de ter batido com a cabeça numa telha ficou INERTE E DE PATAS VOLTADAS!!!

...

...

F***-*E!!!

...

...

EU NÃO QUERIA CRER QUE AQUELE TRABALHO TODO TINHA SERVIDO PARA PARTIR O RAIO DO PESCOÇO À CRIATURA!!!

NÃO QUERIA CRER QUE O MUNDO ME IA FAZER ESSA DESFEITA!!!

40 MINUTOS DE MOVIMENTOS BRANDOS E SINUOSOS PARA, EM MENOS DE NADA, TER DE ASSISTIR AO CADÁVER A DESFAZER-SE DURANTE AS SEMANAS SEGUINTES.

EU NÃO QUERIA CRER!!!

...

Recusando-me a aceitar os factos, fiquei agarrado à grade, ainda de roupa interior, a chamar pela sardanisca num tom misto entre o aflito e o incrédulo.

Estamos a falar de um homem de trinta anos, em cuecas, a segurar uma parte da sua casa com ambas as mãos e a suplicar piedosamente pelo corpo inerte de uma sardanisca.

Portanto, um bonito espectáculo para todo e qualquer vizinho que estivesse à janela.

...

Ainda ali passei uns cinco minutos, sem sucesso.

E só depois de lhe atirar duas pedrinhas que saquei de um vaso é que a vi levantar-se e seguir o seu caminho.

Muito provavelmente para morrer em paz, uns metros mais adiante.

Ora, não é fácil admitir que aquela imensa odisseia para não roubar uma vida e respeitar todos os seres vivos acabou comigo de cuecas no terraço, a lapidar a carcaça ainda semi-viva da criatura que jurara proteger. Mas foi isso que se passou e é com a realidade que tenho de coexistir até ao fim dos meus dias. Portanto, se calhar continuo a ser a mesma besta do passado mas mais cínica, menos assumida e mais corrompida pelo mundo dos homens.

Ao menos tenho feito um esforço para decidir se os animais são, ou não são afinal, criaturas que valham a pena. Às vezes tenho a certeza que sim mas outras, começo a achar que não...

Por exemplo, eu reconheço valor aos javalis como indivíduos da floresta (que andam lá nas tocas deles e não chateiam ninguém) e como personagens de banda desenhada do Astérix. Têm com certeza qualidades e outros javalis que gostam muito deles mas, quanto a mim, não os ponham a servir à mesa...

Sim, a servir à mesa.

No outro dia, fui jantar a uma espelunca que já foi restaurante. Ao entrar, achei logo estranho que estivesse um porco selvagem a equilibrar-se nas patas de trás e a trazer a comida aos clientes mas como já vi tanta coisa estranha nesta vida (a maior parte dela no extinto jornal 24 Horas), em situações como estas prefiro calar a boca e seguir em frente. Houve quem dissesse que não se tratava afinal de um javali mas de uma pessoa em tudo semelhante a um suíno do bosque mas mais mal cheiroso e com o focinho mais cheio de gosma, mas não houve consenso em relação ao assunto. Mesmo que não fosse 100% porco, o que é certo é que a mãe fora com certeza violada por um, de quatro num celeiro, e passados nove meses trouxera ao mundo aquele artista. Portanto, até aí estávamos todos de acordo.

Mas sem querer afastar-me demasiado do assunto (e até porque isto é apenas um bizarro aparte), no final do jantar consegui identificar entre os grunhidos da besta que havia pudim para sobremesa. Pedi-lhe um e ele trouxe-mo poucos minutos depois, embalando o pratinho no casco.

À primeira colherada, espargi mais depressa a mixórdia do que levaria a ASAE a fechar o pardieiro e a mandar incinerar o corpo fedorento do empregado. Mais azedo do que aquele ex-pudim só mesmo um dos casacos coloridos do Goucha. Um verdadeiro atentado ao meu bem estar e um insulto a todos os grandes adeptos da nobre arte de realizar e degustar pudins.

Chamei o porco e disse-lhe que a sobremesa não estava em condições, que estava estragada.
O bicho ergueu as orelhas que tinha à frente dos olhos com indignação, raspou o muco das narinas com um fungo prolongado e pegou no prato da sobremesa com desconfiança.

Vi eu e viram as pessoas que estavam comigo, o javali a refundir-se para uma zona mais isolada e encostar o focinho ao doce. Não convencido com o fedor que certamente lhe teria queimado os pêlos das narinas caso fosse um ser humano normal, pegou na minha colher e deitou, ele próprio, um pedaço da gosma amarelecida sob a sua roliça e babujada língua de porcalhão.

Apercebendo-se de vez que dificilmente aquilo poderia estar mais podre e impróprio para consumo, a besta escarrou o pedaço que tinha jogado à boca para o mesmo prato de onde o tinha tirado e arrastou-se já quase em quatro patas de volta para a cozinha.

Irritado como se tivesse sido alvo de insultos...

Sem um pedido de desculpas...

Sem um grunhido arrependido...

Sem outro pudim que eu com toda a certeza recusaria.

...

...

Portanto, isto aconteceu, assim como o outro episódio embaraçoso, e só perpetua a minha dificuldade em concluir se os bichos prestam ou não prestam.

Se são bons ou são maus.

Se devo tratá-los com apreço ou terraplaná-los à base de bombaria.

Vou continuar a pensar no assunto.
E entretanto vou permitir que continuem a aproximar-se de mim, de vez em quando.
Desejando que me convençam com a sua simplicidade. Que me surpreendam com os seus gestos primitivos. E se possível...

... Que não me sirvam pudins azedos.

Monday, October 21, 2013

Uma nova era...


O meu muito obrigado àqueles que estiveram presentes na Biblioteca Camões no último Sábado. O meu ar de suricato cadavérico está relacionado com o estado de extremo cansaço em que me encontro e que estou a tentar ultrapassar.

Mas ainda assim deu-me muita força ter visto lá tantas caras amigas.

Vi também outras inimigas e demoníacas mas isso é porque quando estou cansado vejo coisas.

E sou perigoso.

Pronto, para quem não conseguiu ir e gostava de ter o livro, a informação para a encomenda encontra-se aqui à direita. Isto enquanto não disponibilizo a lista de livrarias onde o bicho vai estar, claro.

Entretanto, já para a semana começa uma nova era e nova vaga de textos aqui no estaminé.
Porque me faz falta escrever disparates e celebrar o absurdo que é a vida.

Espero ter-vos sempre a celebrar comigo.

Quero também criar uma mailing list para notificar sempre que colocar um texto novo.
Quem quiser ser adicionado escreva um mail com o subject ADICIONA-ME para horadosaguim@gmail.com

Isso ou coloque seguir por email também aqui à direita ou acompanhe-me no twitter.

O Saguim é chato, não é?
Pois é...

Abraço a todos.

Wednesday, October 16, 2013

"Hora do Saguim - O Livro" este Sábado às 19h...

... na Biblioteca Municipal Camões em Lisboa.

É desta! Vemo-nos por lá.

video

Thursday, October 10, 2013

Aí está o malandro! Marquem na agenda


Portanto, é p´ra irem reservando o final do dia 19, ok?
Eu sei que é só deste Sábado a oito mas a malta põe-se a fazer planos e depois é uma chatice. 
Assim fazem planos na mesma mas ao menos sabem que estão a faltar a uma apresentação do catano!

Entretanto ainda vos volto a lembrar a meio da próxima semana.

Quero que vão todos e que levem amigos.

Eu se me apetecer às tantas também passo por lá, p'ra morder o ambiente.

E é bom que veja a casa cheia.

Senão está prometido que vou sacrificar um bando de pinguins. 

Dos mais pequenos.

Depois não digam que eu não avisei...

Até muito breve.

Thursday, September 5, 2013

"Hora do Saguim - O Livro" a caminho



E é assim... Quem promete e não é político, normalmente cumpre.

O livro está feito, a capa está pronta e o lançamento será garantidamente em Outubro.
O próximo post que aqui colocar será o convite para a apresentação do bicho, portanto estejam atentos. Isto se não me apetecer meter antes um powerpoint com gatinhos... Só p'ra adoçar o palato.

Recapitulando: o ilustrador da capa foi o Pedro Carvalho, a designer da mesma foi a Sofia Mota, o conteúdo é da total responsabilidade do hominídeo que atafulhou este mesmo blog de parvoíce e a editora é a El Pep. Já a energia que vos permite ler isto no computador, em príncípio é da EDP. Ou então é de outra companhia que a DECO vos convenceu a contratar para ganhar algum por fora.

É assim a vidinha...

Vemo-nos em Outubro.

Sunday, August 11, 2013

Tá quase...

Malta da pesada... Só para ir dando notícias.

O livro está 100% terminado e revisto.
Tivesse sido outra pessoa a escrever e talvez estivesse bom. Mas como fui apenas eu, está o que está.

De qualquer maneira, agora vai mesmo acontecer e já não dá p'ra voltar atrás.

Em Setembro (ou o mais tardar no início de Outubro) temos o bicho à solta.

Entretanto, muito me queixei eu que não havia nenhuma editora que quisesse pegar nisto e eis que apareceu uma: a El Pep.


Uma "casa" independente que tem lançado muito bons projectos, entre a banda desenhada e a literatura. Prepara-se para lançar o meu, por isso talvez seja este o início do descalabro.

Da última vez que me meti com uma editora fui burlado à bruta.
Portanto, desta vez o meu objectivo é tentar burlar a El Pep. Ainda estou a ver como.

Bom, desta é que é...

Beijinhos e até Setembro.

Ou início de Outubro, o mais tardar.

...

Ah! Cuidado com o calor...

Pomada nessas virilhas.

...

Vocês sabem...

...

Wednesday, July 10, 2013

HABEMUS SAGUINO


O livro está escrito e paginado.
Agora está a ser revisto e a capa a ser terminada.

Vai ser lançado em Setembro e até lá ainda vou anunciar mais uma ou outra novidade.

Portanto, ide de férias, aproveitai a boa vida e depois estai disponível para parvoíce.

Mainada.


Friday, June 7, 2013

Parece que é desta...


É comummente aceite que sou um tretas mas ainda assim gosto de honrar a minha palavra.

O livro sagrado está quase concluído!

E o livro da "Hora do Saguim" também.

Falta apenas escrever 4 textos exclusivos e segue para revisão.
A capa vai estar a cargo do Pedro Carvalho.
O prefácio foi escrito pelo meu bom amigo Sá Granate.
Vai ter cerca de 300 páginas.
E tudo graças ao esforço e ao apoio de zero editoras.

Portanto, já se vê que vai ser coisa bonita.

'Tá quase...

Monday, March 25, 2013

Tenho saudades tuas, David

À medida que um tipo vai envelhecendo vai ganhando interesses inesperados e redescobrindo memórias surpreendentes. Quando digo "um tipo" estou a falar de mim próprio, evidentemente. Estou a tentar implementar aos poucos esta mania de falar na terceira pessoa, sempre como "um tipo", e acho que dentro de um ano ou dois já é coisa para exportar lá para fora. Tentei fazer o mesmo há tempos usando antes o termo "desgraçado" mas, por alguma razão, as pessoas não aceitaram tão bem. São feitios...

Mas enfim, hoje em dia dou por mim a ouvir música que não ouvia na altura em que foi feita, a ver filmes que dantes não me interessavam para nada, a gostar de coisas que não gostava, só pela época que representam e pela nostalgia que me trazem. Posso estar vinte a trinta anos atrasado mas a verdade é que não me importo muito com isso. Desde que um desgraçado possa tirar daí momentos de genuína comoção, acho que é aposta ganha. Viram? Desgraçado não é tão eficaz, de facto.

E se aquilo que eu ontem desprezava hoje faz as minhas delícias, que dizer de tudo o resto que eu já venerava? Tipo a série de animação "David, o Gnomo"?!

Uma vez mais digo: não tenho nada contra nem a favor dos anões. Eles são como são e eu sou como sou, tenho mais meio metro e metade do tamanho do crânio, é certo, mas fora isso pouco nos afasta. Sei que eles por regra têm menos tolerância ao álcool do que as pessoas de dimensão dita normal, mas como também deixei de beber há uns bons meses calculo que até nisso sejamos parecidos. Os anões, é preciso dizê-lo sem rodeios, a meu ver não são nada de especial.

Já quando se fala de gnomos, a conversa é diferente.
Adorava-os em criança e, caso tivesse hoje uma doença grave do foro psicológico, continuava a adorá-los e a acreditar na sua existência.

Para começar, usam aqueles chapéus bicudos que tanto gabo nos Papas (até falei nisso no texto anterior). Continuo a achar que é preciso um indivíduo estar muito seguro de si e da sua sanidade mental para colocar um bicharoco daqueles todos os dias na pinha e achar que se está em condições para sair para a rua. No entanto, duvido que os gnomos associem ao adereço qualquer significado religioso... O que me levanta dúvidas quanto à posição relativamente às questões raciais. Há qualquer coisa de Ku Klux Klan naquele outfit mas prefiro não pensar muito no assunto. É certo que nunca vi nenhum sujeito de raça negra nos episódios de "David, o Gnomo" mas também não é menos certo que toda aquela realidade de floresta e não sei mais o quê pouco tem a ver com o Sul dos Estados Unidos. Lá está: não vale a pena ir por aí.

Depois, tanto David como Lisa (a esposa) eram idosos... E sabemos como as crianças apreciam idosos.
Eu não era excepção, de facto sentia empatia com velhotes mas hoje vejo as coisas com outros olhos. É que a grande generalidade dos gnomos que apareciam na série tinham já uns Invernos a mais, o que me leva a suspeitar que se a população gnoma era já envelhecida na altura, hoje já pouco deveria restar da mesma. Sou capaz de imaginar David com o chapéu meio murcho, sentado numa poça de mijo a ver o Goucha e a queixar-se que "Ser gnomo no meu tempo é que era e a malta nova não quer pegar nisto..." Enfim, preocupações que não me assombravam mas que actualmente, viciadas pela vida adulta, não deixam de surgir na ideia.

Para quem não via a série, David, além de gnomo, era também uma espécie de veterinário. Tipo, curava os animais que estivessem doentes, que tivessem sido apanhados em armadilhas ou que sofressem de uma maleita qualquer. Nenhum dos episódios abordava questões de ordem médica mais complexas ou até mesmo embaraçosas (não me lembro de ver David a ter de retirar um espinho do escroto de um texugo, por exemplo) nem sei se prestava serviços no âmbito da psicoterapia ou de medicinas alternativas, mas se tal acontecia deduzo que tais cenas tivessem sido registadas off the record. O tamanho de David não deixava de ser uma vantagem no exercício da sua profissão porque lhe permitia observar de perto e em grandes dimensões quaisquer orgão que tivesse de tratar. No fundo, uma boa maneira de se poupar uns trocos num microscópio. David era manhoso e sabia-o. No entanto, era também bastante estúpido dado que nunca o vi receber um cêntimo pelos serviços prestados. Os bichos deviam agradecer e dizer que pagavam no fim do mês quando recebessem e o otário dizia que sim e voltava para o buraco a cantarolar e a equilibrar o chapéu bicudo na cabeça. Enfim, há ursos...

Já a Lisa, sejamos sinceros, era uma mula que não fazia nada. Estava gorda como uma porca com um problema glandular e isso é fácil de explicar pelo simples facto que raramente saía do covil que partilhava com o marido. Seria uma trophy wife não fosse o seu aspecto asqueroso e abrutalhado em cima do qual, equilibrava também ela, o seu chapéu bicudo. Ok, podem dizer que provavelmente tratava da lida da casa. Mas quando a casa tem cerca de quinze centímetros quadrados digamos que as tarefas não podem consumir muito tempo ou energia. De qualquer maneira, acredito que houvesse uma certa tensão entre ela e David por causa da sua ineficácia em trazer dinheiro para o agregado familiar. O sair todos os dias para ir trabalhar e o regressar à noite com um sorriso idiota na cara e os bolsos vazios deviam encher Lisa de dúvidas e inquietação. Inquietação essa que nunca é verdadeiramente abordada na série, diga-se.

No entanto, a relação entre os dois não parecia má, embora profundamente assexuada. Os raros momentos de carinho consistiam no esfreganço vigoroso dos narizes, prática que como é sabido foi tornada célebre pelos esquimós. Julgo que pouco devia ter a ver uma coisa com a outra, dado que aquela malta nunca devia ter visto um esquimó à frente, provavelmente era apenas uma maneira de mostrar qualquer coisa parecida com afecto sem ter de aplicar demasiado esforço nem correr o risco de ser erótico. E erotismo com aquelas duas aventesmas era algo para patrocinar os meus pesadelos durante meses.

Mas nem tudo era miserável, David fazia-se sempre transportar no dorso de uma raposa que chamava com um assobio. Provavelmente o único animal honesto e que assim recompensava os serviços de enfermaria prestados pelo gnomo. Uma espécie de limusina com motorista sempre ao dispor não era para qualquer um. Quando era criança, vivia na mesma rua que o ex-presidente da República António de Spínola. E, como se sabe, a malta que foi presidente tem direito a viatura e pinguim condutor todos os dias, até ao pijaminha de madeira. Os ex-presidentes e julgo que o Cavaco também, quando largar o poleiro. Bom, lembro-me de olhar para o velhote e achar que havia muito de David nele... Em vez de uma raposa vermelha era um carro preto e ele não o chamava com assobios mas fora isso era igual. Às vezes há coisas que aproximam os desenhos animados da vida real e só topamos quando somos putos. Enfim...

Os inimigos, também os havia, eram uns deprimentes irmãos mostrengos com narizes de bêbado a quem chamavam trolls, mas nunca constituíam grande ameaça. Faziam patifarias de modo cristão e sempre dentro de certos e determinados limites, porque eram também eles bastante estúpidos. Aliás, só assim se justificava a vida tranquila de David que, como já foi provado ao longo deste texto, não era propriamente a última Coca-Cola do deserto...

Mas voltando ao início, a minha adoração pelo boneco era imensa.
E aos trinta anos, não nego que ver o genérico no youtube faz com que haja uma lagriminha a querer saltar. Isto embora também tenha de recordar com bastante tristeza o momento em que nos separámos definitivamente e que envolveu um berreiro tal que os vizinhos provavelmente pensaram que me estavam a cortar um braço com uma colher de chá.

É que os senhores criadores da série "David, o gnomo", com certeza esgotados por todo o fervilhar criativo que os episódios exigiram e não sabendo como colocar termo à questão, tiveram a ideia brilhante de o fazer traumatizando milhares (quiçá milhões) de malta infantil.

Para quem não sabe, no final de "David, o gnomo", David e Lisa MORREM transformando-se ambos num decrépito e macabro par de árvores.

Sim, tal qual.

...

Ah mas não antes de uma dolorosa despedida lavada em lágrimas entre o gnomo e a raposa motorista (o que talvez tenha indicado que ambos tinham uma relação extra-profissional mas não vale a pena agora desenvolver o assunto).

Sim, MATARAM David e a mula da mulher só para poderem dar a série por finalizada.
Hoje, a transformação de personagens em árvores afigura-se-me como "menos má" mas na altura foi o equivalente a terem sido queimados vivos, decapitados e as cabeças espetadas em estacas à entrada da floresta. Podiam ter feito uma montagem com os trolls a despachá-los a tiro como no fim do Padrinho I, com os violinos de fundo, que aos meus olhos não teria sido menos chocante.

Enfim, a vida é curiosa e à medida que avança as memórias ganham outros valores e significados.
Julgo que é essa a conclusão que um tipo tira daqui.

Seja como for, e com toda a lamechice que isso implica...

Tenho saudades tuas, David.

Wednesday, February 13, 2013

O xôr Bento da contabilidade

Então mas... o Papa demite-se?!

...

Com o desemprego todo que anda p'raí, ele arreda um trabalho bom como aquele p'rá borda do prato?!

...

Parece-me uma decisão um tudo-nada irreflectida, devo confessar. Provavelmente foi tomada a quente e no calor do momento, mas já se sabe como são estes octogenários sempre com o sangue a fervilhar na guelra... Às vezes ganhavam mais se pusessem logo um comprimido debaixo da língua e se se deixassem ficar a reflectir com a nuca inclinada para trás e a boca aberta, esparramados no sofá. Mas enfim, é só uma sugestão.

Demite-se porquê?! Vamos lá a saber...

Está aborrecido porque já não tem mais progressão na carreira?! É que se for isso até compreendo porque depois de se ser representante de Deus na Terra, convenhamos, as coisas tornam-se um bocado maçudas. Deixamos de ler os classificados nos jornais, de ir a sites de emprego, de dar a dica aos amigos que estão noutros sítios melhores... Um tipo é Deus! Não há como bater isso.

Mas ainda assim, nos tempos que correm, acho um bocado cagarola abdicar por falta de desafio. Prefiro mesmo acreditar que a culpa é daquele maldito chapéu bicudo que deve dar cabo das costas.

Não me interpretem mal, eu adoraria usar um chapéu daqueles e dificilmente largaria um emprego em que o pudesse usar em situações que não incluissem piñatas, confettis ou línguas da sogra mas a sociedade não me permite essas liberdades. Permite a ele porque, lá está, até arrumar o cacifo é Deus.

A única maneira de me deixarem usar um chapéu bicudo numa base diária era se a minha cabeça fosse, ela própria, bicuda. Estive a ver uns documentários no National Geographic e parece-me que isso só é possível se se enfaixar a cabeça dos putos desde o berço com ligaduras apertadas. Portanto, todo um meritório e dedicado cuidado diário que os meus pais "decidiram" não ter. E agora eu que me governe com esta cabeça da treta, que não ostenta umas missangas douradas, uns berloques de veludo grená, uns bordados rococó... nada de nada. Uma pobreza franciscana é o que isto é ao nível craniano!

Mas enfim, mesmo que ele esteja com a cervical toda esfrangalhada continuo a achar estranho ter mandado o lugar assim às urtigas... Também me pus a pensar que talvez a culpa tenha sido do mau feitio do patrão. Sempre com ares de "maior" porque... é efectivamente "o maior". Quando assim é, sabemos bem que pode ser um pesadelo ser o secretário, por muitos chapéus bicudos que se possa usar. Deus não aceitou bem a decisão do homem, isso é certo. Mas se o azedume do todo-poderoso se reduz a um raiozinho a cair no pára-raios da Basílica de São Pedro então é aproveitar porque parece que, apesar de tudo, a idade o amansou um bocadinho. Tempos houveram em que lançava pragas, aniquilava civilizações inteiras, exigia sacrifícios... Agora limita-se a cumprir a ciência e a dar razão ao Ben Franklin. Depois não venham dizer que a religião é dogmática e não evolui.

De qualquer maneira, se era para abdicar julgo que Ratzinger nem sequer devia ter pegado nesta empreitada. Já sei que a malta esteve lá reunida, que se gera sempre aquele ambiente de camaradagem, contam-se umas anedotas, brinde p'raqui, brinde p'rali, mas na altura em que estivessem p'ra lançar o fumo branco bastava agradecer e dizer para passar ao próximo porque não se tinha vida p'raquilo. Mas entusiasmou-se e se calhar agora vai ver-se grego se quiser arranjar outra coisa.

É que ser Papa é daqueles papéis que marca uma vida. É como o Radcliffe... O puto até pode ser bom actor e tudo mais mas o pessoal olha para ele e vai ver sempre o Harry Potter! Não há como fugir.

Enfim, mas apesar de ter ficado menos tempo no Vaticano do que o Pedro Barbosa no Sporting (que entrou lá ainda com borbulhas e saiu marreco e já sem cabelo), considero que o pontificado de Bento XVI teve bons momentos que vale a pena recordar num daqueles vídeos que faziam quando alguém era expulso da casa do Big Brother. Talvez com uma música do ceguinho da ópera para puxar a lagriminha... Isto caso queiram dar um pouco mais de dramatismo à coisa, claro.

Agora quem o vai substituir ainda não se sabe ao certo.
Ouvi dizer que toda uma legião de eternos suplentes como o Zé Figueiras da SIC ou o Kardec do Benfica enviaram candidaturas mas foram obviamente recusadas porque não preenchiam os requisitos. Um homem para ser Papa tem de ter as costas fortes (por causa dos tais chapéus bicudos) e também ajuda já ser cardeal e assim... Depois basta saber ler e não ter medo de andar numa espécie de carrinho de golfe. Acaba por não ser um ofício assim tão complicado.

Pessoalmente tenho pena que não se aposte mais na prata da casa e não se promova um estagiário que lá ande, por exemplo, mas admito que pouco percebo de Vaticanos. Eles não mandam em minha casa e eu não mando na deles, é um pacto de cavalheiros que temos vindo a respeitar com bastante sucesso.

A Ratzinger desejo a melhor das sortes embora continue a achar que ele tem nome de vilão dos bonecos animados. Eu não o contrataria para qualquer posição de atendimento ao público precisamente por isso. Se fosse a ele mantinha o Bento mas largava o XVI porque há-de haver sempre o engraçadinho que vai ignorar a numeração romana e ler as consoantes. Mais vale jogar pelo seguro e passava a ser xôr Bento da contabilidade.

Pronto.

Thursday, January 24, 2013

Esse maricas do Armstrong...

Olhem, antes de mais e não tendo nada a ver com o conteúdo propriamente dito deste post, quero aqui deixar novamente o apelo de se ACABAR DE VEZ COM A MERDA DOS PANDAS!!!

É que é uma situação que se tem vindo a arrastar ao longo de décadas e não há ninguém que se chegue à frente e resolva o assunto! Ainda esta semana tivemos o ministro da saúde do Japão a manifestar o desejo do falecimento rápido de milhões de idosos e nem estes bons exemplos de pragmatismo vindos de um país vizinho conseguem sensibilizar os chineses para aquilo que precisa de ser feito!!!

PORRA, ACABE-SE COM OS PANDAS PÁ!!!

O que é que é um panda senão um adolescente idiota e trombudo que passa a vida fechado no quarto a espremer as borbulhas e a recitar poesia barata?! Raisparta que o urso é emo e é estúpido, catano!

Primeiro: não se sabe vestir! Os meus pais tinham uma mobília de quarto preta e branca nos anos 80 mas isso é coisa que ficou lá p'ra trás assim como aqueles brincos de plástico colorido que saiam nas batatas. Segundo: é esquisito e fino, o estupor! Arroz e feijão que há às pazadas e que toda a gente gosta e come, não toca nem obrigado. Só lá vai com caninhas de bambú tenrinhas e às paletes delas que a real peidola do raio do urso não se sustenta com pouco. Como se isto tudo não bastasse, chineses enfiem por favor nas vossas cabeças:

O BICHO NÃO QUER REPRODUZIR-SE!!!

É que eles já deixaram isso muito claro! Nem uns dos outros gostam!!!
Excusam de lhes mostrar filmes pornográficos com bichezas (e acreditem que mostram porque eu li a notícia), de lhes polvilhar o bambú com gindungo (literalmente, não inventem vocês também) ou de lhes injectar hormonas...

O URSO NÃO QUER, ARRUMA-SE A LOJA E DÁ-SE LUGAR A OUTRO QUE ISTO É MESMO ASSIM!

EHPÁ QUE PESADELO!!!

...

...

...

Bom...
Peço desculpa pelo excesso mas antes de qualquer coisa tinha mesmo de tirar este peso dos ombros. Desconfio que a origem do meu ódio esteja num boneco de um panda que eu tinha quando era pequeno, um daqueles de borracha que guincham quando lhes apertamos o bandulho. A brincar a brincar, ainda ouço aquele silvo aflitivo e aterrador quando estou para adormecer ou quando fecho os olhos em becos escuros, mas enquanto me trato e não me trato, vou desabafando para aqui.

Já agora, não sei bem porque é que ando p'raí a fechar os olhos em becos escuros mas enfim... isso será com certeza material para outra conversa.

Ora bem, grande brincalhão aquele Armstrong hem?
Eu sempre disse que ciclismo era estupidez mas nunca ninguém me deu ouvidos.
Os meus avós dizem que gostam de ver a Volta a Portugal por causa das paisagens mas o certo é que não poucas vezes as paisagens que acabam por ver estão no interior do subsconsciente, com as cabeças reclinadas para trás e a boca aberta, diante da TV.

O ciclismo é uma seca mas é só para quem assiste. Acredito que aqueles que estão a pedalar têm o coração ao ritmo de uma gazela a bombar numa festa de transe, tal é a catrefada de drogaria que levam no bucho.

Que muitos dos atletas usam substâncias ilegais já todos sabíamos e contávamos com isso, o que não é nada comum é vir o tipo que era considerado o rei deles todos assumir descaradamente a moscambilha num programa como o da Oprah. Se era para confessar macacadas ele que escolhesse o Goucha que menos gente vê e ninguém leva a sério. Mas não... O homem quis protagonismo até ao final.

Ao que parece, com testículo ou sem testículo, aquilo foi um ror de etapas e troféus ganhos à conta dos chiribitis. Comeu, bebeu, deu as suas cambalhotas ao nível da cama (que entretanto já não estamos a falar de pandas) e quando a coisa apertou de vez... apareceu e disse que era tudo mentira. Que não houve etapa em que não estivesse mais dopado do que o Jorge Palma em dia de concerto.

Pessoalmente, acho mal.

Quer dizer, não tenho nada contra o homem ter feito batota para baralhar a verdade desportiva, ter enganado milhões de adeptos, ter ofendido uma legião de admiradores, ter-se enchido à grande durante anos à conta de uma mentira.
Se estivessemos a falar de futebol até poderia levar a peito mas ciclismo... Ehpá ele que faça o que quiser. O que me transtorna não é nada disso.
O que me transtorna é terem dado tanta importância a um intrujão destes e não darem reconhecimento nenhum a este campeão que se fartou de atingir feitos ao longo da vida e nem um aplauso, nem uma palavra, um ramo de flores, uma flute de champanhe, nada...

E quando digo campeão, estou a falar de mim, notem.
Nunca pensei dizer isto mas se formos a ver bem, eu, que sou eu, acabo por ser tão campeão quanto o Armstrong.

...

Pronto, adiante...

Tudo o que fiz na minha vida ao nível do extraordinário teve de reconhecimento aquilo que teve de droga: zero.
Ok, nunca venci uma Volta a França, dou-vos isso. Mas já fui a Paris duas vezes de avião e parece que não conta p'ra nada. O que é que vale mais? É o Armstrong a pedalar cá em baixo todo janado ou sou eu lá em cima recostado como um senhor, a deslocar-me aos 900 Km/h de cada vez?! Pois.

Bom, passando a factos concretos dou o exemplo de um feito atingido por mim ainda em tenra idade e que foi ignorado pelo grande público. Portanto, uma coisa pela qual nunca recebi crédito...

Uma vez comi seis sandes de marmelada e queijo num só lanche.

...

SEIS!

E se foram no mesmo lanche estamos portanto a falar de cerca de uma hora.
Droga - nada.
Marmelada e queijo - o suficiente para me fazer tombar com um enfarte do miocárdio logo aos dez anos de existência.

A isto, meus amigos, chama-se domínio das paredes estomacais e dos movimentos basculantes da traqueia que à terceira sandes já queria espichar tudo p'ra fora a ver se me salvava a vida.
Enquanto isto acontecia, eu, pensando nas novas gerações e em todos aqueles para quem podia tornar-me um exemplo, mandei a traqueia à merda e empurrei-lhe mais três paposeco a murro, para atingir o objectivo.

Foi uma vitória silenciosa dado que só foi presenciada por duas pessoas.
E uma delas tinha os dedos no telefone, na iminência de ter de ligar para o 112. Mas eu era uma criança idealista e não conhecia a derrota, o desânimo e a noção de ridículo.

Comi as seis sandes bem apetrechadas de marmelada e queijo e passado duas horas sentei-me p'ra jantar como se nada fosse. Isto sem transfusões de sangue, sem injecções regulares nem demais substâncias suspeitas... Até a marmelada era caseira. Por isso, se vê...

A mim ninguém me chama para ir à Oprah falar desta experiência e cativar novos valores do enfardanço. Quem papa placentas, prega a deuses espaciais e salta nos sofás feito tantam, tem livre trânsito. O Tom Cruise, tudo bem. Agora, malta de verdadeiro valor já não é com eles.

Eu até aposto que ganhava a Volta à França só com uma dieta à base de sandes de marmelada e queijo. Cruzava a meta vinte anos depois, encharcado no próprio vómito e com a pança a rojar pelo alcatrão mas cruzava.
Não era como esse maricas do Armstrong...