Thursday, October 18, 2012

De volta, mas pouco...

Ora bem, para aqueles que fantasiam sobre o que estive a fazer no último mês e meio, apontar muito rapidamente cinco tópicos:


- Fantasiar é p'ra meninas.

- Fantasiar sobre mim, além de ser p'ra meninas, é perturbador.

- Eu sei que disse que ia parar para fazer o livro.

- Mas fazer o livro demora tempo e a vida continua.

- Estou um bom bocado mais magro.


Pronto, posto isto, obrigado e boa tarde.

...

Ok, vamos lá elaborar um bocadinho mais...
Estou realmente a fazer o livro mas cheguei à conclusão que o saguim escreveu que se desunhou nos últimos anos. Portanto, há aqui trabalho para duas ou três oficinas de crianças vietnamitas durante meses e meses, para despachar no intervalo dos sapatos. E atenção que digo vietnamitas e não portuguesas porque as de cá nem emprego têm devido à falência das fábricas... Isto, como sabem, está mesmo muito mau.

Assim, enquanto o bicho está no forno a apurar, decidi ir escrevendo mais qualquer coisa para não perder o pouco jeito que tenho. Senão quando voltar a dedicar-me à palhaçada sou capaz de estar ao nível do sentido de humor de António Sala na altura das "Anedotas sem malícia" (manual esse que ainda nos dias de hoje assombra os meus pesadelos mais sombrios).

Depois do meu último post muita coisa se tem passado, o mundo e os seus tumultos ambientais e económicos não dá senão motivos de preocupação e debate, assunto não falta... Mas julgo que o mais importante acaba mesmo por ser eu estar mais magro. Significativamente mais magro.

E se eu escrevia textos a ridicularizar a minha compleição de paquiderme, agora é justo que faça a mesma coisa mas ao contrário. É que isto de ser magro (ou mais magro, vá) não é tão bonito ou glamoroso como o pintam. Uma das coisas aborrecidas com que tive de me deparar, e ainda hoje me deparo, é a cara de espanto das pessoas que encontro e que já não me viam há algum tempo. No lugar de esbarrarem com o mamute a que estavam habituadas vêm uma versão subnutrida desse mesmo mamute, o que dá lugar sempre ao mesmo leque de reacções. É comum entrarem num estado de grande admiração e surpresa, exclamando "Estás tão diferente! Tão magro! O que se passou? O que fizeste?" Ao que eu respondo sempre: "Estou doente e custa-me falar sobre o assunto..."

...

Desta forma, evito a situação embaraçosa de ter de descrever "a minha fórmula de dieta".
Afasto conversas indesejadas.
E também as próprias pessoas que se arrastam de lágrimas nos olhos, a pedir a amigos comuns o número de telemóvel dos meus pais para saberem mais detalhes e como ajudar.
Só isso me faz sorrir.

Mas pronto, estou mais magro e neste momento não tenho calças que me sirvam.
Dantes não tinha porque cheguei a um ponto em que dos dez pares que estavam no guarda-fatos só dois passavam com dificuldade a zona dos tornozelos.
Agora não tenho porque dos dez pares que possuo só dois não me ficam a bailar na anca como se fosse uma bailarina exótica.
Tenho de mandar apertar isto. E depois é bom que não volte ao mesmo porque não ganho p'rás costureiras.

Mas para aqueles que querem emagrecer e não sabem como, vou fazer um pouco de serviço público neste blogue e dar uma receita infalível.

Vão lá buscar um bloco de notas e uma caneta que eu espero...

...

Vá, que vale a pena.

...

Não precisa de ser um bloco, basta um papel.

...

Uma folhinha que seja...

...

Já está?

Então cá vai...

...

Ehpá, se vocês soubessem como isto é grande... eheheh

...

Bom, concentração...

...

Cá vai...

...

Estão prontos?

...

Isto é uma receita infalível daquelas que alteram o curso da história...

...

Ora bem...

...

Para emagrecer basta...


FAZER EXERCÍCIO.
NÃO COMER MERDA.


E é isto, basicamente.
Acaba por não haver grande mistério.

Se um tipo abdica das coisas que mais gosta (quem disser que é da família e dos amigos está a mentir porque no fundo todos sabemos que o que mais adoramos é cervejola, vinhaça, queijos e fritalhada até termos de amputar dedos por causa do ácido úrico), se é preciso abandonar tudo o que é bom... Efectivamente é! Porque a vida não presta. Só mesmo por isso.
E como se virar a cara a tudo o que é belo e saboroso neste mundo não chegasse é preciso correr, sofrer, suar como um beduíno ao sol e dedicar largas horas à nobre arte do masoquismo.

É triste mas é a mais pura verdade.

No final de tudo, contas feitas, não vale assim tanto a pena.
Ser magro é praticamente como ser gordo mas com menos risco de enfarte do miocárdio. O que até torna os dias mais emocionantes, diga-se.
No entanto, já que aqui cheguei acho que vou cá ficar mais um bocadinho. A ver as vistas e a apreciar ter menos quinze quilos no bandulho porque a cada passo na rua é coisa para fazer a sua diferença.

Bom, por esta altura o texto do saguim já se assemelha perigosamente a um artigo da revista Cosmopolitan... O melhor é dá-lo como terminado.

Prometo continuar a trabalhar no livro que prometi.
E pode ser que muitos de vocês ainda sejam vivos quando ele sair.

Haja saudinha... Eheh

12 comments:

Vânia said...

Pronto o peso já está, o próximo passo é tratares do cabelo:-)

André Oliveira said...

Baby steps...

O Sexo e a Idade said...

Oh pah, para isto ser um texto da Cosmopolitan ficou a faltar a parte do sexo!
Fico feliz por saber que continuas a cozinhar o bicho, ainda que em lume brando, assim sempre é um programinha que vou fazer com os netos!

Maria D Roque said...

Boa iniciativa!!!

OutraMaria said...

vai lá continuar o livro, o teu texto cosmopolitan ja deu para dar umas risadas e deixar o moço cá de casa chateado. mas nao emagreças mais...senao da proxima vens cá e falas de espetos, espetadas, alfinetes... Boa sorte

André Oliveira said...

Obrigado a todas! ;)

Uena said...

uma pessoa não bebe nem fuma por isso tem que adicionar alguma adrenalina na vida: ser gordo!
não sendo eu gorda (também me andei a privar de comer e a fazer exercicio quando fiquei um pouco mais roliça) limito-me a espirrar de boca fechada. dizem que pode rebentar uma veia no cérebro!
posto isto, vai lá escrever o livrinho para nós que eu vou terminar a tese de mestrado (que cocó de ideia que havia de ter).

máriomota said...

Olá amigão...

Não te enganaste na receita???Fazer ginástia
E comer umas merditas

Abraço

André Oliveira said...

Eheheh Nos dias que correm são muito poucas... Mas sim, há sempre qualquer coisa que escapa. :) Abraço

André Oliveira said...

Eheheh Nos dias que correm são muito poucas... Mas sim, há sempre qualquer coisa que escapa. :) Abraço

RuiR said...

Perdeste peso mas não perdeste a forma :-)
Continua a escrever o livro, mas não nos prives durante muito tempo destas "pequenas" pérolas de humor.

Ainda para mais agora, nestes tempos de crise, é sempre bom rir...e não engorda.

Abraço.

João Vasco Leal said...

Queijo...