Quem já leu Darwin, quem percebe alguma coisa de Evolução ou lê outra coisa que não seja a Tv Guia sabe que só existem 2 tipos de seres humanos: os Caçadores e os Recolectores.
Ora, eu nunca li Darwin nem percebo mais de Evolução do que o comum dos mortais mas achei que dava mais credibilidade à minha tese se começasse o texto desta forma.
Chamem-lhe má fé, chamem-lhe estupidez, mas de qualquer maneira está na altura de pormos as Tv Guias de lado e reflectirmos um pouco sobre esta ideia.
Caçadores e Recolectores.
Há quem diga que foi assim, no Passado. Tipo, há milhares de anos.
Eu não sou capaz de comprovar porque não era nascido. Mas o Manuel de Oliveira era e foi mais ou menos nessa altura que idealizou o "Aniki Bóbó". Só que a malta na altura era burra e não ia ao cinema.
Bom, falo em caça e em recolecção para definir a relação que as pessoas têm com os seus pertences. Os Caçadores são aqueles que quando querem alguma coisa, falemos apenas de bens essenciais à vida como uma casa para viver ou a última versão do PES para a Playstation 3, lutam, trabalham, suam e sangram para a conseguir. Porém, quando finalmente atingem o seu objectivo, desfrutam do seu pertence e quando acabam pouco se importam com o que lhe acontece. Se se perder, perdeu. Se se estragar, estragou. Se, digamos, uma gata ou uma coelha roer, roeu. E está-se assim muito bem.
Os Recolectores já são diferentes. Para conseguirem cumprir o seus desejos muitas vezes aplicam o mesmo esforço do que os Caçadores mas quando têm nas suas mãos o tão anciado prémio... Guardam-no. Protegem-no. Nunca se livram dele. E, muitas vezes. coleccionam-no.
Eu sou um Recolector.
Já fui mais, há que dizê-lo. Mas é algo que me está na massa do sangue.
A minha tendência é para agrupar objectos semelhantes, assim como fazem certos chimpanzés em laboratórios de pesquisa. Só que a mim deixaram de me dar bananas como recompensa há alguns anos. Ainda assim, achei que estava na altura de homenagear a nobre arte do coleccionismo e escrever sobre as minhas colecções de sempre.
Já não começo nenhuma colecção há muitos anos. Há quem diga que amadureci mas eu acho que é por falta de tempo. Tenho acumulado gordura na pança mas isso dificilmente será uma colecção... Quando muito é um passatempo. Mas uma colecção implica outro tipo de directrizes. Anyway, como não podia deixar de ser, e porque este blogue vive muito de rankings, aqui ficam os Tops das minhas colecções. Dividi a contagem em dois, as normais e as anormais... Porquê? Vocês vão perceber porquê.
TOP 3 DAS COLECÇÕES, DIGAMOS NORMAIS, SE É QUE ALGUMA COLECÇÃO CONSEGUE SÊ-LO, MAS PRONTO ESTAS SERÃO MAIS SOCIALMENTE ACEITES DO QUE AS OUTRAS VÁ, DO VOSSO SEMPRE AMIGO SAGUIM.
1.
SELOS
Até aqui tudo normal, parece-me.
As colecções de selos existem há séculos, muita gente como deve ser as fez e convenhamos que não deixa de ser um investimento. É que isto é coisa para valer algum dinheiro. Não organizada como eu a tenho claro... Desta maneira calculo que não sirva p'ra nada. Tenho vários álbuns, cada um relativo a um continente, onde os selos estão divididos por países e pouco mais do que isso. Estou-me nas tintas para as séries, para os anos e para o raio que parta... aquilo está orientado por temazinhos e já é uma grande coisa!
No início organizava os selos com a ajuda de uma pinça.
Mas era só para fazer vista. Para dar estilo.
Todavia, como invariavelmente esta actividade deprimente decorria na solidão do meu lar, apercebi-me que não estava a impressionar ninguém. E então reformei a pinça.
Lembro-me que o pontapé de saída para ter decidido fazer uma colecção de selos foi ter sabido que o meu avô em tempos também tinha tido uma. Só que teve de vendê-la devido a problemas financeiros. Isto porque a dele, sim, valia alguma coisa. Lembro-me que depois de me ter contado isto lhe perguntei porque não tinha tirado umas fotos dos álbuns para guardar como recordação. Ele olhou para o puto estúpido que lhe tinha feito a pergunta estúpida e limitou-se a encolher os ombros, evitando olhar para a minha cara sorridente que achava ter focado um ponto importante. Enfim...
2.
ÍMANES PARA FRIGORÍFICO / COPINHOS DE SHOT
Dois enormérrimos clichés. E, para mim, dois gigantescos potes de areia movediça...
Quando comecei a viajar pelo mundo fora, visitando paraísos exóticos como Armação de Pêra ou Badajoz, impunha-se o exercer da minha tendência para a recolecção.
E como sou um indivíduo extremamente criativo, sempre em busca de ideias "fora da caixa" (como eu adoro esta expressão), nada melhor do que começar a comprar AQUILO QUE TODA A GENTE COMPRA PARA ASSINALAR A PRESENÇA NUM LOCAL. O problema é que como já viajo há alguns anos e comecei a fazer aquilo logo na primeira viagem, agora não consigo parar. Penso que, de alguma forma, estou a faltar ao respeito ao pequeno Saguim que comprou o primeiro íman ou o primeiro copo... E se eu não gosto de faltar ao respeito a ninguém, muito menos a mim próprio!
O que é que eu faço com estas lindíssimas peças de decoração?
Os ímanes, pasmem-se, estão na porta do frigorífico. Se dúvidas houvessem que sou bimbo, basta darem um salto aqui à cozinha do menino. Os copinhos de shot que NUNCA foram, são ou serão usados, estão num armário a apanhar pó.
Agradeço a Deus que a minha mulher ainda não se lembrou de implicar com isto.
Porque se algum dia o fizer vou ter de pô-la na rua.
É que mulher tenho uma, ímanes e copinhos tenho muitos. Em termos de colecção, a segunda ganha em quantidade.
3.
CROMOS
Estes felizmente já não colecciono. É que, verdade seja dita, aquilo dava uma trabalheira dos diabos. Era o ritual de comprar carteirinhas nos quiosques, cujos donos esfregavam as mãos de contentes quando me viam aproximar arrastando um adulto cabisbaixo pela mão. É preciso dizer que, à minha conta houve muito antigo proprietário de quiosque que se deu bem na vida. O Belmiro de Azevedo, por exemplo, tinha o dele junto à Tarantela no largo da Estefânia. E hoje nem uma lembrança no Natal nem nada. Enfim, feitios.
Depois da compra das carteirinhas seguia-se o abrir das mesmas e a felicidade incontrolável quando se encontrava um ou dois que não se tinha. Os outros engrossavam o molho dos repetidos que se prendiam com um elástico. Depois ainda implicava arte e engenho na altura de colar aquilo dentro dos limites da moldura respectiva, no álbum. Apesar de fazer muita coisa mal na altura (hoje já não faço nada mal como é evidente) era um verdadeiro mestre na colagem perfeita e sem mácula de cromos em cadernetas. Agora, o que é que isso me rendeu na vida? Pouco.
Talvez por isso, porque não é por saber colar bem crominhos num quadrado que mais depressa arranjo emprego, que me deixei de coleccionar cromos. Claro que isso não invalida que tenha aqui duas ou três Simaras de cadernetas (num mundo ideal, "Simara" seria uma unidade de medida de peso) a fazer as delícias dos bichos do papel. Mas como temos de ser uns p'rós outros...
Bom, adiante...
TOP 3 DAS COLECÇÕES, COMPLETAMENTE ANORMAIS, BIZARRAS, ESTAPAFÚRDIAS E TUDO MAIS DE ESTRANHO E LYNCHEANO QUE LHE QUEIRAM CHAMAR, DO VOSSO SEMPRE AMIGO SAGUIM.
1.
POSTAIS ILUSTRADOS
Além de todos os adjectivos acima descritos, esta colecção introduz-nos também o campo do incrivelmente DEPRIMENTE.
Postais ilustrados.
Em que é que eu estava a pensar quando decidi juntar umas micas numa pastinha e guardar tudo o que se enquadrava neste universo? A menos que estivesse nesse preciso momento a ser operado ao cérebro, com uma serra a separar-me os hemisférios, julgo que não tenho desculpa alguma.
Sim, eles ainda aqui estão. Na pastinha.
Coisas tão díspares como aqueles postais com bonecos horrivelmente ordinários que se vendem no Algarve, o sempre terno Topo Gigio ou uma ilustrações foleiras de, por exemplo, o "Outono".
Nunca mostrei isto a ninguém. Ao menos aí tive juízo.
Não que a colecção seja repulsiva de alguma forma mas é mesmo MESMO muito nonsense. Não é fácil explicar às pessoas que aquele que se lembrou de iniciar tal colecção, ou seja eu em puto, não era também possuidor do QI de um rato morto. É uma cantiga difícil de engolir.
2.
PORTA-CHAVES
Apercebo-me que praticamente TODAS estas colecções foram iniciadas em criança e que eu hoje sou apenas a vítima de um horrível legado pelo meu "eu" passado... Fui claro? Basicamente gostava de voltar atrás no tempo, mandar um banano em mim próprio e berrar-me ao ouvido "PÁRA DE ACUMULAR M***A, PÁ!!!" Talvez tivesse resultado. Mas cheira-me que nunca vou ter a certeza.
Bom, os porta-chaves. Um flagelo da minha vida actual.
Quando era miúdo vi uma fantástica reportagem do Canal 1 (como lhe chamavam na altura) sobre uma tasca que tinha o tecto coberto de camarões (os parafusos, não o marisco) que penduravam uma épica colecção de porta-chaves. De todas as formas e feitios. E como os clientes da Casa de Pasto já sabiam que o dono tinha esta, digamos, deficiência, traziam-lhe sempre novos cada vez que lá iam comer. E o dono punha mais camarões e pendurava mais porta-chaves no tecto. E toda a gente achava graça. Apesar de estarem a almoçar na iminência de lhes cair um sapo Cocas no guisado.
Aquilo que hoje me repugna antes maravilhava. Achei muito boa ideia. E imaginei que seria muito lindo ter um dia o tecto da minha casa coberto de camarões e uma colecção de porta-chaves ainda maior do que aquela.
Camaradas, só para vos dar um lamiré... Vamos admitir que eu não tinha mudado nada e continuava a pensar da mesma forma. O dia em que eu abordasse esse assunto junto da minha mulher era o dia em que passaria a ser conhecido como "o Eunuco de Benfica"... E mais não digo.
Feitas as contas, tenho duas enormes caixas cheias de porta-chaves até acima e não sei o que fazer com elas. Cómico é o facto de que sempre que preciso de um porta-chaves vou comprar. Podia tirar um qualquer da caixa mas aqueles pertencem à colecção. Colecção essa que eu já não quero mas que também não vou deitar fora... Até porque muitos dos itens me foram oferecidos e vieram de outros pontos do globo terrestre. Dilema, dilema, dilema...
Há uns anos atrás apercebi-me finalmente daquele que seria um destino digno para esta colecção: a doação a um qualquer Museu do porta-chaves. Em troca de uma ala com o meu nome, claro.
Só que não há nenhum.
Parece que o Estado acha que porta-chaves e cultura não estão bem no mesmo patamar.
É por isso que o Estado é estúpido. Por isso e por mais nada.
E chegámos então àquela que é a "pièce de résistance" desta conversa toda. A colecção mais bizarra de todos os tempos, fora da prisão ou do hospital psiquiátrico.
Pede-se às pessoas mais sensíveis que fechem esta janela e abram outra com o Noddy, por exemplo. Pede-se aos bravos que decidirem ficar para desligarem o som dos telemóveis e afastarem-se de objectos cortantes. Obrigado.
Então cá vamos a isto.
3.
É MELHOR NEM PÔR TÍTULO
Quando era miúdo (outra vez!!!) passava muito tempo sozinho em casa dos meus avós. Os meus avós tinham e têm, felizmente, um terraço no último andar de um prédio. Eu passava muito tempo nesse terraço a falar sozinho e a olhar para as moscas.
As moscas pousavam no muro do terraço, a apanhar sol. Eu olhava para elas e achava que a nossa convivência podia ser levada para um outro nível. Algo mais íntimo.
Daí, comecei a olhá-las com um frasco de vidro na mão. A conceber todo um plano maquiavélico. Elas é que esfregavam as patinhas ao sol mas eu é que estava a congeminar algo terrível. Elas não faziam ideia. Eu sorria, com o frasco na mão.
Após várias tentativas capturei uma, colocando o recipiente de cabeça para baixo. Arrastei-o sem o afastar da base até ao limite do muro e coloquei a mão debaixo, a tapar.
Fui buscar álcool etílico.
Às escondidas porque, vá-se lá saber porquê, a minha avó gostava pouco que eu brincasse com álcool, ou com fósforos, ou menos ainda com as duas coisas ao mesmo tempo. Mas logo por azar era com isso que eu mais gostava de me entreter...
Coloquei um pouco de álcool no frasco. Deitei-lhe fogo. Labareda súbita. Mosca carbonizada no fundo do frasco.
Depois retirei a mosca e com o auxílio de uma velha faca, cortei-lhe a cabeça e coloquei-a num pratinho de esmalte que os meus avós tinham. Achei tanta graça à ideia que comecei a fazer disso o meu hobby de fim de tarde. E a dada altura a minha colecção de "cabecinhas de mosca num prato de esmalte" fazia já inveja a muito bom assassino em série!
...
(pausa para aplausos)
...
(outra pausa para constatar que não houveram aplausos)
...
Tenho a recordar que aquilo que hoje se acha horrendo na altura era uma forma de passar o tempo como outra qualquer. É importante não esquecer que só haviam dois canais de televisão e o Eládio Clímaco aparecia mais do que seria desejável.
Bom, mas a verdade é que eu próprio acho que aquilo não era coisa que se fizesse. Não sei onde foi parar essa minha colecção mas desconfio que a minha avó a tenha confundido com insectos mortos e a tenha deitado para o lixo. Onde pertencia, convenhamos.
De qualquer forma, e dentro desta minha veia de recolector é a única colecção verdadeiramente original. Aquela que não deve haver muito mais gente no mundo a ter uma igual. Eu pelo menos assim o espero.
Para terminar, Caçador ou Recolector? Qual o melhor, afinal?
Parece-me que acaba por ser o Caçador.
Mais limpinho, mais organizado, mais apelativo para as gajas e, acima de tudo...
... com menos cheiro a mosca morta impregnado na roupa.
Sunday, November 21, 2010
Saturday, November 13, 2010
Do not cross
Já não é segredo para ninguém que a minha saída de Benfica está para muito breve.
Não é segredo porque eu mesmo o anunciei neste blogue há umas semanas, apesar de ninguém me ter perguntado nada.
Digamos que não sou muito bom a guardar segredos...
Basicamente tenho até ao final do mês para abandonar esta casa.
O meu lar doce lar durante os últimos dois anos e meio.
Casa essa que se pusermos de lado o chifrudo do vizinho anti-ruído, o escape negro do autocarro que pára à porta, os gritos dos transeuntes drogados e marginais de madrugada, o indivíduo meio monhé que está 24 horas por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano, sentado na esplanada da rua a beber imperiais umas atrás das outras sem ficar bêbado e a conversar com os velhotes, o ordinário que me riscou o carro, o outro ordinário que um dia me colocou um bilhetinho no limpa pára-brisas a chamar-me "anormal", os vizinhos mal-encarados, o indivíduo que vem receber a renda todos os dias 7, estilo medieval, porque, ainda não percebi porquê, não se pode pagar via multibanco, o violador de Telheiras que aterrorizou as redondezas, o mijo que muitas vezes aparece no hall de entrada do prédio e cujo mijão se nega a limpá-lo e o intercomunicador que o senhorio se orgulha em pura e simplesmente não mandar arranjar... se pusermos de lado tudo isso, esta casa nem nos acolheu muito mal.
A verdade é que aquela para onde vamos fica bem longe daqui e precisa de umas obras antes da mudança. Nada de fundo, não comprei nenhuma barraca, embora tenha visto algumas bem jeitosas e em conta, mas é coisa para durar uns dois mesinhos. Por causa disso, os últimos tempos não têm sido nada fáceis porque pensar em tudo o que queremos fazer e ainda tratar de mil e uma burocracias e chatices acaba por ser quase outro trabalho a tempo inteiro. E se já me chateia ter um, então dois é mesmo coisa para dar cabo dos nervos.
O problema é que quando não sobra tempo para mais nada, há uma série de outras coisas extra-emprego que ficam ou em stand-by ou quase completamente esquecidas. Falo de algo tão essencialmente simples como a limpeza da casa onde ainda estou. Ou da ausência dela.
Por um lado, sejamos sinceros, a permanência aqui neste momento provoca-me muito nojo.
Por outro, custa-me estar a gastar energia e recursos na higiene de um local que muito brevemente vai deixar de me albergar. Estão a ver o dilema?
Como sou preguiçoso acabo por me concentrar mais no segundo ponto. Aquele que diz: "What's the point...", afasta o lixo e se deita em posição fetal para acordar no dia seguinte de manhã. Sou preguiçoso para me mexer e fazer limpezas e, mais do que isso, sou preguiçoso para berrar à minha mulher que tem duas horas para pôr isto num brinquinho. Bom, aí sou até mais medroso porque penso que não me safava de levar uma patada nos dentes. Portanto, deixo-me estar.
Neste momento, é possível encontrar por aqui coisas curiosas e dignas da atenção da ciência.
As bolas de cotão atingem dimensões impressionantes e é comum vê-las a voar no corredor como se estivesse no Velho Oeste. Faz um bonito efeito. Fica só a faltar o Clint Eastwood mas não há meio do homem vir a Benfica. Coisa que eu até compreendo, dada a falta de fascínio e/ou interesse desta zona, mas a vir juntava-se o útil ao agradável e às tantas até me dava uma mãozinha e aspirava uma divisão ou outra. Assim de repente, parece-me pouco provável que um dia o Clint Eastwood me venha aspirar a casa por isso prefiro não contar com isso.
Sigamos em frente...
Esta casa produz bolas de cotão como a China produz leite em pó à base de veneno... É às pazadas. O que até se percebe dado que cá vivem 3 criaturas cuja principal função é gerar pêlo dia e noite. Falo da coelha, da gata e, como é evidente, da minha "mais que tudo". Eu sou apenas uma infeliz vítima desta situação horrível dado que pouco pêlo possuo já na zona da cabeça, e o pouco que tenho é regularmente rapado. Já sugeri o mesmo "hairstyle" às referidas 3 criaturas mas a sugestão foi recebida com pouco entusiasmo. Resultado disso é a continuidade das tais bolas de cotão.
Mas agora são tantas e tão grandes que a gata volta e meia olha para mim com os olhos arregalados como quem diz: "Ehpá, já limpavas isto ó porco da m***a! Tenho conhecidos que vivem às espinhas na rua e nem eles se sujeitavam a este pardieiro." Vai daí, dou-lhe um biscoito e compro-lhe o silêncio por mais algumas horas. Ah! E volta e meia também é costume ouvi-la espirrar muito atrapalhada quando decide engolir um pedaço de cotão. Sempre uma graça. Eu sorrio perante a sua estupidez, dou-lhe uma festa na cabeça e fico a desejar que tão cedo uma não se cruze no seu caminho. Por agora, é tudo o que consigo fazer.
Mas se o cotão é realmente um enorme flagelo, o que dizer das descobertas revolucionárias que se vão passando na cozinha? Sim, é verdade, coisas do arco da velha. Já alguma vez tiveram uma abóbora podre no caixote do lixo durante dias? Não é tão espectacular como dizem. Na verdade, é tão nojento que se torna quase ofensivo. Eu levei a reacção da abóbora perante o tempo e a exposição ao ar como um insulto pessoal.
Primeiro a velhaca decidiu dizer-me que não estava em condições de ser consumida através do seu aspecto. Tinha ar de estar estragada e assim sendo foi devidamente colocada no caixote. O problema é que, dada a tal falta de tempo, esse saco acabou por permanecer no lixo durante alguns dias. O suficiente para a porra da abóbora me encher o caixote de uma espécie de água infernal emanadora de cheiro nauseabundo. Uma cortesia desta besta.
Eu nunca fui grande fã de abóboras e de um certo ponto de vista alguma razão deve ter a malta que lhes desenha caras feias e as exibe no Dia das Bruxas. Mas daí ao ódio que senti naquele dia vai uma boa diferença... E tão cedo parece-me que não ponho nenhuma na sopa!
Na cozinha sucedeu ainda outro fenómeno natural digno de nota. Depois de uma refeição de favas com chouriço e de colocado o excedente num tupperware, o meu genial cérebro sugeriu-me que colocasse o recipiente dentro do forno por estar ainda quente, a fazer horas para ir para o frigorífico. Dentro do forno, porque em cima da bancada está fora de questão. A menos que queira proporcionar à gata o banquete do ano, o que muito sinceramente não me seduz por aí além. Coloquei então o tupperware dentro do forno e o mesmo só foi reencontrado alguns dias mais tarde.
O cheiro era deveras incomodativo, verdade.
Impregnava a cozinha como o cadáver de uma doninha, verdade.
Mas o novo aspecto peludo e fofinho atribuía à velha refeição uma faceta carinhosa. Muito terna. Como um peluche mas para comer...
Enfim, digno de estudo digo-vos eu. Mas como também não tenho tempo para isso deixei a biodiversidade em "águas de bacalhau".
De qualquer maneira, há mais a dizer acerca deste upgrade de pocilga ao qual ainda chamo casa. A casa de banho, por exemplo, nem está muito mal.
Para uma casa de banho pública.
Se considerarmos os critérios dos sanitários dos centros de dia ou das estações de comboios, esta até dá gosto.
Ou então não e é repugnante como as outras... Mas não vou entrar em pormenores para não chocar ninguém e não provocar aquele movimento do esófago que "diz que vomita e depois não vomita". Enfim, isto por aqui está agreste.
O volume de roupa suja excede agora em muito o volume de roupa limpa. Não há tempo para meter na máquina e, além do mais, tem estado de chuva. Portanto, tenho agora um cesto a transbordar e ainda um saco cheio em cima, a fazer peso para que a tampa feche minimamente, que não me deixa mentir. E escusado será dizer que estes dois elementos acentuam ainda mais o clima de "barracaria" que domina este domicílio. É de fugir.
Aliás, hoje calcei o último par de peúgas da gaveta. Umas brancas da nike, para jogar à bola. Em situações normais não as usaria hoje mas não me restou outra opção. As cuecas também estão a acabar-se e se não tratar da roupa o quanto antes parece-me que vou ter de optar por um estilo de vida mais "à larga". Espero do fundo do coração que não chegue a tanto.
Feito um balanço final, aquilo que me dá algum alento é que TODA esta situação não é senão temporária. Daqui a pouco tempo já estarei numa casa mais bonita, com mais luz, mais arrumos, mais espaço... e mais área para distribuir a porcaria que mais tarde ou mais cedo se gera! Dar-me-á muita alegria.
E mesmo que tenha de lidar com isto por agora, convém manter o bom humor.
Sorrir sempre.
Não desesperar com a falta de tempo.
Ser optimista e, sobretudo...
... comprar mais biscoitos para gato.
Não é segredo porque eu mesmo o anunciei neste blogue há umas semanas, apesar de ninguém me ter perguntado nada.
Digamos que não sou muito bom a guardar segredos...
Basicamente tenho até ao final do mês para abandonar esta casa.
O meu lar doce lar durante os últimos dois anos e meio.
Casa essa que se pusermos de lado o chifrudo do vizinho anti-ruído, o escape negro do autocarro que pára à porta, os gritos dos transeuntes drogados e marginais de madrugada, o indivíduo meio monhé que está 24 horas por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano, sentado na esplanada da rua a beber imperiais umas atrás das outras sem ficar bêbado e a conversar com os velhotes, o ordinário que me riscou o carro, o outro ordinário que um dia me colocou um bilhetinho no limpa pára-brisas a chamar-me "anormal", os vizinhos mal-encarados, o indivíduo que vem receber a renda todos os dias 7, estilo medieval, porque, ainda não percebi porquê, não se pode pagar via multibanco, o violador de Telheiras que aterrorizou as redondezas, o mijo que muitas vezes aparece no hall de entrada do prédio e cujo mijão se nega a limpá-lo e o intercomunicador que o senhorio se orgulha em pura e simplesmente não mandar arranjar... se pusermos de lado tudo isso, esta casa nem nos acolheu muito mal.
A verdade é que aquela para onde vamos fica bem longe daqui e precisa de umas obras antes da mudança. Nada de fundo, não comprei nenhuma barraca, embora tenha visto algumas bem jeitosas e em conta, mas é coisa para durar uns dois mesinhos. Por causa disso, os últimos tempos não têm sido nada fáceis porque pensar em tudo o que queremos fazer e ainda tratar de mil e uma burocracias e chatices acaba por ser quase outro trabalho a tempo inteiro. E se já me chateia ter um, então dois é mesmo coisa para dar cabo dos nervos.
O problema é que quando não sobra tempo para mais nada, há uma série de outras coisas extra-emprego que ficam ou em stand-by ou quase completamente esquecidas. Falo de algo tão essencialmente simples como a limpeza da casa onde ainda estou. Ou da ausência dela.
Por um lado, sejamos sinceros, a permanência aqui neste momento provoca-me muito nojo.
Por outro, custa-me estar a gastar energia e recursos na higiene de um local que muito brevemente vai deixar de me albergar. Estão a ver o dilema?
Como sou preguiçoso acabo por me concentrar mais no segundo ponto. Aquele que diz: "What's the point...", afasta o lixo e se deita em posição fetal para acordar no dia seguinte de manhã. Sou preguiçoso para me mexer e fazer limpezas e, mais do que isso, sou preguiçoso para berrar à minha mulher que tem duas horas para pôr isto num brinquinho. Bom, aí sou até mais medroso porque penso que não me safava de levar uma patada nos dentes. Portanto, deixo-me estar.
Neste momento, é possível encontrar por aqui coisas curiosas e dignas da atenção da ciência.
As bolas de cotão atingem dimensões impressionantes e é comum vê-las a voar no corredor como se estivesse no Velho Oeste. Faz um bonito efeito. Fica só a faltar o Clint Eastwood mas não há meio do homem vir a Benfica. Coisa que eu até compreendo, dada a falta de fascínio e/ou interesse desta zona, mas a vir juntava-se o útil ao agradável e às tantas até me dava uma mãozinha e aspirava uma divisão ou outra. Assim de repente, parece-me pouco provável que um dia o Clint Eastwood me venha aspirar a casa por isso prefiro não contar com isso.
Sigamos em frente...
Esta casa produz bolas de cotão como a China produz leite em pó à base de veneno... É às pazadas. O que até se percebe dado que cá vivem 3 criaturas cuja principal função é gerar pêlo dia e noite. Falo da coelha, da gata e, como é evidente, da minha "mais que tudo". Eu sou apenas uma infeliz vítima desta situação horrível dado que pouco pêlo possuo já na zona da cabeça, e o pouco que tenho é regularmente rapado. Já sugeri o mesmo "hairstyle" às referidas 3 criaturas mas a sugestão foi recebida com pouco entusiasmo. Resultado disso é a continuidade das tais bolas de cotão.
Mas agora são tantas e tão grandes que a gata volta e meia olha para mim com os olhos arregalados como quem diz: "Ehpá, já limpavas isto ó porco da m***a! Tenho conhecidos que vivem às espinhas na rua e nem eles se sujeitavam a este pardieiro." Vai daí, dou-lhe um biscoito e compro-lhe o silêncio por mais algumas horas. Ah! E volta e meia também é costume ouvi-la espirrar muito atrapalhada quando decide engolir um pedaço de cotão. Sempre uma graça. Eu sorrio perante a sua estupidez, dou-lhe uma festa na cabeça e fico a desejar que tão cedo uma não se cruze no seu caminho. Por agora, é tudo o que consigo fazer.
Mas se o cotão é realmente um enorme flagelo, o que dizer das descobertas revolucionárias que se vão passando na cozinha? Sim, é verdade, coisas do arco da velha. Já alguma vez tiveram uma abóbora podre no caixote do lixo durante dias? Não é tão espectacular como dizem. Na verdade, é tão nojento que se torna quase ofensivo. Eu levei a reacção da abóbora perante o tempo e a exposição ao ar como um insulto pessoal.
Primeiro a velhaca decidiu dizer-me que não estava em condições de ser consumida através do seu aspecto. Tinha ar de estar estragada e assim sendo foi devidamente colocada no caixote. O problema é que, dada a tal falta de tempo, esse saco acabou por permanecer no lixo durante alguns dias. O suficiente para a porra da abóbora me encher o caixote de uma espécie de água infernal emanadora de cheiro nauseabundo. Uma cortesia desta besta.
Eu nunca fui grande fã de abóboras e de um certo ponto de vista alguma razão deve ter a malta que lhes desenha caras feias e as exibe no Dia das Bruxas. Mas daí ao ódio que senti naquele dia vai uma boa diferença... E tão cedo parece-me que não ponho nenhuma na sopa!
Na cozinha sucedeu ainda outro fenómeno natural digno de nota. Depois de uma refeição de favas com chouriço e de colocado o excedente num tupperware, o meu genial cérebro sugeriu-me que colocasse o recipiente dentro do forno por estar ainda quente, a fazer horas para ir para o frigorífico. Dentro do forno, porque em cima da bancada está fora de questão. A menos que queira proporcionar à gata o banquete do ano, o que muito sinceramente não me seduz por aí além. Coloquei então o tupperware dentro do forno e o mesmo só foi reencontrado alguns dias mais tarde.
O cheiro era deveras incomodativo, verdade.
Impregnava a cozinha como o cadáver de uma doninha, verdade.
Mas o novo aspecto peludo e fofinho atribuía à velha refeição uma faceta carinhosa. Muito terna. Como um peluche mas para comer...
Enfim, digno de estudo digo-vos eu. Mas como também não tenho tempo para isso deixei a biodiversidade em "águas de bacalhau".
De qualquer maneira, há mais a dizer acerca deste upgrade de pocilga ao qual ainda chamo casa. A casa de banho, por exemplo, nem está muito mal.
Para uma casa de banho pública.
Se considerarmos os critérios dos sanitários dos centros de dia ou das estações de comboios, esta até dá gosto.
Ou então não e é repugnante como as outras... Mas não vou entrar em pormenores para não chocar ninguém e não provocar aquele movimento do esófago que "diz que vomita e depois não vomita". Enfim, isto por aqui está agreste.
O volume de roupa suja excede agora em muito o volume de roupa limpa. Não há tempo para meter na máquina e, além do mais, tem estado de chuva. Portanto, tenho agora um cesto a transbordar e ainda um saco cheio em cima, a fazer peso para que a tampa feche minimamente, que não me deixa mentir. E escusado será dizer que estes dois elementos acentuam ainda mais o clima de "barracaria" que domina este domicílio. É de fugir.
Aliás, hoje calcei o último par de peúgas da gaveta. Umas brancas da nike, para jogar à bola. Em situações normais não as usaria hoje mas não me restou outra opção. As cuecas também estão a acabar-se e se não tratar da roupa o quanto antes parece-me que vou ter de optar por um estilo de vida mais "à larga". Espero do fundo do coração que não chegue a tanto.
Feito um balanço final, aquilo que me dá algum alento é que TODA esta situação não é senão temporária. Daqui a pouco tempo já estarei numa casa mais bonita, com mais luz, mais arrumos, mais espaço... e mais área para distribuir a porcaria que mais tarde ou mais cedo se gera! Dar-me-á muita alegria.
E mesmo que tenha de lidar com isto por agora, convém manter o bom humor.
Sorrir sempre.
Não desesperar com a falta de tempo.
Ser optimista e, sobretudo...
... comprar mais biscoitos para gato.
Sunday, October 31, 2010
Sóbrio mas Feliz
Olá, eu sou o Saguim e gosto muito de vinho tinto... (digo eu)
Olá Saguim. (respondem vocês)
Gosto tanto do rubro néctar que há uns tempos atrás a minha doce mulher lembrou-se de me oferecer um daqueles packs da Smartbox, dedicado a workshops, de modo a que pudesse aumentar os meus conhecimentos acerca do mesmo. Conhecimentos esses que neste momento estão muito perto do nulo.
Sei dizer se o vinho me sabe bem ou se me sabe menos bem. Mal, raramente sabe. Mas gostaria de deixar de fazer aquele teatro ridículo sempre que o empregado de mesa mo dá a provar num restaurante...
Normalmente faço o seguinte:
Ergo bem alto o copo no ar. Observo o líquido. É vermelho. Confere.
Bamboleio a vinhaça no copo não sei bem para quê. Dou-lhe uma cheiradela. Cheira a vinho. Confere.
Bebo um golo. Semicerro os olhos para parecer que estou a saborear os taninos ou lá o que é. Em vez disso, constato que sabe a vinho. Portanto, confere.
Faço que sim com a cabeça, com ar de entendido, e vejo o empregado servir-me a mim e à pessoa que me acompanha. Isto enquanto provavelmente o indivíduo se regozija por me ter servido a garrafa que esteve na montra durante o último mês, a apanhar sol.
Bom, vai daí, e em grande parte para evitar estas minhas figuras de palhaço, a minha mulher lembrou-se de me oferecer um pequeno curso de nome "Para quem não percebe nada de vinhos mas gostava de perceber". Nada mais adequado...
O local? Um pequeno restaurante vegetariano e, ao que parece, centro de cursos e oficinas, chamado "Bem-me-quer".
Vamos lá embora, então.
Quando alguém nos oferece um pack da Smartbox, da "Vida é Bela", ou de uma das outras 50.000 empresas que agora proporcionam uma vasta oferta de experiências, ficamos contentes quando recebemos a prenda mas depois deixamo-la "a pastar" numa gaveta até começarmos a ficar com medo que perca a validade. Comigo, foi exactamente isso que aconteceu. Apesar de gostar muitíssimo de vinho, não ao ponto de não conseguir manter um emprego ou um plano de higiene pessoal mas o suficiente para um dia ter pedido num bar "Uma caipirinha, por amor de Deus" em vez do normal "se faz favor", deixei que o pack marinasse em casa até muito recentemente.
Não que não tenha ligado há tempos a tentar reservar o curso. Liguei duas vezes. A primeira delas, os tipos estavam a preparar-se para entrar de férias. Portanto, mau timming. Já na segunda, o formador estava numa vinha e só voltaria na semana seguinte. Pensei logo: o formador está numa vinha? Ou é enólogo ou apanha uvas para ganhar uns trocos... Seja como for, deve perceber do assunto.
Só na última semana consegui finalmente marcar o tal workshop. E que contente que eu fiquei... Todos os dias antecipava o momento na minha cabeça. E, não sei bem porquê, sempre que o fazia imaginava um patusco encontro de bebedeira entre desconhecidos, brindes sucessivos, sonoras gargalhadas e muito "Se o Saguim quer ser cá da malta..." Mais prático que teórico, no fundo. Mas depois também pensava: se assim fosse haveria muito bêbado a querer reservar cursos destes porque parecendo que não acabam por pagar menos do que se fossem para a tasca beber penaltis uns a seguir aos outros... Vai daí, imaginei que às tantas o curso deveria ser menos orgia romana e mais coisa séria.
Marquei então para 29 de Outubro, última sexta, às 19h. E o que aconteceu foi mais ou menos isto...
A HORA DO SAGUIM APRESENTA:
O RELATO EBRIAMENTE CHOCANTE DO WORKSHOP "PARA QUEM NÃO PERCEBE NADA DE VINHOS MAS GOSTAVA DE PERCEBER", FREQUENTADO PELO SAGUIM NUM ESPAÇO DE NOME BASTANTE RABICHO, CHAMADO "BEM-ME-QUER"
18h20
Hoje é um grande dia! Finalmente vou fazer o meu workshop de vinhos. Até que enfim... Fartei-me de adiar e agora sim, vai acontecer. É por isso que o dia de hoje vai ficar para a História. Por isso e porque há horas atrás fui comprar uma casa... Isso também é capaz de importar: a escritura do lar onde se calhar vou viver para sempre. Nada que se compare ao vinho mas ainda assim digno de nota. Já não falta muito! Daqui a bocado é que vai ser!!!
18h30
Vim do banco e da escritura directamente para casa dos meus pais que fica mais próxima do tal sítio. "Bem-me-quer"... Não conheço. Mas também não importa. Desde que haja vinhaça, o nome até podia ser mais gay. Fecho o portátil, dou o dia de trabalho por encerrado, e preparo-me para descer a rua. Que excitação! Finalmente vou ficar um entendido na matéria e começar a mandar vinhos para trás por "não estarem em condições". AHAHAHAH... O PODER!!!
18h45
Chego à "Bem-me-quer". O restaurante está fechado. Isso e tem as luzes apagadas. Tudo bem, o workshop não há-de ser no espaço do restaurante e ainda não são 19h. Pergunto a uma senhora moradora no prédio onde ficam os escritórios em que acontecem os cursos. Ela diz-me que é ali no rés-do-chão. Eu agradeço, sempre bem educado, ansioso por beber uns canecos e perder a educação toda... Eheheheh cá estou eu. Toco à porta. Espero um bocado. Ehehehehe 'Tá quase! 'Tá quase! Ninguém abre. Ok, ainda não são 19h. Eu espero.
18h55
Já só faltam cinco minutos para as 19h e ainda não há sinais de vida dentro do estranho local. Já toquei e toquei e nem um som. O vizinho da frente, depois de certificar-se que eu não era "drógado", disse que "a senhora" tinha saído e já voltava. Não percebo exactamente o que quer ele dizer com "a senhora". Não sei se é relativo a religião ou a putedo... Mas pelo aspecto da escada do prédio inclino-me mais para a segunda hipótese. De qualquer maneira, deixo-me ficar na escada à espera. Em pulgas para afogar o meu stress num belo alentejano. Vinho, diga-se. Não num indivíduo.
18h58
Sai uma mulher do escritório. Apercebo-me rapidamente que não é "a senhora". Vem sozinha e com um sorriso parvo. Eu pergunto-lhe se é ali que dão workshops de vinhos e ela diz-me que sim. Diz que é professora de yoga e que não me abriu a porta porque não é dona daquilo. É professora mas não vem com aluno nenhum... Eu acho estranho mas agradeço e continuo à espera. Antes de se ir embora ela diz-me que "a senhora" deve estar a chegar. Eu sento-me na escada com atenção ao interruptor que volta e meia desliga-se e deixa-me às escuras.
19h00
Vou sonhando com o glamour do vinho tinto e da piela que tenciono apanhar quando chega um tipo brasileiro. Vai ser colega de formação. Ele pergunta-me se é ali a "Bem-me-quer". Eu digo que não sei mas que deve ser. Digo que "a senhora" deve estar a chegar. Vejo pela cara dele que não sabe quem é "a senhora". Mas tal como no vinho que me dão a provar no restaurante, faço o ar entendido de quem sabe e evito qualquer pergunta que ele me tenha a fazer. Fico sentado na escada enquanto ele se encosta à parede a mexer no telemóvel. Fazemos um bonito duo. A porta ao nosso lado fechada. E o workshop que devia estar a começar...
19h15
'Tá giro... Passaram-se quinze minutos e nem "senhora", nem fulano que andava nas vinhas ainda há duas semanas nem outros formandos nada. A porta continua fechada, lá em baixo o restaurante às escuras, eu sentado na escada e o brasileiro encostado à parede a mexer no telemóvel. E assim se vai passando o serão. A luz da escada apaga-se. E perante a inércia do "colega" sou eu que me levanto para a reacender. Começa a cheirar-me a esturro...
19h20
Curioso... Vinte minutos de atraso. Também não vale a pena ficar já irado. Pode ter acontecido algum acidente. Quando reservei pelo telefone pediram-me os meus contactos por isso estou certo que se pudessem ter previsto isto já me tinham ligado. É isso, de certeza que tarda nada vai entrar por aí adentro "a senhora" espavorida porque foi atropelada por uma carrinha de caixa aberta, fractura exposta em ambas as pernas, mas decidida a abrir-nos a porta e a proporcionar-nos o nosso workshop. O brasileiro continua a mexer no telemóvel sem levantar os olhos. Eu, volta e meia, bufo para ver se manifesto a minha impaciência e se troco meia dúzia de palavras com ele. Porém, sem sucesso. A luz da escada apaga-se. Quem se levanta sou eu.
19h30
Querem ver que não vai haver curso p'ra ninguém?! Mesmo que "a senhora" apareça aí com um Ford Fiesta emplastrado na nuca, não há sinal do tipo das vinhas... Se calhar ficou por lá. Deve estar neste momento a dormir de barriga para baixo no meio das videiras, com as calças pelos tornozelos e a tentar não se afogar no próprio mijo. Bêbado! A dada altura digo ao brasileiro que estou a perder a paciência e que vou telefonar para os números de telefone que estão no livro da Smartbox. Ele não me liga nenhuma e continua a mexer no telemóvel, encostado à parede. Encontro dois números: um fixo e um móvel. O fixo ninguém atende. Surpresa chocante. O móvel não está atribuído. Mau... Apaga-se a luz. PORRA QUE JÁ É DEMAIS!!!
19h35
QUE SORTE A MINHA!!! MALDIÇÃO! QUE CAIA JÁ UM METEORITO DAQUELES F****OS, QUE DERAM CABO DOS DINOSSAUROS, EM CIMA DESTA ESPELUNCA!!! Nem sinal da "senhora", nem do bêbado, nem da professora de yoga (que às tantas era mesmo "a senhora" e se baldou de maneira airosa) nem de ninguém. Estou p'raqui enfiado numa 6ª feira à noite, lado-a-lado com um indivíduo que é brasileiro, na escada de um prédio antigo que volta e meia fica às escuras E CONTINUO A NÃO PERCEBER GRANDE COISA DE VINHOS! Os moradores do prédio entram, uns após os outros, em direcção às suas casas. Nenhum deles é "a senhora" que neste momento, a chegar, não se safa de ouvir uns insultos dirigidos a ela e à família. Em vez disso, vão chegando os vizinhos, cada um mais feio que o outro. Faz-me lembrar o meu prédio em Benfica.
19h45
Vou-me embora. Despeço-me do brasileiro e atiro para o ar o clássico "Isto é uma vergonha..." Ele aproveita e vai-se embora também, lixado com a "sacanagem". Chego a casa tão sóbrio quanto saí e, há que dizer, bastante desiludido com isso.
Portanto, foi assim o meu workshop de vinhos.
Escusado será dizer que depois do feriado pingarão duas queixazinhas no atendimento ao cliente da Smartbox: uma em português do Brasil e outra em português de Portugal. E se me dá p'raí ainda pingarão mais em inglês, francês, espanhol ou madeirense. Não que saiba falar estas línguas mas sei quem sabe e decerto me farão o favor.
Estou também muito determinado a ligar para a "Bem-me-quer" e dar uma palavrinha à "senhora". Mostrar educadamente a minha indignação. E, se vier a propósito, mandá-la p'ró c*****o.
Agora, enquanto a minha mulher se ocupa com frivolidades como as obras na casa nova, as mudanças e tudo o que há a comprar, eu estudo formas criativas de me vingar desta gente. Disso e de tornar mais credível o meu teatro quando provo vinhos em restaurantes.
Penso que o segredo está no estalo da língua, após o gole...
Olá Saguim. (respondem vocês)
Gosto tanto do rubro néctar que há uns tempos atrás a minha doce mulher lembrou-se de me oferecer um daqueles packs da Smartbox, dedicado a workshops, de modo a que pudesse aumentar os meus conhecimentos acerca do mesmo. Conhecimentos esses que neste momento estão muito perto do nulo.
Sei dizer se o vinho me sabe bem ou se me sabe menos bem. Mal, raramente sabe. Mas gostaria de deixar de fazer aquele teatro ridículo sempre que o empregado de mesa mo dá a provar num restaurante...
Normalmente faço o seguinte:
Ergo bem alto o copo no ar. Observo o líquido. É vermelho. Confere.
Bamboleio a vinhaça no copo não sei bem para quê. Dou-lhe uma cheiradela. Cheira a vinho. Confere.
Bebo um golo. Semicerro os olhos para parecer que estou a saborear os taninos ou lá o que é. Em vez disso, constato que sabe a vinho. Portanto, confere.
Faço que sim com a cabeça, com ar de entendido, e vejo o empregado servir-me a mim e à pessoa que me acompanha. Isto enquanto provavelmente o indivíduo se regozija por me ter servido a garrafa que esteve na montra durante o último mês, a apanhar sol.
Bom, vai daí, e em grande parte para evitar estas minhas figuras de palhaço, a minha mulher lembrou-se de me oferecer um pequeno curso de nome "Para quem não percebe nada de vinhos mas gostava de perceber". Nada mais adequado...
O local? Um pequeno restaurante vegetariano e, ao que parece, centro de cursos e oficinas, chamado "Bem-me-quer".
Vamos lá embora, então.
Quando alguém nos oferece um pack da Smartbox, da "Vida é Bela", ou de uma das outras 50.000 empresas que agora proporcionam uma vasta oferta de experiências, ficamos contentes quando recebemos a prenda mas depois deixamo-la "a pastar" numa gaveta até começarmos a ficar com medo que perca a validade. Comigo, foi exactamente isso que aconteceu. Apesar de gostar muitíssimo de vinho, não ao ponto de não conseguir manter um emprego ou um plano de higiene pessoal mas o suficiente para um dia ter pedido num bar "Uma caipirinha, por amor de Deus" em vez do normal "se faz favor", deixei que o pack marinasse em casa até muito recentemente.
Não que não tenha ligado há tempos a tentar reservar o curso. Liguei duas vezes. A primeira delas, os tipos estavam a preparar-se para entrar de férias. Portanto, mau timming. Já na segunda, o formador estava numa vinha e só voltaria na semana seguinte. Pensei logo: o formador está numa vinha? Ou é enólogo ou apanha uvas para ganhar uns trocos... Seja como for, deve perceber do assunto.
Só na última semana consegui finalmente marcar o tal workshop. E que contente que eu fiquei... Todos os dias antecipava o momento na minha cabeça. E, não sei bem porquê, sempre que o fazia imaginava um patusco encontro de bebedeira entre desconhecidos, brindes sucessivos, sonoras gargalhadas e muito "Se o Saguim quer ser cá da malta..." Mais prático que teórico, no fundo. Mas depois também pensava: se assim fosse haveria muito bêbado a querer reservar cursos destes porque parecendo que não acabam por pagar menos do que se fossem para a tasca beber penaltis uns a seguir aos outros... Vai daí, imaginei que às tantas o curso deveria ser menos orgia romana e mais coisa séria.
Marquei então para 29 de Outubro, última sexta, às 19h. E o que aconteceu foi mais ou menos isto...
A HORA DO SAGUIM APRESENTA:
O RELATO EBRIAMENTE CHOCANTE DO WORKSHOP "PARA QUEM NÃO PERCEBE NADA DE VINHOS MAS GOSTAVA DE PERCEBER", FREQUENTADO PELO SAGUIM NUM ESPAÇO DE NOME BASTANTE RABICHO, CHAMADO "BEM-ME-QUER"
18h20
Hoje é um grande dia! Finalmente vou fazer o meu workshop de vinhos. Até que enfim... Fartei-me de adiar e agora sim, vai acontecer. É por isso que o dia de hoje vai ficar para a História. Por isso e porque há horas atrás fui comprar uma casa... Isso também é capaz de importar: a escritura do lar onde se calhar vou viver para sempre. Nada que se compare ao vinho mas ainda assim digno de nota. Já não falta muito! Daqui a bocado é que vai ser!!!
18h30
Vim do banco e da escritura directamente para casa dos meus pais que fica mais próxima do tal sítio. "Bem-me-quer"... Não conheço. Mas também não importa. Desde que haja vinhaça, o nome até podia ser mais gay. Fecho o portátil, dou o dia de trabalho por encerrado, e preparo-me para descer a rua. Que excitação! Finalmente vou ficar um entendido na matéria e começar a mandar vinhos para trás por "não estarem em condições". AHAHAHAH... O PODER!!!
18h45
Chego à "Bem-me-quer". O restaurante está fechado. Isso e tem as luzes apagadas. Tudo bem, o workshop não há-de ser no espaço do restaurante e ainda não são 19h. Pergunto a uma senhora moradora no prédio onde ficam os escritórios em que acontecem os cursos. Ela diz-me que é ali no rés-do-chão. Eu agradeço, sempre bem educado, ansioso por beber uns canecos e perder a educação toda... Eheheheh cá estou eu. Toco à porta. Espero um bocado. Ehehehehe 'Tá quase! 'Tá quase! Ninguém abre. Ok, ainda não são 19h. Eu espero.
18h55
Já só faltam cinco minutos para as 19h e ainda não há sinais de vida dentro do estranho local. Já toquei e toquei e nem um som. O vizinho da frente, depois de certificar-se que eu não era "drógado", disse que "a senhora" tinha saído e já voltava. Não percebo exactamente o que quer ele dizer com "a senhora". Não sei se é relativo a religião ou a putedo... Mas pelo aspecto da escada do prédio inclino-me mais para a segunda hipótese. De qualquer maneira, deixo-me ficar na escada à espera. Em pulgas para afogar o meu stress num belo alentejano. Vinho, diga-se. Não num indivíduo.
18h58
Sai uma mulher do escritório. Apercebo-me rapidamente que não é "a senhora". Vem sozinha e com um sorriso parvo. Eu pergunto-lhe se é ali que dão workshops de vinhos e ela diz-me que sim. Diz que é professora de yoga e que não me abriu a porta porque não é dona daquilo. É professora mas não vem com aluno nenhum... Eu acho estranho mas agradeço e continuo à espera. Antes de se ir embora ela diz-me que "a senhora" deve estar a chegar. Eu sento-me na escada com atenção ao interruptor que volta e meia desliga-se e deixa-me às escuras.
19h00
Vou sonhando com o glamour do vinho tinto e da piela que tenciono apanhar quando chega um tipo brasileiro. Vai ser colega de formação. Ele pergunta-me se é ali a "Bem-me-quer". Eu digo que não sei mas que deve ser. Digo que "a senhora" deve estar a chegar. Vejo pela cara dele que não sabe quem é "a senhora". Mas tal como no vinho que me dão a provar no restaurante, faço o ar entendido de quem sabe e evito qualquer pergunta que ele me tenha a fazer. Fico sentado na escada enquanto ele se encosta à parede a mexer no telemóvel. Fazemos um bonito duo. A porta ao nosso lado fechada. E o workshop que devia estar a começar...
19h15
'Tá giro... Passaram-se quinze minutos e nem "senhora", nem fulano que andava nas vinhas ainda há duas semanas nem outros formandos nada. A porta continua fechada, lá em baixo o restaurante às escuras, eu sentado na escada e o brasileiro encostado à parede a mexer no telemóvel. E assim se vai passando o serão. A luz da escada apaga-se. E perante a inércia do "colega" sou eu que me levanto para a reacender. Começa a cheirar-me a esturro...
19h20
Curioso... Vinte minutos de atraso. Também não vale a pena ficar já irado. Pode ter acontecido algum acidente. Quando reservei pelo telefone pediram-me os meus contactos por isso estou certo que se pudessem ter previsto isto já me tinham ligado. É isso, de certeza que tarda nada vai entrar por aí adentro "a senhora" espavorida porque foi atropelada por uma carrinha de caixa aberta, fractura exposta em ambas as pernas, mas decidida a abrir-nos a porta e a proporcionar-nos o nosso workshop. O brasileiro continua a mexer no telemóvel sem levantar os olhos. Eu, volta e meia, bufo para ver se manifesto a minha impaciência e se troco meia dúzia de palavras com ele. Porém, sem sucesso. A luz da escada apaga-se. Quem se levanta sou eu.
19h30
Querem ver que não vai haver curso p'ra ninguém?! Mesmo que "a senhora" apareça aí com um Ford Fiesta emplastrado na nuca, não há sinal do tipo das vinhas... Se calhar ficou por lá. Deve estar neste momento a dormir de barriga para baixo no meio das videiras, com as calças pelos tornozelos e a tentar não se afogar no próprio mijo. Bêbado! A dada altura digo ao brasileiro que estou a perder a paciência e que vou telefonar para os números de telefone que estão no livro da Smartbox. Ele não me liga nenhuma e continua a mexer no telemóvel, encostado à parede. Encontro dois números: um fixo e um móvel. O fixo ninguém atende. Surpresa chocante. O móvel não está atribuído. Mau... Apaga-se a luz. PORRA QUE JÁ É DEMAIS!!!
19h35
QUE SORTE A MINHA!!! MALDIÇÃO! QUE CAIA JÁ UM METEORITO DAQUELES F****OS, QUE DERAM CABO DOS DINOSSAUROS, EM CIMA DESTA ESPELUNCA!!! Nem sinal da "senhora", nem do bêbado, nem da professora de yoga (que às tantas era mesmo "a senhora" e se baldou de maneira airosa) nem de ninguém. Estou p'raqui enfiado numa 6ª feira à noite, lado-a-lado com um indivíduo que é brasileiro, na escada de um prédio antigo que volta e meia fica às escuras E CONTINUO A NÃO PERCEBER GRANDE COISA DE VINHOS! Os moradores do prédio entram, uns após os outros, em direcção às suas casas. Nenhum deles é "a senhora" que neste momento, a chegar, não se safa de ouvir uns insultos dirigidos a ela e à família. Em vez disso, vão chegando os vizinhos, cada um mais feio que o outro. Faz-me lembrar o meu prédio em Benfica.
19h45
Vou-me embora. Despeço-me do brasileiro e atiro para o ar o clássico "Isto é uma vergonha..." Ele aproveita e vai-se embora também, lixado com a "sacanagem". Chego a casa tão sóbrio quanto saí e, há que dizer, bastante desiludido com isso.
Portanto, foi assim o meu workshop de vinhos.
Escusado será dizer que depois do feriado pingarão duas queixazinhas no atendimento ao cliente da Smartbox: uma em português do Brasil e outra em português de Portugal. E se me dá p'raí ainda pingarão mais em inglês, francês, espanhol ou madeirense. Não que saiba falar estas línguas mas sei quem sabe e decerto me farão o favor.
Estou também muito determinado a ligar para a "Bem-me-quer" e dar uma palavrinha à "senhora". Mostrar educadamente a minha indignação. E, se vier a propósito, mandá-la p'ró c*****o.
Agora, enquanto a minha mulher se ocupa com frivolidades como as obras na casa nova, as mudanças e tudo o que há a comprar, eu estudo formas criativas de me vingar desta gente. Disso e de tornar mais credível o meu teatro quando provo vinhos em restaurantes.
Penso que o segredo está no estalo da língua, após o gole...
Saturday, October 23, 2010
Confissões de uma Mente Perturbada
Aviso já às pessoas mais impressionáveis, ou então àquelas que se preocupam mais comigo, que o título deste post não indica que enlouqueci ou que esteja com problemas psicológicos. Muito longe disso.
Maluco já eu sou há muito tempo.
Portanto, nada de novo.
Para mim, a grande diferença entre a malta que é, digamos, insana e o resto do pessoal é que os primeiros têm uma percepção bastante distorcida da realidade. Ou então são os segundos que a têm e os malucos é que estão correctos. Bom, é uma das duas. Importante é reter que os dois grupos de pessoas geralmente não estão em sintonia. Por isso é que uns vão para quartos almofadados, vestidos com coletes de força e sem televisão, e outros ficam cá fora, com cacetetes em punho, a vigiá-los.
Há ainda um terceiro grupo que também dorme em quartinhos almofadados mas esses não são malucos. São maricas. E esses já têm televisão.
Mas não deixemos que estas divagações nos desviem do tema essencial da postagem. Está na hora de dar voz às construções mais primitivas da minha consciência, um princípio tão imensamente irracional que nem com meses de terapia, hipnose ou mesmo porrada nos cornos, eu conseguiria controlar.
Falo dos meus sonhos.
Penso que neste altura da minha vida já consigo delinear um Top 3 dos meus sonhos mais imbecis. Toda a gente devia ter um. Mas espero para o seu bem que sejam um pouco mais normais do que os meus.
Bom, vamos então à partilha?
...
Não?
...
Estão ocupados, é?
...
A ver a Casa dos Segredos?
...
Não vos censuro.
...
Mas atenção que neste blogue o que se poupa em mularia ganha-se em parvoíce.
...
Já estamos a reconsiderar, hem?!
...
Sendo assim, aqui vai:
TOP 3 dos sonhos mais brutalmente insanos, alarves, preocupantes e ofensivos do Saguim
3ª posição
Já falei aqui sobre ele no Passado. Mas como entretanto a minha lista de leitores deste blogue já conta com um número um pouco maior do que 2 (eu e um psiquiatra anónimo, na altura), penso que vem a propósito recontá-lo.
Sonhei que tinha uma filha. Até aqui tudo bem. Já tive este sonho há uns aninhos, se calhar era demasiado novo para pensar nisso, mas lembro-me que tratava a minha filha com respeito e ternura. Mais do que isso, exibia-a com orgulho.
Tudo normal, não fosse a minha filha...
...
... UM CUBINHO DE CARNE DE PORCO À ALENTEJANA.
...
Andava com ela na mão, cantarolando pelo meio da rua, mostrando-a às pessoas. Estas, indiferentes ao facto da minha filha ser na realidade um pedaço da nossa gastronomia, cumprimentavam-na com o deleite normalmente dedicado às crianças. E eu sorria, embevecido.
Dada a ausência de mulher, talvez fosse normal assumir que eu era um pai solteiro. Mas tudo isso são "peanuts" quando a nossa descendência é carne de porco.
Lembro-me que apesar deste cenário horrendo ser, no sonho, considerado a coisa mais normal do mundo, eu tinha de estar constantemente a recordar-me que não podia levar a minha filha à boca e mastigá-la. Era um cubo de carne deveras suculento e se há coisa que o meu subconsciente não colocou de parte foi o meu apetite voraz e, digamos até, lambão.
Portanto, passeata sim senhor. Mostrar a filhinha aos transeuntes, muito bem. Mas sempre com ela fisgada para não cometer infanticídio.
Coisa que, inevitavelmente, acabou por acontecer. Distraído com alguma coisa fascinante daquelas que só acontecem nos sonhos, como a Luciana Abreu a fazer uma conta de somar por exemplo, acabei por trincar a minha filha várias vezes até me aperceber do horrível acto que estava nesse mesmo momento a cometer.
Cuspi-a para mão em desespero. Olhei para ela, mutilada que estava e envolta em baba, e berrei "NÃAAAAAAAAAOOOO!!!"
Depois, segui o meu caminho sem ter bem a certeza se estava viva ou morta. E foi mais ou menos nessa altura que devo ter acordado.
2ª posição
O segundo sonho já é mais recente e menos alusivo à culinária. Mas notem que também é estúpido!
Passava-se no meu anterior local de trabalho: uma agência de design e comunicação em Lisboa. Estava eu em plena actividade laboral, trabalhando em conjunto com um colega, quando se aproxima o meu director criativo. Aproxima-se e começa imediatamente a berrar comigo, diga-se.
O engraçado é que, em vez de estar a fazer um anúncio de imprensa, um flyer ou um outdoor, eu e o meu colega tínhamos como projecto criativo orientar o Benfica no Championship Manager, conhecido jogo de estratégia futebolística para PC. Portanto, até aí tudo ok.
Lembro-me que o meu director criativo berrava irado pela minha fraca prestação enquanto eu berrava de volta explicando-lhe que no final da primeira volta o Benfica encontrava-se a apenas um ponto do primeiro classificado e que ainda se mantinha tanto na Taça de Portugal como na Liga Europa. Ainda por cima, era nosso o melhor marcador do campeonato. Por estas e por outras, parecia-me claramente que o homem estava a aparvalhar sem olhar aos resultados.
No entanto, berrávamos incessantemente um com o outro, de olhos esbugalhados, trocando acusações de forma arbitrária.
Ora, tudo isto seria normal se o meu director criativo não tivesse por detrás dele, e durante o tempo todo da discussão, um anão de cabelo à tigela que me atirava constantemente bananas e carrinhos de brincar.
Para quem acha que tem um bug no computador e que um qualquer vírus lhe colocou palavras estapafúrdias nas últimas frases eu não me importo de repetir...
UM ANÃO...
... COM CABELO À TIGELA...
... QUE ME ATIRAVA CONSTANTEMENTE BANANAS E CARRINHOS DE BRINCAR.
...
Isto enquanto o meu director criativo gritava comigo porque achava que a minha prestação como treinador virtual do Benfica não era certamente a melhor.
Estão a ver a bizarria da situação...
Ora, eu não tenho nada contra os anões. Confesso que detesto couves de bruxelas, que sabem mal com'ó raio, mas a minha aversão às miniaturas fica por aí. Mesmo assim, fui sonhar com este detestável nanico que não me deixava concentrar nos insultos a dirigir àquele que se auto-intitulava "o meu tutor". Coisa deveras irritante.
Além disso, bananas e carrinhos de brincar? Porquê?!!! Qual a relação entre as duas coisas? É que um carrinho de brincar até percebo. Aquilo atirado com força e com jeitinho vai-se a ver e ainda vaza uma vista... agora as bananas é que me transcendem completamente. Assim como a porra do cabelo à tijela, uma das piores ideias ao nível da estética capilar de sempre e enorme trauma de infância. Sim, também o usei em tempos. Mas anão felizmente nunca fui.
Bom, depois de muito comer com carrinhos e "bananedo" na tromba, as coisas serenaram. O meu chefe estendeu-me a mão, fez as pazes comigo, e, educadamente, mandou-me pr'a rua. E eu fui, feliz da vida por abandonar um sítio que admitia anões raivosos e cortes de cabelo foleiros. Deve ter sido mais ou menos nesta altura que acordei.
1ª posição
E, como quem não quer a coisa, chegámos ao primeiro lugar. Sei que acham que já leram estupidez suficiente mas se já chegaram até aqui mais vale constatar a demência na sua totalidade. Desistir seria como recuar a cinco metros de atingir o cume do Evereste e perder a oportunidade de morrer com falta de ar. É mais ou menos aquilo que pode acontecer a quem ler o que se segue.
Ora, no sonho, acordei de manhã e reparei que não tinha metade das pernas.
Tudo tranquilo.
A partir dos joelhos, tinha apenas uns pequenos e singelos coutos que praticamente não me serviam para nada. Portanto, acordei de manhã e constatei que não me iria conseguir levantar. Isso e que dificilmente voltaria a andar na vida.
Mas não me importei muito. Há coisas piores. Entalar a pila na braguilha, por exemplo. Quem já fez isto com certeza trocava de bom grado os segundos intensos de dor por um ou dois membros.
Acordei sem pernas e deixei-me estar. À espera que a coisa se resolvesse. Tentei recordar-me, a título de curiosidade, porque é que raios é que as tinha perdido assim. É sabido que sou distraído e que podia facilmente tê-las deixado em qualquer sítio, mas era pouco provável que me tivesse esquecido logo das duas.
Lembrei-me então que no dia anterior me tinha atirado para dentro de uma debulhadora de milho. E fiquei mais sossegado porque já sabia o que tinha acontecido.
Podia ter ficado deitado na cama, sem me mexer, sentido pena de mim próprio. Mas como nunca me senti triste, antes longe disso, lembrei-me de um tipo que tinha visto na Oprah que, sem braços nem pernas, fazia a sua vida, trabalhava e até jogava à bola com pessoal "inteiro". Esta parte era particularmente ridícula, com uma série de tipos em pontas dos pés a tentarem atingir o esférico sem acertar violentamente com um pontapé na boca do desgraçado que se arrastava pelo campo como uma sardanisca, mas pronto... o certo é que ele andava lá pelo meio e não devia nada a ninguém.
Inspirado pelo nobre exemplo deste bravo lá me comecei a equilibrar nos meus coutos, a pouco e pouco. Sem grandes demoras, e sempre com um sorriso na cara, conseguia agora até dar alguns passos, deixando de fazer grande diferença se tinha canelas ou não.
Foi então que apareceu a minha mulher...
Dei-lhe um abraço vitorioso e apaixonado...
E toda a alegria e força de lutar que sentia desvaneceram-se.
...
Comecei a chorar, em desespero.
...
É que eu conseguia lidar bem com o facto de não ter metade das pernas.
Para mim, viver o resto da vida aleijado e fisicamente limitado não me causava transtorno.
AGORA, SER SIGNIFICATIVAMENTE MAIS BAIXINHO DO QUE A MINHA MULHER É QUE NÃO!!!
Há limites e eu tinha encontrado os meus.
Foi mais ou menos nessa altura que devo ter acordado.
...
Bom, moral da história: não há.
Apenas me apeteceu divulgar ao mundo coisas que não lembram ao diabo.
Agora vou dormir, com o desejo sincero que o meu sonho envolva o prémio do euromilhões, o Benfica campeão europeu e todo o sushi que conseguir comer.
Sem cubos de carne de porco.
Sem anões pimba.
E sempre...
SEMPRE!
... mais alto do que a minha mulher!
Maluco já eu sou há muito tempo.
Portanto, nada de novo.
Para mim, a grande diferença entre a malta que é, digamos, insana e o resto do pessoal é que os primeiros têm uma percepção bastante distorcida da realidade. Ou então são os segundos que a têm e os malucos é que estão correctos. Bom, é uma das duas. Importante é reter que os dois grupos de pessoas geralmente não estão em sintonia. Por isso é que uns vão para quartos almofadados, vestidos com coletes de força e sem televisão, e outros ficam cá fora, com cacetetes em punho, a vigiá-los.
Há ainda um terceiro grupo que também dorme em quartinhos almofadados mas esses não são malucos. São maricas. E esses já têm televisão.
Mas não deixemos que estas divagações nos desviem do tema essencial da postagem. Está na hora de dar voz às construções mais primitivas da minha consciência, um princípio tão imensamente irracional que nem com meses de terapia, hipnose ou mesmo porrada nos cornos, eu conseguiria controlar.
Falo dos meus sonhos.
Penso que neste altura da minha vida já consigo delinear um Top 3 dos meus sonhos mais imbecis. Toda a gente devia ter um. Mas espero para o seu bem que sejam um pouco mais normais do que os meus.
Bom, vamos então à partilha?
...
Não?
...
Estão ocupados, é?
...
A ver a Casa dos Segredos?
...
Não vos censuro.
...
Mas atenção que neste blogue o que se poupa em mularia ganha-se em parvoíce.
...
Já estamos a reconsiderar, hem?!
...
Sendo assim, aqui vai:
TOP 3 dos sonhos mais brutalmente insanos, alarves, preocupantes e ofensivos do Saguim
3ª posição
Já falei aqui sobre ele no Passado. Mas como entretanto a minha lista de leitores deste blogue já conta com um número um pouco maior do que 2 (eu e um psiquiatra anónimo, na altura), penso que vem a propósito recontá-lo.
Sonhei que tinha uma filha. Até aqui tudo bem. Já tive este sonho há uns aninhos, se calhar era demasiado novo para pensar nisso, mas lembro-me que tratava a minha filha com respeito e ternura. Mais do que isso, exibia-a com orgulho.
Tudo normal, não fosse a minha filha...
...
... UM CUBINHO DE CARNE DE PORCO À ALENTEJANA.
...
Andava com ela na mão, cantarolando pelo meio da rua, mostrando-a às pessoas. Estas, indiferentes ao facto da minha filha ser na realidade um pedaço da nossa gastronomia, cumprimentavam-na com o deleite normalmente dedicado às crianças. E eu sorria, embevecido.
Dada a ausência de mulher, talvez fosse normal assumir que eu era um pai solteiro. Mas tudo isso são "peanuts" quando a nossa descendência é carne de porco.
Lembro-me que apesar deste cenário horrendo ser, no sonho, considerado a coisa mais normal do mundo, eu tinha de estar constantemente a recordar-me que não podia levar a minha filha à boca e mastigá-la. Era um cubo de carne deveras suculento e se há coisa que o meu subconsciente não colocou de parte foi o meu apetite voraz e, digamos até, lambão.
Portanto, passeata sim senhor. Mostrar a filhinha aos transeuntes, muito bem. Mas sempre com ela fisgada para não cometer infanticídio.
Coisa que, inevitavelmente, acabou por acontecer. Distraído com alguma coisa fascinante daquelas que só acontecem nos sonhos, como a Luciana Abreu a fazer uma conta de somar por exemplo, acabei por trincar a minha filha várias vezes até me aperceber do horrível acto que estava nesse mesmo momento a cometer.
Cuspi-a para mão em desespero. Olhei para ela, mutilada que estava e envolta em baba, e berrei "NÃAAAAAAAAAOOOO!!!"
Depois, segui o meu caminho sem ter bem a certeza se estava viva ou morta. E foi mais ou menos nessa altura que devo ter acordado.
2ª posição
O segundo sonho já é mais recente e menos alusivo à culinária. Mas notem que também é estúpido!
Passava-se no meu anterior local de trabalho: uma agência de design e comunicação em Lisboa. Estava eu em plena actividade laboral, trabalhando em conjunto com um colega, quando se aproxima o meu director criativo. Aproxima-se e começa imediatamente a berrar comigo, diga-se.
O engraçado é que, em vez de estar a fazer um anúncio de imprensa, um flyer ou um outdoor, eu e o meu colega tínhamos como projecto criativo orientar o Benfica no Championship Manager, conhecido jogo de estratégia futebolística para PC. Portanto, até aí tudo ok.
Lembro-me que o meu director criativo berrava irado pela minha fraca prestação enquanto eu berrava de volta explicando-lhe que no final da primeira volta o Benfica encontrava-se a apenas um ponto do primeiro classificado e que ainda se mantinha tanto na Taça de Portugal como na Liga Europa. Ainda por cima, era nosso o melhor marcador do campeonato. Por estas e por outras, parecia-me claramente que o homem estava a aparvalhar sem olhar aos resultados.
No entanto, berrávamos incessantemente um com o outro, de olhos esbugalhados, trocando acusações de forma arbitrária.
Ora, tudo isto seria normal se o meu director criativo não tivesse por detrás dele, e durante o tempo todo da discussão, um anão de cabelo à tigela que me atirava constantemente bananas e carrinhos de brincar.
Para quem acha que tem um bug no computador e que um qualquer vírus lhe colocou palavras estapafúrdias nas últimas frases eu não me importo de repetir...
UM ANÃO...
... COM CABELO À TIGELA...
... QUE ME ATIRAVA CONSTANTEMENTE BANANAS E CARRINHOS DE BRINCAR.
...
Isto enquanto o meu director criativo gritava comigo porque achava que a minha prestação como treinador virtual do Benfica não era certamente a melhor.
Estão a ver a bizarria da situação...
Ora, eu não tenho nada contra os anões. Confesso que detesto couves de bruxelas, que sabem mal com'ó raio, mas a minha aversão às miniaturas fica por aí. Mesmo assim, fui sonhar com este detestável nanico que não me deixava concentrar nos insultos a dirigir àquele que se auto-intitulava "o meu tutor". Coisa deveras irritante.
Além disso, bananas e carrinhos de brincar? Porquê?!!! Qual a relação entre as duas coisas? É que um carrinho de brincar até percebo. Aquilo atirado com força e com jeitinho vai-se a ver e ainda vaza uma vista... agora as bananas é que me transcendem completamente. Assim como a porra do cabelo à tijela, uma das piores ideias ao nível da estética capilar de sempre e enorme trauma de infância. Sim, também o usei em tempos. Mas anão felizmente nunca fui.
Bom, depois de muito comer com carrinhos e "bananedo" na tromba, as coisas serenaram. O meu chefe estendeu-me a mão, fez as pazes comigo, e, educadamente, mandou-me pr'a rua. E eu fui, feliz da vida por abandonar um sítio que admitia anões raivosos e cortes de cabelo foleiros. Deve ter sido mais ou menos nesta altura que acordei.
1ª posição
E, como quem não quer a coisa, chegámos ao primeiro lugar. Sei que acham que já leram estupidez suficiente mas se já chegaram até aqui mais vale constatar a demência na sua totalidade. Desistir seria como recuar a cinco metros de atingir o cume do Evereste e perder a oportunidade de morrer com falta de ar. É mais ou menos aquilo que pode acontecer a quem ler o que se segue.
Ora, no sonho, acordei de manhã e reparei que não tinha metade das pernas.
Tudo tranquilo.
A partir dos joelhos, tinha apenas uns pequenos e singelos coutos que praticamente não me serviam para nada. Portanto, acordei de manhã e constatei que não me iria conseguir levantar. Isso e que dificilmente voltaria a andar na vida.
Mas não me importei muito. Há coisas piores. Entalar a pila na braguilha, por exemplo. Quem já fez isto com certeza trocava de bom grado os segundos intensos de dor por um ou dois membros.
Acordei sem pernas e deixei-me estar. À espera que a coisa se resolvesse. Tentei recordar-me, a título de curiosidade, porque é que raios é que as tinha perdido assim. É sabido que sou distraído e que podia facilmente tê-las deixado em qualquer sítio, mas era pouco provável que me tivesse esquecido logo das duas.
Lembrei-me então que no dia anterior me tinha atirado para dentro de uma debulhadora de milho. E fiquei mais sossegado porque já sabia o que tinha acontecido.
Podia ter ficado deitado na cama, sem me mexer, sentido pena de mim próprio. Mas como nunca me senti triste, antes longe disso, lembrei-me de um tipo que tinha visto na Oprah que, sem braços nem pernas, fazia a sua vida, trabalhava e até jogava à bola com pessoal "inteiro". Esta parte era particularmente ridícula, com uma série de tipos em pontas dos pés a tentarem atingir o esférico sem acertar violentamente com um pontapé na boca do desgraçado que se arrastava pelo campo como uma sardanisca, mas pronto... o certo é que ele andava lá pelo meio e não devia nada a ninguém.
Inspirado pelo nobre exemplo deste bravo lá me comecei a equilibrar nos meus coutos, a pouco e pouco. Sem grandes demoras, e sempre com um sorriso na cara, conseguia agora até dar alguns passos, deixando de fazer grande diferença se tinha canelas ou não.
Foi então que apareceu a minha mulher...
Dei-lhe um abraço vitorioso e apaixonado...
E toda a alegria e força de lutar que sentia desvaneceram-se.
...
Comecei a chorar, em desespero.
...
É que eu conseguia lidar bem com o facto de não ter metade das pernas.
Para mim, viver o resto da vida aleijado e fisicamente limitado não me causava transtorno.
AGORA, SER SIGNIFICATIVAMENTE MAIS BAIXINHO DO QUE A MINHA MULHER É QUE NÃO!!!
Há limites e eu tinha encontrado os meus.
Foi mais ou menos nessa altura que devo ter acordado.
...
Bom, moral da história: não há.
Apenas me apeteceu divulgar ao mundo coisas que não lembram ao diabo.
Agora vou dormir, com o desejo sincero que o meu sonho envolva o prémio do euromilhões, o Benfica campeão europeu e todo o sushi que conseguir comer.
Sem cubos de carne de porco.
Sem anões pimba.
E sempre...
SEMPRE!
... mais alto do que a minha mulher!
Saturday, October 16, 2010
A Problemática dos Lémures
Encerrada de vez a viagem ao México, curada a infecção pulmonar que trouxe como "recuerdo" e de novo na roda viva do trabalho, da compra da casa e do lufa-lufa do dia-a-dia... é tempo de ocupar-me novamente de assuntos que de tão sérios dispensam demoras.
Falo da problemática dos lémures.
Para quem não sabe o que são lémures, coisa imperdoável, aqui fica uma achega: imaginem um guaxinim anoréxico. Aí têm um lémure. Simples, não é?
Por outro lado, se nem sequer sabem o que é um guaxinim então já pouco posso fazer para vos ajudar. Isso é o grau zero dos bichos patuscos, senhores.
Bom, o meu fascínio por lémures é algo que já tem feito correr muita tinta. Nomeadamente a minha. E escusam de dizer que só comecei a gostar deles depois de ter visto o "Madagáscar" porque isso é uma calúnia infame. Ainda o King Julian não sabia dançar o "Move it, move it" e já eu sabia de trás para a frente o que era um lémure e tudo mais que se possa saber acerca deles.
Basta olhar para eles: olhos redondos, muito vivos, como dois holofotes amarelos; orelhas peludas e hirtas, sempre alerta; expressão palerma no focinho; não vale a pena estarmos para aqui com meias-palavras, os lémures, se os animais trabalhassem, eram de longe OS PATRÕES.
Gosto deles, pronto. E podia ficar-me por aqui.
Mas eu nunca me fico por aqui...
Há uns tempos atrás pensei muito seriamente em adoptar um lémure. Pensei tão seriamente que cheguei a trocar alguns e-mails com o Badoca Park, para potenciar ao máximo esta experiência. Quando descobri que adoptar um lémure não significava exactamente trazê-lo para casa, não nego que fiquei algo embargado pela dor. Não foi fácil de recuperar do choque. Mesmo sabendo que o bicho provavelmente não se adaptaria muito bem a Benfica, há por aqui animais com ainda menos maneiras, pensei que o meu papel como pai adoptivo só poderia ser integralmente cumprido com este tipo de proximidade. De que outra maneira poderia eu controlar "as companhias"? Rever-lhe os trabalhos de casa depois das aulas? Falar com ele sobre miúdas?
Sei o que estão a pensar: em Benfica não há lémures fêmeas, logo não há "miúdas"... Mas já vi por aí trambolhos com o cio que certamente até se esfregariam nos escaparates do LIDL se isso não desse prisão. Por isso, um lémure seria para elas uma benção dos céus.
Bom, mas dizia eu que troquei mails com o Badoca Park. Mais do que seria desejável para ambas as partes. Para eles, deve ter sido esquisito responder a tantas perguntas e sentir tanto interesse de um indivíduo em apadrinhar um primata. Quanto à minha pessoa, senti que algo estava a impedir-me de atingir o meu objectivo, algo se estava a colocar entre mim e o meu lémure.
Primeiro queriam impingir-me um lémure de barriga vermelha. Pffffff
Excusado será dizer que os bons são os de cauda anelada. Mas esses não estavam na lista de adopção, o que me levou logo a tecer a minha primeira exigência: "Eu amo todos os seres vivos e todas as criaturas de Deus mas recuso-me absolutamente a adoptar um qualquer ranhoso de barriga vermelha que vocês me queiram impôr..." Foi com esta e outras considerações que facilmente consegui que os lémures de cauda anelada entrassem na equação.
O que me levou ao segundo problema: o apadrinhamento teria de ser presencial. Eu teria de me deslocar até Santo André no Alentejo para oficializar a minha nova condição de "pai adoptivo". E pensando bem era o mais correcto a fazer. Mais do que enviar um cheque frio e impessoal e correr o risco de ver o meu lémure tornar-se um marginal, sem referências nem valores, encostado às palmeiras a fumar marijuana o dia inteiro, a gritar ordinarices aos tratadores e a apalpar as turistas. Eu não poderia suportar tal fracasso no exercer das minhas funções de progenitor. Mas também não me apetecia fazer uma viagem de 200 km para fazer as coisas como deve de ser. Como tal tudo ficou sem efeito até hoje.
Continuo a gostar de lémures e continuo a querer adoptar um. Isto porque entre outras coisas, é-nos permitido dar-lhe nome. E eu queria muito que houvesse um lémure a chamar-se André Oliveira, tal como eu. Pagava bom dinheiro para ouvir os seguintes comentários de um tratador:
- Skippy deixa os outros lémures comerem fruta também. Maggie não mordas a cauda da tua irmã. Estás com o pelo muito giro hoje, Scottie. André Oliveira pára de atirar caganitas às pessoas!
Era espectáculo.
E agora, enquanto o mundo está em crise, o IVA subiu para valores astronómicos, o país está pior do que nunca e o Sócrates goza connosco como um perdido... julgo que estão reunidas as condições para finalmente adoptar o meu lémure.
Vou estudar novamente o assunto, que isto não é para se fazer de ânimo leve, e talvez ganhar coragem de tomar uma atitude.
Um gesto meu hoje, um lémure a menos no mundo do crime amanhã.
Ámen.
Falo da problemática dos lémures.
Para quem não sabe o que são lémures, coisa imperdoável, aqui fica uma achega: imaginem um guaxinim anoréxico. Aí têm um lémure. Simples, não é?
Por outro lado, se nem sequer sabem o que é um guaxinim então já pouco posso fazer para vos ajudar. Isso é o grau zero dos bichos patuscos, senhores.
Bom, o meu fascínio por lémures é algo que já tem feito correr muita tinta. Nomeadamente a minha. E escusam de dizer que só comecei a gostar deles depois de ter visto o "Madagáscar" porque isso é uma calúnia infame. Ainda o King Julian não sabia dançar o "Move it, move it" e já eu sabia de trás para a frente o que era um lémure e tudo mais que se possa saber acerca deles.
Basta olhar para eles: olhos redondos, muito vivos, como dois holofotes amarelos; orelhas peludas e hirtas, sempre alerta; expressão palerma no focinho; não vale a pena estarmos para aqui com meias-palavras, os lémures, se os animais trabalhassem, eram de longe OS PATRÕES.
Gosto deles, pronto. E podia ficar-me por aqui.
Mas eu nunca me fico por aqui...
Há uns tempos atrás pensei muito seriamente em adoptar um lémure. Pensei tão seriamente que cheguei a trocar alguns e-mails com o Badoca Park, para potenciar ao máximo esta experiência. Quando descobri que adoptar um lémure não significava exactamente trazê-lo para casa, não nego que fiquei algo embargado pela dor. Não foi fácil de recuperar do choque. Mesmo sabendo que o bicho provavelmente não se adaptaria muito bem a Benfica, há por aqui animais com ainda menos maneiras, pensei que o meu papel como pai adoptivo só poderia ser integralmente cumprido com este tipo de proximidade. De que outra maneira poderia eu controlar "as companhias"? Rever-lhe os trabalhos de casa depois das aulas? Falar com ele sobre miúdas?
Sei o que estão a pensar: em Benfica não há lémures fêmeas, logo não há "miúdas"... Mas já vi por aí trambolhos com o cio que certamente até se esfregariam nos escaparates do LIDL se isso não desse prisão. Por isso, um lémure seria para elas uma benção dos céus.
Bom, mas dizia eu que troquei mails com o Badoca Park. Mais do que seria desejável para ambas as partes. Para eles, deve ter sido esquisito responder a tantas perguntas e sentir tanto interesse de um indivíduo em apadrinhar um primata. Quanto à minha pessoa, senti que algo estava a impedir-me de atingir o meu objectivo, algo se estava a colocar entre mim e o meu lémure.
Primeiro queriam impingir-me um lémure de barriga vermelha. Pffffff
Excusado será dizer que os bons são os de cauda anelada. Mas esses não estavam na lista de adopção, o que me levou logo a tecer a minha primeira exigência: "Eu amo todos os seres vivos e todas as criaturas de Deus mas recuso-me absolutamente a adoptar um qualquer ranhoso de barriga vermelha que vocês me queiram impôr..." Foi com esta e outras considerações que facilmente consegui que os lémures de cauda anelada entrassem na equação.
O que me levou ao segundo problema: o apadrinhamento teria de ser presencial. Eu teria de me deslocar até Santo André no Alentejo para oficializar a minha nova condição de "pai adoptivo". E pensando bem era o mais correcto a fazer. Mais do que enviar um cheque frio e impessoal e correr o risco de ver o meu lémure tornar-se um marginal, sem referências nem valores, encostado às palmeiras a fumar marijuana o dia inteiro, a gritar ordinarices aos tratadores e a apalpar as turistas. Eu não poderia suportar tal fracasso no exercer das minhas funções de progenitor. Mas também não me apetecia fazer uma viagem de 200 km para fazer as coisas como deve de ser. Como tal tudo ficou sem efeito até hoje.
Continuo a gostar de lémures e continuo a querer adoptar um. Isto porque entre outras coisas, é-nos permitido dar-lhe nome. E eu queria muito que houvesse um lémure a chamar-se André Oliveira, tal como eu. Pagava bom dinheiro para ouvir os seguintes comentários de um tratador:
- Skippy deixa os outros lémures comerem fruta também. Maggie não mordas a cauda da tua irmã. Estás com o pelo muito giro hoje, Scottie. André Oliveira pára de atirar caganitas às pessoas!
Era espectáculo.
E agora, enquanto o mundo está em crise, o IVA subiu para valores astronómicos, o país está pior do que nunca e o Sócrates goza connosco como um perdido... julgo que estão reunidas as condições para finalmente adoptar o meu lémure.
Vou estudar novamente o assunto, que isto não é para se fazer de ânimo leve, e talvez ganhar coragem de tomar uma atitude.
Um gesto meu hoje, um lémure a menos no mundo do crime amanhã.
Ámen.
Friday, October 8, 2010
Era uma vez no México
Então diz que fui de férias para o México...
Há quem diga que voltei há poucos dias mas eu ainda não tenho a certeza. Isto de 6 horas para aqui, 6 horas para ali e mais o horror de tempo que duram as viagens bem pode significar que o verdadeiro Saguim ainda está perdido num qualquer limbo ou vazio temporal a perguntar ao Michael J. Fox o caminho para casa.
Agora pensando bem, e dada a minha épica falta de orientação, talvez fosse melhor não pedir ajuda ao Michael J. Fox. A última coisa que precisaria era de uma mão tremelicante a dar-me direcções. Para isso já me basta o maldito GPS.
Bom, regressado do México que conclusões há a tomar?
1)
O México não é nada do que dizem: não vi traficantes de droga nem tufões nem indivíduos a gritar "Ay Ay Ay". Nada disso.
2)
O México é perfeitamente seguro a qualquer hora do dia. Atravessei muitas estradas a pé, até durante a noite, e apenas fui abordado por um cavalheiro que se ofereceu para me conduzir gratuitamente até ao meu alojamento.
3)
No México a comida e a bebida são gratuitas e à descrição. E quando falo de comida e bebida não me refiro apenas a pão e água. Tacos, mojitos, pina coladas e margueritas eram à verdadeira vontade do freguês.
4)
No México há uma abismal quantidade de sujeitos de farda que nos tratam como se fossemos patrões.
5)
No México usamos uma pulseira verde que faz de nós patrões.
Portanto, um sonho de país. Regressado a Portugal, e informado que fui das recentes medidas do Governo às quais a minha educação e recém adoptada postura zen me impedem de comentar, tenho de admitir que será difícil encontrar melhor exemplo.
É pena que realmente se tenha de passar por tamanha odisseia para lá chegar. E quando falo em odisseia não me refiro apenas às já comentadas horas de viagem. Refiro-me a episódios em particular.
Pode ser para muitos um choque mas... eu viajo em turística.
Não que não pudesse efectivamente viajar em executiva, evitando assim a ralé e as doenças, mas prefiro não fazê-lo para dar menos nas vistas. E também para poder comer até ao fim do ano. Parecendo que não, faz diferença.
Seja como for, e por muito que passe pela experiência, tenho algum medo de voar.
Porquê? Pergunta estúpida. Mas ok.
Porque a ideia de me espetar a milhares de metros de altura e depois ter o que resta do meu corpo a ser reconhecido por um tipo que por acaso tinha em arquivo o molde dos meus dentes assusta-me um bocado. Provavelmente é mariquice mas ninguém é de ferro.
Ora, eu estranhei quando, a caminho para o paraíso tropical, em pleno voo, me foram servidas refeições claramente superiores àquelas que normalmente degusto em classe turística. Estranhei, mas como eu quando é para comer activo o modo "urso pardo", tratei do assunto mais depressa do que levaria à hospedeira dizer "O senhor desculpe mas acho que me enganei na sua refeição". A questão não se levantou, até porque todos estavam a comer o mesmo do que eu. Mas não era apenas isso que era bizarro. As bebidas que estavam a ser servidas, normalmente aquelas marcas de confiança e que toda a gente conhece, eram do LIDL. Cortes no orçamento, pensei eu. Mas não era bem disso que se tratava...
A dada altura, ouve-se aquele "clic" tradicional que anuncia que "o piloto vai falar". Mesmo sabendo que normalmente o que dali sai é qualquer coisa como "Ladizendgenilmentdisizorcaptonspkin. Ueeearenaulivinlisbonerepór...", eu acabo por ficar sempre hirto como rocha, temendo que algo de grave se passe e que esteja a ser comunicado aos passageiros como uma extrema-unção.
E o que se ouviu começou por ser isto:
"Senhores passageiros, quem vos fala NÃO É o vosso comandante..."
...
...
Tempo parou para mim...
...
...
Testículos mirraram até ao tamanho de pinhões.
...
...
Veias raiaram nos globos oculares.
...
...
Gotas de urina, libertadas, a conta-gotas.
...
...
Medo. O mais profundo e primitivo medo.
...
Depois deste início de frase, para mim, a conclusão só podia ser uma de três.
1)
"... quem vos fala é o terrorista Yasser Youssef que vai espetar esta capoeira de infiéis no primeiro arranha-céus que encontrar!"
2)
"... quem vos fala é o vosso co-piloto que está neste momento a fazer massagem cardíaca ao comandante sem qualquer sucesso, diga-se."
3)
"... quem vos fala é o tipo que riscou recentemente o carro do Saguim e que voltou para acabar o trabalho."
Portanto, coisa boa não podia ser.
Mas acabou por ser menos má.
Na realidade, a frase inteira foi a seguinte:
"Senhores passageiros, quem vos fala NÃO É o vosso comandante é o chef Olivier que preparou para todos refeições de primeira classe com ingredientes dos supermercados LIDL."
Era publicidade.
Nessa altura, não foi fácil fingir que nada tinha sucedido e que eu não tinha passado por qualquer tipo de aflição. Não falecer acabou por ser simpático, não me interpretem mal, mas quase desejei a morte mais tarde quando fiquei brutalmente mal disposto com a sandes de primeira do Olivier. Ninguém me mandou comê-la, sei disso. Mas quando uma sandes cruza o meu caminho é certo que um de nós vai deixar de existir. E nunca hei-de ser eu porque ser devorado por uma sandes parece-me estúpido.
Chegado ao México, tudo ficou melhor e mais calmo.
Sol.
Praia.
Piscina.
Vendedores ambulantes a burlarem-me à grande.
Tudo na mais profunda paz.
Se há coisa que acontece SEMPRE que me ponho a regatear, SEMPRE, é acabar por ser enganado. Eu afasto-me com um sorriso maroto como quem diz "Eh eh acabei por comprar isto a metade do preço que eles pediram...". Eles vêem-me afastar-me e riem à gargalhada apontando para a minha silhueta, como quem diz "O pacóvio do português acabou por comprar isto pelo dobro do preço que lhe custaria na barraca ao lado...".
Enfim, eu já encaro isto como uma tradição das férias. Para quê combater?
Ao contrário de malta que decide viajar meio mundo para ficar uma semana estendido ao sol, eu opto também por conhecer melhor a cultura da região.
Não que me interesse por cultura, que não interesso, mas a verdade é que eu não me bronzeio: eu avermelho-me. E às partes, que dá um efeito ainda mais giro. Vezes há em que fico vermelho e branco às tiras verticais. Parece mentira mas é verdade. Normalmente quando me apercebo disso sinto que só tenho duas alternativas: ou aguardo que os senhores de bata branca me lancem um dardo tranquilizante para estudarem a nova espécie de manatim bicolor que julgam ter encontrado ou meto-me numa camioneta e vou ver pedras velhas.
Fantástica cultura a dos Mayas. Uns tipos tão inteligentes, tão hábeis e tão sábios em tantas ciências como a astronomia, a arquitectura, a engenharia ou a decapitação... como é que foram tão facilmente conquistados pelos espanhóis???
Portugal, que é Portugal, sempre aqui esteve ao lado e fosse com uma espada, com uma lança ou até com uma pá de meter pão no forno, sempre corremos com os gajos daqui! Houve claramente qualquer coisa que falhou do lado de lá. Se calhar foi a língua. Como lá também se fala espanhol devem-se ter entendido logo, distribuído as tais pulseiras e depois quando deram por isso já não havia Mayas p'ra ninguém.
Dá que pensar.
Bom, o importante é que estou de volta há alguns dias.
O suficiente para constatar que este país não vai a lado nenhum se continuar a insistir neste tempo manhoso. Mas enfim, são políticas e eu nisso não me meto. Votem neles e depois queixem-se.
Ah só mais uma coisa: no México não há sushi de jeito. Também não podiam ser só virtudes. Se o México fosse uma mulher, não ter sushi de jeito, para mim, seria equivalente a ter buço ou os dentes da frente podres. Achei a sujeita engraçada, demos umas voltas durante uns dias, mas quando fui olhar bem encontrei esta incompatibilidade.
Não tem sushi de jeito.
Está morta para mim.
Há quem diga que voltei há poucos dias mas eu ainda não tenho a certeza. Isto de 6 horas para aqui, 6 horas para ali e mais o horror de tempo que duram as viagens bem pode significar que o verdadeiro Saguim ainda está perdido num qualquer limbo ou vazio temporal a perguntar ao Michael J. Fox o caminho para casa.
Agora pensando bem, e dada a minha épica falta de orientação, talvez fosse melhor não pedir ajuda ao Michael J. Fox. A última coisa que precisaria era de uma mão tremelicante a dar-me direcções. Para isso já me basta o maldito GPS.
Bom, regressado do México que conclusões há a tomar?
1)
O México não é nada do que dizem: não vi traficantes de droga nem tufões nem indivíduos a gritar "Ay Ay Ay". Nada disso.
2)
O México é perfeitamente seguro a qualquer hora do dia. Atravessei muitas estradas a pé, até durante a noite, e apenas fui abordado por um cavalheiro que se ofereceu para me conduzir gratuitamente até ao meu alojamento.
3)
No México a comida e a bebida são gratuitas e à descrição. E quando falo de comida e bebida não me refiro apenas a pão e água. Tacos, mojitos, pina coladas e margueritas eram à verdadeira vontade do freguês.
4)
No México há uma abismal quantidade de sujeitos de farda que nos tratam como se fossemos patrões.
5)
No México usamos uma pulseira verde que faz de nós patrões.
Portanto, um sonho de país. Regressado a Portugal, e informado que fui das recentes medidas do Governo às quais a minha educação e recém adoptada postura zen me impedem de comentar, tenho de admitir que será difícil encontrar melhor exemplo.
É pena que realmente se tenha de passar por tamanha odisseia para lá chegar. E quando falo em odisseia não me refiro apenas às já comentadas horas de viagem. Refiro-me a episódios em particular.
Pode ser para muitos um choque mas... eu viajo em turística.
Não que não pudesse efectivamente viajar em executiva, evitando assim a ralé e as doenças, mas prefiro não fazê-lo para dar menos nas vistas. E também para poder comer até ao fim do ano. Parecendo que não, faz diferença.
Seja como for, e por muito que passe pela experiência, tenho algum medo de voar.
Porquê? Pergunta estúpida. Mas ok.
Porque a ideia de me espetar a milhares de metros de altura e depois ter o que resta do meu corpo a ser reconhecido por um tipo que por acaso tinha em arquivo o molde dos meus dentes assusta-me um bocado. Provavelmente é mariquice mas ninguém é de ferro.
Ora, eu estranhei quando, a caminho para o paraíso tropical, em pleno voo, me foram servidas refeições claramente superiores àquelas que normalmente degusto em classe turística. Estranhei, mas como eu quando é para comer activo o modo "urso pardo", tratei do assunto mais depressa do que levaria à hospedeira dizer "O senhor desculpe mas acho que me enganei na sua refeição". A questão não se levantou, até porque todos estavam a comer o mesmo do que eu. Mas não era apenas isso que era bizarro. As bebidas que estavam a ser servidas, normalmente aquelas marcas de confiança e que toda a gente conhece, eram do LIDL. Cortes no orçamento, pensei eu. Mas não era bem disso que se tratava...
A dada altura, ouve-se aquele "clic" tradicional que anuncia que "o piloto vai falar". Mesmo sabendo que normalmente o que dali sai é qualquer coisa como "Ladizendgenilmentdisizorcaptonspkin. Ueeearenaulivinlisbonerepór...", eu acabo por ficar sempre hirto como rocha, temendo que algo de grave se passe e que esteja a ser comunicado aos passageiros como uma extrema-unção.
E o que se ouviu começou por ser isto:
"Senhores passageiros, quem vos fala NÃO É o vosso comandante..."
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Tempo parou para mim...
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Testículos mirraram até ao tamanho de pinhões.
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Veias raiaram nos globos oculares.
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Gotas de urina, libertadas, a conta-gotas.
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Medo. O mais profundo e primitivo medo.
...
Depois deste início de frase, para mim, a conclusão só podia ser uma de três.
1)
"... quem vos fala é o terrorista Yasser Youssef que vai espetar esta capoeira de infiéis no primeiro arranha-céus que encontrar!"
2)
"... quem vos fala é o vosso co-piloto que está neste momento a fazer massagem cardíaca ao comandante sem qualquer sucesso, diga-se."
3)
"... quem vos fala é o tipo que riscou recentemente o carro do Saguim e que voltou para acabar o trabalho."
Portanto, coisa boa não podia ser.
Mas acabou por ser menos má.
Na realidade, a frase inteira foi a seguinte:
"Senhores passageiros, quem vos fala NÃO É o vosso comandante é o chef Olivier que preparou para todos refeições de primeira classe com ingredientes dos supermercados LIDL."
Era publicidade.
Nessa altura, não foi fácil fingir que nada tinha sucedido e que eu não tinha passado por qualquer tipo de aflição. Não falecer acabou por ser simpático, não me interpretem mal, mas quase desejei a morte mais tarde quando fiquei brutalmente mal disposto com a sandes de primeira do Olivier. Ninguém me mandou comê-la, sei disso. Mas quando uma sandes cruza o meu caminho é certo que um de nós vai deixar de existir. E nunca hei-de ser eu porque ser devorado por uma sandes parece-me estúpido.
Chegado ao México, tudo ficou melhor e mais calmo.
Sol.
Praia.
Piscina.
Vendedores ambulantes a burlarem-me à grande.
Tudo na mais profunda paz.
Se há coisa que acontece SEMPRE que me ponho a regatear, SEMPRE, é acabar por ser enganado. Eu afasto-me com um sorriso maroto como quem diz "Eh eh acabei por comprar isto a metade do preço que eles pediram...". Eles vêem-me afastar-me e riem à gargalhada apontando para a minha silhueta, como quem diz "O pacóvio do português acabou por comprar isto pelo dobro do preço que lhe custaria na barraca ao lado...".
Enfim, eu já encaro isto como uma tradição das férias. Para quê combater?
Ao contrário de malta que decide viajar meio mundo para ficar uma semana estendido ao sol, eu opto também por conhecer melhor a cultura da região.
Não que me interesse por cultura, que não interesso, mas a verdade é que eu não me bronzeio: eu avermelho-me. E às partes, que dá um efeito ainda mais giro. Vezes há em que fico vermelho e branco às tiras verticais. Parece mentira mas é verdade. Normalmente quando me apercebo disso sinto que só tenho duas alternativas: ou aguardo que os senhores de bata branca me lancem um dardo tranquilizante para estudarem a nova espécie de manatim bicolor que julgam ter encontrado ou meto-me numa camioneta e vou ver pedras velhas.
Fantástica cultura a dos Mayas. Uns tipos tão inteligentes, tão hábeis e tão sábios em tantas ciências como a astronomia, a arquitectura, a engenharia ou a decapitação... como é que foram tão facilmente conquistados pelos espanhóis???
Portugal, que é Portugal, sempre aqui esteve ao lado e fosse com uma espada, com uma lança ou até com uma pá de meter pão no forno, sempre corremos com os gajos daqui! Houve claramente qualquer coisa que falhou do lado de lá. Se calhar foi a língua. Como lá também se fala espanhol devem-se ter entendido logo, distribuído as tais pulseiras e depois quando deram por isso já não havia Mayas p'ra ninguém.
Dá que pensar.
Bom, o importante é que estou de volta há alguns dias.
O suficiente para constatar que este país não vai a lado nenhum se continuar a insistir neste tempo manhoso. Mas enfim, são políticas e eu nisso não me meto. Votem neles e depois queixem-se.
Ah só mais uma coisa: no México não há sushi de jeito. Também não podiam ser só virtudes. Se o México fosse uma mulher, não ter sushi de jeito, para mim, seria equivalente a ter buço ou os dentes da frente podres. Achei a sujeita engraçada, demos umas voltas durante uns dias, mas quando fui olhar bem encontrei esta incompatibilidade.
Não tem sushi de jeito.
Está morta para mim.
Friday, September 24, 2010
Há malta que devia levar com um ouriço gigante nos cornos!
Se calhar fui um bocado longe demais com o título... Comecei assim logo a abrir, com linguagem grosseira e maldosa, sem ponta de sensibilidade. Se foi isto que sentiram, peço desculpa.
Mas a verdade é que este título não é nenhum insulto...
É um desejo do fundo do coração.
Um pedido aos céus.
E eu bem o mereço. Sou honesto. Sou trabalhador (bem sei que estou a escrever este texto durante o horário de trabalho mas enfim... para português a fasquia também não é muito alta). Sou do Benfica. Sejamos francos, tudo isto me ajudará a fazer boa figura ao pessoal das togas brancas e das harpas que mora lá em cima, no dia em que eu me finar.
Por isso, eu devia poder pedir uma chuva de ouriços gigantes de vez em quando, e com isso despachar um magote de bandidagem de cada vez, contribuindo assim para um mundo melhor.
Ora bem, ouriços gigantes porquê? Primeiro porque estou ébrio de ódio e já não sei o que digo. Segundo porque têm espinhos afiados e porque, caindo de costas, depois de se espetarem pelo crânio de um indivíduo adentro iriam querer levantar-se e ir à vida deles, fazendo espichar um bonito efeito de sangue e miolos. Sei que é um pouco sádico este cenário mas, neste momento, o que para os outros seria horrível para mim seria fogo de artifício.
A RAIVA QUE SINTO!!!
Então não é que hoje de manhã, ao chegar ao carro, reparei que me fizeram um imenso e poderoso risco nas portas, ao longo de todo o comprimento da viatura? 'Tá tão giro...
E sendo o carro preto, um risco branco fica-lhe mesmo a matar.
O porquê do sucedido? Não sei. Não faço ideia.
O carro estava bem estacionado... Não estava num local de passagem... Não estava em zona de parquímetro sem pagar... Não estava num lugar para deficientes...
Isto embora, tenha lá ido um deficiente fazer m***a!
Fiquei uns bons 5 minutos a olhar para aquela maravilha, de boca aberta e sem grande reacção. Depois, efervesceu em mim um ódio primitivo e apeteceu-me fazer mal a pessoas. Quaisquer pessoas, sem critério. Avistei um grupo de estudantes que podia muito bem ser aviado à estalada. No final, agradecia, dava os bons dias, recolocava o chapéu na cabeça e ia trabalhar. Mais aliviadinho. Mas pronto, não foi bem isto que aconteceu.
Tive de engolir o sapo.
Resta-me concluir que foi obra de um inimigo, alguém que me quer mal e que aprecia erguer o punho e gritar "Saguiiiiim!" com ar demoníaco. Gosto de pensar que tenho um vilão na minha vida e que sou uma espécie de super-herói. Mas não faria mal se o morcão me viesse defrontar em campo aberto, à homem, ao invés de me andar a lixar a viatura. É um vilão um bocado fajuto, diga-se...
Enfim, suspeitos? Há.
Nomeadamente alguns.
E eles aqui ficam referenciados:
1) O meu Vizinho
Apesar de eu já não espirrar em casa há muito tempo, e com isso despoletar o radar anti-barulho que este senhor tem enfiado na peida (perdoem-me o francês), não há dúvida que há-de sempre figurar em toda e qualquer lista de suspeitos que eu faça. Ele odeia-me, isso é certo. O barulho que eu faço a andar no corredor, o som excruciante dos meus chinelos a bater no chão antes de eu os calçar, o horripilante tilintar dos talheres durante as minhas refeições... Tudo isto faz com que o meu vizinho já tenha arranjado uma tendinite de tanto socar a parede, em busca da quietude do mosteiro budista que ele gostaria que Benfica fosse.
Enfim, se foi ele a fazer o risco até admito que não tenha sido de propósito. Se calhar deixou cair qualquer coisa junto do carro e ao baixar-se riscou-me a porta com a cornadura. Já era altura de cortar as pontas, como nas touradas, mas não há meio...
No entanto, acho pouco provável que seja este o meu vilão. Para ir até ao meu carro fazer uma patifaria desta natureza, o homem teria de abandonar a sua tabacaria pelo menos durante 15 minutos, e todos sabemos que é coisa que ele não faz. E além disso, os vilões têm negócios de fachada mais fixes.
2) O Animal da Autoestrada
A besta ensandecida que me ia abalroando no trânsito no outro dia e que provocou num amigo meu a reacção "Wooo wooo wooo"... A avaliar pelos gestos de ódio que o gorila com hemorroidal efectuou dirigidos à minha pessoa, não seria absurdo concluir que ele terá assumido como prioridade acabar o trabalhinho que ia começando em plena autoestrada. Na traquilidade de um parque de estacionamento e sem "Wooo wooo wooo" a atrapalhar...
Apesar de ser um forte candidato à personagem de vilão da minha vida, há que assumir que estaria mais próximo de ser um velhaco das "Wacky Races". Bem diferente do mítico e galáctico criminoso que queria para ser o meu opositor. Por isso, espero que ainda não seja por aqui.
3) O Violador de Benfica
Bem sei que já foi apanhado mas nunca fiando. Lembro que, em Portugal, "apanhado" na grande maioria das vezes significa preso em liberdade preventiva, ou até em alguns casos, uma pancadinha ameaçadora nas costas e um "Vê lá se não voltas a fazer, meu malandro..."
Escrevi sobre o violador há uns tempos atrás nesta ocasião e é normal assumir que ele se quis vingar. Eu não disse mal dele, atenção. Não posso dizer que seja fã da violação ou que a aceite enquanto hobbie. Aconselho sempre os violadores a comerem antes uma peça de fruta ou a enfiarem uma bala nos cornos. Qualquer uma das duas é melhor do que tomar à força aquilo que em circunstâncias normais NUNCA seria deles. E isto é violação 101.
Bom, o violador andava a rondar o meu prédio, como provou um cartaz colocado no hall de entrada, escrito a marcador de feltro, por um dos meus vizinhos. A verdade é que o indivíduo não conseguiu levar a dele avante comigo e, cego de fúria, é bem possível que me tenha vindo riscar o carro. Apenas uma teoria...
4) O pensionista que gosta de obrar em piscinas
Last but not least e, quanto a mim, a hipótese mais provável. Escrevi sobre ele no meu último post, o causador da minha mais recente aversão ao exercício físico. No painel informativo da piscina onde costumo ir nadar estava um aviso que visava impedir que fossem, "uma vez mais", encontradas "FEZES" na água.
Eu exprimi a minha repulsa e ele não deve ter gostado.
Assim, não contente de espalhar m***a no sítio onde eu pratico natação lembrou-se de ir espalhalá-la também no meu meio de transporte. A mais plausível mas ainda assim difícil de considerar. Isto porque sabemos que o que os pensionistas gostam é de andar na autoestrada em contramão. Como tal, nunca que ele teria conseguido chegar inteiro a Benfica.
Tirando estes artistas, não consigo dizer quem foi.
Apreciava muito que Deus tivesse uma qualquer espécie de número verde para o qual eu pudesse ligar e resolver logo a questão de uma vez. Ir direito ao patrão sem passar pelos subalternos. Equivalente àquela altura em que dizemos ao telefone: "Quero falar com o gerente."
No entanto, penso que se assim fosse, para mim o número estaria sempre impedido. Ou então o anjo que atendesse diria que "ia passar" e punha-me a ouvir "O Bicho" de Iran Costa em loop, para todo o sempre.
Pensando bem, talvez não hajam fãs de Iran Costa no paraíso...
E o melhor é calar-me já senão o Iran Costa ainda se lembra de me ir riscar o carro.
Houvesse um ouriço gigante que lhe lixasse a coreografia!
Hoje estou de todo...
Mas a verdade é que este título não é nenhum insulto...
É um desejo do fundo do coração.
Um pedido aos céus.
E eu bem o mereço. Sou honesto. Sou trabalhador (bem sei que estou a escrever este texto durante o horário de trabalho mas enfim... para português a fasquia também não é muito alta). Sou do Benfica. Sejamos francos, tudo isto me ajudará a fazer boa figura ao pessoal das togas brancas e das harpas que mora lá em cima, no dia em que eu me finar.
Por isso, eu devia poder pedir uma chuva de ouriços gigantes de vez em quando, e com isso despachar um magote de bandidagem de cada vez, contribuindo assim para um mundo melhor.
Ora bem, ouriços gigantes porquê? Primeiro porque estou ébrio de ódio e já não sei o que digo. Segundo porque têm espinhos afiados e porque, caindo de costas, depois de se espetarem pelo crânio de um indivíduo adentro iriam querer levantar-se e ir à vida deles, fazendo espichar um bonito efeito de sangue e miolos. Sei que é um pouco sádico este cenário mas, neste momento, o que para os outros seria horrível para mim seria fogo de artifício.
A RAIVA QUE SINTO!!!
Então não é que hoje de manhã, ao chegar ao carro, reparei que me fizeram um imenso e poderoso risco nas portas, ao longo de todo o comprimento da viatura? 'Tá tão giro...
E sendo o carro preto, um risco branco fica-lhe mesmo a matar.
O porquê do sucedido? Não sei. Não faço ideia.
O carro estava bem estacionado... Não estava num local de passagem... Não estava em zona de parquímetro sem pagar... Não estava num lugar para deficientes...
Isto embora, tenha lá ido um deficiente fazer m***a!
Fiquei uns bons 5 minutos a olhar para aquela maravilha, de boca aberta e sem grande reacção. Depois, efervesceu em mim um ódio primitivo e apeteceu-me fazer mal a pessoas. Quaisquer pessoas, sem critério. Avistei um grupo de estudantes que podia muito bem ser aviado à estalada. No final, agradecia, dava os bons dias, recolocava o chapéu na cabeça e ia trabalhar. Mais aliviadinho. Mas pronto, não foi bem isto que aconteceu.
Tive de engolir o sapo.
Resta-me concluir que foi obra de um inimigo, alguém que me quer mal e que aprecia erguer o punho e gritar "Saguiiiiim!" com ar demoníaco. Gosto de pensar que tenho um vilão na minha vida e que sou uma espécie de super-herói. Mas não faria mal se o morcão me viesse defrontar em campo aberto, à homem, ao invés de me andar a lixar a viatura. É um vilão um bocado fajuto, diga-se...
Enfim, suspeitos? Há.
Nomeadamente alguns.
E eles aqui ficam referenciados:
1) O meu Vizinho
Apesar de eu já não espirrar em casa há muito tempo, e com isso despoletar o radar anti-barulho que este senhor tem enfiado na peida (perdoem-me o francês), não há dúvida que há-de sempre figurar em toda e qualquer lista de suspeitos que eu faça. Ele odeia-me, isso é certo. O barulho que eu faço a andar no corredor, o som excruciante dos meus chinelos a bater no chão antes de eu os calçar, o horripilante tilintar dos talheres durante as minhas refeições... Tudo isto faz com que o meu vizinho já tenha arranjado uma tendinite de tanto socar a parede, em busca da quietude do mosteiro budista que ele gostaria que Benfica fosse.
Enfim, se foi ele a fazer o risco até admito que não tenha sido de propósito. Se calhar deixou cair qualquer coisa junto do carro e ao baixar-se riscou-me a porta com a cornadura. Já era altura de cortar as pontas, como nas touradas, mas não há meio...
No entanto, acho pouco provável que seja este o meu vilão. Para ir até ao meu carro fazer uma patifaria desta natureza, o homem teria de abandonar a sua tabacaria pelo menos durante 15 minutos, e todos sabemos que é coisa que ele não faz. E além disso, os vilões têm negócios de fachada mais fixes.
2) O Animal da Autoestrada
A besta ensandecida que me ia abalroando no trânsito no outro dia e que provocou num amigo meu a reacção "Wooo wooo wooo"... A avaliar pelos gestos de ódio que o gorila com hemorroidal efectuou dirigidos à minha pessoa, não seria absurdo concluir que ele terá assumido como prioridade acabar o trabalhinho que ia começando em plena autoestrada. Na traquilidade de um parque de estacionamento e sem "Wooo wooo wooo" a atrapalhar...
Apesar de ser um forte candidato à personagem de vilão da minha vida, há que assumir que estaria mais próximo de ser um velhaco das "Wacky Races". Bem diferente do mítico e galáctico criminoso que queria para ser o meu opositor. Por isso, espero que ainda não seja por aqui.
3) O Violador de Benfica
Bem sei que já foi apanhado mas nunca fiando. Lembro que, em Portugal, "apanhado" na grande maioria das vezes significa preso em liberdade preventiva, ou até em alguns casos, uma pancadinha ameaçadora nas costas e um "Vê lá se não voltas a fazer, meu malandro..."
Escrevi sobre o violador há uns tempos atrás nesta ocasião e é normal assumir que ele se quis vingar. Eu não disse mal dele, atenção. Não posso dizer que seja fã da violação ou que a aceite enquanto hobbie. Aconselho sempre os violadores a comerem antes uma peça de fruta ou a enfiarem uma bala nos cornos. Qualquer uma das duas é melhor do que tomar à força aquilo que em circunstâncias normais NUNCA seria deles. E isto é violação 101.
Bom, o violador andava a rondar o meu prédio, como provou um cartaz colocado no hall de entrada, escrito a marcador de feltro, por um dos meus vizinhos. A verdade é que o indivíduo não conseguiu levar a dele avante comigo e, cego de fúria, é bem possível que me tenha vindo riscar o carro. Apenas uma teoria...
4) O pensionista que gosta de obrar em piscinas
Last but not least e, quanto a mim, a hipótese mais provável. Escrevi sobre ele no meu último post, o causador da minha mais recente aversão ao exercício físico. No painel informativo da piscina onde costumo ir nadar estava um aviso que visava impedir que fossem, "uma vez mais", encontradas "FEZES" na água.
Eu exprimi a minha repulsa e ele não deve ter gostado.
Assim, não contente de espalhar m***a no sítio onde eu pratico natação lembrou-se de ir espalhalá-la também no meu meio de transporte. A mais plausível mas ainda assim difícil de considerar. Isto porque sabemos que o que os pensionistas gostam é de andar na autoestrada em contramão. Como tal, nunca que ele teria conseguido chegar inteiro a Benfica.
Tirando estes artistas, não consigo dizer quem foi.
Apreciava muito que Deus tivesse uma qualquer espécie de número verde para o qual eu pudesse ligar e resolver logo a questão de uma vez. Ir direito ao patrão sem passar pelos subalternos. Equivalente àquela altura em que dizemos ao telefone: "Quero falar com o gerente."
No entanto, penso que se assim fosse, para mim o número estaria sempre impedido. Ou então o anjo que atendesse diria que "ia passar" e punha-me a ouvir "O Bicho" de Iran Costa em loop, para todo o sempre.
Pensando bem, talvez não hajam fãs de Iran Costa no paraíso...
E o melhor é calar-me já senão o Iran Costa ainda se lembra de me ir riscar o carro.
Houvesse um ouriço gigante que lhe lixasse a coreografia!
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