Sunday, May 23, 2010

A propósito...

Não é que haja muita gente a esforçar-se para me agradar.
Na realidade, o número de pessoas não chega a ultrapassar uma dezena.
É até um pouco menos do que isso.
Julgo que ronda mesmo o zero.

Isto, embora eu não possa confirmar este valor.

Afinal posso: é zero é.

De qualquer maneira, e apesar de não jogar, ninguém me diz que amanhã não possa ganhar o euromilhões e consequentemente ter logo inúmeros borra botas a lamberem-me vigorosamente uma das nádegas numa busca sôfrega por migalhas. Eu sei porque era isto que eu faria se alguém meu conhecido ganhasse o euromilhões.

Como tal, tendo em vista essa possibilidade, decidi aqui deixar de forma muito sumária uma lista das coisas que eu mais detesto e que deverão ser evitadas caso eu fique poderoso da noite para o dia. Actualmente isso só acontece após o banho, quando penduro uma toalha ao pescoço e corro nú pela casa com o braço em riste, como se estivesse a voar, mas antecipo que em breve o meu "poder" irá adquirir contornos reais e, digamos, menos assustadores. Seria bom voltar a receber pessoas cá em casa outra vez.

Bom, então cá vai...

LISTA DAS COISAS QUE EU MAIZÓDEIO NA VIDA E QUE, CASO EU GANHE O EUROMILHÕES OU APRENDA REALMENTE A VOAR COM UMA TOALHA DE BANHO PENDURADA AO PESCOÇO, DEVEM SER EVITADAS TENDO EM VISTA O MEU PLENO BEM-ESTAR

- Pessoas a fazer segundas vozes quando ouvem músicas na rádio
Se vocês cantassem bem acham que o vosso momento de glória seria esse?! Pensem um bocado e fechem a goela! Que cambada...

- Alguém que retira um pedaço da minha sobremesa após ter rejeitado pedir uma para si próprio(a)
Num mundo ideal, eu teria o direito de enterrar a colher no globo ocular do abusador... Mas enfim, é esta pouca vergonha.

- Empregados de mesa engraçadinhos e que "gostam de conversar"
Normalmente, o meu sorriso amarelo diz tudo. Mas eles não reparam porque eu estar ali ou estar uma cabaça gigante, para eles é igual. Querem é plateia!

- Malta que fala comigo a olhar fixamente para a minha testa
Eh pá, das duas uma: ou colocam óculos de sol ou arranjam uma personalidade! Ou então tenho de começar a escrever coisas na testa, não vá esbarrar com uma destas criaturas. Qualquer indicação como "OS OLHOS 'TÃO MAIS ABAIXO, Ó CRETINO!!!"

- Todo e qualquer GPS
Por mais avançado ou engenhoso que seja, para mim há-de ser sempre um monte de porcas e pecinhas putrefacto e traidor! E mais não digo.

- Aqueles que se colocam entre mim e o sushi
Os que haviam foram desaparecendo e ainda hoje há quem relacione o sumiço ao cheiro fortíssimo que emana do meu guarda-fatos... Se não há provas, o melhor é esquecerem o assunto.

- Malta que come caracóis
Aliás, eu ofereço a cura para este comportamento bizarro. É um tratamento que não respeita a convenção dos Direitos Humanos mas garanto que é eficaz!

- Questões financeiras, IRS, IVA e coisas assim
Às vezes penso que mais vale arranjar alguém para gerir os meu 38€ mensais e passar a descansar mais a cabeça.

- Pessoas que não sabem dançar e que insistem em bambolear-se ridiculamente
Para mim, a dança é um assunto muito sensível. Basicamente, acho que não devia existir. E então quando o "bailarino" não faz a mínima ideia do que está a fazer e ainda assim insiste em fazê-lo, temos mesmo o caldo entornado.

- Gente que barafusta para o ar, a ver se eu ouço
Acontece muita vez. Em autocarros então é um fartote. Pelo menos era quando eu andava na cruel besta mecânica, há alguns anos atrás. Mais uma razão para eu odiar os bichos.

- Coisas que desaparecem sem eu saber como
A ideia que dá é que Deus, por exemplo, precisa de um xizato e como não tem nenhum lá em cima decide levar o meu emprestado. Só que, como é um tipo atarefado e já tem alguma idade, depois esquece-se e eu é que fico a arder. Às vezes, a explicação mais lógica é mesmo esta.

- Um indivíduo que ache que é "O MAIOR"
Isto porque o maior, como é sabido, sou eu.

...

Isto para fazer uma pequena síntese.
Claro que podia ficar aqui uma noite inteira a debitar informação mas penso que será mais proveitoso se a for aqui colocando aos bochechos. Só espero é que estejam a apontar,não vá o diabo tecê-las e na altura não haver acesso à net. Depois não digam que eu não avisei.

Porque é que eu não fiz antes uma lista das coisas que gosto?
Primeiro porque não sou um Ursinho Carinhoso, já fui num emprego anterior, e hoje não perco tempo com parvoíces. Depois porque não me apeteceu.

Até porque os Ursinhos Carinhosos não ganham o euromilhões.
Se ganhassem em vez de lhes saírem corações da pança saía-lhes prostitutas de luxo do quarto.

É essa a prova dos nove.

Saturday, May 8, 2010

Eu se pudesse...

Já não é a primeira vez que afirmo que, se pudesse ou tivesse oportunidade, faria um singelo par de operações plásticas. Duas únicas alterações no meu aspecto físico.

Bom, quem me conhece pode agora perguntar: "Então mas tu com esse aspecto de manatim com bócio, se fosses capaz, não preferias ir mais longe e fazer toda uma panóplia de upgrades que evidentemente te estão a faltar?" Nesse caso, eu responderia: "Não."

Não, por preguiça apenas.

É muito mais fácil isolar uma sala, aplicar um soalho flutuante ou pintar uma cómoda (aviso que a partir de hoje todas as minhas analogias vão ter a ver com bricolage, prática na qual sou talento impressionante) do que criar tudo a partir da raiz. Principalmente se esse tudo tiver sido adquirido na Moviflor, as coisas lá são bem mais complicadas de montar do que as do IKEA.

Já eu, não fui comprado na Moviflor. Pelo que sei vim num pack oferta do "Rei das Meias" juntamente com quatro pares de peúgas de lã virgem e umas ceroulas. E de qualquer maneira sou demasiado complexo para me querer cansar a decidir dezenas de operações que finalmente me iriam tornar no Apolo que todos concordam que nasci para ser. É trabalheira que não quero e, como tal, concentrei os meus objectivos em apenas duas operaçõezinhas.

E assim voltamos à conversa inicial. Como o Pastel de Belém que não passa de um Pastel de Nata pretencioso: na volta, vai dar ao mesmo (afinal nem todas as minhas analogias são de bricolage... Maldição! Amo demasiado a pastelaria para deixá-la de fora!)

Duas cirurgias plásticas. Duas apenas. O primeiro número par. Dois.

No Benfica, é o Airton. Nos jogos de cartas parece que não vale muito. Na natureza, vale uma descendência. Nos parquímetros vale cerca de hora e meia...

Chega então o momento de desvendar qual seriam as malvadas, não é?

Pois é.

Então respirem fundo e procurem não negar à partida uma ciência que tenho a certeza que desconhecem por ser demasiado alternativa e, porque não dizer, avançada para as vossas mentes humildes.

Cá vai...

1ª - Adição de uma cauda de castor.


2ª - Adição de bolsas faciais (como as dos hamsters).


...


Eu não disse que isto era demasiado à frente para vocês?

Aposto que neste momento estão todos a chorar os segundos que já perderam a ler aquilo que inteligentemente denominam como "patacoadas febris" ou "barbaridades dignas de um manatim com bócio" ou até "mais uma prova de que o André devia era estar a levar os choques eléctricos"...

Se querem que vos diga, esse vosso sentimento é tão absurdo como aplicar chão de tacos numa cozinha (aaahhh o regresso das analogias de bricolage...)

Pois reparem: ambas as cirurgias aumentariam as minhas potencialidades de uma forma considerável. Eu sei que "aumento" é palavra que não fica bem em qualquer frase relativa ao meu corpo. Sei bem disso. Mas neste caso os fins justificariam em muito os meios.

Se é verdade que isto do aquecimento global veio para ficar e que é a nova tendência do século XXI, então não tarda muito para que o oceano engula grande parte dos continentes. E não, não estou a referir-me ao antigo jogador do Sporting porque isso seria estúpido.

Se isto ficar tudo submerso, uma cauda de castor calha que nem ginjas! Não só me torna um autêntico torpedo a nadar, funcionando esta como remo, como ainda me permite aplicar um tabefe daqueles que aleijam a qualquer tubarão que me queira apresentar ao próprio esófago. É portanto arma e propulsor. E eu nem sequer estou a falar do efeito espectacular que uma cauda de castor dá no rabo de um indivíduo como eu e no quanto seria um sucesso entre as gajas. Penso que isso é um dado adquirido e é assunto que não merece ser sequer repisado.

Portanto: Eu + Cauda de Castor = Eu vivo enquanto vocês todos fazem tijolo num mundo pós-apocalíptico...

Penso que assim não restam dúvidas acerca de quão positiva seria esta intervenção.

Agora, as bolsas faciais eram uma história completamente diferente. Se a cauda de castor era, digamos, a sobrevivência do campeão, já as bolsas eram o prazer.

Com prazer não me estou a referir ao sexo (nem quero pensar que uso dariam certos fetichistas a estes apêndices corporais...). Estou a referir-me à minha capacidade de dar resposta a um estrondoso buffet de sushi.

Não vale a pena estarmos com cantigas: a minha aparência de, dizem alguns, "manatim com bócio" deve-se em muito a esta diabólica invenção. Neste momento, e sem nenhum orgulho, posso dizer-me responsável pelo extermínio de boa parte dos salmões e atuns deste planeta. Eu, que até gosto de bichezas... Mas talvez goste mais daquilo.

Sou doente por sushi. Tanto que gosto de seguir-lhe a filosofia, respeitar o propósito para o qual foi criado. Um tipo de comida tão delicado, tão delicioso, em que todos os ingredientes e sabores se mesclam num bailado suave e sensual só poderia ser apreciado de uma forma...

ÀS PAZADAS E À BRUTA!

Sendo assim tão culturalmente sensível, bolsas faciais como às dos hamsters são a única solução para que eu consiga comer ainda mais, assemelhando-me finalmente ao ogre sedento de peixe crú que estou destinado a tornar-me.

É que eu já topei os sacanas dos ratos. Os gajos enchem a mula à nossa frente, engolindo de uma assentada bagos inteiros de milho, sementes de girassol e outras iguarias e depois vão para um canto da gaiola vomitar tudo para comer como deve ser. Aquilo que a uns repugna, a mim inspira. E é assim que eu gosto de viver.

Estou agora a reunir apoios.
Duas operações destas envolvem custos elevados e alguma ilegalidade.
Como é um plano a médio prazo, para já não tenho pressa. É para se ir fazendo.

Assim como a bricolage.

Actividade que afinal não me tem tanto como talento impressionante mas sim como palhaço esforçado.

Mas não me preocupo porque tem um nome rabiças.

E eu se pudesse tinha uma cauda de castor.

Sunday, April 4, 2010

A minha Cruz

Ok, não me orgulho da última hora e meia da minha vida.

Sei que isto pode muito bem vir a ser a ponta de um icebergue e que agora vocês estão à espera que eu me arrependa também do resto... Mas para já tenho de desiludir-vos e cingir-me à tal última hora e meia. Não sejam gulosos.

Estive a jogar PES2010, vulgo Pro Evolution Soccer, um simulador de futebol que corre na minha Playstation 3. Sabem o que é?

Para vocês é capaz de ser apenas um jogo mas para mim foi um sonho de infância tornado realidade. Lembro-me bem dos serões que passei a fazer equipas, a inventar tácticas, a sonhar que comprava jogadores e geria o meu plantel... isto enquanto o Baião saltava aos berros no Big Show Sic.

Eram os loucos anos 90 e eu era ainda mais louco.
Ninguém por muito puto, betinho ou gordo que fosse aceitava passar assim as últimas horas de cada dia.

Ninguém excepto eu.

Bom, na altura poucos eram os jogos que me ofereciam aquilo que eu desejava.
Aquele controlo absoluto. Aquele nível de detalhe nos gráficos e na jogabilidade. Aquela confusão esquizofrénica entre o que é real e o que não existe.

Foi preciso esperar muitos anos até que chegasse um que já se aproximava.
Ao qual se seguiu outro.
E outro.
E outro.
Até aquele que jogo hoje.

Parece uma bonita história com um final feliz, não parece?

MAS NÃO É!

...

Sei que devia jogar um pouco melhor atendendo ao tempo que dedico a esta m****.
Sei que o meu Benfica já devia ter sido campeão há pelo menos 3 épocas.
Sei que esta incompetência toda só pode ser fruto da minha incrível estupidez e/ou imbecilidade, que não me permite evoluir a cada novo jogo disto que compro!!!

A última hora e meia da minha vida foi passada a insultar violentamente bonecos na televisão, a esmurrar em desespero o comando e a minha própria perna, a lançar olhares de raiva para o tecto, maldizendo a minha existência.
Eu juro que sinto ódio por aquela gente pixelizada! E que se me dessem uma Uzi de pixéis e me pusessem dentro do ecrã eu despachava aquela malta mais depressa do que lhes leva a dizer "Konami".

Porra, é demais!
Eu TODAS AS NOITES me dirijo à sala com a intenção de fazer uma ou duas partidas para "relaxar". E TODAS AS NOITES me vou deitar com o mais profundo negrume no coração.

Às vezes até me apetece bater na minha mulher, já que não posso bater no c***** do árbitro virtual. Aliás, já estive para lhe alçar o remo quando ela me perguntou "Então, ganhaste?"

Insulto...

Olho esquerdo a tremelicar...

ÓDIO!

A única coisa que me impediu de a agredir nesse dia foi o facto de eu saber que ela se iria virar a mim depois.
Capaz de me aleijar.
E eu nem sei se ela tem as vacinas todas...

Bom, mas não nos dispersemos do assunto principal. Isto é triste.
Há dias em que fico cheio de dores na mão, tal a força que faço no comando.
Há noites que nem durmo como deve ser, revoltado com o facto de não conseguir atinar com aquilo.
Há semanas inteiras em que me apetece viajar para a Coreia, vestir um colete de bombas e esfregar as minhas entranhas na porra de indústria de videojogos que os gajos têm.

Já vi malta entrar em depressão por causa de gajas. Por causa de dinheiro. Por causa de stress. Por causa de gajas que lhes mamam o dinheiro todo e lhes causam stress.
Mas por causa de um jogo, nunca vi...

Bom, vou pôr um comprimido debaixo da língua. Mas antes vou beber três copos de drambuie que é para adormecer os nervos.

Depois, como de costume, resta-me adormecer de bruços no corredor.
E desejar que a minha mulher, ao pisar-me a cabeça, não me pergunte:

"Então, ganhaste?"

Sunday, February 14, 2010

O Homem-bússola ao contrário II

Mesmo quando se pensava que este vosso amigo não conseguia repetir a proeza... não só repete como consegue fazer pior. Eu não páro de me surpreender a mim próprio. No mau sentido é claro. Enquanto o prejudicado for eu e só eu, não vejo grande mal nisso. Agora quando esta maldição horrível atinge pessoas que me são queridas e que são, até ver, completamente inocentes, então é coisa para me provocar uma assadura na virilha.

Estão preparados?

Não?

Eh pá não se armem em esquisitos...


Dia: 14 de Fevereiro de 2010 (o muito comercial Dia dos Namorados)


Missão: Ir de minha casa, em Benfica, até ao restaurante Barra do Quanza em Belém.


Pontos a favor: Reserva de uma mesa para duas pessoas, em meu nome, para as 21h; a morada num papel; um taxista profissional e certamente escaldado em encontrar toda e qualquer localização.

Pontos contra: Eu.


Desenrolar da acção: É dia 13 de Fevereiro, amanhã é Dia dos Namorados. O que é que eu lhe vou dar? Livros, não tem tempo para ler. Filmes, temos centenas cá em casa que nunca vimos. CD's, saca da net. Roupa, é melhor não me meter nisso. O que é que eu faço? Já sei! Jantarzinho romântico e mais não sei o quê... tudo a debitar na conta do "je". Melhor reservar a mesa já hoje. Espero que consiga. Lifecooler... procurar um que esteja aberto ao Domingo. Uma cozinha que não experimentamos todos os dias. Este é bom, africano, mas não está aberto aos Domingos. Telefono na mesma? Vamos então a isso. Estão abertos amanhã? Sim? Maravilha. Mesa para dois às 21h. Obrigado, meu bom senhor. Aponto a morada num papel. Tudo certo. Certinho. Já é dia 14. São 20h30. Ela já me deu as prendas. Eram boas. A minha vai já a seguir. Levo o carro e o GPS? Este menino é demasiado esperto para cair na mesma esparrela duas vezes. Não senhor. Para além disso, o menino quer beber vinhaça como se não houvesse amanhã. E ainda para mais está a chover a potes. Vamos antes de táxi, ok? Ela diz que quer pagar o táxi. Tão querida... Muito bem. Que pague. Entramos na viatura. Digo a morada. O gajo torce o nariz. Eu caguei. Não sou taxista. Eles é que sabem as moradas todas. São treinados para isso. Diz que a morada que eu lhe estou a dizer é vaga. Ele é que é vago. E para além disso tem um corte de cabelo que meu Deus. Mas isso é lá com ele. Digo-lhe a morada. Ele mostra que não está a ver mas dirige-se para Belém. Já não é mau. Tenho o nome do edifício onde aquilo é, que copiei do Lifecooler. Ele volta a dizer que a morada é vaga. Apetece-me dizer-lhe que vaga é a mãe dele. Mas fico na minha. Passamos por Belém. Ele diz que o edifício é mais à frente mas mais à frente já é Pedrouços. Eu não sei, não sou taxista. Chega a Pedrouços e diz que o edifício ficava lá atrás. Eu volto a não saber, mas acho que ele também não sabe. Faz inversão de marcha. Vai para o sítio que indicou. Parece abandonado, duvido que seja isto. Ele diz que é mais à frente, onde é o Hotel Altis. Eu duvido que o edifício seja o Hotel Altis porque senão não seria o tal restaurante, seria... o Hotel Altis. Ainda assim agradeço. Mortinho para sair do táxi e terminar a agonia. Estou farto do homem. A minha mulher paga o táxi. Estamos ambos junto do Hotel Altis, no meio da trovoada. Damos a volta inteira ao perímetro, a apanhar chuva em recantos do corpo onde o sol não brilha. Nada. Vamos pedir indicações ao recepcionista do Hotel Altis. O homem assusta-se. Diz que é na área ao lado, a mesma que me pareceu abandonada há pouco. Eu agradeço e vou novamente para o meio da tempestade. Estou farto do homem. Eu e a minha mulher enfrentamos o temporal, já encharcados. Damos a volta ao perímetro. Nada. Lágrima, uma única. Tristeza. Já passa das 21h. Ligamos para o 118, que eu esqueci-me do número do restaurante. Dão-nos o número. Ligo, a apanhar chuva na tromba. Ninguém atende. Típico. Ninguém a quem perguntar, ninguém a quem recorrer, os meus "cojones" em jogo para salvar o Dia dos Namorados... e o resultado são duas alminhas ensopadas e desesperadas no meio de uma tempestade. Um leve soluçar começa a querer apoderar-se de mim. Fome e frio. Decido ultrapassar a estrada pela via aérea. Quase somos projectados pelo vento para a frente de um camião. Eu quase desejo ter sido colhido pelo veículo, tal a vergonha. Ambos enregelados. Volto a ligar. Ninguém atende. 21h30. Começamos a andar em direcção ao CCB. Praguejo contra tudo e todos. Principal visado: Deus. O tal que, quando não ouve as orações dos crentes se entretém a brincar com a minha vida como a sua comédia pessoal de Buster Keaton. Ele acha graça. Eu não. Chegamos ao CCB. A minha mulher funga incessantemente. O fungar dela começa a irritar-me. JÁ SEI QUE ESTÁS A FICAR DOENTE E QUE A CULPA É MINHA!!! Mas enfim, a besta sou eu. Tenho é de me irritar comigo próprio. Desisto de ligar para o restaurante. Definitivamente não sei o que se passou. Não consigo deixar de imaginar o gajo a desligar o telefone depois da minha "reserva" e a escangalhar-se a rir, no meio dos cozinheiros e empregados. Continuo a andar mas não sei para onde. O meu par evita fazer-me perguntas para não me enervar mais e eu finjo ter um plano. Mas não tenho. Não sei o que estou a fazer. Estou a andar sem destino, provavelmente a condenar-nos à morte por pneumonia. Estamos ensopados e gelados até aos ossos. Ela fala em irmos para casa. Eu concordo, cabisbaixo. Apanhamos um táxi. Ela paga.

Chegamos a casa. Banho a ferver. Abro uma garrafa de vinho e mandamos vir duas pizzas. Depois de algumas goladas de tinto, até parece que o plano sempre foi este...
Mas não foi.

Não foi.


É preciso dizer mais alguma coisa? Só que se eu fosse esta mulher já me tinha pontapeado violentamente nas nádegas. Mas também, se continua comigo não merece muito mais do que isto. Quanto ao Barra do Quanza, acredito ser muito bom restaurante, sim senhor, mas a moradazinha que disponibilizam é um pouco dada ao erro. Pelo menos a avaliar pelas palavras do c****o do taxista.

De qualquer forma, esta minha incrível tendência para me perder e, essencialmente, para o "disparate" anda a ganhar contornos preocupantes. É só acabar de tomar o guronsan, que a pizza não me assentou bem, e vou tomar providências. Providências essas que, se me conheço bem, não auguram nada de positivo.

Friday, January 29, 2010

O Homem-bússola ao contrário

Para quem não me conhece: eu sou a pessoa com o menor sentido de orientação do mundo. Continua a ser um mistério como é que dei com o caminho para sair de dentro da minha mãe. Ainda para mais sem ninguém para pedir indicações. Curiosamente, a primeira vez que tinha um percurso a percorrer e o cumpri com sucesso foi também a última. A partir daí foi o caos total...

Às vezes ouvimos indivíduos deprimentes a dizer que se sentem perdidos. A diferença entre eles e eu é só uma: é que eu estou mesmo! Na maior parte das vezes acho que nem sei bem onde estou. E quando finalmente percebo onde estou, é hora de ir para outro sítio. E então perco-me novamente neste grande Triângulo das Bermudas que é a minha vida. Exemplos? Ainda outro dia, um amigo que contava com as minhas indicações para ir de Santa Maria da Feira para o Porto, com tabuletas do tamanho de camiões a ajudar, acabou na autoestrada a caminho de Lisboa. Muita porrada levei eu. E foi merecida.

Mas depois, algo de milagroso aconteceu: APARECEU O GPS!

...

E a merda foi ainda pior.

Prova disso mesmo foi o meu fim de tarde de hoje. O qual vou relatar através de frases curtas, não só porque é mais dramático mas também porque se torna mais fácil de explicar a miríade de coisas absurdas que aconteceram.

Estão preparados?

Não?

Mas vão ler na mesma.


Dia: 29 de Janeiro de 2010


Missão: Ir de São Domingos de Rana até à casa de um amigo, algures atrás do shopping Alegro de Alfragide.


Pontos a favor: O nome da rua, o número de telemóvel do meu amigo, caso precise de alguma coisa, e um extraordinário GPS.


Pontos contra: Eu.


Desenrolar da acção: Saio do meu local de trabalho. Entro no carro. Ligo o GPS. Está à procura de sinal. Retiro o braço articulado com a ventosa para prender o aparelho ao pára-brisas. O braço articulado tem a porca muito apertada e não a consigo direccionar para mim. Tenho de prender o braço articulado ao vidro do condutor, mesmo à minha esquerda. Ok, não há problema. Já tem sinal. Começo a pôr a localidade para onde quero ir. Carnaxide. Ok. Ponho o nome da rua. O GPS procura. Aparece um resultado. Deve ser esta. Cá vamos nós. Autoestrada connosco! Tudo certo. Estou a chegar à portagem. Apercebo-me que vou ter de abrir o vidro. Não vou poder abrir sem retirar o braço articulado com a ventosa. Tento retirá-lo. Não consigo. Estou a aproximar-se. Tento retirar com mais força, conduzindo ao mesmo tempo. Não sai. Cada vez mais perto. Cada vez com mais força. Não sai. Esta merda não sai. E a portagem a poucos metros já. A conduzir ao mesmo tempo. Sou forçado a parar junto a uma cabina encerrada. Luto com o braço mecânico. Violentamente. Não sai. Mais força. Sai em estrondo! Alívio. Faço marcha atrás. Ando 3 metros para o lado. Portagem. Gota de suor na testa. Pago e ponho-me a andar. Volto a colocar o braço articulado com a ventosa no vidro, agora com menos força. Ok, vai correr tudo bem. Estou na autoestrada. É ir sempre em frente. O GPS só deve dar sinal de vida daqui a alguns minutos. Mas deu já. Está a mandar-me sair da autoestrada em Oeiras. Não faz sentido. Eu saio. O GPS foi caro. Mais vale fazer o que ele manda. Rotunda do Oeiras Parque. Manda-me virar à direita. Não faz sentido. Vou voltar para onde vim. Isto está tudo doido. Caguei no GPS. Vou voltar para a autoestrada e depois logo vejo. Aproximo-me da portagem. Tento tirar o braço articulado com a ventosa do vidro que tive o cuidado de colocar com menos pressão. Não sai. Tento com mais força. Não sai. Cada vez mais perto. E a merda do braço articulado a teimar. MALDIÇÃO!!! E eu vermelho de ódio e de esforço. Não sai. A portagem a poucos metros. A vergonha a acumular-se. Não sei o que fazer. Não tenho sítio para parar como da vez anterior. Cada vez mais força. Cada vez mais perto. Veia jugular lateja no pescoço. A ventosa nunca esteve tão agarrada. Quase na portagem. Toda a força que tenho. Não quero saber. Se partir partiu. A maldita ventosa solta-se em estrondo. Quase me despisto. Suor. Páro na portagem. Pago. Ok, segunda portagem em pouco tempo. Isto é ridículo. Volto a colocar o braço mecânico com a ventosa no vidro. Quase não faço pressão. Fica pendurado. Não fica seguro. Pendurado. Reprogramo a geringonça. É desta. Voltas e voltinhas por aqueles lados. Não sei onde estou. Estou atrasado. Isso é que eu estou. Voltas e voltinhas. E mais voltinhas. Manda-me sair da autoestrada. De repente, já sei onde estou. Rotunda do Oeiras Parque à minha frente. O GPS manda-me virar à direita e voltar ao ponto de partida. Quero morrer. Desisto. Vou voltar novamente para a autoestrada. A portagem aproxima-se. Tento tirar o braço articulado com a ventosa. Não sai. Não é possível!!! Urros de raiva. Toda a força do mundo. ESTAVA POUSADO, NEM SEQUER FIZ PRESSÃO!!! Não sai. A portagem cada vez mais perto. ÓDIO!!! Cada vez mais perto. Não sai. Quase que ando ao murro ao GPS. Não sai. A portagem aproxima-se. Tenho de decidir depressa. Abro a janela. Só uma fresta. Não consigo abrir mais. Passo o cartão multibanco pela fresta. Vergonha. A mulher olha para mim como se eu fosse atrasado mental. Eu sinto-me atrasado mental. Recebo o cartão de volta pela fresta na janela. Como um leproso. Ponho-me a andar. Odeio o GPS. Vou até à zona do Alegro pelo caminho que conheço. Ao menos nesse não me perco. Desligo o maldito aparelho. Ignoro o braço articulado. Estou rodeado de papéis de portagens. A mesma mulher viu-me passar duas vezes quase seguidas na mesma direcção. Deve estar a pôr um comprimido debaixo da língua agora. Eh eh oxalá morra. Oxalá morram todos! Estou enervado. Já lá devia estar há uma hora. Ligo ao meu amigo. Não atende. Não sei o que fazer. Chego ao Alegro. Páro o carro lá perto. Ligo ao meu amigo. Não atende. Faço as pazes com o GPS. Volto a digitar o nome da rua. Há bocado dava-me um resultado, agora a busca dá-me três ruas diferentes com o mesmo nome. Não entendo. Lágrima cai. Ligo ao meu amigo. Decididamente, não vou poder contar com ele. Só eu e o GPS. Sigo caminho em direcção uma das ruas que o aparelho identificou. A que me pareceu ser a tal. Ruas isoladas. Gueto. Medo. Inversão de marcha. Desespero. Suor. Sangue. Lágrimas. Consigo sair do Gueto. Páro o carro. Desespero. Vómitos. Pergunto a um transeunte qual o nome da rua em que estou. Só para me certificar que estou completamente f***do. Milagre. É esta a rua! E o edifício em questão está mesmo à minha frente. Lá dentro, o meu amigo à minha espera. Com o telemóvel desligado. Aleluia...


Aleluia...


Aleluia.


Agora estou em casa. Enrolado, no chão, na posição fetal. Sou o "Homem-bússola ao contrário" e isso é mais evidente do que nunca.


Agora vou dormir.


Isto se conseguir encontrar a porra do caminho!!!

Monday, October 19, 2009

Este prédio não é para violadores

Há umas semanas atrás, na sequência de um período prolongado de falta de luz no patamar do prédio onde moro, foi colocado um cartaz A3, escrito a caneta de feltro, com enormes letras capitais desenhadas a azul bébé. Rezava (e reza porque apesar da luz ter voltado ele ainda lá está) o seguinte:


"É FAVOR FECHAR A PORTA:

PROVAVELMENTE OS MORADORES DESTE PRÉDIO NÃO SABEM DA EXISTÊNCIA DE UM VIOLADOR QUE ANDA POR BENFICA, TELHEIRAS, CARNIDE, SETE RIOS E LARANJEIRAS. ESSE TAL VIOLADOR NORMALMENTE FICA ESCONDIDO DENTRO DOS PRÉDIOS À ESPERA DAS VÍTIMAS. PARA QUE TODAS AS PESSOAS QUE VIVEM NESTE PRÉDIO SE SINTAM SEGURAS HÁ QUE COMEÇAR A RESPEITAR UM BOCADO O PEDIDO DOS OUTROS.

É FAVOR FECHAR A PORTA!"


Leram?

Oram bem, meus amigos, eu ando inquieto. Não sei quanto aos outros inquilinos deste prédio mas eu, e aproveitando para comentar o conteúdo do próprio cartaz, não me sinto nada seguro. A questão é a seguinte: vivo sozinho com a minha mulher e só estou com ela ao final do dia. O seu trabalho é stressante e muitas vezes arrasta-se até mais tarde do que seria desejável. É comum chegar já noite cerrada ao prédio e ter de subir as escadas sozinha até à protecção do nosso lar... Portanto, até lá eu estou sozinho e CHEIO DE MEDO DE SER VIOLADO!!!

Hoje em dia, devido à minha exigente actividade profissional referente ao desemprego, passo grande parte do dia no escritório cá de casa. Sozinho.

Ora, depois de ler este cartaz ninguém me tira que o violador anda à coca, entre o andar acima e abaixo do meu, a tentar perceber a melhor maneira de se aproveitar das delícias do meu corpo. Sinceramente, ando de tal forma obcecado com isto que só consegui arranjar uma maneira de enfrentar os meus temores: abrir uma caça ao homem cá no prédio.

Só através deste cartaz há inúmeras ilações que posso tirar para descobrir a sua identidade. Portanto, vamos por partes:


1. "(...) UM VIOLADOR QUE ANDA POR BENFICA, TELHEIRAS, CARNIDE, SETE RIOS E LARANJEIRAS."

Um indivíduo destes tem sem dúvida o passe do metro e é frequentador da Linha Azul. Daí podemos retirar que tem bom gosto para transportes públicos. Sem dúvida que o metro, o comboio e o táxi estão reservados para os criminosos mais organizados, mais metódicos e sofisticados como violadores ou serial killers. Não é difícil perceber que o absurdo e fedorento autocarro está entregue aos carteiristas, burlões baratos e demais bestas. Como tal, nota mais aqui para o homem.


2. "(...) NORMALMENTE FICA ESCONDIDO DENTRO DOS PRÉDIOS À ESPERA DAS VÍTIMAS."

Se é sabido que o nosso prédio tem alguma humidade e que os violadores, por norma, precisam de ambientes mais quentes e secos para medrarem, não acho que estejamos 100% safos. Porque esta característica não só revela alguma timidez como ainda uma boa dose de infantilidade. Um violador seguro de si próprio não teria receio de se mostrar às vítimas, mesmo quando fossem claras as suas intenções. Mas este não. Este não corre o risco de ouvir o grito: "Largue-me, não desejo ser violada por si que é feio como uma noite de trovões!". São feitios. Positivo é o facto de sabermos que ele sabe esperar, que fica quietinho até que surja aquilo que pretende. É uma qualidade rara no povo português e que devemos, sem sombra de dúvida, valorizar neste amante indesejado.


3."PARA QUE TODAS AS PESSOAS QUE VIVEM NESTE PRÉDIO SE SINTAM SEGURAS (...)"

Companheiros, eu já vi as fronhas de toda a gente neste prédio. Não vi mais nem um centímetro cúbico dos seus corpos gastos e disformes, e agradeço a Deus por isso. Ora, além de mim e da minha mulher, se este indivíduo tivesse o mínimo de padrões de exigência, mais ninguém estaria em risco. Fico sem saber se é tara do violador ou se é fuga à realidade por parte dos inquilinos.


Portanto, até agora sei que é um sujeito tímido, paciente, com passe de Metro ou de Comboio e sem grandes critérios relativamente às pessoas com quem procura ter sexo à força. E sei também que há alguém neste prédio que faz cartazes, arrisco-me a dizê-lo, mega-espectaculares. Agora o que é que eu posso fazer de concreto com toda esta informação ainda não descobri.

Até lá, o melhor é não esquecer de pôr o RAID anti-violadores, em cada andar. E se não resultar chama-se uma empresa e faz-se a desvioladorização.

Pronto.

Wednesday, June 3, 2009

Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis (O Regresso)

Queridíssimos e caríssimos amigos (o plural é um proforma, afinal de contas sei bem que apenas a minha mãe segue este blogue, e só o faz para se certificar que o período pós-lobotomia não começou ainda a implicar tendências suicidas. Até agora só estupidez, por isso, tudo bem.)

Não sei se estão lembrados de um post que coloquei há uns tempos aqui na selva do saguim, mais concretamente em Fevereiro de 2008, que dava pelo nome de "Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis". Ora bem, nele apresentei factos concretos de uma inequívoca verdade de que o caracolame como iguaria é realmente similar a fezes ou suor de escroto, portanto coisas ruins nas quais ninguém dotado de sanidade mental haveria de querer pousar a boca. Na altura, e hoje posso confessá-lo, raros foram aqueles que concordaram comigo. A grande maioria não só me contradisse como ainda me insultou por cima. Para mim, foi um choque.

Eu sou um tipo com o saudável hábito de respeitar todas as opiniões e saudar especialmente aquelas que são contrárias às minhas, isto porque geralmente dão azo a animadas e fervorosas discussões, sempre sem sair dos limites da normalidade. Tenho um enorme respeito por toda a gente. Como tal, ao aperceber-me que haviam dezenas de atrasados mentais que continuavam a papar caracóis como se as suas vidas dependessem disso mesmo depois de lerem o meu post, decidi deixar-me estar. Nada posso fazer contra a burrice extrema. Basta-me ter de lidar com a minha...

Portanto, o respeito pelas opiniões alheias fez-me permanecer no exílio até agora. Momento em que me recordei da derradeira razão pela qual nunca na minha vida haveria de querer ingerir um desses pedaços de ranho ambulantes. Cá vai um flashback daqueles jeitosos...

Era eu miúdo e caminhava satisfeito pelas ruas de Lisboa, provavelmente cantarolando uma música dos Queen (a minha banda de eleição na altura). Passei por um quiosque e, porque era uma espécie de coleccionador compulsivo de metro e meio, não pude deixar de olhar para as revistas e cadernetas expostas. Olhei para a capa de um dos jornais. Fiquei estático. Soltei uma gota de urina. Pisquei os olhos várias vezes. Outra gota de urina. E não consegui dormir durante pelo menos uma semana. 

Perguntam-me vocês: seria a capa do "Crime"? Do "Diabo"? Do "Incrível"? Aquele tipo de capas que de tão bizarras conseguem marcar uma pessoa para toda a vida? 

Nem por isso. Devia ser um "Público" ou um "Correio da Manhã", coisa mostrável a qualquer petiz, não fosse a manchete dizer algo como "Idoso violado por três homens enquanto apanhava caracóis"!!!

...

Portanto, vamos lá recapitular e digerir esta frase aos bocadinhos. 
Um idoso. Para quem não sabe, é um homem que é velho. 
Foi violado. Penetrado analmente, para os leigos. Por... três indivíduos. 

Enquanto fazia o quê? Ah pois, apanhava caracóis. 
E para quê? Infelizmente para os comer.

Claro que todos nós podemos questionar: "O que é que leva três homens adultos a desejar e a consumar o acto da violação com um homem que já viveu o grosso da vida, provavelmente até tem netos, e está alegremente a apanhar caracolada?" Alguém saber a resposta é para mim arrepiante, no entanto, apenas sei que a participação dos caracóis nesta HISTÓRIA DE TERROR não pode ser mera coincidência. 

É que a mim ninguém me garante que estou seguro se decidir comer caracóis. Posso muito bem sentar-me numa esplanada, pedir uma imperial e um pires dessas bichezas, e no minuto a seguir ver uma carrinha travar em grande chiadeira diante de mim para dela sairem três indivíduos sedentos de sodomia. Por muita consideração que tenha por vocês, não contem comigo para correr um risco desses.

Esta manchete aconteceu e é apenas mais uma das razões, talvez até a principal, pela qual eu nem sequer me quero aproximar dessa "iguaria". Porque se há muitos homens que apreciam o amor físico com outros homens, duvido que haja algum que tenha desejo em ser violado por três brutamontes. Se for por três fiscais da EMEL ainda pode ser que haja, agora por três brutamontes acho pouco provável. 

Eh pá, por favor, eu já não sei o que vos hei-de dizer, deixem essas criaturas peganhentas em paz! A sério, vejam o aspecto do "petisco"... há unhas dos pés com um ar mais apetitoso e nós não as comemos pois não? Então... 

Mais juízo e menos apetite por coisas nojentas, ok? Até porque algo me diz que os três violadores ainda andam aí à coca.