Thursday, June 16, 2011

5 perguntinhas muito breves

Eu sei que tenho aparecido pouco neste nosso convívio... Por favor não batam mais no ceguinho, ok?

Sei também que poucas coisas vos fizeram mais felizes nas últimas semanas do que não receber os meus sempre aborrecidos mails a sugerir para aqui virem ler disparate... Enfim, lamento retirar os sorrisos relaxados das vossas faces e chamar novamente à vossa atenção para coisas que são estúpidas e não têm interesse nenhum.

Tenho andado ausente porquê?!

Precisamente pelas perguntas que marinam na minha cabeça e para as quais não encontro resposta. Isso é daquelas coisas que me tiram o sono, me roubam o cabelo (quem está perto de mim sabe do que falo... há pastagens na Etiópia mais férteis do que o meu couro cabeludo neste momento) e fazem tremelicar o olho esquerdo sempre que muda a hora. Ando cansado e com relativo stress.

E por isso, por estar tão perto da insanidade, considero mais interessante passar o dia com dois copos de iogurte enfiados nas orelhas do que vir para aqui desabafar com um ecrã de computador.

Mas dizia eu que nos últimos tempos estava a ser assombrado por perguntas, não era?
Bom, então aqui vão elas:

5 PERGUNTINHAS MUITO BREVES QUE ME ESTÃO A ROUBAR O JUÍZO

1.
Porque é que, quando eu era miúdo, não podia ver os filmes do Robocop?

Porquê?!
É que eu via os outros todos... Mais e menos violentos. Via os Seagals, os Norris, os Van Dammes, os Stallones e os Schwarzennegers da vida... Porque não o raio do Robocop?! Ainda hoje não percebo qual era o critério do meu pai (por favor explica-me!) mas o que é certo é que só recentemente vi o raio do filme e continuo sem perceber. Ok, tem violência gratuita (sem contarmos com o dinheiro gasto no DVD, claro). Ok, tem partes ordinárias. Ok, tem alguma estupidez. Mas esses três ingredientes, sejamos sinceros, FORAM só por si os anos 90... Quem é que se lembra do "Big Show Sic"? Tinha tudo isto e muito mais! O facto de me ter sido negado o visionamento dos filmes do "Robocop" tem-me tirado o sono por duas razões: porque o conteúdo dos mesmos não era em nada inferior a qualquer dos seriados da autoria do Ediberto Lima e porque é cada vez mais evidente que não me resta grande sanidade nesta bola de bilhar parcamente peluda a que chamo de cabeça.

2.
Porque é que, quando eu era miúdo, não me deixavam comer Suissinhos?

Outra...
Eu sei que como adulto deviam haver mais coisas com que me entreter. Mas só muito recentemente é que comi o meu primeiro Suissinho e isso temos de convir que é deprimente. Deprimente, sobretudo, também por duas razões: porque não há grande razão para mo terem negado no passado e porque é preciso lata e zero de amor próprio para um indivíduo da minha idade e tamanho sair do Pingo Doce com um Suissinho na mão. Vamos lá ver uma coisa: quando eu era pequeno, o conceito de alimento para mim era abrangente. Muito abrangente. Comia TUDO e DE TUDO... tendo especial cuidado para não ingerir coisas saudáveis ou que de uma certa forma me fizessem bem ao organismo. Nisso sempre fui criterioso, não vou mentir. Na altura, talvez achassem que o Suissinho era demasiado nutritivo e que, tendo eu aos 6 anos a compleição de um búfalo adulto, não precisava de mais energia e/ou gordura. Ok, respeito isso... Embora não tenha a certeza que fosse essa a verdadeira razão. Não foi fácil chegar aos 28 anos sem saber ao que sabia aquilo. Agora já sei mas continua a assombrar-me. Malditos queijos!

3.
Porque é que eu comprei uma casa há 8 meses e ainda não estou lá a morar?

Bom, esta é a questão fulcral e aquela que me está a fazer enlouquecer a passos largos. Não é do meu feitio apontar dedos e responsabilizar gente. Mas a culpa é da minha mulher! Ok, talvez não seja só dela... Acho que é um pouco de toda a gente, de todos os seres vivos do mundo que de alguma forma se perfilaram com uma estúpida conjuntura de astros e forças gravitacionais (não sei do que estou a falar mas mais vale aproveitar o embalo e terminar este raciocínio idiota) para que simplesmente não fosse possível usufruir do imóvel que vou andar a pagar até transportar uma algália quando quiser ir ao cinema. Foi o empréstimo, foi a compra, foram as obras, foram os materiais, foi tudo e mais um par de botas. E agora parece que está quase mas claro que eu já não acredito nisso... Daqui a 15 anos se for vivo, pode ser que possa começar a colocar lá os meus tarecos.

4.
Porque é que a minha gata anda feita um docinho conventual?

Esta é fácil: porque está a tomar anti-depressivos.
E confesso que nunca fui tão feliz. A paz impera.
Parece que a bicha começou a bater mal por ter saído da casa de Benfica, onde o vizinho cornudo gostava de enfiar valentes marradas na parede sempre que os decibéis subiam acima do limite estabelecido pelos mosteiros na Idade Média, e transitado para a casa onde estamos em Paço de Arcos. Ao que parece os gatos gostam pouco de mudanças e ficam stressados quando os obrigamos a conhecer um novo ambiente. Não gostar de mudanças eu compreendo, agora ficar passado dos carretos por ter abandonado Benfica onde o conceito de dar os bons dias ao vizinho era escarrar-lhe na cara e urinar-lhe na caixa de correio, já me parece um pouco absurdo. Eu tentei dar-lhe algumas sessões de psicanálise mas como sou contra bater em animais desisti quando acabei por lhe partir uma vassoura no lombo. Os anti-depressivos foram o estágio seguinte, receitados pela veterinária que, mesmo tendo uma arma apontada à cabeça, conseguiu manter a calma e apresentar uma caligrafia perceptível. Portanto, aqueles que dizem que a "letra de médico é ilegível" deviam era calar o bico.

5.
Porque é que duas das perguntas que me assombram remetem ao passado e as outras duas ao presente?

Por razão nenhuma em especial... Estou é a trabalhar demais e, embora agora esteja de férias, continuo a acordar cedo para tratar de assuntos da casa e a bulir sempre que paro. Portanto, neste momento no meu cérebro não há passado nem futuro, há é uma grande bola de cenas, tipo uma miga alentejana gigante, onde se mescla informação. Agora, como é que isto se organiza já é outro assunto completamente diferente para o qual era necessário criar um departamento próprio. Para isso e para o chinês do Futre, que o episódio não está esquecido. Mas lá iremos que isto tem de ser uma coisa de cada vez. Mais uma ou duas semanas, dizem eles, já estarei na nova morada. E depois tudo será diferente. Ou não...

6 comments:

Pedro Carvalho said...

Perda de cabelo, stress diario, não poderes ir para a casa nova, gato a tomar anti-depressivos... tudo isso são questões menores quando se descobre que NUNCA TINHAS VISTO O ROBOCOP!!!!! Sinto-me mal por viver num mundo onde negam isso a crianças...

André Oliveira said...

Eheheh Tenho a certeza de que as intenções foram as melhores... :D

Pedro Carvalho said...

Não André, não percebes, é o Robocop... ROBOCOP POR AMOR DE DEUS!

ana oliveira said...

Eh pá...pera lá: Eu tenho 49 anos e também NUNCA comi um suissinho...Podia muito bem ter ao menos provado quando apareceram..mas não!
Pelos vistos não perdi nada, por isso vou esquecer.

André Oliveira said...

Amigo, tens de te acalmar senão qualquer dia estás a disputar os anti-depressivos da minha gata... :D

André Oliveira said...

Mãe, aquilo não é mau. Mas claro que depois de 28 anos a fantasiar com a coisa esperava bem melhor... Ainda assim vale a pena experimentar.