<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419</id><updated>2012-01-06T09:52:47.897-08:00</updated><category term='Textos'/><category term='Bonecadas'/><title type='text'>A Hora do Saguim</title><subtitle type='html'>aquilo que contece quando nada há para fazer na selva...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-1273538609984008071</id><published>2012-01-06T04:20:00.000-08:00</published><updated>2012-01-06T09:52:47.912-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Vai tudo correr bem</title><content type='html'>Ora então feliz ano novo, com muita saúde e alegria, e que ao contrário do que se diz ou prevê 2012 seja um ano de viragem e que traga só coisas boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos que é aldrabice mas não nos custa nada manter o teatrinho e fazer de conta que acreditamos nisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há coisa que o ser humano faz bem, além de violar crianças pequenas e matar focas à paulada, é fazer de conta. Mas por muito que isso aconteça, a verdade é que - e não sei se já reservaram o fim do mundo para Novembro ou não - merecemos o que quer que aí venha acertar contas connosco. E eu sei do que falo porque isto do fim do mundo tem sido uma obsessão valente para mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns anos atrás, estava eu em casa sem nada de especial para ocupar o meu tempo quando decidi que o melhor e mais sensato era assistir a um documentário sobre Nostradamus e as suas profecias no canal História. Não se passaram vinte minutos até estar deitado em posição fetal, debaixo da minha própria cama e sobre uma pilha de fezes, a fazer contas ao tempo que ainda me restava. Depois de recuperar do choque inicial, passei por uma fase de investigação que incluiu horas na net em fóruns repletos de "weirdos", conversas e debates com toda uma panóplia de indivíduos nem sempre na plena posse das suas capacidades mentais e até o confronto quase violento com um índio maia autêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, isto aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estive no México virei-me para o tipo e perguntei-lhe que trapalhada era aquela, como se a culpa fosse dele. A resposta foi apaziguadora mas pouco conclusiva: disse que era o fim de uma era temporal (uma espécie de balancete e fecho de contas) e que logo a seguir se iniciaria uma nova. Que não era nada que devesse temer e que os bandalhos de Hollywood é que estavam a tentar explorar o conceito até ao último dólar. Sim, tudo bem, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... E O NOSTRADAMUS???!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde é que aquele macaco foi buscar teorias que batem nas do raio dos índios?! Copiou?! Como é que um alquimista francês do século XVI sabia o que se andava a escrever nas pedras do outro lado do mundo?! E porque é que raio é que não se vêem alquimistas nos dias de hoje? A malta nova não quer pegar nisso? Porque é que não há licenciaturas em alquimia nas nossas universidades? E depois não querem que haja desemprego...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como claramente o meu guia mexicano nada sabia acerca de Nostradamus, não o incomodei mais com perguntas e deixei-o sossegado. Talvez tenha feito mal, se calhar devia ter insistido até que chegar a uma conclusão definitiva, mas escolhi ficar na dúvida... E assim vou passar todo este torturante ano até saber o desfecho das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também, convenhamos, o que é o fim do mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu costumo andar de cabeça rapada. Dá-me style.&lt;br /&gt;E também como já não tenho muito cabelo poupo-me ao ridículo de andar a imitar o Donald Trump por São Domingos de Rana, onde trabalho. Até porque Trump e São Domingos são coisas que não combinam, tipo queijo ralado e mousse de chocolate. Mas estou a divagar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me costuma rapar o pêlo é a minha mulher e num destes dias ela não estava em casa. Como eu queria o cabelo rapado decidi fazê-lo sozinho pela primeira vez até perceber que não era capaz de o fazer em condições. Como a maioria dos comuns mortais tenho especial dificuldade em chegar com a máquina a todos os pontos da cabeça e não entendo como certos freaks conseguem fazê-lo. Fiquei com a cabeça coberta de tufos, alguns maiores do que outros, alguns agarrados ao coro cabeludo, outros pendentes, como um psicopata esquizofrénico ou um texugo com lepra. Mas deixei-me estar porque sabia que ela ia chegar mais hora menos hora e finalizar o serviço em condições. Pus-me a secar a loiça e tudo. Até que ouvi um ruído nas escadas, junto ao meu patamar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me lembrei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... que se alguem batesse à porta eu estaria completamente e "contranaturamente" FORNICADO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As opções não eram muitas e as que haviam não era geniais.&lt;br /&gt;Caso alguém batesse à porta, eu podia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não abrir e ficar em silêncio como um troll assassino, à espera que a pessoa desistisse e fosse embora. Isto seria particularmente estranho dado que eu andava a fazer barulho com os pratos e as luzes estavam acesas. Se fosse algum tipo da TV Cabo deixava-o carregar no botão até fazer sangue mas se algum vizinho precisasse de alguma coisa era chato deixá-lo a tocar sabendo que havia gente em casa. Uma vez mais, preocupo-me porque já não moro no prédio de Benfica. Na altura, se me batessem à porta a pedir ajuda porque tinham a casa a arder eu era o primeiro a ir ao talho comprar costeletas para fazer um churrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir a porta de boné ou com qualquer outro chapéu colocado na pinha (penso que de todas opções o boné ainda é o menos ridículo). Mas quem é que anda em casa de boné às oito da noite??? Penso que se algum vizinho me visse assim rapidamente a minha reputação no prédio mudaria para "aquele rapaz deficiente do último andar que mora com a irmã" ou alguma coisa do género...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir a porta e esperar que fosse o vizinho a sentir-se desconfortável por ter incomodado uma pessoa visivelmente doente. Pensando bem, esta acabava mesmo por ser a melhor opção porque habitualmente com o sentimento de pena vem uma valente dose de solidariedade. Talvez começasse a ser usual virem oferecer-me tachos de sopa, mantinhas e algo mais que me ajudasse a passar um Inverno quentinho... Acabou por ser uma oportunidade perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas as contas, foi falso alarme. Ninguém tocou e a coisa ficou por ali. A minha mulher chegou a casa, aterrorizou-se com a minha figura decrépita mas rapidamente tratou do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;fim do mundo&lt;/span&gt; que se preze para mim é isto. É um gajo aperceber-se que fez uma coisa de tal maneira estúpida que aconteça o que acontecer o normal é pagar a factura com tamanhos juros que a vida nunca mais há-de ser igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, é isso que nos espera a todos.&lt;br /&gt;Mas ao invés da credibilidade no prédio em que moramos e dos vizinhos se rirem de nós nas costas, o risco é mesmo isto tudo dar o berro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011 teve muitas coisas más: guerra, fome, corrupção, as consequências disso tudo... Também teve coisas boas como terem limpado o sêbo ao Carlos Castro mas infelizmente isso não chega. Era preciso ter-se feito mais em prol da humanidade para contrabalançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2012 promete toda esta bandalheira e muito mais, como a sequela de um filme chunga do Van Damme. Eu nem me importo porque até aprecio bandalheira mas o que me continua a lixar é o ordinário do Nostradamus que me está aqui preso no goto. Tenho-lhe cá uma sede que se o apanho meto-lhe a alquimia onde o sol não brilha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, pode não parece mas até estou bem disposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desde que não me ponha a ver o canal História, vai tudo correr bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-1273538609984008071?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/1273538609984008071/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=1273538609984008071' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1273538609984008071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1273538609984008071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2012/01/vai-tudo-correr-bem.html' title='Vai tudo correr bem'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-5763230484429398320</id><published>2011-11-08T04:09:00.000-08:00</published><updated>2011-11-25T08:32:46.993-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>DECLARAÇÃO DE GUERRA AOS MEUS GATOS</title><content type='html'>Ao oitavo dia do mês de Novembro de 2011, eu, Saguim, declaro por minha honra a abertura das hostilidades para com os dois demónios felinos que habitam em minha residência sem qualquer abertura a negociações ou a diplomacia. Estou em plena posse das minhas faculdades mentais e perfeitamente consciente de que tal confronto provocará casualidades mas estou disposto a correr o risco, a bem da humanidade, da paz no mundo e dos meus sofás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Marte, deus da guerra, prometo que tombarão em batalha! Ai tombarão tombarão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta Declaração é assim dirigida a dois indivíduos de orelhas triangulares, aqueles que, daqui em diante, apelidarei de meus inimigos mortais... ou mais simplesmente de bandalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a)&lt;/span&gt; MARISCO. Pelagem branca e cinzenta. Nariz cor de rosa como o de um porco. Barriga proeminente por enfardar como um bruto a ração que trabalho de sol a sol para lhe comprar. Se pudesse ou soubesse como, tenho a certeza que me arrotaria na cara depois de cada refeição, entre outras coisas piores. Tenho documentos que provam que se trata efectivamente do Anticristo embora o Vaticano não queira, porque tem medo, confirmar esta verdade. É manhoso, o c****o! É manhoso! A sua influência na minha vida é fácil de calcular em euros por tudo aquilo que esfrangalha / avacalha propositadamente. A saber, em jeito de inventário, caso seja no futuro condenado a pagar-me uma qualquer indemnização:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1)&lt;/span&gt; A porta da cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2)&lt;/span&gt; Três rolos de papel de cozinha e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3)&lt;/span&gt; O sofá da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4)&lt;/span&gt; O tapete da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5)&lt;/span&gt; O batente da porta da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;6)&lt;/span&gt; A colcha da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;7)&lt;/span&gt; O batente da porta do quarto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;8)&lt;/span&gt; O tapete tunisino que tenho na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;9)&lt;/span&gt; Um outro tapete, mas agora de rato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;10)&lt;/span&gt; O teclado do computador da minha mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;11)&lt;/span&gt; O cabo do meu disco externo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;12)&lt;/span&gt; O cabo do transformador da aparafusadora do IKEA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;13)&lt;/span&gt; Um lápis, uma caneta e mais material de escritório diverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;14)&lt;/span&gt; O meu sistema nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serve a presente missiva também para alertar acerca das tácticas persuasivas do inimigo. É importante ser impermeável ao ronronar e ao aspecto fofo da besta sempre que está "com soninho e quer colo". A total indiferença a esta estratégia vil atribui à partida uma vantagem de 50% no confronto bélico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pontos fortes: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É notavelmente atlético e rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem garras e dentes que aleijam razoavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O seu poder de persuação demoníaca pode influenciar a opinião exterior, nomeadamente vizinhos e familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pontos fracos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É burro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem lá muita força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É brutalmente curioso, lá está, devido à burrice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito este balanço, a vitória deverá ser garantida dentro de poucas semanas, depois de confrontos que adivinho ferozes. O ordinário é burro, disso não resta a mais pequena dúvida. Qualquer pequeno som ou movimento atraem a sua atenção e conduzem-no aos mais variados perigos como uma flauta de Hamelin. O Natal está próximo e a montagem da árvore não promete nada de bom ou de tranquilo. Aproveitando esse facto, regarei o amontoado de piaçabas verdes a que chamo de pinheiro de Natal com querosene e colocarei um rastilho que acenderei em tempo útil. Atraído pelas faíscas, com aquele ar aparvalhado típico das avestruzes (que também não podem ver nada brilhante) que lhe é característico, estou certo que com sorte terei marisco flambé para a ceia. Cheque-mate, eu ganho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One down, one to go.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;b)&lt;/span&gt; JACKIE. Pelagem negra. Espírito gótico e/ou satânico. A maior fabricante de pêlo do mundo em título e a principal responsável pela minha casa parecer, ao final de cada semana, uma casa de alterne romena. Em ruínas. Este é, sem sombra de dúvidas, o adversário mais poderoso e difícil de derrotar. Enquanto que o outro palhaço todos os dias me espanta com a sua estupidez e alegria em ser tão mau, esta destrói-me a alma aos poucos e faz-me questionar acerca da minha própria existência, do meu valor como ser humano. O outro arranha-me a mobília, esta arranha-me a psique. Ah e também aprecia mictar e defecar, chamemos-lhe assim, onde bem lhe apetece. E diz-se ela uma senhora. A saber:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1)&lt;/span&gt; No sofá da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2)&lt;/span&gt; Na banheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3)&lt;/span&gt; No sofá do escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4)&lt;/span&gt; No chão do escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5)&lt;/span&gt; Na minha cama (graças a Deus pela capa de colchão impermeável que a minha santa sogra se lembrou de nos oferecer em tempo útil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa deste morcego dos infernos somos obrigados a viver numa casa com as portas todas fechadas, como um caixão com assoalhadas. Por causa desta coisa ruim, temos de estar constantemente em sobressalto, a limpar e a desinfectar coisas dos mais variados materiais e tecidos. E até foi por causa deste espírito do mal que decidimos trazer o outro gato lá para casa... E penso que já todos percebemos como é que isso resultou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bicha continua a fazer as mesmas trafulhices que fazia antes e talvez até mais. Os dois fuinhas não se dão propriamente mal mas a única forma que têm de interagir ou de "brincar", como certamente pensam naquelas cabecinhas dementes, é de tal forma violenta e abrutalhada que deixou de ser permitido a crianças visitarem a minha casa (atenção, não é que tivesse o hábito de levar crianças para lá, não me interpretem mal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto uma amiga nossa enviou-nos uns links na net que provam que o inimigo talvez tenha uma patologia ao nível psicológico. Mas eu acho que isso tudo é treta. Acho que faz tudo parte de um plano pérfido para me expulsar, a mim e à minha mulher, e poder impor finalmente a sua PAX DIABOLICA com muitas missas negras e outras merdas que ela lá quer fazer. No desespero por resolver-lhe o problema e trazer-lhe maior qualidade de vida, acedi até a conceder-lhe um dos quartos que não foi ainda arrumado. Para que pudesse fugir da agitação do outro, tivesse a sua wc privada e pudesse relaxar em sossego. Mas será que isso ajudou? Não! Nunca! Continua a fazer o mesmo e a levar-me aos 80€ de cada vez sempre que vai ao médico. A galdéria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pontos fortes: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Consegue camuflar-se no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem garras e dentes que aleijam mais do que razoavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem compaixão pelos outros seres vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pontos fracos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A sua adoração por biscoitos de gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A dificuldade que terá em aliar-se ao outro, caso fiquem encurralados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O seu espírito negro e depressivo, que pode virar-se contra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas as contas, será um adversário bem mais complicado de derrotar mas estou certo que no final a contenda ser-me-á favorável. O outro é pegar-lhe fogo e está o assunto resolvido. Esta terá de provar do seu próprio remédio por todas as vezes que me obrigou, a mim e à minha mulher, a passar noites em claro em busca de uma solução para os seus problemas existenciais, de uma forma milagrosa de lhe trazer felicidade, de aliviar-lhe as maleitas e as feridas na alma. Não, uma maldade assim só pode ser enfrentada pelas mesmas armas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenciono arranjar audiobooks da obra completa do pensador francês Michel Focault, com especial ênfase nos livros "A Sociedade Punitiva", "A Hermenêutica do Sujeito" e "A Microfísica do Poder". Depois deixo-os a tocar em altos berros quando vou trabalhar de manhã, não antes de lhe mijar valentemente na tijela da comida para que saiba o que custa. Tenho a certeza que ao fim da primeira semana, a quantidade de caraminholas que terá na cabeça farão com que finalmente chegue a um ponto de não retorno: tornar-se na gata submissa, pacata e avessa a qualquer coisa que me chateie os cornos que sempre desejei que fosse... ou não aguentar e pôr cobro à sua existência enforcando-se com uma das meias da minha mulher.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nos dias que correm, qualquer das soluções me serve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim sendo, e porque nunca é demais recordar, ao oitavo dia do mês de Novembro de 2011, eu, Saguim, declaro por minha honra a abertura das hostilidades para com os dois demónios felinos que habitam em minha residência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora é só imprimir isto, espalhar pela casa...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;... e esperar a porra da retaliação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-5763230484429398320?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/5763230484429398320/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=5763230484429398320' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5763230484429398320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5763230484429398320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/11/declaracao-de-guerra-aos-meus-gatos.html' title='DECLARAÇÃO DE GUERRA AOS MEUS GATOS'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-9092924082360028787</id><published>2011-10-16T10:36:00.000-07:00</published><updated>2011-10-16T12:59:18.868-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Tudo o que é bom um dia acaba</title><content type='html'>Tudo o que é bom um dia acaba. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O velho cliché que pode valer para os nossos subsídios de férias e de Natal aplica-se agora às minhas próprias férias. Acabaram e amanhã volto ao trabalho. E não escondo que a ideia de tornar a contribuir para uma economia e para um estado que me rouba como se eu fosse novamente o puto gordo no recreio da escola, não me parece nada apelativa. É que às tantas nem se trata tanto de criminalidade mas mais de &lt;i&gt;bullying&lt;/i&gt;, tanto que estou farto de levar na tromba com toda uma panóplia de medidas, percentagens e impostos dos quais muitas vezes nem sequer percebo as siglas. Mas enfim, depois de duas semanas em intenso período de relax acho que não vale a pena estar já a emporcalhar a mente com este tipo de pensamentos e a desafiar o braço esquerdo que começa a formigar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não muito depois do nosso super-mentiroso Primeiro Ministro (pronto, lá vou eu outra vez...) anunciar as novas medidas de austeridade, já estava eu a fazer as malas para me fazer à estrada. Na realidade, tudo não passou de uma coincidência mas não escondo que acabou por ser uma p**a de uma coincidência. Enquanto o desgraçado dizia solenemente na TV "Eu peço desculpa mas na realidade nós já não somos tão soberanos quanto eu pensava e agora quem manda é aquela malta que nos quer comprar as empresas, que vamos privatizar à papo-seco, assim a preço de saldo e por isso em vez de tentarmos impulsionar a economia com medidas de incentivo vamos afundá-la ainda mais para enriquecer os nossos donos que detonam isto tudo se não nos portarmos bem..." (talvez não o tenha dito precisamente com estas palavras mas o conteúdo, não me venham com tretas, era este)... Enquanto ele dizia isso eu ouvia "Saguim, minha besta, arruma já os trapos e volta p'ra casa que isto vai ficar pior e ainda te vais arrepender amargamente dos dias que andaste a comer e a beber que nem um porco a sovar! Vá, desanda mazé!" E eu, porque gosto pouco de ouvir falar mal, desandei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, voltando um pouco atrás... Depois da viagem à Madeira fui passar uns dias a Ferrel, perto do Baleal, uma terra que ficou conhecida porque há uns anos quiseram lá fazer uma central nuclear. Nessa altura, o povo juntou-se para dizer que se fossem p'rá frente com aquilo podiam ter a certeza que iria haver sarrabulho dos antigos. E como o pessoal que usa gravata gosta pouco de sarrabulhos, até porque lhes deixa umas nódoas nas camisas que não saem nem por nada, e preza convenientemente a permanência dos testículos no sítio de origem, desistiu da central nuclear para gáudio dos ferrelenses. Afinal de contas, estavam a lidar com malta que se junta todos os anos para organizar uma corrida de burros à volta da igreja. Portanto, gente que não é p'ra brincadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dias bem passados que foram esses, sim senhor...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o &lt;i&gt;grand finale&lt;/i&gt; estava para vir em grande estilo: dois dias num Hotel das Caldas de Monchique, daqueles com Spa e tudo. Toma, embrulha e não digas que vens daqui!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Antes demais, convém referir, que este menino que vos escreve NUNCA tinha entrado numa sauna. NUNCA tinha tomado um banho turco. NUNCA tinha levado uma massagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E não posso dizer que houvesse uma grande razão para ser assim... Penso que era apenas mais um caso flagrante de falta de categoria. É que eu definitivamente não tenho categoria para essas coisas. Eu é mais bejeca na mão, tremoços no bucho e os argentinos do Benfica a ganhar na TV. Mainada! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Posto isto: óleos relaxantes, piscinas de hidromassagem e ropõezinhos brancos são coisas de rabixo. Mas como também considero que qualquer homem tem direito aos seus momentos mais rabixos, e tendo eu uma mulher ao lado para anular quaisquer conotações menos viris, lá acedi a experimentar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No entanto, um problema. Ao chegarmos ao Hotel, constatei algo que poderia já ter sido entendido mais cedo caso eu tivesse feito um exercício mental simples.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Termas = Pensionistas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Viram? Eu disse que era simples.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Portanto, só velhos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não tenho nada contra eles. Até porque, se tiver sorte, mais tarde ou mais cedo farei parte do clube e depois tudo o que não preciso é de uma horda de indivíduos a cravarem-me as dentaduras nos lóbulos das orelhas, como vingança por tudo aquilo que lhes desdisse. Mas enfim, eu ainda estou numa outra fase da vida e custa-me ver um snack-bar a fechar às 17h. É certo e sabido que os pensionistas às 19h já estão a "cabecear" em frente à TV, abençoados sejam, mas eu ainda não. Só a partir das 22h é que penso em aquecer a água para me ir deitar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na primeira noite o desafio foi encontrar um sítio para comer. O restaurante do Hotel era um pouco caro demais e, pelas regras instituídas, devia fechar a meio da tarde... Por isso, vimo-nos forçados a encontrar soluções. Estúpido como já me habituei a ser, entrei por uma pensão adentro, a única num raio de 50 km, atraído pelos preços convidativos da carta que se encontrava exposta na rua. Mas quando me deparei com o ambiente tétrico do interior do edifício, ambiente esse que faria o próprio Drácula verter uma gotinha de pânico, e constatando que nenhum ente vivo se encontrava na recepção nem ao seu redor, dei meia volta e regressei para junto da minha mulher que, sempre mais ajuizada do que eu, estava certa que aquela não era uma boa ideia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que surgiu uma pessoa. Do sexo feminino. E me convidou a entrar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entre risos e gorgolejos de nervos, lá acedi ao chamamento da "senhora", chamemos-lhe assim, e entrei na sala de refeições, seguido por uma mulher contrariada e lixada da vida por eu ter vergonha de me livrar airosamente de situações como aquela. A sala de jantar era tudo aquilo que se poderia esperar de um sítio como aquele. Mobília escura e antiga, uma enorme e horrenda natureza morta na parede, luz eléctrica a imitar a de velas e apenas duas criaturas, também elas idosas, a acabar a refeição num dos cantos da sala... Ah e música de orgão daquelas dos vampiros a soar não percebi muito bem vinda de onde! Isto, tal qual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, tentando contrariar a palidez dos nossos rostos, comemos, bebemos, ignorámos um gato assustador que passou o jantar inteiro ao nosso lado a olhar p'ra nós, orámos a Satanás, sacrificámos uma virgem e voltámos para o nosso quarto. Bom, a parte da virgem e do diabo é mentira mas a do gato juro que é verdade. No entanto, estando de férias, tudo é p'ra aceitar com particular ligeireza. Não é um jantar "especial" que marca as nossas férias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que marca as nossas férias é mesmo o raio do Spa!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, eu já expliquei que não tenho categoria, que não é a minha praia e essas coisas todas... Portanto já fiz um &lt;i&gt;build-up&lt;/i&gt; para aquilo que aí vem. Ao segundo dia nas Caldas de Monchique, eu e a minha mulher marcámos uma massagem para dois, massagem essa que nos dava direito a usufruir do complexo termal. Portanto, de manhãzinha fomos logo p'ra lá. Na piscina estavam duas velhas e um gay, coisa que não me fez sentir particularmente à vontade. Nem a mim nem a eles, diga-se, porque os minutos que se seguiram pautaram por uma série de olhares fixos e de grande estranheza. Dentro da piscina, a velha 1 olhava fixamente para a minha mulher que, por sua vez, olhava fixamente para o vazio. Eu olhava fixamente para a frente, de modo a poder ver toda a gente pelos periféricos e percebia que o gay, por alguma razão bizarra, também olhava fixamente para mim. Isto enquanto a velha 2 olhava fixamente para o gay, talvez porque ele a estivesse a orientar enquanto ela fazia um qualquer exercício de reabilitação, talvez porque fantasiasse acerca de sexo gerontófilo com homossexuais... Enfim, não sei. Isto tudo no mais profundo e desconfortável silêncio. Até eu e a minha mulher decidirmos abandonar o local... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seguiu-se o banho turco e a sauna. O primeiro mais agradável que o outro, verdade seja dita. Não que eu não tivesse curiosidade de saber o que sentiriam os frangos no interior de um forno (se é que um bicho esfolado e decapitado pode realmente sentir alguma coisa...), mas a ausência de colorau barrado nas minhas costas impediu-me de concretizar a experiência em pleno. Já o banho turco está longe de ser um banho e também não percebo porque lhe chamam turco mas parece-me que resulta. Resultava ainda melhor se a velha 2 da piscina não tivesse vindo atrás de nós, enfiado dentro da cabine connosco e começado a ressonar como um elefante marinho com os copos... Mas ao menos deu-me vontade de repetir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi assim, entre experiências como estas, que chegou o momento da tal massagem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Momento esse que, convém lembrar, foi também para mim uma primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando avistei o dueto de massagistas, não vou negar que senti um certo alívio. Temia que fossem homens. Primeiro porque, não sendo de todo homofóbico, há um certo tipo de contacto físico que gosto de evitar com indivíduos do mesmo sexo. E segundo porque também tenho tendência para querer evitar que tenham esse mesmo tipo de contacto com a minha mulher. Assim só p'ra manter as coisas dentro do razoável e do limpinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aproximámo-nos da sala e reparei que uma das massagistas tinha um sorriso significativamente mais aberto do que a outra. Portanto, percebi logo quem é que devia ter perdido a aposta e ficado comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A massagem era de corpo inteiro e a menina achou boa ideia colocar-me duas coisas, que não cheguei a perceber o que eram, nos olhos. Lembrei-me dos romanos que colocavam moedas nos olhos dos mortos para os gajos darem ao barqueiro que os levava para o inferno ou lá o que era... Mas duvido bastante que uma coisa tivesse a ver com a outra. Imagino que fossem pétalas ou algo do género... O que devia dar-me um ar ainda menos digno, deitado naquela marquesa. Mas adiante...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, a mulher colocou-me uma almofada por baixo das pernas para facilitar o seu trabalho. E foi aqui que começaram os meus problemas. Uma pessoa normal tem os pés p'rá frente. Um tipo como eu tem os pés pr'a fora à Charlot. Portanto, o que tínhamos agora era um indivíduo anafado (penso que podemos dizer assim) vestido com uns calções de banho com flores à havaiana, pétalas nos olhos e as pernas abertas elevadas e pés p'ra fora como se estivesse a dar à luz. E era esperado que eu relaxasse e ignorasse tudo isto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Escusado será dizer que estava uma pilha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os pensamentos a sucederem-se a mil à hora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando a massagista começou a mexer-me nos pés lembrei-me que teria sido boa ideia ter cortado as unhas no dia anterior. Tinha aparado as das mãos mas (que raio, estava de férias!) a preguiça impedira-me de fazer o mesmo com as outras. Penso que esta situação não fez maravilhas pelo trabalho da massagista que usava toda a sua destreza para conseguir cumprir a tarefa sem se cortar e apanhar tétano. Dedilhava como uma pianista russa enquanto eu procurava protegê-la, afastando tanto quanto possível as garras das suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O resto do tempo, não posso dizer que tenha corrido mal. Fui untado dos pés à cabeça como uma enguia de escabeche, e massajado com todas as forças que a mulher tinha para atacar um corpo como este. Não se saiu mal mas digamos que para ela o dia de trabalho deve ter acabado por ali...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No final, disse-me docemente ao ouvido que a massagem tinha terminado e que podia levantar-me ao meu ritmo. Eu, como o meu ritmo é sempre... Como é que se diz... Ah sim, aparvalhado e à bruta, levantei-me para o lado errado da marquesa, aquele onde não estavam os meus chinelos, coisa que podia ter-me saído muito cara. A mim e ao reconstrutor facial da massagista que estava do outro lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ora, esquecendo-me que estava coberto de óleo e portanto escorregadio como aquele americano que foi preso em Sintra, foi num misto de desequilíbrio e de passos de dança à Fred Astaire (se o Fred Astaire fosse bêbado) que fiz a viagem de 180º até aos chinelos, quase, QUASE, esbardalhando-me para cima da pobre massagista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao recuperar a compostura, e perante o olhar de pânico da jovem, disse que até tinha ficado tonto perante o brilhantismo da sua massagem e saí dali p'ra fora, rumo ao quarto do Hotel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São estas as memórias que levo para o retomar da labuta, do lufa-lufa do dia-a-dia e dos assaltos à mão armada do nosso Primeiro Ministro (que sabe bem o que isso é porque desde os seus tenros 37 aninhos que anda a papar filmes semelhantes no mercado de trabalho). E não são memórias nada más, atendendo àquilo que espera a maioria dos portugueses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A verdade é que o Natal já não é p'ra todos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim como não é p'ra todos ter um Ângelo Correia como anjinho da guarda (ai o braço esquerdo...)! Mas é em alturas como estas que temos de aprender a patinar, nem que alarvemente... Contrariar o visco e o sebum dos mentirosos e dos corruptos... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para tentar chegar, sãos e salvos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;... ao grande par de chinelos... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que é a felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-9092924082360028787?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/9092924082360028787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=9092924082360028787' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/9092924082360028787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/9092924082360028787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/10/tudo-o-que-e-bom-um-dia-acaba.html' title='Tudo o que é bom um dia acaba'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-2637449384876573461</id><published>2011-10-07T07:46:00.002-07:00</published><updated>2011-10-07T12:52:38.880-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Prá frente, sempre!</title><content type='html'>Ora então, dei por mim e estava visivelmente cansado...&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois de meses e meses a labutar como uma criança de cinco anos no Bangladesh, concluí que precisava mesmo de um merecido período de férias. E daqueles longe da internet, do telemóvel e até da TV e da Playstation... Absolutamente nada a povoar a minha imaginação além dos meus próprios pensamentos dementes. No fundo, aquilo que o meu corpo e mente exigiam era o mais inócuo e sepulcral sossego, daqueles que só a gruta mais inóspita, o buraco mais denso e profundo conseguem proporcionar. Portanto, acabei por ir prá Madeira.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não que seja a altura mais pacata para lá ir... Sei bem que não é.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois da descoberta da dívida que o Governo Regional acumulou durante uma catrefada de anos, e até tentou encobrir no início do levantar deste processo manhoso, dia sim dia não o Alberto João decide vir berrar qualquer disparate em público como mais uma tentativa de atirar areia para os olhos daquela gente... E atenção que isso é coisa para aleijar! Durante a minha estadia percebi que a areia na Madeira é preta e grossa como um comboio na linha de Sintra. Mas enfim, o homem berra como se não houvesse amanhã e nem sequer está muito enervado quando o faz. Berra porque é assim que ele comunica. Ele e todos os que sofrem do conhecido síndrome de Valentim Loureiro, claro. Por um lado, não há dúvida que AJ tem as suas falências mas por outro também é certo que realizou obra por toda a ilha. Eu continuo a duvidar bastante que tenha sido ele a acartar o cimento e a tijoleira pelos montes e vales mas enfim... Que o homem tem a educação de um trolha lá isso tem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a verdade é que é raro o estabelecimento ou o edifício que não tenha à porta uma placa a dizer que foi inaugurado no dia tal do ano tal pelo ilustre presidente do Governo Regional da Madeira. Estas placas são às pazadas. Tanto que a dada altura até fiquei surpreendido por não ver miúdas também elas com placas ao pescoço a dizer que foram inauguradas aos dezoito anos por AJ. Certamente que vontade não lhe havia de faltar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, mas voltemos à Madeira propriamente dita... É muito bela, não haja dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tem um grande inconveniente. Toda a ilha apresenta um declive de, mais ou menos, 90º. E é sempre a subir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá, não se passeia. Quanto muito escala-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os Madeirenses têm as suas panças, sim senhor. Gorduras a adejar debaixo dos braços, ora muito bem. Mas todos ostentam uns gémeos tão sólidos e definidos que fariam Jean Claude Van Damme chorar de inveja como uma noviça açoitada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já eu, durante a minha estadia, não demorei dois dias a sentir as mais agudas das dores nas pernas, passando grande parte do tempo restante a deslocar-me em ziguezague, como um leproso em fase terminal, gemendo a cada passada. Mas porra, se valeu a pena...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Toda a ilha me fez lembrar a Suíça. Não tanto a parte do yoddle e dos bancos mas mais no que concerne ao queijo. Eu sei que nos dias que correm se fala muito de buracos e tal mas, sejamos francos, aquilo está tudo esburacado. São tantos os túneis que povoam a Madeira que quase me fazem crer que esta tem caruncho. Depois, temos um problema. Há efectivamente um Centro de Saúde e uma Escola em cada terrinha, isso há. Mas com os túneis todos acabam por haver estabelecimentos com malta efectiva a trabalhar e a ganhar do belo, a cinco minutos uns dos outros. Portanto, não é preciso ser nenhum yoda em economia para perceber que isto mais tarde ou mais cedo ia dar chispalhada...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E depois há a descida dos cestos. Para quem não sabe é quando nos enfiamos em tobogãs de vime e somos empurrados ilha abaixo por corpulentos madeirenses que, a julgar pelo aspecto e pelas tatuagens nos antebraços, de bom grado nos espetariam de frente no primeiro penhasco se não soubessem que seriam judicialmente punidos por isso. Pode ser um tanto arcaico e até um pouco aparvalhado mas a verdade é que é também bastante divertido. Principalmente depois de passarmos pela experiência e continuarmos a ostentar os dentes da frente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há também o Museu da Baleia do Caniçal. Um verdadeiro santuário dividido em dois momentos. No primeiro é-nos dado a sentir um verdadeiro espectáculo de carnificina onde, e juntamente com o suave aroma de sangue e vísceras de baleia, podemos observar como durante décadas a malta da Madeira perseguiu e cortou às postas todos os cachalotes a que conseguiu deitar a unha. Já no segundo, mostram como entretanto se arrependeram e agora os estudam e lhes dão festinhas... Não deixa de ser um contraste um tanto ou quanto abrupto mas acho que resulta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Além disso há ainda o artesanato de vime da Camacha, o vinho da Madeira, as piscinas naturais de água choca e com cheiro a mijo de Porto de Moniz (nas quais, e com plena consciência que com isso reduzi substancialmente a minha esperança de vida, mergulhei), a poncha, os maracujás, as espetadas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo coisas espectaculares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não tão espectaculares como a propaganda eleitoral para as votações que se avizinham. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao contrário do que eu pensava, não é só o PPD-PSD que pode promover os seus candidatos. Mas, tal como eu pensava, os outros partidos parecem gozar de substancialmente menos espaço para esse efeito. Há várias situações onde um gigante e titânico AJ, emplastrado num outdoor, aparece rodeado daquilo que parecem pequenos anõezinhos compostos pelos outros candidatos, impressos em cartazes de muito menores dimensões. Pode não ser muito justo mas o efeito é deveras engraçado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De certa forma, esta diferença de escalas até acaba por castigar a falta de originalidade nos "gritos de guerra" daqueles que pretendem, afinal de contas, fazer um assalto ao poder: "Para salvar a Madeira" diz o aborrecido PS, "Acreditamos nos Madeirenses" diz a maçuda CDU, "ELE NÃO É A MADEIRA!" grita o sempre alarve Bloco de Esquerda enquanto exibe uma foto do olhar sinistro de AJ. Tudo tretas previsíveis e pouco estimulantes, diga-se. Ah e o maluco do Coelho que agora é do Partido Trabalhista também diz qualquer coisa... mas a verdade é que ninguém lhe presta muita atenção. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seria de prever que numa altura como esta, com tanto fervilhar de emoções e de graves acontecimentos a virem a público, as coisas estivessem menos cinzentas. Mas, verdade seja dita, o único a apresentar uma abordagem objectiva e original foi, uma vez mais, o inevitável PPD-PSD.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma beleza apenas comparável à vista da marina do Funchal. Lindo, lindo, lindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O lema é : PRÁ FRENTE, SEMPRE! MADEIRA, SEMPRE!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Okay...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como pano de fundo, há um inebriante &lt;i&gt;gradient&lt;/i&gt; do azul para o amarelo e do amarelo para o azul. São as cores da Madeira, 'tá certo, até aí percebo... E o degradé dá-lhe aquele toque de modernidade que nenhum outro partido conseguiu atingir. E depois admirem-se que o homem não saia do poleiro! PRÁ FRENTE, &lt;i&gt;indeed&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda em relação ao slogan, não há maneira de o ler sem que na minha cabeça soe a voz de AJ a berrá-lo. E talvez para isso muito contribua a fotografia do próprio, estampada em cima do &lt;i&gt;gradient&lt;/i&gt;, acentuando assim o efeito espectacular. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobre a figura de AJ, três aspectos:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É notório que não tem qualquer pescoço. Do colarinho é espargida uma massa amarelo-rosada que, apesar de algo disforme, adquire um formato que se assemelha a uma cabeça... Assim como aquelas seringas dos bolos a expelir recheio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Todo e qualquer sujeito que procure tapar a careca com uns escassos e ralos fiapos de cabelo grisalho merece toda a minha admiração. Não é novidade para ninguém que, em pleno séc. XXI, este truque patético não causa qualquer ilusão (se é que alguma vez causou...) Por isso, quando um bravo se mantém irredutível na defesa desta técnica &lt;i&gt;trompe l'oeil&lt;/i&gt; capilar e não se importa de assim aparecer em público, na TV e nos jornais, não me venham cá com AMI's nem com Médicos Sem Fronteiras mas coragem para mim é isto. Tudo o resto é panascaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Urge ainda apontar que nesta foto de AJ não se vê o branco dos olhos. Todo o seu globo ocular aparece preenchido de um negro baço, como os olhos dos tubarões. E é por isso que, se eu fosse Madeirense, nenhum outro candidato me pareceria mais afável e digno de confiança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Posto isto, não descansei até encontrar um boletim desta campanha com as propostas para o novo mandato. Boletim esse que, e com sacrifício pessoal, resgatei de uma pilha de caca de pombo. Tudo pela liberdade de informação, meus caros. Tudo pela liberdade de informação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquilo que li e que estou prestes a partilhar foi alarmante e esclarecedor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Antes eu tinha a impressão que AJ era uma espécie de tio bêbado que aparecia nas reuniões de família a gritar obscenidades às quais ninguém dava muita importância entre os olhares cruzados de desconforto. No final, alguém lhe passava uma nota de cinquenta euros para ir comprar mais vinho, ele ia à vida dele e as pessoas normais continuavam a conviver. Dantes eu pensava isto. Depois de ler o boletim, acho que tenho a certeza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas antes de me ir embora e regressar às férias, gostava de aqui vos deixar um cheirinho... Assim só p'ra não dizerem que guardo tudo para mim. Ora então cá vai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;MANIFESTO DO PSD AO POVO DE FUNCHAL&lt;/b&gt; (Ui um manifesto... Isto promete. "Morra o Cont'nente morra, Pim!" Capaz de ser mais ou menos isto que nos espera)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;AOS MADEIRENSES E PORTOSSANTENSES:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Povo Madeirense vai eleger o Governo que terá de aguentar o período mais duro desde que a Democracia e a Autonomia Política nasceram com a Constituição de 1976. &lt;/b&gt;(Boa, estão a falar de Constituição... Dados os acontecimentos recentes e o avacalhar da mesma, tem de ser bom!)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Os Madeirenses e os Portossantenses vão eleger o Governo Regional que terá de Os conduzir e defender o melhor possível, face à situação gravíssima que os socialistas criaram&lt;/b&gt; (O BANDIDO DO SÓCRAS!)&lt;b&gt;, que provocou Portugal ficar sob mando estrangeiro&lt;/b&gt; (O MALDITO INVASOR!) &lt;b&gt;e, se quiser comer &lt;/b&gt;(Quem? Portugal?)&lt;b&gt;, ter de aplicar a política que nos foi imposta pela vergonhosa tutela internacional a que chegámos&lt;/b&gt; (Como se atreve o FMI a impor políticas?? Não temos cá quem o faça tão bem? Alguém da Madeira, por exemplo...)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Um Governo Regional que terá de demonstrar capacidade para conduzir o arquipélago nas dificílimas situações que, por caírem sobre Portugal, infelizmente caiem também sobre os Madeirenses e os Portossantenses, embora tal não seja justo em relação a um povo que sempre discordou do que se passava, que foi sempre oposição ao próprio sistema político, que sempre alertou Lisboa para os erros desta&lt;/b&gt; (Infelizmente o sotaque Madeirense é cerrado e Lisboa não percebeu... De qualquer maneira, o tal "povo", chamemos assim ao governo de AJ, acabou por perder alguma legitimidade no assunto "poupança" quando apresentou um buraco do tamanho da defesa do Sporting).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Portanto, o que agora está em jogo para os Madeirenses e os Portossanteneses&lt;/b&gt; (Ok, é preciso estar sempre a repetir o mesmo???)&lt;b&gt;, é escolher um Presidente de um Governo Regional que, com o novo Executivo que formar, dê garantias de hábil e inteligentemente enfrentar a situação complicadíssima em que os socialistas nos mergulharam.&lt;/b&gt; (MAS QUEM, MEU DEUS?! Se ao menos houvesse um indivíduo grosseiro que só sabe falar a berrar e usar técnicas de inimigo público e de mania da perseguição a la regimes ditatoriais da primeira metade do século XX... MAS ONDE ENCONTRAR TAL PERSONALIDADE?!)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois seguem-se parágrafos intermináveis, praticamente todos eles a dizerem o mesmo, estilo aquelas gravações em loop do filme 1984, a fomentar o ódio pelos socialistas e a glorificar a obra feita pelo actual Governo Regional. Glorificação essa que chega ao ponto de dizer que:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Seria uma covardia, Alberto João Jardim recuar ou desistir no presente quadro. Sabe ao que se arrisca, dadas as dificuldades que vamos ter pela frente, risco de saúde inclusive, quando era mais fácil abandonar ante o que aí vem, levando consigo os sucessos e transformações que conseguiu.&lt;/b&gt; (Portanto, estamos na iminência de coroar aqui um mártir. A avaliar por estas palavras pouco falta para AJ vestir um colete de bombas e atirar-se heroicamente para a entrada do buraco orçamental, esperando que a consequente queda de rochas o tape para sempre. Pode ser fantasioso mas não condenem um homem por sonhar acordado...).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segue-se mais conversa em como os socialistas ficaram a dever dinheiro à Madeira e/ou inclusivamente a roubaram e depois aquele que considero o parágrafo-rei deste maravilhoso boletim. Desde já aviso que é sublime. Ora então cá vai:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Depois de trinta e três anos, a Oposição está desesperada. Não captou pessoas com um mínimo de qualidade, alinhou contra o próprio Povo Madeirense, opôs-se sempre a tudo quanto era progresso, praticou um permanente bota-abaixo, não tem alternativas, só fascina os desordeiros, bêbados, drogados e vadios que infelizmente existem em diversas localidades.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Portanto...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Está aqui identificada a Oposição na Madeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isto para que não restem dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei quanto a vocês mas eu leio isto e parece que ouço Chopin ao longe... De tão lírico e filosófico que é. E ao mesmo tempo também associo aos primórdios da minha infância, não sei se me faço entender. "Quem não gosta de mim é parvo", é comum ouvirmos no Jardim Escola. "Quem não gosta de nós é bêbado ou drogado!", parece que se ouve muito na Madeira. Mainada!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, mais argumentação incendiária até ao fim e, a fechar a peça, 90% do boletim consiste de uma lista das chamadas INAUGURAÇÕES REALIZADAS NO CONCELHO DO FUNCHAL. Um verdadeiro "festival da tesoura". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui encontramos um compêndio infindável com obras tão relevantes como a Creche de Santa Maria Maior, o Lar de Abrigo de Nossa Senhora de Fátima ou a Unidade de Hemodiálise do Hospital do Funchal e outras com consideravelmente menos relevo e até algum nível de suspeita como o Ginásio Big Body Gym, a Padaria Mariazinha II, o Crédito Predial Português (que não existe vai p'ra mais de dez anos) e a Discoteca Vespas. Se calhar não era suposto eu ler isto tudo até ao fim mas, que raio, tinha tempo e li.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E pronto, não vos chateio mais. Se calhar têm a sopa ao lume e de certeza muito mais que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cheguei ontem da Madeira e ainda vou ter mais uma semana de férias por isso é possível que o meu período de descanso ainda me dê mais material para fazer pouco...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu perco-me para aqui a falar do AJ e de tudo e mais alguma coisa mas a verdade é que não sou nada melhor do que ele. Quando era miúdo roubei uns autocolantes das Tartarugas Ninja a um colega de escola e culpei um outro que usava óculos e tinha asma. Ele levou nos cornos e eu fiquei a ver, com um sorriso na cara. Portanto, em matéria de sem vergonhice não é qualquer um que me dá lições...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas entretanto, se viverem no Arquipélago, votem em consciência. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se, por outro lado, viverem no Continente, rezem para que os outros o façam e a seguir tentem manter o emprego porque são os subsídios de Natal de todos que vão ajudar a pagar o tal buraco. No fundo, acaba por ser menos uma Wii ou um Castelo dos Gormiti que o mimado do vosso puto recebe. E ainda bem porque sem essa importante lição de vida quem sabe se não acabaria por tornar-se num adulto egocêntrico, em alguém com a mania das grandezas ou até, quem sabe...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;... no Presidente de um Governo Regional.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-2637449384876573461?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/2637449384876573461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=2637449384876573461' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2637449384876573461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2637449384876573461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/10/pra-frente-sempre_07.html' title='Prá frente, sempre!'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-838661545173192665</id><published>2011-09-08T15:27:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T17:21:25.333-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Ok, temos aqui um problema</title><content type='html'>Acredito que as balanças foram criadas com o objectivo de ajudar as pessoas a controlarem o seu peso e assim manterem uma melhor qualidade de vida. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há quem acredite em Deus ou em vida extraterrestre. Eu acredito nisto. E acho que não há missão mais nobre para um aparelho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É por estas e por outras que se me perguntarem se as balanças têm razão de existir e se não seria melhor ideia juntá-las todas a arder em sítios próprios como uma pira, num descampado ou no relvado do Estádio do Sporting, a minha resposta é "Não, senhor! Deixem-nas estar." e não se fala mais no assunto. Mas atenção: devem existir sobretudo para ajudar OS OUTROS, ok? Outra malta que não eu. Porque quando toca a mim a conversa já é diferente... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca nenhuma balança me deu boas notícias. Nunca me colocou um sorriso na face, nunca me perguntou pela família ou deixou uma palavra amiga. Quando sou eu a pisar uma balança aquilo que vejo no mostrador é um misto de intensa agonia para que saia imediatamente (se um monte de plástico e parafusos tivesse a capacidade de berrar, berrava e bem) e a gentileza subtil de um coveiro embriagado a dar-me a terrível má nova de que estou gordo como um urso pardo com bócio. Sempre. Assim, e embora as respeite, também é por estas e por outras que evito relacionar-me com este tipo de maquinetas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No outro dia, acompanhei uma amiga que não se estava a sentir bem a uma farmácia. Com o pretexto de que uma das razões do seu mal estar se devia ao seu estado de magreza extrema obriguei-a a subir para uma, lá está, balança, e a encarar assim a terrível verdade. No entanto, o papel impresso pelo "oráculo medidor de banha" veio provar que eu estava errado e que efectivamente a minha amiga estava em boa forma. A minha ideia de "magreza extrema" tinha sido portanto deturpada pela comparação com a minha pessoa sendo que é perfeitamente possível uma jovem adulta ter metade do meu tamanho e ser exactamente por isso que está com o peso ideal. Enfim...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que consegui com a brincadeira foi ter de saltar logo a seguir para cima da plataforma. Achei que fazia sentido. Mas, como é evidente, arrependi-me nem um milésimo de segundo depois...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro a altura... 1,77 m&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até aqui tudo bem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca fui muito alto mas também não sou nenhum caga tacos. É uma altura que me permite chegar a um tupperware na última prateleira do armário da cozinha e ao mesmo tempo me impede de fazer figuras tristes no Portugal dos Pequenitos em Coimbra. Portanto, ao nível da altura, 5 estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois o peso... 96 kg&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ok, temos aqui um problema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me interpretem mal, poderia até ser uma boa marca... caso eu pertencesse a uma qualquer ganadaria. Mas sendo eu humano e não tendo perspectivas de ser toureado num futuro próximo parece-me que tenho de fazer alguma coisa para impedir que qualquer dia os CTT me atribuam o meu próprio código postal. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui-me inscrever num ginásio. Pela 8340ª vez, mas ainda assim fui. A última aventura que tivera no mundo do desporto não fora propriamente brilhante e não me deixara as melhores recordações, como decerto se lembrarão devido a este &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/09/o-dia-em-que-o-meu-mundo-parou.html"&gt;testemunho.&lt;/a&gt; Em traços muito gerais: fui praticar natação livre para umas piscinas duma associação que trata malta com uma doença degenerativa nas costas. Na sua maior parte, idosos. E um dia tive conhecimento que estava um aviso no placard a dizer que já não era a primeira vez que eram encontradas fezes na água. Enfim, ainda não consigo escrever isto sem sofrer uma violenta contracção na traqueia mas não quis deixar de contextualizar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até porque agora a realidade é diferente. Num ginásio e a fazer cardio fitness, raios m'a partam se também encontro lá fezes!!! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu nem quero falar muito nisso que o Todo Poderoso ainda acha piada e aproveita para fazer das suas. É conhecido o seu bizarro entusiasmo por me lixar a vida e depois divertir-se às minhas custas, como se a minha existência fosse o seu reality show de palhaçada preferido. Tantas eras da História em que podia ter vivido e tive de aparecer logo quando o Velhote está no pico da senilidade...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Anyway...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje foi o meu primeiro dia de exercício físico. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, escrevo estas linhas depois de ter estado uma hora e meia a perceber o porquê do Cláudio Ramos recorrer à lipoaspiração sempre que quer eliminar a celulite do rabo. Mas eu com isto não pretendo descredibilizar a lipoaspiração, note-se. Conseguem-se os melhores resultados e não é preciso sofrer como uma noviça ao primeiro aborto. O problema é que eu sei que a mesma mão que assinaria o cheque deste tipo de cirurgias estaria também mais tarde a escolher vestidos na Bershka. E se as cores da Bershka me ficam mal...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas anyway outra vez...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje foi o dia da avaliação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Portanto, aquele em que conheço o meu plano de treinos para os próximos meses e compreendo que vou pagar com o sangue as pazadas de sushi e de vinhaça que emborquei desde nem eu sei quando. Ao ver o instrutor a preencher a tabela senti-me um Renato Seabra a ouvir a sentença. Se soube bem fazer o que fiz, não há dúvida que soube. Mas agora vou-me f***r à grande!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O instrutor era aquilo a que se chama na gíria de "um puto porreiro". Estivemos a falar sobre artes marciais talvez até mais tempo do que seria necessário mas eu intencionalmente decidi prolongar a conversa para roubar minutos ao massacre físico que estava prestar a abraçar. Reparei que ele insistia em tratar-me por você, e isso estava a incomodar-me bastante. Não tanto pela palavra em si, até porque era normal dado que tínhamos acabado de nos conhecer, mas pela forma como a dizia. Como se eu fosse muito muito mais velho... Ora se eu tenho 28 e ele não devia ter mais de 25, parece-me que 3 anos de diferença não justificavam aqueles salamaleques todos. E não era só o "você", eram os cuidados todos que ele tinha com o meu historial clínico e em especial com a condição cardíaca. Como se eu andasse a gritar "enfarte do miocárdio" por todos os poros...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim, chateou-me.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Inaugurei logo o novo "plano de terror" com quinze minutinhos de bicicleta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até me virem dizer que aquela era onde costumavam andar as mulheres e os obesos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começava bem...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No entanto, como tecnicamente até me insiro na segunda categoria, deixei-me estar e acabei o exercício.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O resto do treino foi uma divertida sucessão de dor, arrependimento e mágoa. Se fosse uma cantiga era sem dúvida "O Fado da Lontra" mas como não era acabou por ser apenas uma breve amostra de algo que vai fazer parte da minha vida pelo menos durante os próximos meses. Não me queixo, ainda bem que posso dar-me ao luxo de pagar por exercício em condições. Mas também não posso evitar de pensar em todo o dinheiro que se investe, por exemplo, a incentivar os estúpidos casais de pandas a querer mocar e no tão pouco que se aplica em tornar o real enchimento do bandulho num método de emagrecimento. São prioridades...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À saída do ginásio, e como não podia deixar de ser, aqui o campeão tinha de deixar o seu extraordinário carimbo de super-palermice em forma de pièce de résistance. Não bastava sair do recinto branco e encharcado como uma foca do Ártico atordoada... havia mesmo de deixar uma impressão memorável.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma vez mais, o jovem instrutor abordou-me para perguntar como tinha corrido o treino... se me estava a sentir bem... se me aguentava...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Você, você, você...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A sua saúde, a sua saúde, a sua saúde...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O coração, o coração, o coração...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que eu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Decidi dizer a coisa mais incrivelmente IDIOTA...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que alguma vez alguém poderia ter dito em qualquer situação...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em qualquer país do mundo...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em qualquer momento da História Universal...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perante todo este cenário de formalidades, virei-me para o puto e disse...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TRATA-ME POR TU, QUE EU TAMBÉM SOU NOVO...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MAS NO QUE É QUE RAIO ESTAVA EU A PENSAR?!! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORRA!!! FIZERAM-ME UMA LOBOTOMIA E NINGUÉM ME DISSE?!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"TRATA-ME POR TU, QUE EU TAMBÉM SOU NOVO?!!!" WHAT DA FUCK?!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ISTO É O TIPO DE COISAS QUE SE ESPERA OUVIR DE UM TIPO COM SUSPENSÓRIOS E UM DAQUELES BONÉS COM UMA HÉLICE...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CA GRANDESSÍSSIMA ESTUPIDEZ!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"QUE EU TAMBÉM SOU NOVO..." OH MEU DEUS! QUE ATRASADO MENTAL!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este tipo de merdas faz-me lembrar outra das minhas festas de anos em casa quando a mãe de uma amiga minha, a tal que era convidada todos os anos, trouxe o filho mais novo, que não tinha sido convidado, só porque não lhe apetecia ficar a tomar conta dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então, mal os meus pais abriram a porta e a minha amiga entrou para brincar connosco, a mulher empurrou o miúdo na mesma direcção e empunhando um saco manhoso de miniaturas de aviões de guerra coloridos, afirmou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O menino também vem porque também traz prenda!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nessa altura apeteceu-me introduzir-lhe pelo recto os horrendos aviões, um por um! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não só à gaja que dizia isto mas também ao desgraçado do puto que tinha a cabeça esférica e vermelha, semelhante a um queijo Limiano, prestes a explodir de vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MESMO ESSE EPISÓDIO NÃO SE EQUIPARA EM TERMOS DE IMBECILIDADE À MINHA BRILHANTE SAÍDA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim, estou cansado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tanto do exercício mas fundamentalmente disto. Ainda assim há mais soluções para aqueles que têm excesso de peso do que para os que falam sem pensar. Isso é que era um desporto a sério e que só por si faria maravilhas no meu futuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* suspiro *&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-838661545173192665?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/838661545173192665/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=838661545173192665' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/838661545173192665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/838661545173192665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/09/ok-temos-aqui-um-problema.html' title='Ok, temos aqui um problema'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6656008370398470452</id><published>2011-08-02T08:12:00.000-07:00</published><updated>2011-08-02T10:42:15.999-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>EHPÁ DANCEM!!!</title><content type='html'>Ora bem, então parece que o Saguim habita um novo galho.&lt;br /&gt;Sim, é verdade. As macacadas mudaram-se definitivamente para outro sítio há duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não há vizinho cornudo. Já não há discussões entre marginais na paragem do autocarro. Já não há ordinário riscador de carros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até hoje também não havia gás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há bocado ligaram-me a dizer que já há, mas eu sou como São Tomé: ver para crer. A grande generalidade do público deve estar agora a pensar que, como não havia gás, estive este tempo todo sem tomar banho. Falo daquela generalidade do público que tem o odor apurado e que lida comigo diariamente. Porém, não há suposição mais falsa. O banho tem sido "à chinês" com a ajuda de uma panela de água quente e de dois alguidares. Felizmente, isto é o mais próximo que já estive do Terceiro Mundo. Bom, houve também aquela vez que passei a dois metros de um autocarro dos Super Dragões mas isso é outra conversa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecendo que não, isto de não ter água quente para tomar banho faz alguma diferença. Há sempre quem diga que agora é Verão e que não custa nada tomar um duche de água fria mas como essas pessoas são imbecis, a sua opinião não pode ser levada a sério. Eu posso não conhecer muita coisa mas conheço o meu corpo o suficiente para saber que a cada duche gelado há funções fisiológicas que perco para sempre. Eu sei disso porque, em total desespero, tentei fazê-lo há uns dias. E agora sou incapaz de conter o fluxo de ranho sempre que estou perto de um rádio a pilhas. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa nova é inovadora a vários níveis relativamente à de Benfica (e nem sequer estou a falar da ausência dos cornos do vizinho do lado marcados na parede da sala). A vizinhança é pacata e bem disposta. Quando dou os bons dias e boas tardes a alguém, a resposta que obtenho não é nenhum grunhido cavernoso e/ou uma valente bufa na minha direcção. Respondem na mesma moeda e volta e meia até sorriem... SORRIEM! Eu sei que é difícil explicar a minha alegria mas por favor tentem. Quanto ao barulho, anteontem um amigo deslocou-se lá a casa para fazer uns buracos com o black&amp;amp;decker e às 21h ainda estava a malhar no estuque como um moicano. Ninguém reclamou, ninguém insultou, ninguém disse absolutamente nada. O que me leva a concluir que desta vez o cigano devo ser mesmo eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não há nenhum restaurante de sushi ao virar da esquina, o que só por si deve permitir que consiga pagar o empréstimo ao banco até ao fim. São coisas como estas que quase me fazem esquecer os 9 meses que penei à espera que o processo das obras acabasse para finalmente recuperar todos os meus pertences e roupas. Esta última parte foi mesmo um problema. Nunca pensei estar tanto tempo à espera e portanto pus de parte uma ínfima parte do amontoado de trapos incoerente a que chamo de "a minha roupa". A dada altura, tentei todas as combinações possíveis, e algumas bem ridículas devo acrescentar, o que proporcionou olhares de pena dos meus colegas de trabalho e sorrisos nervosos da minha parte. Mas tudo isso está para trás das costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a gata está mais calma e dócil. Claro que para isso também muito contribui o milagroso efeito dos antidepressivos mas de qualquer maneira gosto de acreditar que ela aprova o novo poiso. Por falar em antidepressivos, parece que as ordens do veterinário são para começar a parar por esta altura. Eu estou renitente, até porque aprecio dormir entre as 5h até às 8h, mas também não posso estar a drogar um animal só para garantir o meu conforto. Ou posso...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas estão lentamente a ir ao lugar. E parece tudo tão bem que o santo começa a desconfiar. Qualquer dia abro a porta da casa e está um corcunda a arrastar um cadáver para a casa ao lado, ou assim. Sinto que alguma coisa de terrível está para acontecer, que estou apenas iludido sem querer ver o buraco fétido e lamacento onde me fui enterrar, mas vou ter de esperar mais alguns dias para ter a certeza. As coisas também não podem ser sempre à minha vontade. Aprendi isso em criança, numa das minhas festas de anos em casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(música e efeitos visuais indicativos de flashback)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela altura, a minha lista de convidados contava com 19 rapazes e uma só rapariga (normalmente era a mais feia da turma porque era insuspeita, não podia correr o risco de convidar uma gira porque depois toda a gente ia achar que eu gostava dela. Todos nos protegíamos criteriosamente nesse aspecto). Houve um ano em que em vez de uma convidei duas, o que era só por si um grande acontecimento, e decidi que iria organizar um concurso de dança em minha casa. Um concurso de dança com 18 rapazes e 2 raparigas. Adivinhava-se espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, preparei uma cassete com uma cuidada compilação de música de dança. Recorri ao que tinha em casa. Queen, portanto. Uma banda que animava as discotecas pelo mundo fora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, recapitulemos: um rácio absolutamente desequilibrado de miúdos e miúdas com o fenomenal elo de ligação de um tipo de música que, tipo, não dá para dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sempre a achar que a ideia era genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da festa de aniversário, eliminei logo o primeiro problema ao seleccionar dois rapazes da minha preferência. Os outros todos podiam enfiar os croquetes e os rissóis de camarão no cu porque eu tinha um concurso de dança para promover. O júri era eu, claro. Só. Isso nem se questionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfiei-me no quarto com os dois casais, vermelhos como tomates e envergonhados como noviças no Cinema Olympia, e coloquei a cassete dos Queen a tocar. Eles, parados a olhar uns para os outros, tentaram dizer-me que tinham dificuldade em dançar ao som daquele tipo de música. Eu mandei-os improvisar e fui sentar-me junto á parede com um bloco e uma caneta nas mãos (suponho que para dar notas) e com um sorriso entusiasmado na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não dançavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formando dois pares, com os "bailarinos" de frente um para o outro, flectiam nervosamente os joelhos e mexiam as mãos de forma descoordenada. Só para deixar satisfeito o aniversariamente que começava a ficar irritado com tamanha falta de jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As queixas eram muitas... Que não estavam a sentir o ritmo. Que não lhes apetecia. Que não era o momento certo. E os minutos sucediam-se fazendo abater-se sobre o quarto um denso manto de desconforto e ira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dada altura, passei-me da marmita. Aquilo era demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante a passividade dos meus convidados berrei com todas as forças que as minha jovens artérias me proporcionavam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EHPÁ DANCEM!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(piscar de olhos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(as lágrimas a escorrer silenciosamente pelas caras dos meus amigos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(gemidos surdos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(mais flectir nervoso de joelhos e movimento descoordenado de mãos, agora com maior intensidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, isto não está a resultar. Vamos mas é voltar para junto dos outros. - acabei por concluir eu, perante a debandada mais rápida de seres humanos que alguma vez testemunhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(música e efeitos visuais indicativos de fim de flashback)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mesma noite o meu pai explicou-me que o que fizera fora extremamente desumano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extremamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse o meu pai Staline ou Mussolini acredito que o teria enchido de orgulho. Mas como não era, nem nunca foi, a reacção foi de grande preocupação e, porque não dizê-lo, de algum medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, ele tinha toda a razão. Em que é que eu estaria a pensar... "EHPÁ DANCEM!!!"??? E o teatro todo antes... Mais valia ter acrescentado "PALHAÇOS" também. Já que estava com a mão na massa. "EHPÁ DANCEM, PALHAÇOS!!!" Ao menos teria sido coerente do princípio ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esse foi um momento de viragem, a partir daí jurei não me impor demasiado a ninguém.&lt;br /&gt;E sei que a vida não me dá obrigatoriamente aquilo que acho que devo ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, parece que agora corre tudo muito bem com a casa e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se as coisas derem para o torto, de nada me valerá voltar a berrar "EHPÁ DANCEM!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou valerá...?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6656008370398470452?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6656008370398470452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6656008370398470452' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6656008370398470452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6656008370398470452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/08/ehpa-dancem.html' title='EHPÁ DANCEM!!!'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6582661107309684940</id><published>2011-06-28T14:22:00.001-07:00</published><updated>2011-06-29T02:57:17.251-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Tudo o que você queria saber sobre camionetas... e tem vergonha de perguntar</title><content type='html'>Quem é que aqui odeia autocarros?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero ver mãos no ar... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ena tantas!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São cá dos meus!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Odeio autocarros sim senhor e não tenho vergonha nenhuma de gritá-lo aos sete ventos. Aliás, já o fiz aqui mesmo neste canto internético obscuro há uns quantos anos atrás, num post bem &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2007/02/carripana-de-satans.html"&gt;velhinho&lt;/a&gt;. Na altura, apelidei-os singelamente de "carripanas de Satanás" e quem tem de andar neles todos os dias não pode deixar de dar-me razão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se por outro lado aparecer alguém activista das vis transportadoras de gado humano a mandar-me enfiar as opiniões onde o sol não brilha, a existência de tais criaturas faz com que possa dizer que na minha vida já vi de tudo, a par do clássico porco a andar de bicicleta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, mas não quero alongar-me demasiado sobre o assunto. Aquilo que me traz aqui hoje é algo ligeiramente diferente... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dado este meu ódio de estimação não é senão irónico quando me vejo, por razões profissionais, a ir e vir a Beja todas as semanas de camioneta. Não que tenha sido a minha primeira escolha, a camioneta. É que fazer a viagem de carro obrigar-me-ia a passar boa parte do mês sem ter mais do que aquelas folhas velhas de alface que ficam caídas no chão dos supermercados para comer, por não sobrar qualquer dinheiro depois da gasolina e das portagens... E parece que também houve alguém genial que achou que haver comboios para Beja era coisa de finórios e que o melhor era acabar com essas mordomias do catano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Restou-me a porra da camioneta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que, diga-se de passagem, é perigosamente semelhante com "aquele que não dizemos o nome".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Três horas e meia para lá, três horas e meia para cá, sete horas no final do dia... Nem interessa o que vou lá fazer, tanto sacrifício devia valer-me já a canonização e a definição de mártir. Aqui entre nós, não sei bem que benefício me trariam estes títulos ou se me ajudariam a arranjar emprego, mas com certeza não hão-de prejudicar o meu curriculum vitae. Conto é com vocês para tratarem das papeladas com o Vaticano que eu sinto muito cansaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ora bem, o que tenho eu a concluir depois de quase dois meses nestas andanças? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não sou homem suficiente para andar de camioneta. Isto, tal qual. Nos dias de viagem, chego à rodoviária por volta das 6h30. Só para verem a estaleca deste menino. Estaleca que nada tem a ver com virilidade, diga-se. Depois de comprar o bilhete dirijo-me para o café onde bebo a primeira bica do dia. Recentemente, numa destas minhas incursões matinais à cafeína testemunhei a acção de um homem negro que, abrindo a goela como uma avestruz, espetou um copanázio de brandy no bucho mais depressa do que me levou a dizer "CUIDADO, VAI EXPLODIR!!!" Com um cartão de visita destes, tomei logo respeito às camionetas e às pessoas que as frequentam. Sei que sou apenas um estagiário nisto do "camionetismo" (está inventada a palavra) porque se me atrevesse a fazer escorregar uma pomada daquelas pela traqueia adentro assim de manhãzinha faria o caminho de volta borrando-me e largando golfadas de vómito a cada passo até à porta do veículo. Um percurso assim não seria nada honroso e condenar-me-ia a ser gozado em cada viagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;meta charset="utf-8"&gt;&lt;div&gt;2.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A malta olha de lado para os betinhos que gostam de sentar-se nos lugares que estão no bilhete. Fosse aquilo uma escola C+S e não uma camioneta, muito calduço havia de assentar no pescoçame de quem andasse com o papelinho na mão à procura do estofo correcto. Eu sei porque fazia isso no início até uma velha me mostrar os caninos da dentadura, rosnando em ameaça. Eu disse-lhe que era só enquanto as outras pessoas não se sentavam, por uma questão de respeito pelo próximo e para não estar a ocupar a cadeira de alguém. Mas ela começou a resmungar, dizendo que era estúpido eu querer aproximar-me a menos de meio metro de uma pessoa sendo que a camioneta ia vazia. E tinha a sua razão, o raio da velha. De facto, só um tarado gerondófilo faria tal coisa... Ou então um palerma como eu. Contive-me uns segundos mais ao seu lado, suando abundantemente da testa, à espera do momento certo para sair daquele que era afinal de contas o lugar que me estava destinado pelo bilhete e ir para um dos outros lugares vazios. Até que, ligeiro como um esquilo, ou então tão ligeiro quanto o meu corpo me permite ser, saltei do lugar e fugi sem olhar para trás, procurando ignorar um resmungar ainda mais intenso da velha morcega. Serviu-me de emenda e nunca mais me sentei no meu lugar. A isto chama-se aprender.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há malta que não sabe lidar com o enjoo. Pura e simplesmente, não sabe. Quando eu estou enjoado enterro dois dedos na garganta e trato do assunto à boa e velha maneira pirata. Não é nenhum drama nem ninguém morre por causa disso. No outro dia, a meio caminho para Beja, a camioneta parou e o condutor dirigiu-se até meio do veículo para auxiliar um passageiro em dificuldades. Era uma pensionista que estava prestes a vomitar, enjoada como uma vaca no matadouro e que, como não podia deixar de ser, aproveitava para desempenhar um longo papel dramático numa peça de sua autoria. Estivesse lá o La Féria e começava tudo a cantar e a dançar, erguendo a velha em braços de onde saltavam triunfantes a Anabela e o Carlos Quintas. Anyway... a mulher mostrava o seu mais profundo mal-estar através do balido monocórdico e inquietante:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quer água, minha senhora? (perguntava o estúpido do motorista que devia estar a fazer a porra do seu trabalho e a levar-me para Beja de modo a poder fazer o meu)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ela disse que ia para um funeral e que mal tinha dormido... Está mal disposta. (comentava uma velha que não conhecia a outra mas que fazia questão de relatar para todos os passageiros as conversas que tinham partilhado desde o início da viagem, por irem lado-a-lado)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olhe eu acho bem que já não vá a funeral nenhum porque senão ainda fica lá também! (dizia a velha número dois enquanto agarrava num saco de plástico que já continha no interior o vomitado da velha número 1, e quiçá também a sua dentadura. Aqui, tive de me rir).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tive vontade de me levantar do lugar e tirar a mulher do sofrimento apertando-lhe o gargomil. "AI AI AI O QUÊ?! PORRA! VOMITA COMO UM CÃO E MIJA COMO UM HOMEM A SEGUIR QUE EU TENHO DE IR TRABALHAR!!!" (não sei bem porque lhe gritaria tal coisa mas foi o que me ocorreu). Enfim, a velha lá se sentiu melhor e pudemos seguir viagem. Sem ser preciso aviar-lhe uma ou duas chapadas, o que acabou por ser mais simpático. Mas não ganhei para o susto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Existem camionetas melhores do que outras. De manhã costumo sempre comprar o bilhete de ida e de volta, mas como hoje por exemplo me despachei mais cedo, antecipei um pouco o regresso trocando a passagem na bilheteira. E a verdade é que acertei em cheio! A camioneta das 17h não só tem rede wireless para os passageiros como tem uma TV e até uma hospedeira.... Tipo as dos aviões. Calculo que aquelas que vão trabalhar para a Rede Expressos sejam as que chumbaram nos exames da TAP. A malta que anda de camioneta é que tem de levar com o refugo. No entanto, é engraçado ver a forma como ela fazia o seu trabalho fantasiando que estava numa aeronave. A maneira como fazia os anúncios por microfone aos passageiros, a forma como nos oferecia sandes prontas a comer, a doçura com que me pediu que baixasse o som dos meus phones... Confesso que esta não percebi. A música que estava a ouvir estava demasiado alta. Como se eu fosse um daqueles mitras com o rádio ao ombro a ouvir kizomba. Eu estava muito sossegadinho com o meu mp3 no bolso a ouvir a minha música, sem chatear ninguém e tive de baixar o som porque segundo a tipa "estava demasiado alto". Das duas uma, ou foi só p'ra me chatear (hipótese muito viável) ou então faz parte de um novo serviço de "saúde e cuidado". As hospedeiras das camionetas têm não só de se certificar que temos tudo o que precisamos para uma viagem confortável como também não avacalhamos os tímpanos com o ruído. 'Tá giro! Giro giro também era ver esta alminha ao lado do condutor da camioneta. Uma na base da carreira de hospedeira, outro no topo da carreira de motorista de camionetas. Cada um tem o que merece...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim tem sido a minha vida, além de tudo o resto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ansiando que estas conclusões me ajudem a sobreviver àquilo que ainda aí vem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E que um dia, quem sabe, consiga o financiamento para acabar de vez com tudo aquilo que se assemelhe a um pérfido e fedorento autocarro. Eu mando mails mas não me respondem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sovinas...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6582661107309684940?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6582661107309684940/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6582661107309684940' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6582661107309684940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6582661107309684940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/06/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre.html' title='Tudo o que você queria saber sobre camionetas... e tem vergonha de perguntar'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-5409976328897361021</id><published>2011-06-16T15:06:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T16:25:22.620-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>5 perguntinhas muito breves</title><content type='html'>Eu sei que tenho aparecido pouco neste nosso convívio... Por favor não batam mais no ceguinho, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei também que poucas coisas vos fizeram mais felizes nas últimas semanas do que não receber os meus sempre aborrecidos mails a sugerir para aqui virem ler disparate... Enfim, lamento retirar os sorrisos relaxados das vossas faces e chamar novamente à vossa atenção para coisas que são estúpidas e não têm interesse nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho andado ausente porquê?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamente pelas perguntas que marinam na minha cabeça e para as quais não encontro resposta. Isso é daquelas coisas que me tiram o sono, me roubam o cabelo (quem está perto de mim sabe do que falo... há pastagens na Etiópia mais férteis do que o meu couro cabeludo neste momento) e fazem tremelicar o olho esquerdo sempre que muda a hora. Ando cansado e com relativo stress.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso, por estar tão perto da insanidade, considero mais interessante passar o dia com dois copos de iogurte enfiados nas orelhas do que vir para aqui desabafar com um ecrã de computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dizia eu que nos últimos tempos estava a ser assombrado por perguntas, não era?&lt;br /&gt;Bom, então aqui vão elas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 PERGUNTINHAS MUITO BREVES QUE ME ESTÃO A ROUBAR O JUÍZO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque é que, quando eu era miúdo, não podia ver os filmes do Robocop?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?!&lt;br /&gt;É que eu via os outros todos... Mais e menos violentos. Via os Seagals, os Norris, os Van Dammes, os Stallones e os Schwarzennegers da vida... Porque não o raio do Robocop?! Ainda hoje não percebo qual era o critério do meu pai (por favor explica-me!) mas o que é certo é que só recentemente vi o raio do filme e continuo sem perceber. Ok, tem violência gratuita (sem contarmos com o dinheiro gasto no DVD, claro). Ok, tem partes ordinárias. Ok, tem alguma estupidez. Mas esses três ingredientes, sejamos sinceros, FORAM só por si os anos 90... Quem é que se lembra do "Big Show Sic"? Tinha tudo isto e muito mais! O facto de me ter sido negado o visionamento dos filmes do "Robocop" tem-me tirado o sono por duas razões: porque o conteúdo dos mesmos não era em nada inferior a qualquer dos seriados da autoria do Ediberto Lima e porque é cada vez mais evidente que não me resta grande sanidade nesta bola de bilhar parcamente peluda a que chamo de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque é que, quando eu era miúdo, não me deixavam comer Suissinhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Outra...&lt;br /&gt;Eu sei que como adulto deviam haver mais coisas com que me entreter. Mas só muito recentemente é que comi o meu primeiro Suissinho e isso temos de convir que é deprimente. Deprimente, sobretudo, também por duas razões: porque não há grande razão para mo terem negado no passado e porque é preciso lata e zero de amor próprio para um indivíduo da minha idade e tamanho sair do Pingo Doce com um Suissinho na mão. Vamos lá ver uma coisa: quando eu era pequeno, o conceito de alimento para mim era abrangente. Muito abrangente. Comia TUDO e DE TUDO... tendo especial cuidado para não ingerir coisas saudáveis ou que de uma certa forma me fizessem bem ao organismo. Nisso sempre fui criterioso, não vou mentir. Na altura, talvez achassem que o Suissinho era demasiado nutritivo e que, tendo eu aos 6 anos a compleição de um búfalo adulto, não precisava de mais energia e/ou gordura. Ok, respeito isso... Embora não tenha a certeza que fosse essa a verdadeira razão. Não foi fácil chegar aos 28 anos sem saber ao que sabia aquilo. Agora já sei mas continua a assombrar-me. Malditos queijos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque é que eu comprei uma casa há 8 meses e ainda não estou lá a morar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Bom, esta é a questão fulcral e aquela que me está a fazer enlouquecer a passos largos. Não é do meu feitio apontar dedos e responsabilizar gente. Mas a culpa é da minha mulher! Ok, talvez não seja só dela... Acho que é um pouco de toda a gente, de todos os seres vivos do mundo que de alguma forma se perfilaram com uma estúpida conjuntura de astros e forças gravitacionais (não sei do que estou a falar mas mais vale aproveitar o embalo e terminar este raciocínio idiota) para que simplesmente não fosse possível usufruir do imóvel que vou andar a pagar até transportar uma algália quando quiser ir ao cinema. Foi o empréstimo, foi a compra, foram as obras, foram os materiais, foi tudo e mais um par de botas. E agora parece que está quase mas claro que eu já não acredito nisso... Daqui a 15 anos se for vivo, pode ser que possa começar a colocar lá os meus tarecos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque é que a minha gata anda feita um docinho conventual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Esta é fácil: porque está a tomar anti-depressivos.&lt;br /&gt;E confesso que nunca fui tão feliz. A paz impera.&lt;br /&gt;Parece que a bicha começou a bater mal por ter saído da casa de Benfica, onde o vizinho cornudo gostava de enfiar valentes marradas na parede sempre que os decibéis subiam acima do limite estabelecido pelos mosteiros na Idade Média, e transitado para a casa onde estamos em Paço de Arcos. Ao que parece os gatos gostam pouco de mudanças e ficam stressados quando os obrigamos  a conhecer um novo ambiente. Não gostar de mudanças eu compreendo, agora ficar passado dos carretos por ter abandonado Benfica onde o conceito de dar os bons dias ao vizinho era escarrar-lhe na cara e urinar-lhe na caixa de correio, já me parece um pouco absurdo. Eu tentei dar-lhe algumas sessões de psicanálise mas como sou contra bater em animais desisti quando acabei por lhe partir uma vassoura no lombo. Os anti-depressivos foram o estágio seguinte, receitados pela veterinária que, mesmo tendo uma arma apontada à cabeça, conseguiu manter a calma e apresentar uma caligrafia perceptível. Portanto, aqueles que dizem que a "letra de médico é ilegível" deviam era calar o bico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque é que duas das perguntas que me assombram remetem ao passado e as outras duas ao presente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por razão nenhuma em especial... Estou é a trabalhar demais e, embora agora esteja de férias, continuo a acordar cedo para tratar de assuntos da casa e a bulir sempre que paro. Portanto, neste momento no meu cérebro não há passado nem futuro, há é uma grande bola de cenas, tipo uma miga alentejana gigante, onde se mescla informação. Agora, como é que isto se organiza já é outro assunto completamente diferente para o qual era necessário criar um departamento próprio. Para isso e para o chinês do Futre, que o episódio não está esquecido. Mas lá iremos que isto tem de ser uma coisa de cada vez. Mais uma ou duas semanas, dizem eles, já estarei na nova morada. E depois tudo será diferente. Ou não...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-5409976328897361021?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/5409976328897361021/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=5409976328897361021' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5409976328897361021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5409976328897361021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/06/5-perguntinhas-muito-breves.html' title='5 perguntinhas muito breves'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-5770047312399260564</id><published>2011-05-20T16:58:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T16:37:36.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O MUNDO VAI ACABAR... e eu não tenho roupa decente para vestir!</title><content type='html'>Ora então parece que hoje, dia 21 de Maio de 2011, é o Dia do Juízo Final.&lt;br /&gt;Digo isto mas atenção que não é o fim do mundo... Esse vai ser uns meses depois, no dia 21 de Outubro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Juízo Final é só uma espécie de ordem de despejo que vamos receber do senhorio-mor (para quem é burro e não percebe metáforas, estou a falar de Deus). Senhorio esse que, escusado será dizer, está farto de ouvir o disco do Toy que pomos a tocar em altos berros às tantas da madrugada, dia após dia desde há milhares de anos. Os últimos que fizeram isso têm agora as ossadas a apanhar pó em museus como o da Lourinhã e enfeitam a maior parte das lancheiras dos miúdos do ensino primário (uma vez mais a metáfora, burros do catano, falo de dinossauros). A grande verdade é que andamos há demasiado tempo a f***r de cima abaixo este T2+1 a que chamamos Planeta Terra. E por isso não O condeno. Se fosse eu o dono disto tinha corrido com esta cambada logo na semana 1. Era ver o primeiro macaco a desenhar uma cabra em Foz Côa e levavam todos um chuto no cu dali p'ra fora por vandalismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, quando vi na net a notícia de que hoje (mais logo, espero eu) as almas seriam julgadas e basicamente seria separado o trigo do joio, a minha reacção foi espontânea e imediata... Qualquer coisa como: "Atenção que também eu fiquei triste com o facto do Benfica ter ganho apenas uma mísera, e ranhosa se me permitem acrescentar, Taça da Liga, mas ficar tão desgostoso ao ponto de começar a apregoar o Fim dos Tempos parece-me um bocado extremo. Para o ano o Jesus compra mais cinco argentinos e a coisa resolve-se..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ao ler um artigo do Semanário Sol, reparei na frase inicial que rezava o seguinte: "Um movimento cristão norte-americano anunciou o 'fim do mundo' para 21  de Maio próximo, um ano e meio mais cedo do que a data 'prevista' pelo  calendário maia: 21 de Dezembro de 2012 (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, toda a minha perspectiva mudou de imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, se é um movimento cristão a dizer é porque é com certeza verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então norte-americano é a cereja no topo do bolo no que diz respeito a malta que não saberia mentir mesmo que quisesse. Isso e ninguém melhor do que indivíduos que acham que Portugal é um resort na Riviera Maya para dizer com exactidão uma coisa que nem o mais sábio dos sábios soube algum dia anunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma coisa que irrita no meio desta história toda. Os americanos têm sempre de ser os primeiros em tudo. Foram os primeiros a fazer de conta que foram à Lua, os primeiros a chamar desporto a um bando de bisontes com capacetes a correr agarrados a um melão e agora tiveram de roubar o protagonismo aos desgraçados dos índios (como se não bastasse todo o mal que lhes fizeram no passado) e anunciar o Fim do Mundo para um ano antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais é falta de consideração à minha pessoa. Ando eu a preparar-me física e psicologicamente para acabar em grande estilo em 2012, a treinar números de sapateado e a ver espectáculos do La Féria de enfiada, e agora tenho de antecipar todo um programa de festas porque os meninos querem ser eles a dizer quando é que acaba e quando é que não acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canalhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah e o dia do Juízo Final hoje também é uma rica prenda, sim senhor.&lt;br /&gt;Penso que consiste num princípio muito básico: quem for crente é sugado pelos céus a grande velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpa, mas não há maneira menos idiota de explicar isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas boas vão voar todas na vertical como se tivessem um míssil enfiado no rabo... E aquelas que estiverem dentro de casa suponho que, além de ficarem surpresas pelo súbito chamamento divino, também levarão com uma carrada de estuque emplastrada na testa que não será brincadeira. Mas enfim, serão salvas. E não é para isso que vivemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os outros ficarão aqui a ser julgados.&lt;br /&gt;E o facto de eu quase de certeza me inserir nesse grupo deixa-me deveras inquieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que a minha casa está em obras e eu tenho grande parte dos meus pertences em caixas de cartão. Significa que as minhas melhores roupas estão guardadas e não tenho nada decente para levar a tribunal. Já gente para me defender não estou minimamente preocupado, porque com o resgate das boas almas e a permanência de todas as más o que não deve faltar p'raí são juízes e advogados à procura de uma oportunidade. Agora, sem um fatinho minimamente como deve ser prefiro ficar em casa e fazer um requerimento por escrito para ser julgado noutra altura... Enfim, não me convinha nada estar com este tipo de problemas agora, francamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, até fico agradecido a mim próprio por pertencer à turma dos condenados. É que eu tenho um terrível problema de vertigens e se me sacassem por aí acima era bem capaz de me dar uma síncope antes de chegar às portas douradas de São Pedro. Isso ou despedir-me deste mundo de forma inglória e até vergonhosa, borrando-me vigorosamente pelos céus acima... Assim, posso ficar mal acompanhado com os outros bandalhos todos mas ao menos tenhos os pézinhos na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o Juízo Final, calculo que no telejornal das 20h já saiam os primeiros resultados: quem foi, quem não foi, quem arderá no inferno eternamente, quem absolveu o Pinto da Costa... Ao menos espero que não faltem fofocas e mexericos até Outubro quando é suposto irmos todos desta p'ra melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro esse que, convém dizê-lo, também é um péssimo mês para acabarem com isto. Ou ao menos façam-no depois das minhas férias que são durante esse mês. Seria terrível estar a bebericar cocktails em Havana ou na Fonte da Telha e vir um indivíduo trazer-me a conta e dizer-me para pagar depressa porque o estabelecimento vai fechar e o mundo também. Não sei quanto aos outros, mas eu ando a trabalhar o ano inteiro como um cão e isto custar-me-ia muito ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, agora já não há muito a fazer...&lt;br /&gt;Tinha coisas combinadas para o Natal deste ano e para Janeiro de 2012 e vou ter de desmarcar tudo por causa do raio dos fanáticos religiosos! Não há quem lhes enfie duas murraças na tromba e aplique um rotativo à Van Damme. Depois disso o Fim do Mundo já não lhes pareceria tão mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, o que tiver de vir virá.&lt;br /&gt;Pelo sim pelo não o melhor é continuar a escovar os dentes porque as cáries não são bichezas para terem medo cá de Apocalipses... O melhor é ir vivendo e ter juízo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Final!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(risos e aplausos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-5770047312399260564?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/5770047312399260564/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=5770047312399260564' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5770047312399260564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5770047312399260564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/05/o-mundo-vai-acabar-e-eu-nao-tenho-roupa.html' title='O MUNDO VAI ACABAR... e eu não tenho roupa decente para vestir!'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-5826358598810699910</id><published>2011-04-28T08:56:00.000-07:00</published><updated>2011-04-29T07:42:50.916-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>62 Considerações acerca dos últimos dias</title><content type='html'>Eu fiz parte do grosso magote de pessoas que decidiram aproveitar as mini-férias da Páscoa para ir desopilar por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro porque se é para desopilar, aqui o menino desopila sempre em grande estilo. Depois porque com os FMI's a dar-nos na pá, o Benfica a levar na pá e o stress do dia-a-dia a esgotar-me a pá (não tenho bem a certeza do que isto quer dizer mas agora está dito está dito)... Estava mesmo a precisar de me pôr a milhas desta trapalhada toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, tenho obviamente considerações a tecer acerca dos últimos dias, da viagem e não só. E vai em jeito de lista que isto tudo misturado não dá texto nenhum que se preze...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faço-me à estrada logo na noite da 5ª feira, depois do trabalho. Isto enquanto parece que Deus está determinado a afogar a Terra em chuva só para se entreter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cago na chuva porque me rio na cara do perigo e, sempre que posso, efectuo valentes manguitos aos maricas que decidem esperar pela manhã seguinte para fazer a viagem em segurança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antes de ir, janto num restaurante ao pé de casa e, perante a incapacidade da minha mulher em comer dois dos bifes de perú da sua travessa, peço para os levar embrulhados na esperança de encontrar um cãozinho abandonado e faminto mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A empregada do restaurante fica claramente a pensar que os bifes são p'ra mim e que eu sou deprimente... Mas no fundo ela é que serve à mesa num restaurante manhoso e não eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sendo que vou eu a conduzir, a minha mulher acha boa ideia levar os bifes no banco de trás ao invés de os colocar na bagageira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que, aliado ao facto de não podermos abrir as janelas por causa da chuva, abençoa a viagem com o sempre inebriante e agradável pivete a alho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O destino: Zambujeira do Mar. O condutor: eu. O que é que isto está a pedir? Sarilho, evidentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois de andarmos perdidos durante uma série de quilómetros, chegando a Odemira vemos a estrada cortada porque... sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se era boa ideia colocar um aviso uma meia hora atrás: ERA! Mas não era a mesma coisa porque assim não andávamos nós às voltas no Alentejo profundo de madrugada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chove na Zambujeira. Não conseguimos deixar de antever os belos dias de praia que nos esperam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cães abandonados e famintos nem vê-los. Deixamos os bifes na bagageira do carro e vamos dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dilúvio até de manhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dia 2: o tempo está rafeiro mas já se aguenta melhor. A TV só tem os canais nacionais, o que me permite assistir a uma inteligente conversa entre Manuel Luís Goucha, Cinha Jardim, Lili Caneças e outra velha que nunca vi mais gorda. O ponto alto é quando esta última diz a palavra "merda" gratuitamente. O público ri e aplaude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim, depois de vomitar o pequeno almoço, faço uma visita de reconhecimento pela Zambujeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há cães abandonados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem famintos, tão pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda assim, vamos resgatar os bifes à bagageira do carro e dirigimo-nos para a zona da praia com a intenção de almoçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No final da refeição, reparamos que o vinho não vem na conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu primeiro pensamento é de que se trata de cortesia da casa, dado que sou uma celebridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu segundo pensamento é que confundo muitas vezes o conceito de celebridade com o de palerma e, como tal, continua a não haver razão para a porra do vinho não estar na conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque inegavelmente sou um palerma, alerto para o lapso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedem-me desculpas (?????) e acrescentam o valor à conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pago e vou-me embora. Com o almoço a bailar-me no estômago ainda por causa do programa da manhã da TVI...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uns metros à frente a minha mulher apercebe-se que deixou os bifes embrulhados na mesa do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá-me um valente chilique derivado da vergonha e, entre guinchos animalescos e espasmos musculares, fujo para longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Portanto, o que se passou foi o seguinte: não só chamei à atenção por não ter pago o suficiente como ainda lhes deixei dois bifes para abater na despesa. No que toca a restaurantes, sou um cliente de sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mesmo não estando tempo para isso, vamos até à praia e deitamo-nos na areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para saltar dali minutos mais tarde porque começa a chover outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No entanto, o breve contacto entre os nossos casacos e a areia húmida é o suficiente para os deixar para o resto das férias com o fétido aroma a urina de qualquer ser que não o humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coisa que não contribui para a nossa popularidade nos restantes dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- À noite, vejo pela primeira vez o "Portugal tem Talento" e logo a grande final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bárbara Guimarães entra em palco mascarada de Lady Gaga e participa numa interessante e exótica coreografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto a isto, dois aspectos: a mulher apresenta sinais inquestionáveis de insanidade e alguém lhe devia dizer que fazer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;playback&lt;/span&gt; com a boca p'ró lado não é sexy... é sinal de que se teve um AVC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dilúvio até de manhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apercebo-me que o filho mais velho da falecida princesa Diana se vai casar porque não se fala de outra coisa na TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Constato que o puto tem melhor gosto para as mulheres do que o pai, que por livre e espontânea vontade entregou o coração a um estafermo que parece ter apanhado com uma betoneira em cheio no trombil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lembro-me que o Carlos e a Diana eram um casal intrigante. Ela confessou tê-lo traído com alguns tipos, nomeadamente militares. Ele enganou-a repetidas vezes com aquele aborto mal parido de ogre e, mais tarde e já viúvo, até casou com a criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Portanto, na minha maneira de ver as coisas, há um nome para cada um. Princesa Diana: adúltera. Príncipe Carlos: maluco dos cornos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pronto, o filho agora, e apesar de estar a ficar careca, diz que vai casar-se muito em breve. E parece que um dos enviados especiais da TVI a Londres para fazer a cobertura do acontecimento vai ser Manuel Luís Goucha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A TVI arrisca-se assim a nunca mais poder pisar solo inglês... Mas admiro a iniciativa e a coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Além de boa televisão, os dias que se seguem trazem também boa comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falo de migas com entrecosto, salada de polvo, choquinhos fritos e feijoada de búzios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falo também do bom e velho Guronsan para ajudar a digerir estas zurrapas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Benfica ganha a Taça da Liga o que, para ser sincero, não me faz assim grande diferença. É só mais um tareco para eles lá terem a apanhar pó. E ainda por cima a taça é preta, onde se nota ainda mais a sujidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se fosse eu, quando fosse jantar depois do jogo deixava-a no restaurante como deixei os bifes. Sempre era menos uma coisa a empatar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que estou a ser mau, que é sempre melhor ganhar do que perder. Mas depois do desaire na Taça de Portugal permitam-me o direito à crueldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os díluvios amainam... No dia do regresso está um maravilhoso sol de Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fico emocionado pela forma engalanada como a vila decide despedir-se de mim. Tanto que me apetece lá detonar uma bomba como agradecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho ainda tempo de ver a actriz Guida Maria a interromper uma das suas peças dedicadas à vagina e a deslocar-se a um estúdio de televisão para comentar a actualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Constato pela primeira vez que prefiro ver uma mulher de 50 anos a falar de orgãos sexuais do que a exprimir opiniões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aparentemente quando não está a falar com ou de vaginas, Guida Maria está a dizer merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava consternada por ver tanta gente a ir de férias, a rumar ao Sul, em tempos de crise. "Parece que a crise afinal é só em minha casa", exclamava ela em tom esganiçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Melhor seria se as pessoas ficassem todas em casa a contar os tostões, não gastassem dinheiro nenhum e a nossa economia estagnasse... Isso é que era de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas no fundo sou obrigado a concordar com ela. Este ponto de vista prova que há de facto uma crise intelectual que reina em sua casa... Já vaginas há com fartura e ainda bem, que o bom teatro não vive sem elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda cedo, para não apanhar trânsito, o regresso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a vez da minha mulher assumir o volante. Tudo corre bem até passarmos por alguns campos de pasto onde se encontram vacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A minha mulher adora bichos. Fica embevecida a olhar p'ra eles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- P'ra eles e não p'rá estrada, onde se dirige a grande velocidade na direcção de um veículo parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Berro como se estivesse a dar à luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os meus olhos do tamanho de pratos de sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela apercebe-se a tempo de evitar o nosso falecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E é encharcado em urina que regresso a casa duas horas e picos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-5826358598810699910?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/5826358598810699910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=5826358598810699910' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5826358598810699910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5826358598810699910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/04/62-consideracoes-acerca-dos-ultimos.html' title='62 Considerações acerca dos últimos dias'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6836615435520196299</id><published>2011-04-11T15:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T15:44:25.045-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bonecadas'/><title type='text'>Eu por outros lados</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-mtgVNtjV47U/TaOBOHDRbJI/AAAAAAAAB8A/GiKiTxP0px0/s1600/SaguimSaudoso_web.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 380px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-mtgVNtjV47U/TaOBOHDRbJI/AAAAAAAAB8A/GiKiTxP0px0/s400/SaguimSaudoso_web.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594457241535212690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Então não é que em amena passeata pelo mundo da internet fui dar com um boneco da autoria da minha amiga ilustradora e muito talentosa artista Mariana Perry, a partir do meu último texto "Eu por cá"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem verdade, sim senhor. Muito lhe agradeço a gentileza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retribuo com um elogio ('Tá do catano, Mariana!) e com alguma publicidade ao seu excelente trabalho. Checkem o seu &lt;a href="http://mp-bloguediario.blogspot.com/"&gt;blogue de ilustração&lt;/a&gt;, o de &lt;a href="http://mp-bd.blogspot.com/"&gt;BD&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://www.behance.net/studio117"&gt;Behance&lt;/a&gt;. É do melhor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6836615435520196299?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6836615435520196299/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6836615435520196299' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6836615435520196299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6836615435520196299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/04/eu-por-outros-lados.html' title='Eu por outros lados'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-mtgVNtjV47U/TaOBOHDRbJI/AAAAAAAAB8A/GiKiTxP0px0/s72-c/SaguimSaudoso_web.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-4117153457218810060</id><published>2011-04-09T13:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-09T14:43:46.903-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Eu por cá</title><content type='html'>Enquanto escrevo estas linhas o meu amor está provavelmente a passar momentos inolvidáveis de diversão infantil na Eurodisney...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, aquela que fica em Paris de França.&lt;br /&gt;Na empresa onde ela trabalha acharam que era boa ideia comemorar o aniversário levando toda a gente para lá... E, até aí, estou plenamente de acordo. Acho que é de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que às vezes bate aquela saudade...&lt;br /&gt;Parece que foi ontem que a senti partir de madrugada para esse pássaro alado com penugem de metal a quem as pessoas civilizadas chamam de avião. E sim, parabéns àqueles que detectaram a piada fácil, foi mesmo ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu coração parece que foi há mais tempo, tal é o sentimento que nutro por esta mulher.&lt;br /&gt;Em momentos como este apetece-me encher o peito de ar, correr como doido até à janela aqui de casa, abri-la com um empurrão animalesco e gritar a plenos pulmões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O QUE É QUE EU COMO?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, que... E, por favor, não me interpretem mal que eu não sou nada machista... Sou é muito pouco hábil no que diz respeito à nobre arte da culinária. É certo que já fui mais esforçado no passado, não vou negar isso, mas a minha tendência natural para a trapalhice numa actividade que incide num sentido tão picuinhas como o paladar, esta minha coordenação motora digna de um cabeçudo do Carnaval de Torres revela-se um verdadeiro desastre. Relembro com algum saudosismo os telefonemas que fazia à minha avó na busca abnegada por receitas, dicas, qualquer coisa que me fizesse mostrar a porra de um lado sensível à minha mulher e assim convencê-la a ficar comigo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as coisas nem sempre corriam bem... Aliás, raramente...&lt;br /&gt;Uma das vezes, a minha querida avó ensinou-me via telefone a fazer bifes marinados em vinho tinto. E eu, bruto que nem uma bigorna de vinte toneladas, lá fui à garrafeira de casa dos meus pais e fiz tal e qual ela me tinha instruído. Apenas na altura em que a minha cara-metade se queixou que os bifes tinham um sabor estranho eu comecei a desconfiar de que algo de errado se passava com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não tinham um sabor nada estranho... Se esse sabor pertencesse a um torrão de Alicante encharcado em caramelo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam doces como tudo.&lt;br /&gt;E o mistério foi rapidamente solucionado quando percebi que não tinha sido com vinho que tinha marinado o raio dos bifes... mas sim com jeropiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado não é tão brilhante quanto possam pensar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sem querer assumir o erro, forcei-nos a acabar a refeição dizendo que era exactamente aquilo que queria fazer e que o sabor agridoce dos bifes (mais doce do que agri é certo) era fruto de uma receita exótica que eu tinha querido experimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a Deus que havia guronsan disponível na caixa dos medicamentos porque as horas que se seguiram foram tudo menos agradáveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí tanto eu como ela percebemos que há tarefas para as quais definitivamente não sou talhado. Ela é dotada de um talento mais do que razoável para a cozinha. Eu sou excepcionalmente bom a espojar-me no sofá e a jogar playstation. Não são tarefas fáceis mas alguém tem de as fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas e por outras ela faz-me falta.&lt;br /&gt;Mas não deixo de me sentir contente por saber que se está a divertir. Isto embora eu também não esteja nada mal servido aqui em Paço de Arcos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Eurodisney tem um rato.&lt;br /&gt;E eu só cá em casa tenho uma gata e uma coelha.&lt;br /&gt;Portanto, em bichezas de orelhas proeminentes já estou a ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, têm o Pato Donald.&lt;br /&gt;E aqui à volta há pombaria que nunca mais acaba.&lt;br /&gt;Não se vestem à marinheiro mas cagam os prédios como se fizessem parte das tropas especiais. Também aí está ela por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, parece que também há por lá a montanha russa do Indiana Jones.&lt;br /&gt;E eu aqui perto tenho o SATU do Oeiras Parque.&lt;br /&gt;Pronto, aí tenho de dar o braço a torcer... Adrenalina é coisa que não abunda naquela carruagem. Mas ao menos vou mais à larga porque aquilo está sempre vazio. Por isso acaba por compensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ela por lá e eu por cá com todas as minhas limitações.&lt;br /&gt;Limitações essas que não são assim tantas... É importante deixar aqui bem explícito que não preciso da ajuda de ninguém para me vestir ou para tomar banho. Isto embora há quem diga que não me fazia falta nenhuma uma mãozinha na hora de escolher os trapos que ostento no corpo, no dia-a-dia, dada a combinação de cores e de tecidos. O que para mim é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;avant-garde&lt;/span&gt; para os outros é apenas bizarro. Eu bem tento explicar que todos os grandes génios sofreram no seu tempo e que se calhar as gerações vindouras ainda hão-de dar-me razão mas nem eu próprio acredito muito nisso... É apenas algo que digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, e a ausência da minha mulher faz-me compreender isso, sou como um porquinho-da-índia que não deve ser deixado sozinho sem ração na tigela nem água no bebedouro. Portanto, se algo me acontecer entretanto, se começar a ficar com o pêlo pouco sedoso ou com os incisivos a lascar a culpa é dela e só dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo sim pelo não, vou dedicar o dia de amanhã a roer-lhe os objectos de uso pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto que tão cedo não repete a gracinha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-4117153457218810060?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/4117153457218810060/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=4117153457218810060' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4117153457218810060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4117153457218810060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/04/eu-por-ca.html' title='Eu por cá'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-2928442628651781719</id><published>2011-03-27T15:50:00.000-07:00</published><updated>2011-03-29T06:28:28.509-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Escolhas da treta</title><content type='html'>A vida é feita de escolhas, lá diz o cliché.&lt;br /&gt;Atenção que não estou a referir-me a um indivíduo francês com esse nome, mas sim ao lugar comum, a um conceito batidíssimo que se faz repetir há anos e anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida é, de facto, feita de escolhas.&lt;br /&gt;E eu, com impressionante recorrência, escolho mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo sempre, há alturas em que acerto como no dia em que escolhi a mulher com quem partilho a vida ou no momento em que achei que era rabichola ter demasiado cabelo e optei pela calvície. Em ambas as situações, considero que movi a peça certa do xadrez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não consigo lembrar-me do número absurdo de vezes que, tendo perante mim um quadro de 50/50, optei pelo resultado que se revelou mais catastrófico. Exemplos concretos, existem e muitos. Mas eu prefiro relatar os dois que estão mais fresquinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao primeiro, estava eu a ver TV no sossego do meu lar...&lt;br /&gt;Ok, esqueçam esta última parte porque no meu lar raramente há disso. A ideia mais realista que tenho de sossego entre quatro paredes é quando a gata está tão exausta de me f***r o juízo que jaz inerte, de patas voltadas e olhos abertos, ofegante como uma bomba de tirar água, a recuperar o fôlego antes de me voltar a azucrinar o juízo até ao limiar da insanidade. São esses quinze minutos diários aqueles que compõem a minha ideia de... sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pronto, num desses deliciosos intervalos vi um anúncio que promovia a nova cerveja Sagres Preta com sabor a chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que imensa idiotice, pensei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que brutal atrocidade, reflecti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUE BESTIAL MARAVILHA QUE TENHO DE SABOREAR O QUANTO ANTES, concluí!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, na verdade eu sou como as avestruzes. Adoro coisas brilhantes e raras são as vezes que não vou lá meter o bico. Além disso, há quem diga que entre mim e os apalermados passarocos, o cérebrozinho é de tamanho idêntico. E às pessoas que dizem isso está prometida uma bicada nos cornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante...&lt;br /&gt;Depois do momento divino em que visualizei a publicidade à cerveja, contaram-se pelos dedos de uma mão os segundos que demorei a sorver às goladas o misterioso néctar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi logo na próxima sessão de compras semanal com a minha mulher, já estávamos nós na caixa a meter as mercearias nos sacos quando me lembrei do importante item em falta e dei uma corrida até aos escaparates das cervejas. Surgi com um pack de seis, sorridente e feliz da vida. Disse que não podia esperar muito mais para provar o tesourinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Olhe que pode levar só uma garrafa... Se é só para provar...", disse a senhora da caixa, deixando fluir a voz da experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Não senhora, que depois aproveito e partilho com amigos...", disse eu, confiante da minha escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sou agora capaz de declarar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... com toda a legitimidade e conhecimento de causa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... que é talvez a MIXÓRDIA MAIS MAL SABOROSA QUE JÁ ALGUMA VEZ ME PASSOU PELA TRAQUEIA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção que eu não posso comprovar em absoluto a seguinte comparação.&lt;br /&gt;Mas o sabor desta beberragem será apenas comparável ao da URINA INFECTADA DE UM ALCOÓLICO DIABÉTICO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem álcool... Tem um travo a cerveja... É doce... Tem um travo a chocolate... É horrível... Tem um travo a fezes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora tenho aqui mais cinco garrafas destas no frigorífico sem que ninguém no seu perfeito juízo lhes queira pegar! Não vou oferecer isto a amigo nenhum porque seria o equivalente a oferecer-lhe o quisto lancetado de um morcego: é fedorento e não serve para nada. Mas, ao mesmo tempo, esta porcaria custou dinheiro e custa-me enfiá-la assim no lixo sem mais nem menos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, cruel dilema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tão cruel como o jantar de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, agora as pessoas mais maldosas dirão "este agora pensa que, depois &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2011/02/enfim-uma-pitada-de-jindungo.html"&gt;do que aconteceu com o Barra do Quanza&lt;/a&gt;,  basta vir falar de restaurantes p'ró blogue para que tudo se resolva de maneira airosa e receba convites simpáticos para jantar à pala"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas maldosas, atentem nas minhas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EU NÃO VOLTO A ESTE RESTAURANTE NEM QUE ME SIRVAM SUSHI ENROLADO EM NOTAS DE QUINHENTOS, COM A JESSICA ALBA A MASSAJAR-ME OS PÉS COM ÓLEO JOHNSON E A CHAMAR-ME "COMANDANTE", OK?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem pó!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou-se o seguinte: ontem, depois de um evento, fui jantar com amigos. Como éramos muitos, e estávamos na zona da Avenida da Liberdade, sugeri que fossemos ao restaurante Indian Palace no Largo do Carmo. Não que o restaurante seja nada por aí além mas era o único que estava a ver acolher um grupo tão grande assim sem marcação prévia. Portanto, fiz a minha escolha e transmiti-a aos meus camaradas, colocando assim a cabeça no cadafalso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fomos e lá entrámos. E o início até nem fazia augurar nada de muito mau... apenas dez minutos até que nos sentassem. A malta ria e partilhava, bem disposta, que já tinha apetite. A malta desconhecia aquilo para que estava guardada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ementas demoraram mais de meia hora a vir. À terceira vez que perguntei por elas, disse-me o indivíduo que "estavam ocupadas". Aí, eu acalmei e percebi tudo. Para quem não sabe, ser ementa não é para todos, é uma ocupação exigente. Uma vez estive junto a uma ementa durante quinze minutos e não imaginam o número de telefonemas e de mails que ela recebeu, isto enquanto fazia a contabilidade de um sujeito de Odivelas e elaborava o programa de um grupo excursionista da Amora. Portanto, constata-se por este exemplo que "ementas ocupadas" é o que p'raí mais há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de três imperiais no bucho e de parte dos sorrisos já ter abandonado as faces da malta... lá vieram meia dúzia de ementas todas ao mesmo tempo. Isto enquanto os empregados corriam literalmente para a frente e para trás como se fosse hora de ponta em Bombaim ou o final de um filme de Bollywood. Eu já não sabia se havia de escolher o jantar ou de aplaudir o espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim... Escolhemos, pedimos e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... esperámos até perto da MEIA NOITE para começar a comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das duas uma: ou o serviço é mau ou esperaram que fosse nove da noite na Índia para servir a nossa refeição. De qualquer das formas, foi importante para nós comermos ao mesmo tempo de um qualquer estofador chamado Sangita... Depois ficámos foi com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jet lag&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra das razões do atraso devia ser o método de lavagem da loiça, porque pelo estado encardido dos pratos sou forçado a acreditar que os mesmo foram lavados no Ganges. Por isso, isto de andar sempre com sacas cheias de loiça para os aviões, p'raqui e p'rali, deve levar o seu tempo... Enfim, ca nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a mastigar, por entre uma garfada ou outra, ainda tivemos de lutar com um tipo que queria à força vender-nos uns óculos de plástico roxo que davam luzes das hastes. Não foi tarefa fácil.&lt;br /&gt;Sedentos de alimento e dada a ausência de colheres, todos raspávamos sôfregamente com os garfos as pequenas malgas de molhenga que constituía o nosso jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos nossos amigos resistia ainda e sempre ao invasor... Ou seja, o prato dele demorou extra-tempo a chegar e quando chegou veio com outro nome e com outros ingredientes completamente diferentes do pedido original. Marchou, tal era a fome. Mas só marchou metade porque a cena tinha mais picante do que a Cicciolina quando se orientou com o cavalo... Apenas deu para enganar a larica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, como se a minha escolha de restaurante não tivesse sido já suficientemente negra ainda houve improviso e discussão porque o tal prato que não veio diziam os indianos que veio e o que veio, e que quase rebentara as gengivas do nosso amigo à base de piri-piri, ao que parece também continha borrego e era caro como cornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tivemos de ver o indiano apontar para o nosso amigo e gritar "BORREGO!" em plenos pulmões como se nós estivessemos a negar que ele o tivesse comido... Um insulto que poderia muito bem ter dado início a um verdadeiro conflito "a la Martim Moniz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas quando uns de nós começaram a perder a cabeça e ameaçaram pedir o livro de reclamações os ânimos serenaram e foi tudo para casa com fome mas sem ter sido demasiado roubado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, "cerveja preta com chocolate" e "Indian Palace"... Duas escolhas erradas que podiam muito bem servir-me de lição mas que, sei bem, serão apenas mais duas achas para a lareira na qual arderei eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;By the way&lt;/span&gt;, diz que dou uma bonita chama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que com um cházinho e uma mantinha nos joelhos, proporciono momentos muito zen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valha-nos isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-2928442628651781719?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/2928442628651781719/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=2928442628651781719' title='14 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2928442628651781719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2928442628651781719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/03/escolhas-da-treta.html' title='Escolhas da treta'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-8412219351378318905</id><published>2011-03-12T15:15:00.001-08:00</published><updated>2011-03-12T16:40:49.150-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Com jeito vai...</title><content type='html'>Hoje foi um dia especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive presente na manifestação da "geração à rasca", que levou vários milhares de pessoas a inundarem as principais ruas da cidade e do país. Segundo os manifestantes, só em Lisboa estiveram cerca de 300 mil. Segundo certos meios de comunicação estiveram entre 100 e 200 mil. Já a PSP diz que estiveram 3 ou 4. E uma era coxa. Portanto, o mais sensato é apontar para o meio termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo saiu à rua num dia assim. E, mais uma vez, quem anda de autocarro sabe do que falo, o povo não tomou duche de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira foi bonito de ver, malta mais e menos informada a marcar presença num protesto que se quer o primeiro de muitos, verbalizando a insatisfação perante a pouca vergonha que por aí se passa, os constantes abusos a um povo, mais do que uma geração um povo, que é pacífico por natureza mas que não pode NUNCA tornar-se apático. Por tudo isto foi importante ver a malta que achou bem dedicar uma tarde de Sábado a algo mais do que ao seu próprio umbigo, não só por si mas também pelos outros. O povo pode cheirar a morto mas está bem vivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em cheiros, de boa qualidade o incenso que pairava no ar por aquelas paragens, hem? Não chegou para trazer um clima verdadeiramente zen à Avenida da Liberdade, pelo menos para mim, mas valeu a intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o ajuntamento, como era sabido, começou às 15h na Rotunda do Marquês do Pombal. Estava tanta gente que por momentos pensei que o Benfica tinha voltado a ganhar o campeonato e que lá ia o marquês levar com um cachecol enfaixado na peruca. Mas depois concluí que se assim tivesse sido estariam mais do dobro das pessoas. E é assim que deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, olhei para o céu e avistei um helicóptero que nos rodeava. Por momentos senti-me grato por estar em Portugal e não na Líbia a comer com um balázio na testa. Geração à rasca é de facto chato mas afigura-se-me que ostentar um buraco no crânio também tem as suas desvantagens. Adiante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os "Homens da Luta", personagens humorísticas interpretadas por Jel e irmão, lá estavam em pleno espectáculo. Não posso dizer que seja fã do Jel, pelo menos daquilo que conheço do seu trabalho, mas na variedade de estilos e figuras que encarnou esta deve ser aquela à qual acho mais piada. É uma caricatura, um cliché do revolucionário "tuga" inspirado em figuras do passado, um boneco que se quer fazer ouvir, quer fazer valer o direito à liberdade de expressão mas sem grande mensagem. Muito bem construído e na melhor altura, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu até acho bem que eles tenham ganho o Festival da Canção, embora não me ocorra agora nada menos importante do que isso. Há quem tenha feito petições para impedir estes "palhaços" de irem para o estrangeiro envergonhar Portugal. E isto eu até compreendo. Os estrangeiros que ficaram tão bem impressionados com os nossos Rui Bandeira, Dina, Luciana Abreu e indivíduo de quem já ninguém se lembra, Tó Cruz, só para citar alguns nomes, agora devem "virar o boneco" quando virem este circo a invadir a Eurovisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o povo gosta de desvirtuar.&lt;br /&gt;É isso e jogar à batota ou mastigar com a boca aberta.&lt;br /&gt;Mas quando não está a fazer isso está a desvirtuar.&lt;br /&gt;Aquilo que deveria ser apenas um número cómico está a tornar-se no próprio conceito da tal "geração à rasca", o hino que move esta multidão. E isso é mesmo muito preocupante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"QUEREMOS CERVEJA E TREMOÇOS" não é mensagem, caros amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"MÃE, ESTOU À RASCA PORQUE O PAI SÓ ME DEU 10€" é parvoíce, companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"QUEM NÃO SALTA É DO GOVERNO" também não faz muito sentido, compinchas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os "Homens da Luta" dizem que "Luta é Alegria", e aquilo que devia começar e acabar no sketch cómico acaba por ser assumido como verdade para parte dos jovens manifestantes. Para mim, não é nada disso. Para mim, luta é alegria quando já se conseguiram vitórias, quando há algo para festejar. Neste momento, a luta é desespero, é frustração e é a esperança que começa a faltar. Neste momento, fazer da luta alegria é aparvalhar... e é retirar credibilidade a um momento muito sério que tem obrigatoriamente de ser de viragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas claro que é sempre importante sorrir. E para isso muito contribui sempre o alegre cortejo dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;skinheads&lt;/span&gt;, uma simpatia para quem com eles priva e uma lufada de ar fresco em qualquer festa. Chegam, agitam as suas bandeiras, cantam o hino alegremente e lá vão eles espalhar a "boa nova" para outras paragens. Bem hajam, abençoados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é a aturar a estupidez/ignorância de uns e a apoiar a vontade/determinação de outros que chegamos à Praça dos Restauradores. Entre a multidão reparo num cartaz que jura "saudade" a Staline, a quem carinhosamente apelida de "Zé". Um Zé que, na História, é directamente responsável pela morte de milhões de seres humanos, entre torturas e coisas piores... pode ser um pormenor mas, não me lixem, é um pormenor relevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto leva-me a pensar na clara apetência que os portugueses têm pelos bandidos. É cá uma paixão que lhes temos, que até faz "borboletas no estômago". Então diz que na (re)tomada de posse do Presidente da República lá esteve o Valentim Loureiro e o Isaltino Morais. Tudo boa gente. Ah e parece que os Irmãos Metralha, o Hannibal Lecter e o Darth Vader também foram convidados mas já tinham outros compromissos relativos à criminalidade. Fica para a próxima, de certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Restauradores avistam-se também alguns burgueses que apreciam o espectáculo das varandas dos hotéis. Sei bem que a sua vontade era ir buscar potes de azeite a ferver e derramá-los sobre a plebe, como nos bons velhos tempos, mas fico grato que tenham abdicado desse "direito". É que o azeite a ferver é uma chatice para tirar da roupa, são nódoas que não saem nem por nada, e eu detesto ver a minha mulher a esfregar-me o casaco pela tarde fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rossio, acabam então as "festividades". O Falâncio toca os últimos acordes na viola, a freakalhada dá os últimos goles nas litrosas e um indivíduo idoso efectua uma dança de acasalamento perante a vendedora de uma loja de pronto-a-vestir. Portugal é isto, não vale a pena negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma vez mais repito: esteve lá muita gente e isso é animador.&lt;br /&gt;Para a semana há nova manifestação, desta vez organizada pela CGTP, mais ou menos pelas mesmas razões. Agora é ver quem vai voltar a ir e quem vai usar a desculpa de que como já foi hoje ganhou o direito de voltar a dedicar-se ao umbigo. É que mexer com as coisas exige empenho, dedicação, não é picar o ponto uma vez e achar que se ganhou alguma espécie de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; status&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou dormir, que hoje inalei mais incenso do que um hindu em hora de ponta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-8412219351378318905?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/8412219351378318905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=8412219351378318905' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8412219351378318905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8412219351378318905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/03/com-jeito-vai.html' title='Com jeito vai...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-2153012005446255978</id><published>2011-02-23T16:42:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T18:28:01.277-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Até que a morte os separe</title><content type='html'>Bom, já não vale a pena tentar ocultar por muito mais tempo aquilo que é evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha gata arranjou namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que poucas coisas na vida me prepararam para isto, mais dia menos dia vou ter de a chamar à parte para termos "a conversa", mas pai é pai e eu só tenho de dar o meu melhor nessa matéria. Bem vistas as coisas, este relacionamento só me causa verdadeiro transtorno por volta das 6h30 da manhã, quando a bicha decide vir agredir-me os tímpanos à base de guinchadeira, para que lhe abra a porta da marquise e a deixe ir para junto do seu amor. Então, o que acontece é que eu me levanto com o aspecto e a disposição de um ogre ressacado, tento fazê-la parar de chiar com um ou dois biqueiros bem aviados, e quando dou por mim minutos mais tarde aos patardões à mobília, lá lhe faço a vontade e depois volto p'rá cama. É que esta brincadeira ainda aleija.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, posto isto não mais ouço o vil felino até à hora de me levantar para ir para o trabalho. É remédio santo.&lt;br /&gt;Ela sobe para um escadote que está junto à parede e fica especada a olhar para o vidro que separa a marquise do prédio ao lado. Um vidro fosco, mas que antecipa a silhueta do seu mais que tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu nem me importaria assim tanto se a sua paixão não fosse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... na realidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM POMBO MORTO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, tal qual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá esclarecer uma coisa antes demais: eu odeio pombos. De morte.&lt;br /&gt;E atenção que este indivíduo, sendo pombo, até apresenta uma característica que eu valorizo neste tipo de passaredo. Que é estar morto.&lt;br /&gt;Mas confesso que desejava melhor para a minha gata, uma relação que lhe perspectivasse um futuro e que, acima de tudo, não lhe obrigasse a andar com o tão desagradável odor a cadáver no pêlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferente a este aspecto, TODO o tempo livre que a bicha tem é para ser passado de maneira inerte e lânguida a olhar para a desgraçada silhueta por detrás do vidro fosco. E isto é quando tem acesso à marquise. Quando não tem, prefere azucrinar-me o juízo deixando bem explícito que não está onde queria estar. Ou seja, a olhar para um estúpido pombo morto que, sejamos sinceros, não vai a lado nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não percebo a malta nova de hoje em dia.&lt;br /&gt;E também não percebo como é que alguém, por mais idiota que pareça ou por mais pontiagudas que sejam as suas orelhas, pode achar piada a pombos... É que das garras nojentas à ponta do bico, passando pela penugem encardida e à extraordinária expressão de atraso mental no olhar, estes bichos não trazem nada de alegre ou positivo à minha existência. Absolutamente ZERO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu até acredito que hajam pombos a falar mal de mim também.&lt;br /&gt;Mentira, não acredito nada nisto porque os pombos não falam.&lt;br /&gt;De qualquer maneira, eles podem também não simpatizar comigo e por isso não me importava se entre nós houvesse um ou dois oceanos de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou chegar ao ponto de dizer que gostava de eliminar toda esta espécie da face da Terra. Acredito que este género de passarada sirva para alguma coisa, que tenha um qualquer importante papel no mundo como servir de acendalha para as lareiras ou de chop suey de frango nos restaurantes chineses, mas por favor que assim seja o mais longe de mim possível. Estaria até disposto, caso surgisse um projecto sério e com viabilidade, a permitir que substituissem todos estes animais na zona da grande Lisboa por cascavéis e víboras. Não me importava nada de estar a tomar café numa esplanada da Baixa e a sacudir cobras das calças ao mesmo tempo... Era um preço justo a pagar para correr com os imbecis pombos. O único problema seriam os idosos. Em vez de atirarem milho teriam de começar a arremessar ratinhos vivos nos jardins públicos, o que seria bizarro e, porque não dizê-lo, repugnante. Isto embora seja esta mais uma prova da má onda que é a pombaria. Apenas os efeitos regressivos e atordoantes da senilidade conseguem fazer com que um ser humano nutra algum afecto por eles. Portanto, estão a ver as peças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a minha gata perdida de amores por um destes bichos... Ainda por cima um que já bateu a bota há uns dias valentes! Haja estômago e paciência para aturar isto, senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por cima o buraco fétido e imundo que este palerma escolheu para falecer... Não lembra ao diabo!&lt;br /&gt;É nada mais nada menos que um espacinho minúsculo, de uns 2m por 20cm, que separa o prédio onde estou a viver da habitação ao lado. Um espaço que não serve para nada, mas que a existir estava-se bem de ver que era um convite à pombaria para fazer o seu pior. Em pouco tempo essa "miniatura de corredor" foi palco de defecação, camarata nocturna e leito de truca-truca para dezenas e dezenas de pombos. E este tipo de actividade, com o passar do tempo, gerou uma camada de caca, penas e sei lá mais o quê que nem quero imaginar, em cima da qual, estilo cereja no topo do bolo, foi assentar aquele que parecer ser o noivo da minha gata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonito serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com este ramalhete de maravilhas que tenho de lidar no dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se relativamente ao namoro da bicha não há muito que eu possa fazer, que é sabido que nestas idades se um tipo proíbe é pior a emenda que o soneto, já quanto ao facto de ter o cadáver de um pombo a desfazer-se perante a minha vista a coisa muda de figura. Vou mesmo ter de tomar providências...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã encarrego a minha mulher de tratar do assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-2153012005446255978?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/2153012005446255978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=2153012005446255978' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2153012005446255978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2153012005446255978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/02/ate-que-morte-os-separe.html' title='Até que a morte os separe'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-7367734393702277006</id><published>2011-02-16T10:18:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T16:40:28.354-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Enfim, uma pitada de jindungo</title><content type='html'>A vida tem coisas curiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não estou a referir-me aos indivíduos que costumam estar atrás das dunas a topar as gajas na praia. Falo dos pequenos pormenores que fazem a diferença no dia-a-dia e que dão um toque de especiarias à vivência de um tipo. Sei que há malta que não gosta particularmente de especiarias, longe de mim estar a querer comparar a existência a caril, mas para contar o que aconteceu penso que se adequa a imagem gastronómica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quem lê este blogue sabe que para mim "Dia dos Namorados" e "Desastre" são dois conceitos muito amigos. Tal como relatei em Fevereiro do ano passado neste &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/02/o-homem-bussola-ao-contrario-ii.html"&gt;post&lt;/a&gt;, eu quis levar a minha mulher a jantar fora, ao restaurante &lt;a href="http://www.barradoquanza.com/"&gt;Barra do Quanza&lt;/a&gt; em Belém, e no meio da ventania, do frio glaciar e da cascata incessante de água a embater-me na tromba, fui incapaz de encontrar o sítio e acabei a fungar e a comer pizza em casa. A sorte é que na altura tinha uma garrafa de tinto disponível e ao fim de três copos cheios parecia que não havia problema nenhum e que aquilo era um programa romântico como qualquer outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado praticamente um ano, e sendo que por causa deste episódio a minha mulher só voltou a dirigir-me a palavra há três meses, grande foi a minha surpresa quando recebi um comentário neste blog em nome do tal restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rezava o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caro Amigo, tomámos conhecimento da sua odisseia de 14 de Fevereiro de  2010 e decidimos que o mínimo que podíamos fazer era convidá-lo para  uma “segunda tentativa”, esta por nossa conta (desta vez coroada de  êxito, esperamos) e por isso tomámos a liberdade de desde já reservar uma  mesa para duas pessoas para o próximo Dia dos Namorados, esperando que  aceite o nosso convite o que muito nos honraria, um abraço, José Reis."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que inicialmente me cheirou a moscambilha. E bem feita, por sinal.&lt;br /&gt;Da mesma maneira que, há uns tempos atrás, os meus colegas se entreteram a ir à minha página de Facebook e declarar-me fã de artistas tão exóticos como Justin Bieber, Adam Lambert ou Tokyo Hotel, a minha reacção imediata foi de achar que outro qualquer terrorista estava decidido a fazer-me passar por novo "massacre de São Valentim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já irado e prestes a fechar o portátil com violência, decidi olhar segunda vez para o comentário e lê-lo com mais atenção. Inclusivamente reparar num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post-scriptum&lt;/span&gt; que me indicava o número para o qual devia ligar caso aceitasse o convite. E eu assim fiz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora - Estou sim, restaurante Barra do Quanza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu - Estou. Eheh (nervoso) estou a ligar porque... (gaguejo) colocaram um comentário no meu blogue... Eheheh (mais nervoso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora - ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu - Por causa do Dia dos Namorados do ano passado... (a suar) É para dizer que aceito o convite e confirmo a reserva... (soluço)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora - Com certeza, como se chama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu - Eheheh (mais nervos) André Oliveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora - Ah sim! O casal que não conseguiu encontrar o restaurante. Muito bem, está confirmado. Obrigado e até dia 14.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu - Obrigado, bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CASAL QUE NÃO CONSEGUIU ENCONTRAR O RESTAURANTE!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim que eu era conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, custa-me dizê-lo, com toda a razão... De facto, foi exactamente isso que aconteceu.&lt;br /&gt;Não o casal, mas eu. EU não consegui encontrar o restaurante! Perdi-me em Lisboa, afinal de contas apenas a cidade em que vivi toda a minha vida, e condenei a minha cara-metade a um serão espartano e a uma gripe de duas semanas. Isto era o tipo de pessoa que eu era... Mas agora algo de surpreendente tinha acontecido e era-me dada a oportunidade de fazer as pazes com o universo e corrigir o erro cometido há um ano atrás. Era então altura de assumir que, a menos que um qualquer inimigo meu, talvez o urso cujo passatempo favorito é riscar-me o carro, se tivesse dado ao trabalho de criar uma conta no blogger com o nome do restaurante, clonar o número de telefone e imitar com perfeição a voz de uma senhora para me atender, afinal o convite sempre era verdadeiro. Portanto, uma boa notícia, uma especiaria perfumada no refogado do meu dia, e uma irrecusável chance de redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei pelo dia 14 como uma criança pequena espera pelo Natal.&lt;br /&gt;Ou como o Padre Frederico espera pelo toque de saída de uma escola primária.&lt;br /&gt;Enfim, com excitação e gulodice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ele chegou vinha com o carimbo de qualidade do dia homónimo do ano passado: escuro e com um temporal a cavalo. Maravilha, pensei eu. Os fantasmas do passado voltavam para me assombrar. Mas eu não conseguiria continuar a viver se não os exorcizasse de vez. E isso por uma variedade de razões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;Eu próprio levaria o carro dispensando assim um qualquer seboso com carteira de taxista. Portanto, EU seria o meu próprio seboso! Bem sei que à partida e para quem conhece a minha condução, este item mais parece um ponto contra do que a favor. No entanto, e até ver, o carro sempre podia tornar-se num sólido abrigo em plena intempérie, caso alguma coisa corresse mal. E o risco, convém dizê-lo, era elevado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;Desta vez, contaria com a ajuda do GPS. Sim, mais um objecto com uma eficácia questionável quando falamos da minha pessoa. Afinal de contas, e para quem se lembra, também no ano de 2010 sucedeu &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/01/o-homem-bussola-ao-contrario_29.html"&gt;isto&lt;/a&gt;. Por outro lado, convém referir que eu até me entendo com a vil maquineta quando tenho um co-piloto ao meu lado. Preciso de alguém para operar o GPS e para filtrar as indicações que ele me dá. Quando isso acontece, a nossa relação já corre menos mal. Mas ainda assim longe de correr bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;Pedi à minha mulher para ir ao Google Maps e imprimir o percurso que vai do trabalho dela em Santos até ao restaurante. Eu iria lá buscá-la e seguiríamos a partir dali. O percurso impresso seria a "cereja no topo do bolo" e a garantia que nada, mas mesmo NADA, poderia falhar desta vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, mal saí do trabalho a missão começou logo mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei na bomba para pôr gasolina e constatei imediatamente que a ventania conduzia a chuva de modo a que esta se me emplastrasse com violência na cabeça e nas costas. Dizem que a natureza é sábia mas comigo é sempre uma besta. São feitios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que até tinha tido o cuidado de vestir uma roupinha melhor, estava agora encharcado mesmo antes sequer de me pôr à procura do que quer que fosse... É o que se chama abrir com chave d'ouro. Sim, sentia o frio a entranhar-se-me nos ossos... Mas havia alguma maneira de eu ter a mangueira a espichar gasolina sem me submeter àquele flagelo? Não, pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensopado que nem um pinto lá me enfiei na viatura e pus-me a caminho para ir buscar a minha mulher. Mulher essa que, quando cheguei, também me esperava, ensopada, à porta do emprego. "Isto está a correr tão bem...", pensei eu. E estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, confesso que tremi. Uma primeira tentativa frustrada de dar com a rua do local fez-me duvidar de que toda aquela panóplia resultasse. Pior que isso, fez-me reviver todo o drama do ano passado e a eventualidade de um possível divórcio. Uma mulher, por muito paciente que seja, tem limites, e eu insisto em abusar deles todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para trás e tentei fazer o percurso pela segunda vez. Recapitulemos: a ideia era ir de Santos para Belém, mas do lado do rio. E foi quando dei por mim e estava a caminho de Campo de Ourique que disse para o lado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes, às tantas nós não merecemos que nos convidem para jantar nenhum... A sério, a verdade, por muito que nos custe, é que somos estúpidos. - ainda mais perto de Campo de Ourique. - Estúpidos que dá dó! Às tantas não merecemos sequer jantar hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse-lhe isto sem que ela comentasse. E ela fez-me um verdadeiro favor em abster-se, acreditem. Bem sei que se o não o tivesse feito, o chorrilho de palavrões seria tal que nem o "Dicionário Universal Jorge Jesus" lhe faria frente. Calou-se e isso de certa forma ofendeu-me. De tal maneira, que gerou em mim uma reacção intempestiva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchi o peito de ar. Reprogramei a porra do GPS. Chamei a mim a ajuda divina de Santo Onofre e das ceroulas da &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/12/e-agora-algo-completamente-repugnante.html"&gt;velha do cabelo roxo&lt;/a&gt; e persegui o meu destino como se a minha vida dependesse disso. E pelo olhar raiado de sangue da minha mulher, vai-se a ver e até dependia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dei com o &lt;a href="http://www.barradoquanza.com/"&gt;Barra do Quanza&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Obrigado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Obrigado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pronto, já chega)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso hajam para aí mais totós como eu, convém dizer que o restaurante tem um recém-criado site que esclarece todas as dúvidas acerca da sua &lt;a href="http://www.barradoquanza.com/comochegar/"&gt;localização&lt;/a&gt;. Agora sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restaurante serve um misto de comida brasileira e africana e, tal como eu suspeitava, é muito bom. Não só pelos sabores mas também por estar onde está, apesar de ter sido precisamente isso que me impediu de o conhecer mais cedo. Mas além da comida e do sítio, recomendo o Barra do Quanza também pela "boa onda" que demonstraram relativamente ao meu texto e pela simpatia com que me receberam. Não tive a oportunidade de cumprimentar o José Reis que teve a amabilidade de colocar o comentário aqui no blogue mas pude dar um "bacalhau" ao Carlos Moral, chefe cozinheiro, e de lhe dizer que estava tudo uma delícia. E não é por não ter pago, atenção. Posso não saber cozinhar mas sei devorar como poucos. E quem me conhece sabe bem que é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendo lá voltar com amigos, agora que já sei onde fica, e desta vez para fazer despesa, claro. Porque uma boa "casa", um produto de qualidade e um espírito positivo é o melhor marketing que se pode fazer. Sem pretenciosismos nem caganças. Para mim, é assim um bom restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já agora acabo este post com algo que me aconteceu há uns dias e que constitui, por si só, a antítese disto mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a um outro restaurante ver o Benfica espetar dois ao Porto para a Taça de Portugal. Até aqui tudo jóia. Na ementa vi um prato chamado "Arroz de Lombinhos de Caranguejo do Alasca". Pensei para comigo "Quem é o anormal que vai pedir uma coisa destas...?". Sorri de troça. Veio o empregado. Pedi esse mesmo prato e uma imperial. E o que veio para a mesa foi arroz de marisco ordinário e insosso. Tal qual. Nem lombinhos, nem caranguejo e, escusado será dizer, nem Alasca. Assim, não me admirou que o empregado passasse o resto do serão a perguntar se eu queria mais cerveja. Pudera. Não fosse estar toldado pelo álcool e tinha-lhe enfiado um dos camarões ressequidos onde o sol não brilha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-7367734393702277006?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/7367734393702277006/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=7367734393702277006' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7367734393702277006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7367734393702277006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/02/enfim-uma-pitada-de-jindungo.html' title='Enfim, uma pitada de jindungo'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6135955189686274320</id><published>2011-01-25T15:11:00.000-08:00</published><updated>2011-01-26T02:13:44.738-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Manifesto anti-suíno atrasado mental que me riscou o carro pela segunda vez</title><content type='html'>BASTA PUM BASTA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse a Terra mil vezes maior, mais os continentes, oceanos, rios e mares, e havias de arranjar maneira de ainda assim me encontrar e fazer o que fazes melhor: lixar-me a vida com F grande! Meu pulha de merda. Meu suíno atrasado mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o fazes não sei.&lt;br /&gt;Só sei que hoje ao chegar ao carro vi nova e enormíssima carrada de bosta em forma de riscalhada em cheio no capô. Eu, que há uns meses culpei o vizinho cornudo, o idoso incontinente e o violador de Telheiras de um outro risco que se exibia, e exibe, em ambas as portas do lado do condutor... Não há dúvida que estas novas evidências deixam estes desgraçados de fora da equação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foste tu! Sempre tu.&lt;br /&gt;E não te importaste de gastar do teu deprimente e miserável vencimento para meter umas quantas gotas de combustível na tua caranguejola mecânica e apanhar a A5 para ir de Benfica a Paço d'Arcos repetir a gracinha... Que não tem gracinha nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem és. Mas mereces morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORRA O PORCO MORRA! PIM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, até à data pouco Vos pedi.&lt;br /&gt;Direi mesmo que tirando causas mais nobres como todos os prémios do euromilhões ou uma ou outra vitória do Benfica a minha comunicação convosco tem sido reduzida à absoluta nulidade. Mas hoje, jogo-me a Vossos pés, servil e humilde, para Vos implorar algo que até nem é para mim. É PARA ESTA BESTA SODOMITA QUE RESPIRA O MESMO AR QUE EU!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazei com que um Mandingo de dois metros comece a violá-lo hoje e acabe apenas em 2014 aquando dos Santos Populares... 24 horas por dia à bruta. Sem parar para comer nem para dormir. Fazei isso, por misericórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai-lhe por favor uma dor de barriga tão grande, mas tão grande, que expluda e se desfaça em trampa em frente das pessoas que mais estima. E que estas levem vinte anos a conseguir tirar a merda seca da pele. Por muito que esfreguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ordenai a leões, panteras e tigres que o devorem ainda vivo mas sem o auxílio de garras e dentes. Que o comam com colheres de chá. E que demorem o tempo que precisarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORRA O PORCO MORRA! PIM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que trabalho, que pago impostos, que me oriento.&lt;br /&gt;Eu que estaciono nos lugares para isso destinados, recusando-me a barrar o caminho em cima do passeio aos mais debilitados, aos idosos, aos paralíticos.&lt;br /&gt;Eu que, com a minha mulher, só tenho um carro. E estimo-o como se fosse parte da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda assim tenho de chegar de manhã e ver aquilo que parece um grotesco e abrutalhado "4" toscamente gravado em cheio no capô?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 MURRAÇAS TE PREGARIA EU BEM NO ALTO DA PINHA SE TE APANHASSE, DEMÓNIO APANASCADO DOS INFERNOS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 EXTINTORES TE ENFIARIA EU NO CU E AINDA ASSIM TE OBRIGARIA A IR DAQUI A SANTIAGO DE COMPOSTELA EM PASSO DE CORRIDA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 ANOS A ARDER NUM ASSADOR DE CHOURIÇOS GIGANTE ERA O QUE MERECIAS, ENQUANTO TE BANHAVA COM ÁLCOOL ETÍLICO DE 30 EM 30 SEGUNDOS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORRA O PORCO MORRA! PIM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És o pus que brota da gangrena da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És a substância pastosa e fedorenta que sai de um umbigo mal lavado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És a parte rija da escarreta de um tuberculoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És a ténia que se bamboleia no intestino de um boi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, meu animal, METES-ME NOJO!&lt;br /&gt;E O QUE É DEMAIS É DEMAIS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁRA DE ME RISCAR O CARRO!&lt;br /&gt;Já não tem piada. Aliás, nunca teve. No humor, tal como em tudo, não vales nada.&lt;br /&gt;Péssimo timming, péssimo registo, péssimas punchlines.&lt;br /&gt;Tu fazes "Os Malucos do Riso" parecerem o Ricky Gervais. De tão merdoso e infeliz que és.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORRA O PORCO MORRA! PIM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que não é bonito desejar a morte de alguém. De alguém que não sejas tu.&lt;br /&gt;Desejo do fundo do coração que faleças em circunstâncias mesmo muito violentas. Tu, os teus familiares, os teus amigos e toda a gente que te conheça ou que já se tenha cruzado contigo na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto excepto eu, os meus familiares e os meus amigos, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de bom grado traçaria também eu um risco em todas as gerações que te antecederam, vil e asquerosa lontra! Eliminá-los-ia até aos dinossauros se preciso fosse. E era com alegria que enterraria os caninos na célula que originou a tua pérfida linhagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUERO TANTO QUE MORRAS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda assim, mesmo sendo tu o peido bafiento da Humanidade, há quem te faça o jantar. E quem te cosa as meias. E quem te corte o cabelo.&lt;br /&gt;Que morram também, afogados em enxofre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para que saibas, besta quadrada, inimigo declarado, cão pestilento e leproso, estarei com atenção às tuas movimentações. Descobrirei quem és nem que por isso perca casa, emprego e mulher. Porque não se testam os limites de um homem como tu o fizeste. Não se deixam assim centenas de euros para pagar sem ao mesmo tempo assinar um duelo que, da minha parte, será até à morte... CUSTA SABER NÃO CUSTA, COBARDE?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORRA O PORCO MORRA! PIM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És valente no escuro de uma rua à noite não és, espécie de morcego mongolóide?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riscas-me o carro e vais para casa dormir. Sem crises de consciência. Sem problemas de maior. Vais dormir, simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh que alegria me daria lançar sobre a tua cama uma chuva de napalm. Ver-te a correr em chamas, tu, a tua mulher e os teus filhos, e apagar-vos as chamas do corpo num acto piedoso. PARA VOS PEGAR FOGO OUTRA VEZ COM AINDA MAIS INTENSIDADE!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de tocar concertina e fazer sapateado em cima da tua campa enquanto declamo estrofes ordinárias insultando a tua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de comer o cerebelo dos teus filhos enquanto brindo com um belo Chianti, ao som de Miles Davis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de servir o teu cão recheado com nêsperas, ainda vivo e a respirar, a uma família de etíopes famintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de odiar-te até ao fim dos meus dias.&lt;br /&gt;E só espero que a energia de todo este ódio te cause para já e pelo menos, um fulminante AVC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORRA O PORCO MORRA! PIM!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6135955189686274320?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6135955189686274320/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6135955189686274320' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6135955189686274320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6135955189686274320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/01/manifesto-anti-suino-atrasado-mental.html' title='Manifesto anti-suíno atrasado mental que me riscou o carro pela segunda vez'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-9115558590849513787</id><published>2011-01-20T15:55:00.000-08:00</published><updated>2011-01-21T02:27:17.523-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Os animais são más pessoas</title><content type='html'>Encontro-me neste preciso momento a escrever no meu portátil, enfiadinho na cama porque apanhei p'raí uma carraspana exótica difícil de identificar. Na dúvida, chamo-lhe virose. Um velho truque que os médicos utilizam quando não sabem o que é que um gajo tem. Ou dizem que não tem nada e arriscam-se a levar com um processo se o indivíduo patinar ou dizem que é uma virose e aconteça o que acontecer estão safos. Malta esperta, os médicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é disso que quero falar hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto procuro equilibrar o computador no colo, fazendo com que a máxima percentagem do meu corpo esteja debaixo das cobertas e a apanhar o tradicional e muito terapêutico "quente", a minha gata está aos gritos e às cabeçadas à mobília do hall de entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;Porque sim.&lt;br /&gt;Porque pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que podia ter algum respeito pela minha condição enferma, assim como podia respeitar o meu sono e o da minha cara metade quando decide acordar-nos todo o santo dia de manhã com miados e lamúrias. A minha gata parece-me uma daquelas ciganas romenas que não larga as pessoas nem por nada, cheia de pieguices, a pedir esmola. A diferença é que a minha gata não pede esmola, ela não quer saber disso. Na verdade não quer nada. A não ser chatear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de bichos mas desconfio que eles não vão muito com a minha cara.&lt;br /&gt;Além do mais não os entendo. Invariavelmente a nossa relação acaba por seguir no caminho do absurdo, como um sketch sem piada de uns quaisquer "Malucos do Riso" finlandeses... Aprecio animais assim como aprecio as pinturas do Miró: faz-me sentir bem cá dentro mas não percebo patavina do que se está a passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha gata é apenas um dos exemplos.&lt;br /&gt;Veio cá para casa como gato. Foi assim que a apresentaram e foi assim que ela se comportou nos primeiros meses. Enchia-me de orgulho. Finalmente tinha junto a mim um astuto companheiro de brincadeiras, outro macho com quem beber uma bejeca fresca ao final do dia e falar de bola. Ah e também  o adereço ideal para as minhas imitações de vilão de James Bond... Mas isso já prometi que não voltaria a fazer. Pelo menos não em público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia vou ao veterinário e ele dá-me a notícia de que o que tinha em mãos não era na realidade um magnífico e viril exemplar macho mas sim uma fêmea com um corpo um pouco mais masculino. Uma espécie de Dina, a cantora de "Amor de Água Fresca", mas em gato. E eu tudo bem. Tal qual Nené, a antiga vedeta do Benfica que não sujava os calções, que um dia descobriu que o que tinha em casa não era bem aquilo que esperava, aceitei o que o destino me oferecia e perdoei as mentiras e os enganos protagonizados pela criatura. Perdoei mas não esqueci, claro está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais são más pessoas, a verdade é essa. Não é à toa que lhes chamam "animais"...&lt;br /&gt;É que uma boa percentagem deles são umas verdadeiras bestas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém não esquecer que damos cama e comida a esta ingrata de bigodes! E só não damos roupa lavada porque a quantidade de pêlo que ela produz e perde todos os dias dava para começar um negócio de mantas. Escusado será descrever as maravilhas que este isto faz pela higiene aqui do poiso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque não é só a gata que cá mora. Damos também guarida a uma coelha que, à falta de melhor termo, é aquilo que de mais semelhante conheço com o próprio anticristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembro também (peço desculpa por estar a desbobinar tanta coisa a meu favor mas é hora de dizer algumas verdades a estas duas) que fui comprar a sacana das orelhas compridas a um shopping manhoso e que ela na altura tinha mais sarna que uma prostituta em Saigão. Mas será que isso me demoveu? Não, senhores. Não é esse o tipo de pessoa que eu sou. Levei-a na mesma, ofereci-a à minha mulher e foi com muito orgulho que a vi durante meses a tratar a doença da coelha, a levá-la ao veterinário, a aplicar-lhe remédio nas chagas, a comprar-lhe os medicamentos, etc. O tipo de coisa que me devia fazer estar num pedestal aos olhos do bicho... Mas não é isso que acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeia-me de morte.&lt;br /&gt;Olha para mim de lado com um esgar de "Se te apanho a dormir, arranco-te a jugular à dentada e faço ninho no teu fígado ó filha da p**a!!!"&lt;br /&gt;Eu faço que não é nada comigo mas sei bem que a única coisa que garante a minha segurança é o simples facto de ter mais de dez vezes o tamanho dela. Parecendo que não, faz diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao menos a coelha tenta-me morder apenas em situações triviais como quando me chego demasiado perto da gaiola ou quando estou a tentar enfiá-la dentro de uma panela de água a ferver. Isso eu compreendo. Agora a gata devia saber melhor. Devia ter a noção que às 6:30 da manhã as pessoas estão na altura mais gostosa do soninho. Exactamente naquela fase em que faz muita diferença ter um animal aos guinchos no quarto ou a raspar com as unhas nas portas do armário. Às 6:30, fazerem-me este tipo de coisas é equivalente a servirem-me um pequeno almoço de café com leite e testículos de boi. Muito desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que já perdi a cabeça por uma vez ou outra e arremessei o chinelo contra o demónio. Sempre sem sucesso porque, no fundo, é isso mesmo que ela quer. Que eu me descontrole e passe a ser mais um a usar pijama mesmo durante o dia e a tomar as refeições por uma palhinha. Mas eu recuso-me a dar-lhe esse gostinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena recuar até aos anos 90 quando, ainda em casa de meus pais, tive um pequeno peixinho cor de laranja chamado Aníbal. O peixe tinha este nome por duas razões fundamentais: primeiro porque sendo laranja fazia sentido que tivesse o primeiro nome do conhecido político do PSD, e actual Presidente da República, Cavaco Silva e segundo porque na altura eu era AINDA mais estúpido do que sou hoje. Era Aníbal, o peixinho. E rodopiava no seu aquário de balão todo o santo dia. Que mais havia para fazer ali? O comportamento obsessivo do animal não era mais do que compreensível, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, uma manhã, encontrei o Aníbal inerte no chão. Deitado de lado, ainda com um movimento leve de barbatanas, fazendo antever que não teria sido há muito que saltara do aquário, feito idiota, tendo ido parar às tábuas do soalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grito mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu Aníbal, quase morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu animal de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei nele com jeitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Icei-o do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depositei-o de novo na sua casa de vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda vivia, o malandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ser uma bonita história com final feliz não fosse o desgraçado ter ficado com metade do corpo colada ao chão. Nesse momento, assemelhava-se muitíssimo ao vilão Two-Face, das histórias do Batman, e o seu aspecto era deveras grotesco. Do lado direito, vigoroso como sempre: olho brilhante, barbatana vivaça, escamas impecáveis. Do lado esquerdo, um cadáver autêntico: nem olho, nem barbatana, nem escamas nem nada de nada. O Aníbal era agora um ser "especial" e nem o facto de apenas conseguir nadar em 360º por só ter uma barbatana me fez desitir dele. E assim foi até ao dia em que partiu. Ou seja, o dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esta história de terror toda p'ra quê?&lt;br /&gt;Nem eu sei bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que era para provar que sou um tipo porreiro para os animais em geral e eles, em geral, são maus para mim. Para mim e para a grande maioria das pessoas, é importante referir. Falemos de pandas, por exemplo. Os bichos há décadas que dão a dica que não estão interessados em continuar por aqui, que estão prontos para o estágio seguinte da existência. Basicamente, desistiram de pinar. E não há um dia que passe que os chineses não vão lá espicaçar os ursos, mostrando-lhes vídeos pornográficos e citando-lhes poemas lascivos. Querem à força ter mais pandas no mundo, nem que tenham de matar todos os pandas para consegui-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosa a forma como os animais conseguem lixar o sistema.&lt;br /&gt;E fazem-no conscientemente, não me venham com cantigas a dizer que os bichos são ingénuos e todos uns santinhos. Eles sabem o que fazem e se o fazem é porque de alguma forma o merecemos. Pelo pardieiro em que conseguimos transformar este planeta, merecemo-lo sem dúvida. Aí tenho de dizer também eu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mea culpa&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez por isso nem tenha ficado muito ofendido quando em plena agitação matinal arremessei a minha pantufa... E entre um ou outro flash ensonado... Penso ter visto a minha gata virar-se para mim e fazer um gesto feio com a pata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, acho que estamos em guerra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-9115558590849513787?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/9115558590849513787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=9115558590849513787' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/9115558590849513787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/9115558590849513787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/01/os-animais-sao-mas-pessoas.html' title='Os animais são más pessoas'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-4323063938267784614</id><published>2011-01-06T15:09:00.000-08:00</published><updated>2011-01-07T02:46:58.759-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Isto promete...</title><content type='html'>Com que então ouvi dizer que andava por aí um ano novo...&lt;br /&gt;Diz que se chama 2011. E também diz que promete invadir-nos o recto tal qual um supositório XXL. Isto é o que se diz.&lt;br /&gt;Assim à primeira vista, 2011 parece-me aqueles putos que ainda nem sequer falam mas já auguram vir a ser uns marginais do pior, que um gajo olha para eles e não há dúvida que aos doze anos já fizeram dois filhos à educadora de infância e um ao psicólogo da casa de correcção. O novo ano, embora ainda recém-nascido, não engana ninguém. Vai ser uma besta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu já sabia disto tudo mesmo antes de olhar para o imberbe na cara, decidi fugir para bem longe na passagem de ano. Para um local tão estranho e inóspito que nem o mais astuto dos anos me encontraria... Há que dizer que 1986 esteve lá muito perto, mas não conseguiu ir além da estação de serviço de Viseu. Isto porque se enganou e pôs gasóleo em vez de gasolina no depósito. E, como todos sabemos, a partir da década de 80, os anos passaram a andar a Sem Chumbo 95.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, estupidez extrema aparte, convém desvendar desde já que decidi ir passar o fim de ano a Bragança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a Bragança que fica no extremo norte de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto porque, à falta de melhores termos, sou um erudito incorrigível, sedento por cultura, partindo em busca das mais ancestrais tradições pagãs das aldeias no acolher do novo ano. E também porque me interessava bastante encher o bandulho à grande e à transmontana. Digamos que tudo contribuiu um bocadinho, vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das tradições da região é a chamada "Festa dos Rapazes", em que jovens solteiros saem das suas casas de garrafa de aguardente em punho, cantando e dançando, na ânsia de impressionar as mulheres. E, pensando bem, a diferença entre um grupo de "jovens solteiros" e outro de "alcoólicos exibicionistas" acaba por ser uma e só uma palavra: tradição. É que também já assisti a tradições deste género no Bairro Alto, por exemplo. E, escusado será dizer que nenhuma delas acabou bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu lá fui. E confesso que não foi fácil explicar a alguns amigos meus que ia fazer centenas de quilómetros para ir a uma "festa de rapazes". Mesmo dizendo que a minha mulher iria naturalmente comigo, houve olhares de soslaio que eu preferia que não tivessem acontecido. Enfim, lá fui. E convém dizer que Bragança é longe p'ra c*****o. Demora-se quase um dia inteiro a lá chegar! E eu pensava que isto só acontecia no tempo dos reis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alojamento? Hotel Íbis.&lt;br /&gt;Sim, porque se é para festejar o fim de ano, não se olha a despesas. Só do bom e do melhor aqui p'ró campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bragança em si é interessante. E em mim acabou por ser interessante também.&lt;br /&gt;Não havia muita gente na rua, apesar de não estar muito frio, o que me levou a desconfiar de um  de dois cenários possíveis: ou as pessoas estavam todas na parte boa da cidade, parte essa que acabei por não ver, ou então andava tudo a fugir de mim que não faço a barba há quase um mês.&lt;br /&gt;Seja como for, tive sempre a ideia de estar a explorar um cenário de um filme em que faltavam claramente os figurantes. E os poucos que havia, repetiam-se: vi o mesmo casal mais do que uma vez, o que me leva a crer que até na longa metragem que é a minha vida se começam a sentir cortes orçamentais. Os mesmos tipos que fazem de donos do restaurante onde vou almoçar são forçados a correr, colocando bigodes e fardas ao mesmo tempo, para fazerem de agentes da GNR que me irão fazer parar numa operação stop mais à frente. E provavelmente multar-me pelo vinho que me serviram há uma hora atrás. Enfim, tudo isto é muito confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jantar de fim de ano foi agradável, como são todos na companhia da minha linda mulher (uma das resoluções de ano novo, como já devem ter reparado, é convencê-la a fazer mais vezes sushi). Depois de sairmos do restaurante, às 23h, partimos em busca do local da "animação". Não havia. Quer dizer, local havia, não me interpretem mal. Haviam vários até, que Bragança não é assim tão pequena. Mas "animação" nem vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que se faz quando falta meia hora para a passagem do ano e não se encontra mais de 6 pessoas juntas em lado nenhum? Vai-se para o castelo, claro está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na zona do castelo de Bragança, além de três pensionistas embriagados que aqueciam as mãos ao calor de uma grande fogueira, ou madeiro como lhe chamam por lá, estava também um super deprimente grupo de saloios que claramente viu pela primeira vez o passar do ano fora da casa dos pais. E se estavam bêbados, os imbecis... Pelo menos os guinchos que as moças soltavam, muralha fora, a isso apontavam. Ou era bebedeira ou era cio. E eu desejei ardentemente pela primeira hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 23h45 apeteceu-me urinar, não vou mentir. E na ausência de casa de banho a solução foi a muralha do castelo. Portanto, acabei 2010 como um javardo que mija para cima do património nacional e iniciei 2011 como o único indivíduo lúcido entre uma trupe de cavalgaduras bêbadas (excluindo a minha linda mulher, é claro. Eu já disse que ela é linda? Ah pois disse. Bom, mas nunca é demais repetir...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando a altura da contagem decrescente, como é óbvio cada um contou para o seu lado. Eu decidi não ligar a isso porque é certo que não há nada mais espalhafatoso que uma valente catrefada de fogo de artifício para indicar a meia noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁ (foguete)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁ (foguete)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou-se a festa.&lt;br /&gt;Dois foguetes, xixi, cama. Foi mais ou menos esta a mensagem que Bragança quis passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu tudo bem... Como não gosto de contrariar ninguém, e muito menos uma cidade, assim fiz. Afinal de contas, havia uma suite no espanpanante Íbis a chamar por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a minha linda mulher (gosto mais do sushi com abacate do que com pepino, é bom não esquecer) amanheceu a mostrar-me uma lista das aldeias envolventes e das suas tradições de fim de ano. Afinal a Festa dos Rapazes era mais na altura do Dia de Reis, coisa que muito me teria aborrecido caso eu fosse um homossexual ensandecido e sedento por privar com adolescentes ébrios de faces rosadas. Porém, como evidentemente não sou nada disso, pelo menos da última vez que olhei para o BI, essa "desfeita" foi-me completamente indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boa notícia é que não faltavam rituais por aquelas terrinhas fora.&lt;br /&gt;A má notícia é que os mais giros aconteciam nas aldeias que estavam mais longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, lá nos metemos no carro. Prestes a fazer oitenta quilómetros para ver tipos mascarados a fazer macacadas. Não me ocorre melhor maneira de começar o novo ano.&lt;br /&gt;Quando chegámos à primeira paragem, não só não se viam macacadas como também não se via ninguém nas ruas. "Que surpresa chocante! E isto que estava a correr tão bem...", pensei eu. Ao sairmos da viatura, eu e a minha mulher ficámos em silêncio a olhar para a igreja local. Para isso e para o conta-quilómetros do nosso carro, que em dois dias tinha feito o equivalente a cinco voltas à Sibéria sem atalhos. Foi então que começámos a ouvir um som característico, o som das gaitas de foles. A festa estava a decorrer e não podia estar longe! Aquilo era tão pequeno que nada era longe. Corremos que nem loucos, de máquina fotográfica em punho, livres como crianças para ver o maravilhoso espectáculo pagão que 2011 nos reservava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música inebriante. Tão linda. Tão melodiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corríamos, entusiasmados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linda, a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linda, a minha mulher, a correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofegante, obeso, também eu corria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obeso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa era já ao virar da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos lá quase!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virámos a esquina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais ou menos isto.&lt;br /&gt;Metemo-nos no carro e fomos embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda visitámos mais uma aldeia para ver um tipo com pinta de ex-toxicodependente vestido de diabo, ou lá o que era, a bambolear-se em troca de uma ou duas moedas. Nada que não se veja em Arroios durante o ano todo, diga-se. Por isso, metemo-nos novamente no carro e voltámos para Bragança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim, em traços muito gerais, que entrei no novo ano.&lt;br /&gt;Claro que fora isto, passeei muito, comi e bebi como deve ser, partilhei momentos especiais com a minha mulher, que é linda, by the way, e fiquei a conhecer coisas que não conhecia. Escusava era de ter ido p'ra tão longe, porra! Mas agora já está, já está...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se entrei em 2011 com o pé direito se com o pé esquerdo. Seja como for, sei que devo ter entrado com ambos os pés nos pedais do carro porque pouco mais fiz no fim de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos rapazes da Festa dos Rapazes, não sei se já a organizaram ou não mas procurem não se embebedar demasiado sob pena de acordarem de manhã ao lado do Manel da Drogaria. Isso ou na cama da &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/12/e-agora-algo-completamente-repugnante.html"&gt;velha do cabelo roxo&lt;/a&gt; que mora no prédio onde eu trabalho... Já falei sobre ela no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal de contas nem toda a gente pode ter a minha sorte e acordar todos os dias ao lado de uma mulher que é linda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que bem que ela faz sushi!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-4323063938267784614?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/4323063938267784614/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=4323063938267784614' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4323063938267784614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4323063938267784614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2011/01/isto-promete.html' title='Isto promete...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-1140619341918201332</id><published>2010-12-26T12:00:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T15:08:49.891-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Então esse Natal? Lá foi...</title><content type='html'>- Então esse Natal? – pergunta-me um ou outro conhecido, ao passar por mim na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá foi… - respondo eu, enquanto atravesso para o passeio contrário, evitando assim o arrastar da conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que tenha algum tipo de aversão a falar sobre a quadra. Ou mesmo que tenha aversão à quadra em si. Custa-me é participar em conversa de chacha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as pessoas perguntam “Então esse Natal” é de um “Lá foi…” que estão à espera, e não de “Fui p’ra cama à beira do vómito, com azevias até à boca do esófago!” ou “Tive um claro prejuízo no balanço das prendas recebidas e oferecidas…” ou até de “Estive a uma unha negra de arrancar a garganta de um dos meus primos à dentada”. Não que eu sinta vontade de dar uma destas respostas mas sei que pode ser a realidade para algumas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que ninguém é verdadeiramente sincero no “troco” que dá às questões sobre o Natal e a razão é simples: tirando aquela malta que detesta mesmo a época natalícia e que se recusa a celebrá-la, como o velhaco Gargamel dos estrunfes ou os judeus, o resto sente que dizer mal do Natal é dizer mal da família, das crianças e, acima de tudo, da paz no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais falso, diga-se. Um tipo pode perfeitamente detestar a família, desprezar as crianças e cuspir na paz no mundo e continuar a apreciar o Natal. Cada coisa é uma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os católicos gostam do Natal porque, no fundo, estão a celebrar o aniversário de alguém que veneram. E fazem-no no conforto do lar, junto ao calor da lareira, em sossego com aqueles que lhes são importantes. Nada de “E se Jesus quer ser cá da malta...”, não é um desses aniversários. É uma festa mais íntima em que, por regra, à uma  da manhã está tudo "a aquecer a água para se ir deitar" (como eu amo esta expressão...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois também há quem, como eu, não seja católico mas veja no Natal uma espécie de festival temático anual, com algumas particularidades tradicionais interessantes, sabores regionais de primeira linha e músicas alegres. Claro que não podemos generalizar e achar que todos os sabores regionais feitos nesta quadra são de primeira linha ou que os milhões de cantigas natalícias aconchegam mas... Acho que me faço entender. A média acaba por ser quase sempre bastante positiva. E a média é que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, há coisas no Natal que são, à falta de melhor termo, enormemente insuportáveis.&lt;br /&gt;Mesmo muito!&lt;br /&gt;E era um favor que me faziam se para o ano todas elas deixassem de existir.&lt;br /&gt;Acho que tornaria o Natal uma época ainda mais intensa com um índice de aceitação mais próxima dos 100%, mais campanhas de solidariedade para ajudar os desgraçadinhos que fazemos questão de ignorar o resto do ano e mais gestos de carinho para com familiares a quem depois não atendemos o telefone. Tudo para o melhor, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar um avançozinho aos trabalhos, que isto de limar arestas é coisa que leva algum tempo, principalmente quando falamos do Natal, deixo aqui uma lista completa daquilo que, a meu ver, deveria deixar de existir. E notem que quando digo "a meu ver" é o mesmo que não dissesse nada. Porque como vejo muito bem, quase tanto como a águia que foi despedida pelo Benfica (sempre a inovar, este glorioso), isto deixa de ser opinião. É uma lista daquilo que não devia transitar para o Natal de 2011 e mainada! Aqui vai ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LISTA DAS COISAS QUE SE VERIFICARAM NO NATAL DE 2010, ASSIM COMO SE VERIFICAM TODOS OS NATAIS, E QUE CONVINHA NÃO SE REPETIREM EM 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;A MALDITA CANTIGA DO CORO DE SANTO AMARO DE OEIRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 28 anos, penso que cheguei a um ponto em que já não consigo traduzir por palavras o tumulto interior que sinto quando ouço esta vil cantilena. Há uma ou duas expressões em swahili que estão lá muito perto, uma outra em cantonês, mas nenhuma faz real justiça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUE CANCRO ATROZ! Na falta de melhor foi esta...&lt;br /&gt;Será que não há mais nenhuma música que crianças pequenas possam cantar para enternecer a porra dos corações?! Em dezenas de anos não houve um campeão qualquer que se chegou à frente e disse "Ehpá tudo muito bem, o Coro de Santo Amaro de Oeiras e tal, mas isto já é um bocado demais e está na hora dos putos cantarem outra coisa..." NUNCA! COMO É QUE ISTO NUNCA ACONTECEU?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto para não falar no estranho que é termos visto a mesma música, a exacta mesma gravação, a ser "cantada" em playback durante anos por crianças diferentes. Os mesmos versos, a mesma voz, na boca de dezenas de miúdas diferentes, de várias formas, raças e feitios, no mais mal engendrado truque de ilusionismo de sempre. A mim não me enganam eles. Eu já cantei uma vez num karaoke e sei bem do que falo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde andam os miúdos originais que cantaram aquilo mas afigura-se-me que hoje serão mais velhos do que eu. E aqueles que não estão presos terão certamente na cabeça um capacete de eléctrodos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a minha primeira exigência está em abolirem de vez esta canção, ok? Não é preciso nada demais, apenas queimar todas as cópias já feitas, os originais e as pautas e arrancar o coração pelas costas a qualquer um que comece a trauteá-la no futuro. Se houver organização e rigor a coisa faz-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;AS CASCAS DE LARANJA NO BOLO REI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem de ver como é que isto aconteceu. Uma Filipa Vá Com Deus qualquer andava toda atarefada a fazer bolos rei, uns atrás dos outros, quando sem querer despejou o balde das cascas para dentro da massa. Depois de perceber a burrada que tinha feito e de berrar alto e bom som o "Manual de Ética e de Bons Costumes dos Mangas de Alfama", concluiu que tinha apenas duas soluções: ou admitia o erro, deitava tudo para o lixo e passava o Natal a caldos Knorr por causa do prejuízo ou deixava aquilo ficar e dizia que agora se comiam cascas caramelizadas no estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como esta é a frase que mais convence os portugueses... A coisa pegou. E apesar de toda a gente fazer uma careta quando mastiga o sabor acre da casca de laranja, todos continuam a comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá lá ver uma coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HÁ UM NOME PARA AS CRIATURAS QUE COMEM CASCAS DE LARANJA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E O NOME É PORCO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os porcos é que comem as cascas todas, os caroços e tudo mais que se atire para a pocilga. Se por baixo das cascas estiver um bolo rei também não são eles que se vão queixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, vamos lá fazer um resumo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinhões OK&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passas OK&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fruta cristalizada OK&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cascas de Laranja NÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a minha segunda exigência está em manterem o lixo onde ele pertence: no caixote. Deixem as iguarias na composição do bolo, sim senhor. Bolo esse que é delicioso, não há dúvida. Agora meterem-lhe cascas por cima é o mesmo que cobrirem a Soraia Chaves de vomitado. Faço-me entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;A LEOPOLDINA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu sei que é um pouco contrasenso falar da Leopoldina e não falar da recém-criada Popota. No entanto, esta segunda tem em si um certo carácter "slutty" que me atrai bastante. E como tenho muito respeito pelas pêgas em geral prefiro dirigir o meu ódio à pássara e apenas à pássara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não há paciência para a história do "mundo encantado dos brinquedos" e para as operações plásticas que a bicha faz de ano para ano. Antes parecia um frango voador com obstipação, agora parece a Angelina Jolie com cabeça de avestruz. O formato muda mas a bizarria continua. Acho mal é chatearem a Lili Caneças por parecer um boneco de cêra e nem abordarem as intervenções cirúrgicas da pássara maldita. E quem diz a Cinha Jardim diz a Leopoldina. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Mas como seria possível acabarem com a Leopoldina, Saguim?! Ela é um ídolo para as crianças!" exclamam as vozes na minha cabeça, com bastante estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma criatura amarela com olhos esbugalhados.... Um ídolo para as crianças.&lt;br /&gt;Na minha terra, quem é amarelo e tem olhos esbugalhados é toxicodependente. Não é avestruz.&lt;br /&gt;E que eu saiba, ser ídolo para as crianças não é o objectivo de nenhum deles. Pelo menos não à primeira vista. Parecem-me bem mais preocupados com outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, é para acabar sim. Só enerva! "Ah e tal comprem os brinquedos manhosos da pássara que nós damos metade para os Hospitais e fazemos o favor de ficar com a outra metade para nós... Caso seja preciso ir à bica ou assim..." Por favor, já chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;O NATAL DOS HOSPITAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é, ao contrário daquilo que muitos pensam, a principal causa de morte em Portugal Continental. O momento em que todas as enfermeiras se esquecem de dar os medicamentos aos pacientes, a altura em que se desligam todas as máquinas dos Cuidados Intensivos para alimentar a mesa de mistura da banda do Marco Paulo. Mais letal do que uma pasta de dentes chinesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, há também o carácter ALTAMENTE DEPRIMENTE que se encerra no nome "Natal dos Hospitais". Ok, eles estão lá fechados e muitos não voltarão a ver a luz do dia. Sabemos disso tudo. Por isso em vez de lhe chamarem literalmente aquilo que é, podiam chamar-lhe "Natal da malta com boa saúde", "Natal dos indivíduos que qualquer dia ainda vão aos Jogos Olímpicos" ou "Natal dos tipos que, saindo das cadeiras de rodas, ainda se portariam muito bem na cama com a Helena Coelho"... Enfim, só para dar umas ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, "Natal dos Hospitais" parece-me desadequado. No nome e no formato. Há artistas que hoje em dia só fazem aquilo, chega a ser mais importante para eles do que para os próprios doentes. É o seu Rock in Rio. E isso chega a ser mais triste do que aquele conto do Hans Christian Andersen em que uma miúda queima fósforo após fósforo até patinar no gelo (e atenção que neste caso, patinar significa mesmo morrer).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, já era altura de acabarem também com isso e devolverem a alegria à quadra. Assim como assim, ninguém se lembra que há gente nos hospitais quando se está a encher o bucho com sonhos e filhozes. A menos que se coma tanto que se tenha de ir a um. Mas isso também já não me acontece há alguns anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;GATOS NO NATAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei esta para o fim por ser a mais pessoal e também aquela que à partida pode indicar às pessoas que o meu estado mental não é o mais são. Se eu tivesse colocado este ponto no princípio, no lugar de todo o discurso coerente e muito correcto que tive até agora, dificilmente leriam até ao fim. Mas pronto, é mais ou menos isto: no Natal, os gatos deviam ir de férias para longe. Tipo Palma de Maiorca ou Lloret del Mar, como fazem os estudantes nas viagens de finalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto porque os gatos, como é sabido, adoram os enfeites que penduramos na árvore. Adoram.&lt;br /&gt;Mas adoram-nos mais no chão do que nos ramos, o que torna a convivência entre felinos e árvores de Natal quase impossível. A menos que se tomem as devidas precauções...&lt;br /&gt;No ano passado eu tomei-as e não tivesse hoje quase todos os meus pertences em caixas de cartão voltaria a tomá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi dizer que os gatos não gostavam do cheiro a citrinos. Vai daí, comprei um detergente com aroma a limão, preparei uma solução com água e borrifei a árvore toda. Coisa que até podia ter corrido mal porque as luzes já estavam ligadas. Mas enfim, lá a borrifei na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resultou. A gata continuava a violentar a árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, decidi deixar os produtos artificiais de lado e apostei na "real thing". Peguei num limão, cortei-lhe tiras de casca e pendurei-as nos ramos, como se de enfeites se tratassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resultou. A gata divertia-se a roer os ramos e a dar patadas nas bolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritei-me. Fui buscar o piri-piri e untei as pontas dos ramos. Sorriso demoníaco no rosto. Em pleno Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultou mais ou menos. Ela apercebeu-se que roer os ramos talvez já não fosse grande ideia mas continuava a disparar grandes murraças nos enfeites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preciso algo mais. Algo que a mantivesse à distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pimenta. Muita.&lt;br /&gt;A árvore ficou assente em pó branco. Tanto que parecia neve... E o Natal prosseguiu, mais calmo do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, porém, uma solução de recurso. Nada me garante que a minha gata não está numa dieta intensiva de especiarias, ela passa muito tempo sozinha durante o dia, preparando-se para um novo frente-a-frente com a árvore que está agora empacotada algures. De bom grado lhe pagava um fim de semana no Íbis para me poupar a tal chatice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isto. Tudo o resto pode continuar, com peso e medida claro está, que não me importo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é começar a pensar no Natal do ano que vem, que a malta não se safa sem Natais.&lt;br /&gt;Eu nem tirava as luzes das ruas que era para não se perder o espírito.&lt;br /&gt;E admiro a postura do Sporting por estar em "modo Natal" desde o início da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não é o Sporting a dar o exemplo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-1140619341918201332?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/1140619341918201332/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=1140619341918201332' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1140619341918201332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1140619341918201332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/12/entao-esse-natal-la-foi.html' title='Então esse Natal? Lá foi...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-3611149866015815538</id><published>2010-12-14T09:19:00.000-08:00</published><updated>2010-12-15T14:21:43.500-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>E agora algo completamente repugnante</title><content type='html'>No prédio onde eu trabalho mora uma senhora de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa que, até ver, não tem nada de mal.&lt;br /&gt;Se calhar até lá mora mais do que uma, mas esta digamos que tem aquele toquezinho de bizarria e, porque não dizê-lo, de repugnância, que lhe dá bastante destaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar tem o cabelo roxo.&lt;br /&gt;O que não é assim tão original. Muitas e muitas velhotas da mesma geração decidem chocar a malta nova e levantar assim o dedo médio para o mundo. Os punks usam pulseiras com picos, a malta do rock usa calças de cabedal, os anões usam escadotes e as pensionistas, algumas, preferem expressar-se através da cabeleira. A mim não me faz confusão. Não percebo a mensagem mas também não entro em conflitos por causa disso. E se o problema fosse só este nem sequer valia a pena estarmos aqui a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idosa que vive no prédio onde labuto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já tinha percebido que a velha gostava de palheta. Não foi uma nem duas vezes que me apanhou na escada e aproveitou a oportunidade para trocar impressões acerca do estado do tempo ou de como os vizinhos são "gente que não interessa". Eu fui obrigado a concordar dado que o único vizinho que conhecia era de facto ela e ela, de facto, não me interessava. Nem ela nem o cabelo roxo que a avaliar pela solidez e pelo aspecto mate, não deve ver água há uma catrefada de meses. Mas enfim, sempre sem perder a gentileza e o sorriso amarelo na cara, a minha maneira de lidar com esta situação era passar por ela tão rápido que quase lhe fazia saltar a dentadura contra a parede, com a força do vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa que não me impediu, ainda assim, de passar por alguns dissabores.&lt;br /&gt;O primeiro, ainda conhecia mal a peça, aconteceu quando eu e um colega nos preparávamos para entrar no prédio, cruzando-nos com a velha no hall de entrada. Ofuscado pelo fedor da carapinha roxa, passei depois pela porta dela e reparei que a tinha deixado aberta. Confesso que a minha reacção inicial foi de entrar-lhe por ali adentro, limpar-lhe o ouro e as pratas e depois incriminar o meu amigo. Mas como tive medo que ele me lixasse primeiro, que isto hoje não se pode confiar em ninguém, concentrei-me antes na minha segunda reacção: entrar por ali adentro, limpar-lhe o ouro e as pratas e acertar-lhe com um candelabro na testa quando voltasse, para que não houvesse nada que me associasse ao sucedido. Porém, também isso ficou por fazer. Primeiro porque nasciam em mim sérias dúvidas que houvesse naquela casa ouro e pratas. Plástico talvez. Rançoso. Agora ouro e pratas, afigurava-se-me pouco provável. Depois porque com o capacete roxo, seria preciso bem mais do que um candelabro para lhe abrir um lenho fatal na tola. Assim, deixei-me estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim fiquei, a ouvir os apelos samaritanos do colega que me acompanhava, preocupado que um qualquer bandido depenasse o que havia para depenar do burgo da velha. Farto daquele choramingar, acedi a chamá-la de volta e alertá-la para o lapso. Ele lá foi e eu fiquei na escada à espera, apenas para partilhar os louros da boa acção. Quando a velha voltou, decidiu exprimir os seus melhores agradecimentos convidando-nos, a mim e a ele, para entrar e TOMAR UMA BEBIDA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... até insistiu e tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá lá ver... Não estamos a falar de nenhuma cota toda p'rá frentex e ainda p'rás curvas. Não que isso fizesse alguma diferença porque sou muito fiel à minha mulher e tudo (até porque ela lê o blogue) mas não é de todo disso que estamos a falar. Falamos sim de uma avó, que eu agradeço aos céus não ser a minha, mas ainda assim aquela que podia ser a avó de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se queremos entrar para tomar uma bebida?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois de uma vez?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então e a velha não ia sair?!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esperei que o silêncio e o ridículo da situação recusassem o convite por mim e voltei para o trabalho. Sendo que os primeiros quinze minutos do horário laboral foram passados a esfregar as mãos com pedra-pomes e a cuspir vigorosamente para o lavatório da casa de banho de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem faço ideia do tipo de bebidas que a anciã teria para me oferecer, além do copo de água onde demolha a dentadura durante a noite, claro. De qualquer maneira para levar a dela avante comigo era bom que tivesse alguns barris de aguardente da boa, que só em coma alcóolico e com uma pipa emplastrada na nuca é que eu lhe fazia a vontade. Enfim, ele há coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se algumas semanas até que a voltasse a ver. Para isso muito contribuiu a minha faceta de roedor nocturno, fugindo vigorosamente sempre que o mais ténue ruído soava na escada do prédio. Mas não podia evitá-la para sempre. Não a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, estava eu a praticar natação na piscina que também já mencionei num &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/09/o-dia-em-que-o-meu-mundo-parou.html"&gt;post anterior&lt;/a&gt; (pelas piores razões, diga-se), quando um camarada meu se sentiu mal e foi necessário que eu fosse buscar a carteira dele ao escritório. Nessa altura fiz aquilo que qualquer bom amigo faria: exigi o respectivo pagamento pelo serviço e lá fui acudi-lo. Quando entrei no prédio, espavorido, quem estava lá? Eu acho que vocês sabem quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrateira como um traque num elevador, pairou sobre mim apanhando-me completamente desprevenido. Também ela queria a minha ajuda. Mas desta vez, diz que era PARA LHE ABRIR A PANELA DE PRESSÃO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei que tipo de pessoa anda à coca dos indivíduos que passam à porta para lhes pedir que "lhe abram a panela de pressão". E escrevo-o entre aspas porque para mim não é mais do que um eufemismo. Se eu tivesse acedido a ir abrir-lhe "a panela de pressão", nada me garantia que dias depois não fosse chamado a abrir-lhe "a pressão da panela" e convenhamos que tudo se iria encaminhar para a abertura da sua própria pressão. O que já seria demais para mim. Tanto que não fui capaz de recusar-lhe auxílio. Afinal de contas tratava-se de um pedido de ajuda e não de um convite ordinário, como era claramente o anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, voltei a fazer aquilo que se esperaria de uma pessoa de bem. Pedi-lhe para esperar, fui buscar a carteira do meu amigo que estava a contar com ela, saí novamente do prédio e, com todo o altruísmo que me reconhecem, liguei ao meu colega, o mesmo da outra vez, para ir lá assistir a velha. Não gosto de faltar a ninguém e muito menos àqueles que precisam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lá foi mas parece que se fartou de tocar à porta sem que ela lha tivesse aberto. Provavelmente, desiludida com a troca, o que se compreende perfeitamente. Só que eu não chego para todas e o mundo terá de aprender a lidar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, feitas as contas, ela continua aí. E estes dois episódios, apesar de perturbadores não me teriam incomodado assim tanto se, para além do cabelo roxo, a velha não ostentasse com frequência um espectacularmente encardido roupão com padrão de flores. Como aquelas toalhas de plástico para a mesa de cozinha mas para vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que ela deve pensar que fica um verdadeiro Hugh Hefner no feminino, isto partindo do princípio que o Hugh Hefner atrai de alguma forma as dezenas de badalhocas que estão sempre à volta dele, mas a única coisa que consegue com aquilo é atrair a mesma quantidade de mosquedo que um javali em Xabregas. Ok, digamos só Xabregas. Já chega para provar o meu ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mete impressão, disso não há dúvidas.&lt;br /&gt;Não é bonito de se ver, nem de perto nem de longe.&lt;br /&gt;Os encontros entre nós parecem saídos de um filme de David Lynch mas misturados com cenas daquele tipo que aparece na televisão a dizer que sobrevive nos piores sítios e nas piores condições, enquanto come larvas e merda de elefante. Sim, tudo isso é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas AINDA ASSIM nada se compara com o que esta velha apresenta como bandeira, a assinalar a sua janela na fachada do prédio. Uma peça de roupa que ela insiste em pendurar regularmente na corda e que é, só por si, significativa de todo um estilo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que faria a pêra do Malato assemelhar-se ao decote da Rita Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que tornaria a &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/12/sardanisca-do-inferno-e-outras-questoes.html"&gt;sardanisca do inferno&lt;/a&gt; numa bandeja de sushi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que transformaria o Justin Bieber numa mulher a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... nada mais nada menos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... do que umas calças de pijama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... COMPLETAMENTE CAGADAS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ehpá, completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ali à entrada do prédio para toda a gente esbarrar.&lt;br /&gt;Como se não bastasse TUDO O RESTO, ainda mais isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo de honestidade, convenhamos. A velha não está ali para enganar ninguém. Com um cartão de visita daqueles só se presta ao serviço quem quer. E depois não diga que ela não avisou. Ao menos neste aspecto, há que enaltecer a senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu não só não me presto ao serviço como começo a ter falta de estratégias ninja para me escapar ao confronto. Ainda não experimentei o clássico rotativo na boca "à Van Damme" mas algo me diz que se o tentasse eu me aleijaria bem mais do que ela. Assim, resta-me pegar-lhe fogo às fétidas ceroulas penduradas e esperar que o incêncio consuma o resto do covil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que depois o incêndio alastrava-se para o edifício e eu ficava sem escritório para trabalhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também quem é que gosta de trabalhar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-3611149866015815538?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/3611149866015815538/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=3611149866015815538' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3611149866015815538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3611149866015815538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/12/e-agora-algo-completamente-repugnante.html' title='E agora algo completamente repugnante'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-8225873099777425819</id><published>2010-12-05T06:26:00.000-08:00</published><updated>2010-12-05T18:12:46.033-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>A Sardanisca do Inferno (e outras questões muito relevantes)</title><content type='html'>Eu espero sinceramente que o mundo não acabe em 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo  isto não porque nutra qualquer apreço pela Humanidade mas porque,  depois do período terrível de mudanças e de pré-obras em que me  encontro, ver o mundo acabar pouco tempo depois seria uma tremenda  desilusão. O mínimo que poderiam fazer quando isto amainasse era  garantir paz no mundo, a retoma económica deste país e consequente  pontapé no cu ao Sócrates e aos restantes (que só querem é poleiro), um  bom poleiro para mim e o título de campeão nacional para o Benfica.  Julgo que não é pedir muito depois da trabalheira que isto está a dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esvaziar a casa de Benfica revelou-se um verdadeiro pesadelo.&lt;br /&gt;Primeiro,  empacotou-se a titânica quantidade de tralha que só eu e certos  roedores da América Central conseguimos acumular. Depois, encheram-se as  divisões e o corredor com estas mesmas caixas, criando um elaborado  labirinto no qual a minha gata fez questão de desaparecer durante dias a  fio. Na dúvida se estaria viva ou morta, dei por mim a atirar punhados  de granulado para o monte de caixotins, na esperança que ela desse com o  alimento e conseguisse aguentar-se por mais algumas horas. Enfim, um  autêntico pardieiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que o bovino do vizinho da seita  anti-ruído tenha dado forte e feio com a cornamenta na parede,  queixando-se das arrumações, mas a verdade é que nem dei por isso.  Estava quase literalmente afogado em mobílias desmontadas, caixas  empilhadas e muito mas muito cotão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto as mudanças fizeram-se... nunca mais volto à casa de Benfica!&lt;br /&gt;Vou até mais longe e digo que a única coisa que me vai fazer regressar  àquela zona vai ser o fantástico restaurante de sushi que se houvesse  justiça no mundo tinha a minha fotografia em grande na parede. É que nos  últimos dois anos e meio sinto que peguei naquilo que era um reles  boteco de peixe crú e transformei num dos mais requisitados "spots" no  que diz respeito a cozinha japonesa. Aquilo agora está sempre cheio! E a  maioria dos clientes fui eu que lá levei. Podia ficar ofendido com a  falta de reconhecimento e deixar de lá ir. Mas como sempre fui mais  guloso do que orgulhoso, continuo a encher a pança à base de salmãozinho  que é uma beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anyway...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes de abandonar definitivamente o santuário silencioso da Rua  da Venezuela, guardado pelo cruel minotauro com penteado "à f*****e" que  mora na casa ao lado, aconteceu um episódio curioso. Depois de ter  estado praticamente um ano sem intercomunicador, coisa que o senhorio  fazia gala em não mandar arranjar e que suscitou um espectacular abaixo  assinado de todos os meus vizinhos, uma semana antes de me ir embora o  bicho estava como novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Está giro." - pensei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de meses e meses a ter de descer as escadas para abrir a porta do  prédio às minhas visitas, coisa muito fashion e que se vê muito no  estrangeiro nomeadamente no terceiro mundo, depois disso tudo o problema  estava agora solucionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última noite passada no "cenário de guerra", eu e a minha mulher,  aproveitando o desaparecimento da comida, dos utensílios de cozinha, dos  nossos animais de estimação perdidos entre os escombros, e até da  pachorra para cozinhar, decidimos mandar vir uma pizza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRRRRRRRRIMMMMMM!!! - ela chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mulher caminhou confiante em direcção ao intercomunicador que já se encontrava operacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriso tranquilo no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregou no botão satisfeita de poder gozar o luxo que é não ter de  descer em pijama para abrir a porta do prédio ao homem das pizzas. Ao frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O botão funcionou e a porta abriu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ZZZZZZAAAAAAAAPPPPPPPPPP (para quem não sabe é o som tradicional do interruptor das portas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Som esse que devia começar e acabar em poucos segundos não devia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este começou e não acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho manteve-se sem parar. E era mais do que óbvio que após um ano  com aquilo estragado a família saguim preparava-se para uma última  gracinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O zunido soava a bom soar, sem interrupção. Talvez o botão estivesse colado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmontei o intercomunicador. Constatei que não percebia nada de electrónica. Voltei a montar o aparelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a barulheira infernal na escada...&lt;br /&gt;A acusar-nos violentamente de termos feito m***a! Mas na realidade tudo o  que a minha mulher fez foi carregar num botão. E tudo o que eu fiz foi  abrir a boca e esperar que nela viesse aterrar uma fatia de pizza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámo-nos estar no sossego do nosso lar em pedaços. A saborear a nossa refeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto enquanto no hall do prédio soava uma chinfrineira equivalente ao recolher obrigatório num Gulag.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dada altura, ouviu-se barulho lá em baixo. Algumas pancadas. E tudo ficou silencioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenci-me rapidamente que o vizinho do lado tinha resolvido o problema  com os cornos. E, como tal, deixei-me ficar, mais confortável com a  minha consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, em plena lufa-lufa das mudanças, a vizinha da frente  cumprimentou-nos, a mim e à minha mulher, com um sorriso. Coisa nunca  vista. Para uns, tal gesto poderia significar cortesia mas para mim tudo  não passava da vontade cada vez mais consumada de nos ver pelas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Já viram o que aqui fizeram ontem?", perguntou ela. "Não, não.",  respondemos nós. "Alguém carregou no intercomunicador e aquilo ficou a  fazer barulho uma data de tempo...", disse ela. "Ah, sim?", perguntámos  nós. "Sim.", respondeu ela. "E depois houve alguém que cortou aqui os  fios da porta e por isso estamos sem intercomunicador outra vez.",  acrescentou ela. "Parece impossível...", dissemos nós. "É um prédio de  selvagens, sabe?", criticou ela. "Por isso é que nos vamos embora.",  concluímos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da conversa, a ex-vizinha ainda disse que tinha pena que  saíssemos dali. Que nos achava um casal muito simpático. Observação  curiosa, dado que ao longo deste tempo nos fartou de lançar grunhidos e  olhares de carneiro mal morto. Mas de qualquer forma soube bem abandonar  o prédio com um elogio. Isso e deixá-lo definitivamente entregue aos  selvagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, dois terços das coisas foram para a casa nova que ainda aguarda as obras.&lt;br /&gt;E o terço final veio connosco para uma casa pertencente à minha família, em Paço d'Arcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não esteja cá ninguém a morar, a casa mantém-se habitável e  pronta para qualquer necessidade. E dado que se não viesse morar agora  para aqui ou ficava a dormir em cima de pilhas de ladrilho na nova  residência ou montava uma tenda debaixo do viaduto Duarte Pacheco...  podemos dizer que é mesmo necessário. Isto embora seja uma solução  temporária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira noite aqui, e depois da má experiência com as pizzas ainda  em Benfica, que para além de terem arruinado com o intercomunicador  também arruinaram com o meu sistema digestivo pelos simples facto de  "saberem mal como tudo", decidimos fazer hambúrgueres de atum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao verificar que os mesmos estavam a libertar algum fumo, lembrei-me de ligar o extractor que se encontrava por cima do fogão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RRRRRRRÁ - soou o velho aparelho enquanto cuspia um estranho projéctil contra a minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa para compreender o que se tinha passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova pausa para dirigir o olhar para o tal projéctil arremessado pelo extractor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo agora de gritar como uma menina e sentir-me horrorizado com o sucedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tinha sido arremessado contra a minha mão, era nada mais nada menos do que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... O CADÁVER RESSEQUIDO E DISFORME DE UMA SARDANISCA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, leram bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie de Tutankamon das osgas que, prevendo o fim cada vez mais  próximo, decidiu largar o peido mestre entre as pás do extractor cá de  casa.&lt;br /&gt;Após ter-me tocado na mão, repousava a escassos centímetros daquele que iria ser o meu jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda de folhas de papel e à maior distância que o corpo humano  consegue funcionar, lá coloquei o "freakshow" no lixo. E escusado será  dizer que rezei a todos os santinhos para que a gata não fosse lá  buscá-lo e vir colocar-mo de novo no colo. Isso ou aparecer-me durante a  noite a roer o repugnante cadáver como se de um pretzel se tratasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, felizmente nenhuma destas visões aterrorizadoras se confirmou. A  Sardanisca do Inferno até ver foi exorcizada e não se têm verificado  problemas de maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, até as obras na casa nova estarem prontas ainda temos muito que penar.&lt;br /&gt;A Benfica desejo um futuro à sua medida, sem rancores, principalmente  para aqueles que me chatearam ou me prejudicaram de alguma forma. Sem  qualquer tipo de sentimentos negativos ou de prisões com o passado, lhes  desejo do fundo do coração que lhes nasça um feto no cimo da cabeça e  que não os deixe dormir durante a noite, cantando o repertório completo  do Nelson Ned over and over again...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Paço d'Arcos, infelizmente vai ter de levar comigo durante uns meses.&lt;br /&gt;O que, sejamos francos, não é assim tão mau quanto isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se formos a ver bem até há coisas piores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quase todas elas envolvem cadáveres secos de sardanisca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-8225873099777425819?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/8225873099777425819/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=8225873099777425819' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8225873099777425819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8225873099777425819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/12/sardanisca-do-inferno-e-outras-questoes.html' title='A Sardanisca do Inferno (e outras questões muito relevantes)'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-7840662957163309750</id><published>2010-11-21T04:39:00.001-08:00</published><updated>2010-11-21T17:35:43.453-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Darwin para Totós</title><content type='html'>Quem já leu Darwin, quem percebe alguma coisa de Evolução ou lê outra coisa que não seja a Tv Guia sabe que só existem 2 tipos de seres humanos: os Caçadores e os Recolectores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, eu nunca li Darwin nem percebo mais de Evolução do que o comum dos mortais mas achei que dava mais credibilidade à minha tese se começasse o texto desta forma.&lt;br /&gt;Chamem-lhe má fé, chamem-lhe estupidez, mas de qualquer maneira está na altura de pormos as Tv Guias de lado e reflectirmos um pouco sobre esta ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caçadores e Recolectores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que foi assim, no Passado. Tipo, há milhares de anos.&lt;br /&gt;Eu não sou capaz de comprovar porque não era nascido. Mas o Manuel de Oliveira era e foi mais ou menos nessa altura que idealizou o "Aniki Bóbó". Só que a malta na altura era burra e não ia ao cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, falo em caça e em recolecção para definir a relação que as pessoas têm com os seus pertences. Os Caçadores são aqueles que quando querem alguma coisa, falemos apenas de bens essenciais à vida como uma casa para viver ou a última versão do PES para a Playstation 3, lutam, trabalham, suam e sangram para a conseguir. Porém, quando finalmente atingem o seu objectivo, desfrutam do seu pertence e quando acabam pouco se importam com o que lhe acontece. Se se perder, perdeu. Se se estragar, estragou. Se, digamos, uma gata ou uma coelha roer, roeu. E está-se assim muito bem.&lt;br /&gt;Os Recolectores já são diferentes. Para conseguirem cumprir o seus desejos muitas vezes aplicam o mesmo esforço do que os Caçadores mas quando têm nas suas mãos o tão anciado prémio... Guardam-no. Protegem-no. Nunca se livram dele. E, muitas vezes. coleccionam-no.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um Recolector.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui mais, há que dizê-lo. Mas é algo que me está na massa do sangue.&lt;br /&gt;A minha tendência é para agrupar objectos semelhantes, assim como fazem certos chimpanzés em laboratórios de pesquisa. Só que a mim deixaram de me dar bananas como recompensa há alguns anos. Ainda assim, achei que estava na altura de homenagear a nobre arte do coleccionismo e escrever sobre as minhas colecções de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não começo nenhuma colecção há muitos anos. Há quem diga que amadureci mas eu acho que é por falta de tempo. Tenho acumulado gordura na pança mas isso dificilmente será uma colecção... Quando muito é um passatempo. Mas uma colecção implica outro tipo de directrizes. Anyway, como não podia deixar de ser, e porque este blogue vive muito de rankings, aqui ficam os Tops das minhas colecções. Dividi a contagem em dois, as normais e as anormais... Porquê? Vocês vão perceber porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TOP 3 DAS COLECÇÕES, DIGAMOS &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NORMAIS&lt;/span&gt;, SE É QUE ALGUMA COLECÇÃO CONSEGUE SÊ-LO, MAS PRONTO ESTAS SERÃO MAIS SOCIALMENTE ACEITES DO QUE AS OUTRAS VÁ, DO VOSSO SEMPRE AMIGO SAGUIM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;SELOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aqui tudo normal, parece-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As colecções de selos existem há séculos, muita gente como deve ser as fez e convenhamos que não deixa de ser um investimento. É que isto é coisa para valer algum dinheiro. Não organizada como eu a tenho claro... Desta maneira calculo que não sirva p'ra nada. Tenho vários álbuns, cada um relativo a um continente, onde os selos estão divididos por países e pouco mais do que isso. Estou-me nas tintas para as séries, para os anos e para o raio que parta... aquilo está orientado por temazinhos e já é uma grande coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início organizava os selos com a ajuda de uma pinça.&lt;br /&gt;Mas era só para fazer vista. Para dar estilo.&lt;br /&gt;Todavia, como invariavelmente esta actividade deprimente decorria na solidão do meu lar, apercebi-me que não estava a impressionar ninguém. E então reformei a pinça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que o pontapé de saída para ter decidido fazer uma colecção de selos foi ter sabido que o meu avô em tempos também tinha tido uma. Só que teve de vendê-la devido a problemas financeiros. Isto porque a dele, sim, valia alguma coisa. Lembro-me que depois de me ter contado isto lhe perguntei porque não tinha tirado umas fotos dos álbuns para guardar como recordação. Ele olhou para o puto estúpido que lhe tinha feito a pergunta estúpida e limitou-se a encolher os ombros, evitando olhar para a minha cara sorridente que achava ter focado um ponto importante. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;ÍMANES PARA FRIGORÍFICO / COPINHOS DE SHOT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois enormérrimos clichés. E, para mim, dois gigantescos potes de areia movediça...&lt;br /&gt;Quando comecei a viajar pelo mundo fora, visitando paraísos exóticos como Armação de Pêra ou Badajoz, impunha-se o exercer da minha tendência para a recolecção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como sou um indivíduo extremamente criativo, sempre em busca de ideias "fora da caixa" (como eu adoro esta expressão), nada melhor do que começar a comprar AQUILO QUE TODA A GENTE COMPRA PARA ASSINALAR A PRESENÇA NUM LOCAL. O problema é que como já viajo há alguns anos e comecei a fazer aquilo logo na primeira viagem, agora não consigo parar. Penso que, de alguma forma, estou a faltar ao respeito ao pequeno Saguim que comprou o primeiro íman ou o primeiro copo... E se eu não gosto de faltar ao respeito a ninguém, muito menos a mim próprio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que eu faço com estas lindíssimas peças de decoração?&lt;br /&gt;Os ímanes, pasmem-se, estão na porta do frigorífico. Se dúvidas houvessem que sou bimbo, basta darem um salto aqui à cozinha do menino. Os copinhos de shot que NUNCA foram, são ou serão usados, estão num armário a apanhar pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a Deus que a minha mulher ainda não se lembrou de implicar com isto.&lt;br /&gt;Porque se algum dia o fizer vou ter de pô-la na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que mulher tenho uma, ímanes e copinhos tenho muitos. Em termos de colecção, a segunda ganha em quantidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;CROMOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes felizmente já não colecciono. É que, verdade seja dita, aquilo dava uma trabalheira dos diabos. Era o ritual de comprar carteirinhas nos quiosques, cujos donos esfregavam as mãos de contentes quando me viam aproximar arrastando um adulto cabisbaixo pela mão. É preciso dizer que, à minha conta houve muito antigo proprietário de quiosque que se deu bem na vida. O Belmiro de Azevedo, por exemplo, tinha o dele junto à Tarantela no largo da Estefânia. E hoje nem uma lembrança no Natal nem nada. Enfim, feitios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da compra das carteirinhas seguia-se o abrir das mesmas e a felicidade incontrolável quando se encontrava um ou dois que não se tinha. Os outros engrossavam o molho dos repetidos que se prendiam com um elástico. Depois ainda implicava arte e engenho na altura de colar aquilo dentro dos limites da moldura respectiva, no álbum. Apesar de fazer muita coisa mal na altura (hoje já não faço nada mal como é evidente) era um verdadeiro mestre na colagem perfeita e sem mácula de cromos em cadernetas. Agora, o que é que isso me rendeu na vida? Pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso, porque não é por saber colar bem crominhos num quadrado que mais depressa arranjo emprego, que me deixei de coleccionar cromos. Claro que isso não invalida que tenha aqui duas ou três Simaras de cadernetas (num mundo ideal, "Simara" seria uma unidade de medida de peso) a fazer as delícias dos bichos do papel. Mas como temos de ser uns p'rós outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, adiante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TOP 3 DAS COLECÇÕES, COMPLETAMENTE &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANORMAIS&lt;/span&gt;, BIZARRAS, ESTAPAFÚRDIAS E TUDO MAIS DE ESTRANHO E LYNCHEANO QUE LHE QUEIRAM CHAMAR, DO VOSSO SEMPRE AMIGO SAGUIM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;POSTAIS ILUSTRADOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de todos os adjectivos acima descritos, esta colecção introduz-nos também o campo do incrivelmente DEPRIMENTE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postais ilustrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que é que eu estava a pensar quando decidi juntar umas micas numa pastinha e guardar tudo o que se enquadrava neste universo? A menos que estivesse nesse preciso momento a ser operado ao cérebro, com uma serra a separar-me os hemisférios, julgo que não tenho desculpa alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eles ainda aqui estão. Na pastinha.&lt;br /&gt;Coisas tão díspares como aqueles postais com bonecos horrivelmente ordinários que se vendem no Algarve, o sempre terno Topo Gigio ou uma ilustrações foleiras de, por exemplo, o "Outono".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mostrei isto a ninguém. Ao menos aí tive juízo.&lt;br /&gt;Não que a colecção seja repulsiva de alguma forma mas é mesmo MESMO muito nonsense. Não é fácil explicar às pessoas que aquele que se lembrou de iniciar tal colecção, ou seja eu em puto, não era também possuidor do QI de um rato morto. É uma cantiga difícil de engolir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;PORTA-CHAVES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apercebo-me que praticamente TODAS estas colecções foram iniciadas em criança e que eu hoje sou apenas a vítima de um horrível legado pelo meu "eu" passado... Fui claro? Basicamente gostava de voltar atrás no tempo, mandar um banano em mim próprio e berrar-me ao ouvido "PÁRA DE ACUMULAR M***A, PÁ!!!" Talvez tivesse resultado. Mas cheira-me que nunca vou ter a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, os porta-chaves. Um flagelo da minha vida actual.&lt;br /&gt;Quando era miúdo vi uma fantástica reportagem do Canal 1 (como lhe chamavam na altura) sobre uma tasca que tinha o tecto coberto de camarões (os parafusos, não o marisco) que penduravam uma épica colecção de porta-chaves. De todas as formas e feitios. E como os clientes da Casa de Pasto já sabiam que o dono tinha esta, digamos, deficiência, traziam-lhe sempre novos cada vez que lá iam comer. E o dono punha mais camarões e pendurava mais porta-chaves no tecto. E toda a gente achava graça. Apesar de estarem a almoçar na iminência de lhes cair um sapo Cocas no guisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que hoje me repugna antes maravilhava. Achei muito boa ideia. E imaginei que seria muito lindo ter um dia o tecto da minha casa coberto de camarões e uma colecção de porta-chaves ainda maior do que aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camaradas, só para vos dar um lamiré... Vamos admitir que eu não tinha mudado nada e continuava a pensar da mesma forma. O dia em que eu abordasse esse assunto junto da minha mulher era o dia em que passaria a ser conhecido como "o Eunuco de Benfica"... E mais não digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas as contas, tenho duas enormes caixas cheias de porta-chaves até acima e não sei o que fazer com elas. Cómico é o facto de que sempre que preciso de um porta-chaves vou comprar. Podia tirar um qualquer da caixa mas aqueles pertencem à colecção. Colecção essa que eu já não quero mas que também não vou deitar fora... Até porque muitos dos itens me foram oferecidos e vieram de outros pontos do globo terrestre. Dilema, dilema, dilema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns anos atrás apercebi-me finalmente daquele que seria um destino digno para esta colecção: a doação a um qualquer Museu do porta-chaves. Em troca de uma ala com o meu nome, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que não há nenhum.&lt;br /&gt;Parece que o Estado acha que porta-chaves e cultura não estão bem no mesmo patamar.&lt;br /&gt;É por isso que o Estado é estúpido. Por isso e por mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegámos então àquela que é a "pièce de résistance" desta conversa toda. A colecção mais bizarra de todos os tempos, fora da prisão ou do hospital psiquiátrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pede-se às pessoas mais sensíveis que fechem esta janela e abram outra com o Noddy, por exemplo. Pede-se aos bravos que decidirem ficar para desligarem o som dos telemóveis e afastarem-se de objectos cortantes. Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então cá vamos a isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;É MELHOR NEM PÔR TÍTULO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era miúdo (outra vez!!!) passava muito tempo sozinho em casa dos meus avós. Os meus avós tinham e têm, felizmente, um terraço no último andar de um prédio. Eu passava muito tempo nesse terraço a falar sozinho e a olhar para as moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As moscas pousavam no muro do terraço, a apanhar sol. Eu olhava para elas e achava que a nossa convivência podia ser levada para um outro nível. Algo mais íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, comecei a olhá-las com um frasco de vidro na mão. A conceber todo um plano maquiavélico. Elas é que esfregavam as patinhas ao sol mas eu é que estava a congeminar algo terrível. Elas não faziam ideia. Eu sorria, com o frasco na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após várias tentativas capturei uma, colocando o recipiente de cabeça para baixo. Arrastei-o sem o afastar da base até ao limite do muro e coloquei a mão debaixo, a tapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui buscar álcool etílico.&lt;br /&gt;Às escondidas porque, vá-se lá saber porquê, a minha avó gostava pouco que eu brincasse com álcool, ou com fósforos, ou menos ainda com as duas coisas ao mesmo tempo. Mas logo por azar era com isso que eu mais gostava de me entreter...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei um pouco de álcool no frasco. Deitei-lhe fogo. Labareda súbita. Mosca carbonizada no fundo do frasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois retirei a mosca e com o auxílio de uma velha faca, cortei-lhe a cabeça e coloquei-a num pratinho de esmalte que os meus avós tinham. Achei tanta graça à ideia que comecei a fazer disso o meu hobby de fim de tarde. E a dada altura a minha colecção de "cabecinhas de mosca num prato de esmalte" fazia já inveja a muito bom assassino em série!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pausa para aplausos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(outra pausa para constatar que não houveram aplausos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a recordar que aquilo que hoje se acha horrendo na altura era uma forma de passar o tempo como outra qualquer. É importante não esquecer que só haviam dois canais de televisão e o Eládio Clímaco aparecia mais do que seria desejável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas a verdade é que eu próprio acho que aquilo não era coisa que se fizesse. Não sei onde foi parar essa minha colecção mas desconfio que a minha avó a tenha confundido com insectos mortos e a tenha deitado para o lixo. Onde pertencia, convenhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, e dentro desta minha veia de recolector é a única colecção verdadeiramente original. Aquela que não deve haver muito mais gente no mundo a ter uma igual. Eu pelo menos assim o espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, Caçador ou Recolector? Qual o melhor, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que acaba por ser o Caçador.&lt;br /&gt;Mais limpinho, mais organizado, mais apelativo para as gajas e, acima de tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... com menos cheiro a mosca morta impregnado na roupa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-7840662957163309750?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/7840662957163309750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=7840662957163309750' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7840662957163309750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7840662957163309750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/11/darwin-para-totos.html' title='Darwin para Totós'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-807670543030138398</id><published>2010-11-13T17:03:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T03:46:25.042-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Do not cross</title><content type='html'>Já não é segredo para ninguém que a minha saída de Benfica está para muito breve.&lt;br /&gt;Não é segredo porque eu mesmo o anunciei neste blogue há umas semanas, apesar de ninguém me ter perguntado nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digamos que não sou muito bom a guardar segredos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente tenho até ao final do mês para abandonar esta casa.&lt;br /&gt;O meu lar doce lar durante os últimos dois anos e meio.&lt;br /&gt;Casa essa que se pusermos de lado o chifrudo do vizinho anti-ruído, o escape negro do autocarro que pára à porta, os gritos dos transeuntes drogados e marginais de madrugada, o indivíduo meio monhé que está 24 horas por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano, sentado na esplanada da rua a beber imperiais umas atrás das outras sem ficar bêbado e a conversar com os velhotes, o ordinário que me riscou o carro, o outro ordinário que um dia me colocou um bilhetinho no limpa pára-brisas a chamar-me "anormal", os vizinhos mal-encarados, o indivíduo que vem receber a renda todos os dias 7, estilo medieval, porque, ainda não percebi porquê, não se pode pagar via multibanco, o violador de Telheiras que aterrorizou as redondezas, o mijo que muitas vezes aparece no hall de entrada do prédio e cujo mijão se nega a limpá-lo e o intercomunicador que o senhorio se orgulha em pura e simplesmente não mandar arranjar... se pusermos de lado tudo isso, esta casa nem nos acolheu muito mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que aquela para onde vamos fica bem longe daqui e precisa de umas obras antes da mudança. Nada de fundo, não comprei nenhuma barraca, embora tenha visto algumas bem jeitosas e em conta, mas é coisa para durar uns dois mesinhos. Por causa disso, os últimos tempos não têm sido nada fáceis porque pensar em tudo o que queremos fazer e ainda tratar de mil e uma burocracias e chatices acaba por ser quase outro trabalho a tempo inteiro. E se já me chateia ter um, então dois é mesmo coisa para dar cabo dos nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que quando não sobra tempo para mais nada, há uma série de outras coisas extra-emprego que ficam ou em stand-by ou quase completamente esquecidas. Falo de algo tão essencialmente simples como a limpeza da casa onde ainda estou. Ou da ausência dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, sejamos sinceros, a permanência aqui neste momento provoca-me muito nojo.&lt;br /&gt;Por outro, custa-me estar a gastar energia e recursos na higiene de um local que muito brevemente vai deixar de me albergar. Estão a ver o dilema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sou preguiçoso acabo por me concentrar mais no segundo ponto. Aquele que diz: "What's the point...", afasta o lixo e se deita em posição fetal para acordar no dia seguinte de manhã. Sou preguiçoso para me mexer e fazer limpezas e, mais do que isso, sou preguiçoso para berrar à minha mulher que tem duas horas para pôr isto num brinquinho. Bom, aí sou até mais medroso porque penso que não me safava de levar uma patada nos dentes. Portanto, deixo-me estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, é possível encontrar por aqui coisas curiosas e dignas da atenção da ciência.&lt;br /&gt;As bolas de cotão atingem dimensões impressionantes e é comum vê-las a voar no corredor como se estivesse no Velho Oeste. Faz um bonito efeito. Fica só a faltar o Clint Eastwood mas não há meio do homem vir a Benfica. Coisa que eu até compreendo, dada a falta de fascínio e/ou interesse desta zona, mas a vir juntava-se o útil ao agradável e às tantas até me dava uma mãozinha e aspirava uma divisão ou outra. Assim de repente, parece-me pouco provável que um dia o Clint Eastwood me venha aspirar a casa por isso prefiro não contar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigamos em frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta casa produz bolas de cotão como a China produz leite em pó à base de veneno... É às pazadas. O que até se percebe dado que cá vivem 3 criaturas cuja principal função é gerar pêlo dia e noite. Falo da coelha, da gata e, como é evidente, da minha "mais que tudo". Eu sou apenas uma infeliz vítima desta situação horrível dado que pouco pêlo possuo já na zona da cabeça, e o pouco que tenho é regularmente rapado. Já sugeri o mesmo "hairstyle" às referidas 3 criaturas mas a sugestão foi recebida com pouco entusiasmo. Resultado disso é a continuidade das tais bolas de cotão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora são tantas e tão grandes que a gata volta e meia olha para mim com os olhos arregalados como quem diz: "Ehpá, já limpavas isto ó porco da m***a! Tenho conhecidos que vivem às espinhas na rua e nem eles se sujeitavam a este pardieiro." Vai daí, dou-lhe um biscoito e compro-lhe o silêncio por mais algumas horas. Ah! E volta e meia também é costume ouvi-la espirrar muito atrapalhada quando decide engolir um pedaço de cotão. Sempre uma graça. Eu sorrio perante a sua estupidez, dou-lhe uma festa na cabeça e fico a desejar que tão cedo uma não se cruze no seu caminho. Por agora, é tudo o que consigo fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o cotão é realmente um enorme flagelo, o que dizer das descobertas revolucionárias que se vão passando na cozinha? Sim, é verdade, coisas do arco da velha. Já alguma vez tiveram uma abóbora podre no caixote do lixo durante dias? Não é tão espectacular como dizem. Na verdade, é tão nojento que se torna quase ofensivo. Eu levei a reacção da abóbora perante o tempo e a exposição ao ar como um insulto pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro a velhaca decidiu dizer-me que não estava em condições de ser consumida através do seu aspecto. Tinha ar de estar estragada e assim sendo foi devidamente colocada no caixote. O problema é que, dada a tal falta de tempo, esse saco acabou por permanecer no lixo durante alguns dias. O suficiente para a porra da abóbora me encher o caixote de uma espécie de água infernal emanadora de cheiro nauseabundo. Uma cortesia desta besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca fui grande fã de abóboras e de um certo ponto de vista alguma razão deve ter a malta que lhes desenha caras feias e as exibe no Dia das Bruxas. Mas daí ao ódio que senti naquele dia vai uma boa diferença... E tão cedo parece-me que não ponho nenhuma na sopa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cozinha sucedeu ainda outro fenómeno natural digno de nota. Depois de uma refeição de favas com chouriço e de colocado o excedente num tupperware, o meu genial cérebro sugeriu-me  que colocasse o recipiente dentro do forno por estar ainda quente, a fazer horas para ir para o frigorífico. Dentro do forno, porque em cima da bancada está fora de questão. A menos que queira proporcionar à gata o banquete do ano, o que muito sinceramente não me seduz por aí além. Coloquei então o tupperware dentro do forno e o mesmo só foi reencontrado alguns dias mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro era deveras incomodativo, verdade.&lt;br /&gt;Impregnava a cozinha como o cadáver de uma doninha, verdade.&lt;br /&gt;Mas o novo aspecto peludo e fofinho atribuía à velha refeição uma faceta carinhosa. Muito terna. Como um peluche mas para comer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, digno de estudo digo-vos eu. Mas como também não tenho tempo para isso deixei a biodiversidade em "águas de bacalhau".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, há mais a dizer acerca deste upgrade de pocilga ao qual ainda chamo casa. A casa de banho, por exemplo, nem está muito mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para uma casa de banho pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considerarmos os critérios dos sanitários dos centros de dia ou das estações de comboios, esta até dá gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então não e é repugnante como as outras... Mas não vou entrar em pormenores para não chocar ninguém e não provocar aquele movimento do esófago que "diz que vomita e depois não vomita". Enfim, isto por aqui está agreste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O volume de roupa suja excede agora em muito o volume de roupa limpa. Não há tempo para meter na máquina e, além do mais, tem estado de chuva. Portanto, tenho agora um cesto a transbordar e ainda um saco cheio em cima, a fazer peso para que a tampa feche minimamente, que não me deixa mentir. E escusado será dizer que estes dois elementos acentuam ainda mais o clima de "barracaria" que domina este domicílio. É de fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, hoje calcei o último par de peúgas da gaveta. Umas brancas da nike, para jogar à bola. Em situações normais não as usaria hoje mas não me restou outra opção. As cuecas também estão a acabar-se e se não tratar da roupa o quanto antes parece-me que vou ter de optar por um estilo de vida mais "à larga". Espero do fundo do coração que não chegue a tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito um balanço final, aquilo que me dá algum alento é que TODA esta situação não é senão temporária. Daqui a pouco tempo já estarei numa casa mais bonita, com mais luz, mais arrumos, mais espaço... e mais área para distribuir a porcaria que mais tarde ou mais cedo se gera! Dar-me-á muita alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo que tenha de lidar com isto por agora, convém manter o bom humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrir sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desesperar com a falta de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser optimista e, sobretudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... comprar mais biscoitos para gato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-807670543030138398?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/807670543030138398/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=807670543030138398' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/807670543030138398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/807670543030138398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/11/do-not-cross.html' title='Do not cross'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-2632231629007882591</id><published>2010-10-31T16:23:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T17:33:25.281-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Sóbrio mas Feliz</title><content type='html'>Olá, eu sou o Saguim e gosto muito de vinho tinto... (digo eu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá Saguim. (respondem vocês)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto tanto do rubro néctar que há uns tempos atrás a minha doce mulher lembrou-se de me oferecer um daqueles packs da Smartbox, dedicado a workshops, de modo a que pudesse aumentar os meus conhecimentos acerca do mesmo. Conhecimentos esses que neste momento estão muito perto do nulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei dizer se o vinho me sabe bem ou se me sabe menos bem. Mal, raramente sabe. Mas gostaria de deixar de fazer aquele teatro ridículo sempre que o empregado de mesa mo dá a provar num restaurante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente faço o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergo bem alto o copo no ar. Observo o líquido. É vermelho. Confere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bamboleio a vinhaça no copo não sei bem para quê. Dou-lhe uma cheiradela. Cheira a vinho. Confere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebo um golo. Semicerro os olhos para parecer que estou a saborear os taninos ou lá o que é. Em vez disso, constato que sabe a vinho. Portanto, confere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço que sim com a cabeça, com ar de entendido, e vejo o empregado servir-me a mim e à pessoa que me acompanha. Isto enquanto provavelmente o indivíduo se regozija por me ter servido a garrafa que esteve na montra durante o último mês, a apanhar sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, vai daí, e em grande parte para evitar estas minhas figuras de palhaço, a minha mulher lembrou-se de me oferecer um pequeno curso de nome "Para quem não percebe nada de vinhos mas gostava de perceber". Nada mais adequado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local? Um pequeno restaurante vegetariano e, ao que parece, centro de cursos e oficinas, chamado "Bem-me-quer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá embora, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém nos oferece um pack da Smartbox, da "Vida é Bela", ou de uma das outras 50.000 empresas que agora proporcionam uma vasta oferta de experiências, ficamos contentes quando recebemos a prenda mas depois deixamo-la "a pastar" numa gaveta até começarmos a ficar com medo que perca a validade. Comigo, foi exactamente isso que aconteceu. Apesar de gostar muitíssimo de vinho, não ao ponto de não conseguir manter um emprego ou um plano de higiene pessoal mas o suficiente para um dia ter pedido num bar "Uma caipirinha, por amor de Deus" em vez do normal "se faz favor", deixei que o pack marinasse em casa até muito recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que não tenha ligado há tempos a tentar reservar o curso. Liguei duas vezes. A primeira delas, os tipos estavam a preparar-se para entrar de férias. Portanto, mau timming. Já na segunda, o formador estava numa vinha e só voltaria na semana seguinte. Pensei logo: o formador está numa vinha? Ou é enólogo ou apanha uvas para ganhar uns trocos... Seja como for, deve perceber do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só na última semana consegui finalmente marcar o tal workshop. E que contente que eu fiquei... Todos os dias antecipava o momento na minha cabeça. E, não sei bem porquê, sempre que o fazia imaginava um patusco encontro de bebedeira entre desconhecidos, brindes sucessivos, sonoras gargalhadas e muito "Se o Saguim quer ser cá da malta..." Mais prático que teórico, no fundo. Mas depois também pensava: se assim fosse haveria muito bêbado a querer reservar cursos destes porque parecendo que não acabam por pagar menos do que se fossem para a tasca beber penaltis uns a seguir aos outros... Vai daí, imaginei que às tantas o curso deveria ser menos orgia romana e mais coisa séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marquei então para 29 de Outubro, última sexta, às 19h. E o que aconteceu foi mais ou menos isto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A HORA DO SAGUIM APRESENTA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O RELATO EBRIAMENTE CHOCANTE DO WORKSHOP "PARA QUEM NÃO PERCEBE NADA DE VINHOS MAS GOSTAVA DE PERCEBER", FREQUENTADO PELO SAGUIM NUM ESPAÇO DE NOME BASTANTE RABICHO, CHAMADO "BEM-ME-QUER"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18h20&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é um grande dia! Finalmente vou fazer o meu workshop de vinhos. Até que enfim... Fartei-me de adiar e agora sim, vai acontecer. É por isso que o dia de hoje vai ficar para a História. Por isso e porque há horas atrás fui comprar uma casa... Isso também é capaz de importar: a escritura do lar onde se calhar vou viver para sempre. Nada que se compare ao vinho mas ainda assim digno de nota. Já não falta muito! Daqui a bocado é que vai ser!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18h30&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim do banco e da escritura directamente para casa dos meus pais que fica mais próxima do tal sítio. "Bem-me-quer"... Não conheço. Mas também não importa. Desde que haja vinhaça, o nome até podia ser mais gay. Fecho o portátil, dou o dia de trabalho por encerrado, e preparo-me para descer a rua. Que excitação! Finalmente vou ficar um entendido na matéria e começar a mandar vinhos para trás por "não estarem em condições". AHAHAHAH... O PODER!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18h45&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à "Bem-me-quer". O restaurante está fechado. Isso e tem as luzes apagadas. Tudo bem, o workshop não há-de ser no espaço do restaurante e ainda não são 19h. Pergunto a uma senhora moradora no prédio onde ficam os escritórios em que acontecem os cursos. Ela diz-me que é ali no rés-do-chão. Eu agradeço, sempre bem educado, ansioso por beber uns canecos e perder a educação toda... Eheheheh cá estou eu. Toco à porta. Espero um bocado. Ehehehehe 'Tá quase! 'Tá quase! Ninguém abre. Ok, ainda não são 19h. Eu espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18h55&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já só faltam cinco minutos para as 19h e ainda não há sinais de vida dentro do estranho local. Já toquei e toquei e nem um som. O vizinho da frente, depois de certificar-se que eu não era "drógado", disse que "a senhora" tinha saído e já voltava. Não percebo exactamente o que quer ele dizer com "a senhora". Não sei se é relativo a religião ou a putedo... Mas pelo aspecto da escada do prédio inclino-me mais para a segunda hipótese. De qualquer maneira, deixo-me ficar na escada à espera. Em pulgas para afogar o meu stress num belo alentejano. Vinho, diga-se. Não num indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18h58&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai uma mulher do escritório. Apercebo-me rapidamente que não é "a senhora". Vem sozinha e com um sorriso parvo. Eu pergunto-lhe se é ali que dão workshops de vinhos e ela diz-me que sim. Diz que é professora de yoga e que não me abriu a porta porque não é dona daquilo. É professora mas não vem com aluno nenhum... Eu acho estranho mas agradeço e continuo à espera. Antes de se ir embora ela diz-me que "a senhora" deve estar a chegar. Eu sento-me na escada com atenção ao interruptor que volta e meia desliga-se e deixa-me às escuras.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h00&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vou sonhando com o glamour do vinho tinto e da piela que tenciono apanhar quando chega um tipo brasileiro. Vai ser colega de formação. Ele pergunta-me se é ali a "Bem-me-quer". Eu digo que não sei mas que deve ser. Digo que "a senhora" deve estar a chegar. Vejo pela cara dele que não sabe quem é "a senhora". Mas tal como no vinho que me dão a provar no restaurante, faço o ar entendido de quem sabe e evito qualquer pergunta que ele me tenha a fazer. Fico sentado na escada enquanto ele se encosta à parede a mexer no telemóvel. Fazemos um bonito duo. A porta ao nosso lado fechada. E o workshop que devia estar a começar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19h15&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Tá giro... Passaram-se quinze minutos e nem "senhora", nem fulano que andava nas vinhas ainda há duas semanas nem outros formandos nada. A porta continua fechada, lá em baixo o restaurante às escuras, eu sentado na escada e o brasileiro encostado à parede a mexer no telemóvel. E assim se vai passando o serão. A luz da escada apaga-se. E perante a inércia do "colega" sou eu que me levanto para a reacender. Começa a cheirar-me a esturro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19h20&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso... Vinte minutos de atraso. Também não vale a pena ficar já irado. Pode ter acontecido algum acidente. Quando reservei pelo telefone pediram-me os meus contactos por isso estou certo que se pudessem ter previsto isto já me tinham ligado. É isso, de certeza que tarda nada vai entrar por aí adentro "a senhora" espavorida porque foi atropelada por uma carrinha de caixa aberta, fractura exposta em ambas as pernas, mas decidida a abrir-nos a porta e a proporcionar-nos o nosso workshop. O brasileiro continua a mexer no telemóvel sem levantar os olhos. Eu, volta e meia, bufo para ver se manifesto a minha impaciência e se troco meia dúzia de palavras com ele. Porém, sem sucesso. A luz da escada apaga-se. Quem se levanta sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19h30&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem ver que não vai haver curso p'ra ninguém?! Mesmo que "a senhora" apareça aí com um Ford Fiesta emplastrado na nuca, não há sinal do tipo das vinhas... Se calhar ficou por lá. Deve estar neste momento a dormir de barriga para baixo no meio das videiras, com as calças pelos tornozelos e a tentar não se afogar no próprio mijo. Bêbado! A dada altura digo ao brasileiro que estou a perder a paciência e que vou telefonar para os números de telefone que estão no livro da Smartbox. Ele não me liga nenhuma e continua a mexer no telemóvel, encostado à parede. Encontro dois números: um fixo e um móvel. O fixo ninguém atende. Surpresa chocante. O móvel não está atribuído. Mau... Apaga-se a luz. PORRA QUE JÁ É DEMAIS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19h35&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUE SORTE A MINHA!!! MALDIÇÃO! QUE CAIA JÁ UM METEORITO DAQUELES F****OS, QUE DERAM CABO DOS DINOSSAUROS, EM CIMA DESTA ESPELUNCA!!! Nem sinal da "senhora", nem do bêbado, nem da professora de yoga (que às tantas era mesmo "a senhora" e se baldou de maneira airosa) nem de ninguém. Estou p'raqui enfiado numa 6ª feira à noite, lado-a-lado com um indivíduo que é brasileiro, na escada de um prédio antigo que volta e meia fica às escuras E CONTINUO A NÃO PERCEBER GRANDE COISA DE VINHOS! Os moradores do prédio entram, uns após os outros, em direcção às suas casas. Nenhum deles é "a senhora" que neste momento, a chegar, não se safa de ouvir uns insultos dirigidos a ela e à família. Em vez disso, vão chegando os vizinhos, cada um mais feio que o outro. Faz-me lembrar o meu prédio em Benfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19h45&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-me embora. Despeço-me do brasileiro e atiro para o ar o clássico "Isto é uma vergonha..." Ele aproveita e vai-se embora também, lixado com a "sacanagem". Chego a casa tão sóbrio quanto saí e, há que dizer, bastante desiludido com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, foi assim o meu workshop de vinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escusado será dizer que depois do feriado pingarão duas queixazinhas no atendimento ao cliente da Smartbox: uma em português do Brasil e outra em português de Portugal. E se me dá p'raí ainda pingarão mais em inglês, francês, espanhol ou madeirense. Não que saiba falar estas línguas mas sei quem sabe e decerto me farão o favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou também muito determinado a ligar para a "Bem-me-quer" e dar uma palavrinha à "senhora". Mostrar educadamente a minha indignação. E, se vier a propósito, mandá-la p'ró c*****o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, enquanto a minha mulher se ocupa com frivolidades como as obras na casa nova, as mudanças e tudo o que há a comprar, eu estudo formas criativas de me vingar desta gente. Disso e de tornar mais credível o meu teatro quando provo vinhos em restaurantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que o segredo está no estalo da língua, após o gole...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-2632231629007882591?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/2632231629007882591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=2632231629007882591' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2632231629007882591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2632231629007882591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/10/sobrio-mas-feliz.html' title='Sóbrio mas Feliz'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-7227076977936731657</id><published>2010-10-23T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T08:51:28.335-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Confissões de uma Mente Perturbada</title><content type='html'>Aviso já às pessoas mais impressionáveis, ou então àquelas que se  preocupam mais comigo, que o título deste post não indica que enlouqueci  ou que esteja com problemas psicológicos. Muito longe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maluco já eu sou há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, nada de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para  mim, a grande diferença entre a malta que é, digamos, insana e o resto  do pessoal é que os primeiros têm uma percepção bastante distorcida da  realidade. Ou então são os segundos que a têm e os malucos é que estão  correctos. Bom, é uma das duas. Importante é reter que os dois grupos de  pessoas geralmente não estão em sintonia. Por isso é que uns vão para  quartos almofadados, vestidos com coletes de força e sem televisão, e  outros ficam cá fora, com cacetetes em punho, a vigiá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há  ainda um terceiro grupo que também dorme em quartinhos almofadados mas  esses não são malucos. São maricas. E esses já têm televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas  não deixemos que estas divagações nos desviem do tema essencial da  postagem. Está na hora de dar voz às construções mais primitivas da  minha consciência, um princípio tão imensamente irracional que nem com  meses de terapia, hipnose ou mesmo porrada nos cornos, eu conseguiria  controlar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo dos meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que neste altura da  minha vida já consigo delinear um Top 3 dos meus sonhos mais imbecis.  Toda a gente devia ter um. Mas espero para o seu bem que sejam um pouco  mais normais do que os meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, vamos então à partilha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão ocupados, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ver a Casa dos Segredos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vos censuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas atenção que neste blogue o que se poupa em mularia ganha-se em parvoíce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estamos a reconsiderar, hem?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, aqui vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TOP 3 dos sonhos mais brutalmente insanos, alarves, preocupantes e ofensivos do Saguim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3ª posição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já  falei aqui sobre ele no Passado. Mas como entretanto a minha lista de  leitores deste blogue já conta com um número um pouco maior do que 2 (eu  e um psiquiatra anónimo, na altura), penso que vem a propósito recontá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei  que tinha uma filha. Até aqui tudo bem. Já tive este sonho há uns  aninhos, se calhar era demasiado novo para pensar nisso, mas lembro-me  que tratava a minha filha com respeito e ternura. Mais do que isso, exibia-a  com orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo normal, não fosse a minha filha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... UM CUBINHO DE CARNE DE PORCO À ALENTEJANA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava  com ela na mão, cantarolando pelo meio da rua, mostrando-a às pessoas.  Estas, indiferentes ao facto da minha filha ser na realidade um pedaço  da nossa gastronomia, cumprimentavam-na com o deleite normalmente  dedicado às crianças. E eu sorria, embevecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dada a ausência de  mulher, talvez fosse normal assumir que eu era um pai solteiro. Mas  tudo isso são "peanuts" quando a nossa descendência é carne de porco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me  que apesar deste cenário horrendo ser, no sonho, considerado a coisa  mais normal do mundo, eu tinha de estar constantemente a recordar-me que  não podia levar a minha filha à  boca e mastigá-la. Era um cubo de  carne deveras suculento e se há coisa que o meu subconsciente não  colocou de parte foi o meu apetite voraz e, digamos até, lambão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto,  passeata sim senhor. Mostrar a filhinha aos transeuntes, muito bem. Mas  sempre com ela fisgada para não cometer infanticídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa que,  inevitavelmente, acabou por acontecer. Distraído com alguma coisa  fascinante daquelas que só acontecem nos sonhos, como a Luciana Abreu a  fazer uma conta de somar por exemplo, acabei por trincar a minha filha  várias vezes até me aperceber do horrível acto que estava nesse mesmo  momento a cometer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuspi-a para mão em desespero. Olhei para ela, mutilada que estava e envolta em baba, e berrei "NÃAAAAAAAAAOOOO!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois,  segui o meu caminho sem ter bem a certeza se estava viva ou morta. E  foi mais ou menos nessa altura que devo ter acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2ª posição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo sonho já é mais recente e menos alusivo à culinária. Mas notem que também é estúpido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava-se no meu anterior local de trabalho: uma agência de design e comunicação em Lisboa. Estava eu em plena actividade laboral, trabalhando em conjunto com um colega, quando se aproxima o meu director criativo. Aproxima-se e começa imediatamente a berrar comigo, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado é que, em vez de estar a fazer um anúncio de imprensa, um flyer ou um outdoor, eu e o meu colega tínhamos como projecto criativo orientar o Benfica no Championship Manager, conhecido jogo de estratégia futebolística para PC. Portanto, até aí tudo ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que o meu director criativo berrava irado pela minha fraca prestação enquanto eu berrava de volta explicando-lhe que no final da primeira volta o Benfica encontrava-se a apenas um ponto do primeiro classificado e que ainda se mantinha tanto na Taça de Portugal como na Liga Europa. Ainda por cima, era nosso o melhor marcador do campeonato. Por estas e por outras, parecia-me claramente que o homem estava a aparvalhar sem olhar aos resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, berrávamos incessantemente um com o outro, de olhos esbugalhados, trocando acusações de forma arbitrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, tudo isto seria normal se o meu director criativo não tivesse por detrás dele, e durante o tempo todo da discussão, um anão de cabelo à tigela que me atirava constantemente bananas e carrinhos de brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem acha que tem um bug no computador e que um qualquer vírus lhe colocou palavras estapafúrdias nas últimas frases eu não me importo de repetir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM ANÃO...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... COM CABELO À TIGELA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... QUE ME ATIRAVA CONSTANTEMENTE BANANAS E CARRINHOS DE BRINCAR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto enquanto o meu director criativo gritava comigo porque achava que a minha prestação como treinador virtual do Benfica não era certamente a melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão a ver a bizarria da situação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, eu não tenho nada contra os anões. Confesso que detesto couves de bruxelas,  que sabem mal com'ó raio, mas a minha aversão às miniaturas fica por aí. Mesmo assim, fui sonhar com este detestável nanico que não me deixava concentrar nos insultos a dirigir àquele que se auto-intitulava "o meu tutor". Coisa deveras irritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, bananas e carrinhos de brincar? Porquê?!!! Qual a relação entre as duas coisas? É que um carrinho de brincar até percebo. Aquilo atirado com força e com jeitinho vai-se a ver e ainda vaza uma vista... agora as bananas é que me transcendem completamente. Assim como a porra do cabelo à tijela, uma das piores ideias ao nível da estética capilar de sempre e enorme trauma de infância. Sim, também o usei em tempos. Mas anão felizmente nunca fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, depois de muito comer com carrinhos e "bananedo" na tromba, as coisas serenaram. O meu chefe estendeu-me a mão, fez as pazes comigo, e, educadamente, mandou-me pr'a rua. E eu fui, feliz da vida por abandonar um sítio que admitia anões raivosos e cortes de cabelo foleiros. Deve ter sido mais ou menos nesta altura que acordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1ª posição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como quem não quer a coisa, chegámos ao primeiro lugar. Sei que acham que já leram estupidez suficiente mas se já chegaram até aqui mais vale constatar a demência na sua totalidade. Desistir seria como recuar a cinco metros de atingir o cume do Evereste e perder a oportunidade de morrer com falta de ar. É mais ou menos aquilo que pode acontecer a quem ler o que se segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, no sonho, acordei de manhã e reparei que não tinha metade das pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tranquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dos joelhos, tinha apenas uns pequenos e singelos coutos que praticamente não me serviam para nada. Portanto, acordei de manhã e constatei que não me iria conseguir levantar. Isso e que dificilmente voltaria a andar na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me importei muito. Há coisas piores. Entalar a pila na braguilha, por exemplo. Quem já fez isto com certeza trocava de bom grado os segundos intensos de dor por um ou dois membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei sem pernas e deixei-me estar. À espera que a coisa se resolvesse. Tentei recordar-me, a título de curiosidade, porque é que raios é que as tinha perdido assim. É sabido que sou distraído e que podia facilmente tê-las deixado em qualquer sítio, mas era pouco provável que me tivesse esquecido logo das duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me então que no dia anterior me tinha atirado para dentro de uma debulhadora de milho. E fiquei mais sossegado porque já sabia o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ter ficado deitado na cama, sem me mexer, sentido pena de mim próprio. Mas como nunca me senti triste, antes longe disso, lembrei-me de um tipo que tinha visto na Oprah que, sem braços nem pernas, fazia a sua vida, trabalhava e até jogava à bola com pessoal "inteiro". Esta parte era particularmente ridícula, com uma série de tipos em pontas dos pés a tentarem atingir o esférico sem acertar violentamente com um pontapé na boca do desgraçado que se arrastava pelo campo como uma sardanisca, mas pronto... o certo é que ele andava lá pelo meio e não devia nada a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado pelo nobre exemplo deste bravo lá me comecei a equilibrar nos meus coutos, a pouco e pouco. Sem grandes demoras, e sempre com um sorriso na cara, conseguia agora até dar alguns passos, deixando de fazer grande diferença se tinha canelas ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que apareceu a minha mulher...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-lhe um abraço vitorioso e apaixonado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda a alegria e força de lutar que sentia desvaneceram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a chorar, em desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que eu conseguia lidar bem com o facto de não ter metade das pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, viver o resto da vida aleijado e fisicamente limitado não me causava transtorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGORA, SER SIGNIFICATIVAMENTE MAIS BAIXINHO DO QUE A MINHA MULHER É QUE NÃO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há limites e eu tinha encontrado os meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais ou menos nessa altura que devo ter acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, moral da história: não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas me apeteceu divulgar ao mundo coisas que não lembram ao diabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou dormir, com o desejo sincero que o meu sonho envolva o prémio do euromilhões, o Benfica campeão europeu e todo o sushi que conseguir comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem cubos de carne de porco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem anões pimba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sempre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEMPRE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... mais alto do que a minha mulher!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-7227076977936731657?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/7227076977936731657/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=7227076977936731657' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7227076977936731657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7227076977936731657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/10/confissoes-de-uma-mente-perturbada.html' title='Confissões de uma Mente Perturbada'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-1623587062165304091</id><published>2010-10-16T16:26:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T09:26:01.918-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>A Problemática dos Lémures</title><content type='html'>Encerrada de vez a viagem ao México, curada a infecção pulmonar que trouxe como "recuerdo" e de novo na roda viva do trabalho, da compra da casa e do lufa-lufa do dia-a-dia... é tempo de ocupar-me novamente de assuntos que de tão sérios dispensam demoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo da problemática dos lémures.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe o que são lémures, coisa imperdoável, aqui fica uma achega: imaginem um guaxinim anoréxico. Aí têm um lémure. Simples, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, se nem sequer sabem o que é um guaxinim então já pouco posso fazer para vos ajudar. Isso é o grau zero dos bichos patuscos, senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o meu fascínio por lémures é algo que já tem feito correr muita tinta. Nomeadamente a minha. E escusam de dizer que só comecei a gostar deles depois de ter visto o "Madagáscar" porque isso é uma calúnia infame. Ainda o King Julian não sabia dançar o "Move it, move it" e já eu sabia de trás para a frente o que era um lémure e tudo mais que se possa saber acerca deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta olhar para eles: olhos redondos, muito vivos, como dois holofotes amarelos; orelhas peludas e hirtas, sempre alerta; expressão palerma no focinho; não vale a pena estarmos para aqui com meias-palavras, os lémures, se os animais trabalhassem, eram de longe OS PATRÕES.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto deles, pronto. E podia ficar-me por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu nunca me fico por aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns tempos atrás pensei muito seriamente em adoptar um lémure. Pensei tão seriamente que cheguei a trocar alguns e-mails com o Badoca Park, para potenciar ao máximo esta experiência. Quando descobri que adoptar um lémure não significava exactamente trazê-lo para casa, não nego que fiquei algo embargado pela dor. Não foi fácil de recuperar do choque. Mesmo sabendo que o bicho provavelmente não se adaptaria muito bem a Benfica, há por aqui animais com ainda menos maneiras, pensei que o meu papel como pai adoptivo só poderia ser integralmente cumprido com este tipo de proximidade. De que outra maneira poderia eu controlar "as companhias"? Rever-lhe os trabalhos de casa depois das aulas? Falar com ele sobre miúdas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei o que estão a pensar: em Benfica não há lémures fêmeas, logo não há "miúdas"... Mas já vi por aí trambolhos com o cio que certamente até se esfregariam nos escaparates do LIDL se isso não desse prisão. Por isso, um lémure seria para elas uma benção dos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas dizia eu que troquei mails com o Badoca Park. Mais do que seria desejável para ambas as partes. Para eles, deve ter sido esquisito responder a tantas perguntas e sentir tanto interesse de um indivíduo em apadrinhar um primata. Quanto à minha pessoa, senti que algo estava a impedir-me de atingir o meu objectivo, algo se estava a colocar entre mim e o meu lémure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro queriam impingir-me um lémure de barriga vermelha. Pffffff&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excusado será dizer que os bons são os de cauda anelada. Mas esses não estavam na lista de adopção, o que me levou logo a tecer a minha primeira exigência: "Eu amo todos os seres vivos e todas as criaturas de Deus mas recuso-me absolutamente a adoptar um qualquer ranhoso de barriga vermelha que vocês me queiram impôr..." Foi com esta e outras considerações que facilmente consegui que os lémures de cauda anelada entrassem na equação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me levou ao segundo problema: o apadrinhamento teria de ser presencial. Eu teria de me deslocar até Santo André no Alentejo para oficializar a minha nova condição de "pai adoptivo". E pensando bem era o mais correcto a fazer. Mais do que enviar um cheque frio e impessoal e correr o risco de ver o meu lémure tornar-se um marginal, sem referências nem valores, encostado às palmeiras a fumar marijuana o dia inteiro, a gritar ordinarices aos tratadores e a apalpar as turistas. Eu não poderia suportar tal fracasso no exercer das minhas funções de progenitor. Mas também não me apetecia fazer uma viagem de 200 km para fazer as coisas como deve de ser. Como tal tudo ficou sem efeito até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a gostar de lémures e continuo a querer adoptar um. Isto porque entre outras coisas, é-nos permitido dar-lhe nome. E eu queria muito que houvesse um lémure a chamar-se André Oliveira, tal como eu. Pagava bom dinheiro para ouvir os seguintes comentários de um tratador:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Skippy deixa os outros lémures comerem fruta também. Maggie não mordas a cauda da tua irmã. Estás com o pelo muito giro hoje, Scottie. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;André Oliveira pára de atirar caganitas às pessoas!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, enquanto o mundo está em crise, o IVA subiu para valores astronómicos, o país está pior do que nunca e o Sócrates goza connosco como um perdido... julgo que estão reunidas as condições para finalmente adoptar o meu lémure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou estudar novamente o assunto, que isto não é para se fazer de ânimo leve, e talvez ganhar coragem de tomar uma atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gesto meu hoje, um lémure a menos no mundo do crime amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ámen.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-1623587062165304091?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/1623587062165304091/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=1623587062165304091' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1623587062165304091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1623587062165304091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/10/problematica-dos-lemures.html' title='A Problemática dos Lémures'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-282327690288141813</id><published>2010-10-08T15:35:00.001-07:00</published><updated>2010-10-11T06:03:55.873-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Era uma vez no México</title><content type='html'>Então diz que fui de férias para o México...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que voltei há poucos dias mas eu ainda não tenho a certeza. Isto de 6 horas para aqui, 6 horas para ali e mais o horror de tempo que duram as viagens bem pode significar que o verdadeiro Saguim ainda está perdido num qualquer limbo ou vazio temporal a perguntar ao Michael J. Fox o caminho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pensando bem, e dada a minha épica falta de orientação, talvez fosse melhor não pedir ajuda ao Michael J. Fox. A última coisa que precisaria era de uma mão tremelicante a dar-me direcções. Para isso já me basta o maldito GPS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, regressado do México que conclusões há a tomar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)&lt;br /&gt;O México não é nada do que dizem: não vi traficantes de droga nem tufões nem indivíduos a gritar "Ay Ay Ay". Nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)&lt;br /&gt;O México é perfeitamente seguro a qualquer hora do dia. Atravessei muitas estradas a pé, até durante a noite, e apenas fui abordado por um cavalheiro que se ofereceu para me conduzir gratuitamente até ao meu alojamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3)&lt;br /&gt;No México a comida e a bebida são gratuitas e à descrição. E quando falo de comida e bebida não me refiro apenas a pão e água. Tacos, mojitos, pina coladas e margueritas eram à verdadeira vontade do freguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4)&lt;br /&gt;No México há uma abismal quantidade de sujeitos de farda que nos tratam como se fossemos patrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5)&lt;br /&gt;No México usamos uma pulseira verde que faz de nós patrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, um sonho de país. Regressado a Portugal, e informado que fui das recentes medidas do Governo às quais a minha educação e recém adoptada postura zen me impedem de comentar, tenho de admitir que será difícil encontrar melhor exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pena que realmente se tenha de passar por tamanha odisseia para lá chegar. E quando falo em odisseia não me refiro apenas às já comentadas horas de viagem. Refiro-me a episódios em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser para muitos um choque mas... eu viajo em turística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que não pudesse efectivamente viajar em executiva, evitando assim a ralé e as doenças, mas prefiro não fazê-lo para dar menos nas vistas. E também para poder comer até ao fim do ano. Parecendo que não, faz diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, e por muito que passe pela experiência, tenho algum medo de voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê? Pergunta estúpida. Mas ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a ideia de me espetar a milhares de metros de altura e depois ter o que resta do meu corpo a ser reconhecido por um tipo que por acaso tinha em arquivo o molde dos meus dentes assusta-me um bocado. Provavelmente é mariquice mas ninguém é de ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, eu estranhei quando, a caminho para o paraíso tropical, em pleno voo, me foram servidas refeições claramente superiores àquelas que normalmente degusto em classe turística. Estranhei, mas como eu quando é para comer activo o modo "urso pardo", tratei do assunto mais depressa do que levaria à hospedeira dizer "O senhor desculpe mas acho que me enganei na sua refeição". A questão não se levantou, até porque todos estavam a comer o mesmo do que eu. Mas não era apenas isso que era bizarro. As bebidas que estavam a ser servidas, normalmente aquelas marcas de confiança e que toda a gente conhece, eram do LIDL. Cortes no orçamento, pensei eu. Mas não era bem disso que se tratava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dada altura, ouve-se aquele "clic" tradicional que anuncia que "o piloto vai falar". Mesmo sabendo que normalmente o que dali sai é qualquer coisa como "Ladizendgenilmentdisizorcaptonspkin. Ueeearenaulivinlisbonerepór...", eu acabo por ficar sempre hirto como rocha, temendo que algo de grave se passe e que esteja a ser comunicado aos passageiros como uma extrema-unção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que se ouviu começou por ser isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Senhores passageiros, quem vos fala NÃO É o vosso comandante..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo parou para mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testículos mirraram até ao tamanho de pinhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veias raiaram nos globos oculares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gotas de urina, libertadas, a conta-gotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo. O mais profundo e primitivo medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste início de frase, para mim, a conclusão só podia ser uma de três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)&lt;br /&gt;"... quem vos fala é o terrorista Yasser Youssef que vai espetar esta capoeira de infiéis no primeiro arranha-céus que encontrar!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)&lt;br /&gt;"... quem vos fala é o vosso co-piloto que está neste momento a fazer massagem cardíaca ao comandante sem qualquer sucesso, diga-se."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3)&lt;br /&gt;"... quem vos fala é o tipo que riscou recentemente o carro do Saguim e que voltou para acabar o trabalho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, coisa boa não podia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acabou por ser menos má.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, a frase inteira foi a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Senhores passageiros, quem vos fala NÃO É o vosso comandante é o chef Olivier que preparou para todos refeições de primeira classe com ingredientes dos supermercados LIDL."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura, não foi fácil fingir que nada tinha sucedido e que eu não tinha passado por qualquer tipo de aflição. Não falecer acabou por ser simpático, não me interpretem mal, mas quase desejei a morte mais tarde quando fiquei brutalmente mal disposto com a sandes de primeira do Olivier. Ninguém me mandou comê-la, sei disso. Mas quando uma sandes cruza o meu caminho é certo que um de nós vai deixar de existir. E nunca hei-de ser eu porque ser devorado por uma sandes parece-me estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado ao México, tudo ficou melhor e mais calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piscina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendedores ambulantes a burlarem-me à grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo na mais profunda paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há coisa que acontece SEMPRE que me ponho a regatear, SEMPRE, é acabar por ser enganado. Eu afasto-me com um sorriso maroto como quem diz "Eh eh acabei por comprar isto a metade do preço que eles pediram...". Eles vêem-me afastar-me e riem à gargalhada apontando para a minha silhueta, como quem diz "O pacóvio do português acabou por comprar isto pelo dobro do preço que lhe custaria na barraca ao lado...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eu já encaro isto como uma tradição das férias. Para quê combater?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de malta que decide viajar meio mundo para ficar uma semana estendido ao sol, eu opto também por conhecer melhor a cultura da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que me interesse por cultura, que não interesso, mas a verdade é que eu não me bronzeio: eu avermelho-me. E às partes, que dá um efeito ainda mais giro. Vezes há em que fico vermelho e branco às tiras verticais. Parece mentira mas é verdade. Normalmente quando me apercebo disso sinto que só tenho duas alternativas: ou aguardo que os senhores de bata branca me lancem um dardo tranquilizante para estudarem a nova espécie de manatim bicolor que julgam ter encontrado ou meto-me numa camioneta e vou ver pedras velhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantástica cultura a dos Mayas. Uns tipos tão inteligentes, tão hábeis e tão sábios em tantas ciências como a astronomia, a arquitectura, a engenharia ou a decapitação... como é que foram tão facilmente conquistados pelos espanhóis???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal, que é Portugal, sempre aqui esteve ao lado e fosse com uma espada, com uma lança ou até com uma pá de meter pão no forno, sempre corremos com os gajos daqui! Houve claramente qualquer coisa que falhou do lado de lá. Se calhar foi a língua. Como lá também se fala espanhol devem-se ter entendido logo, distribuído as tais pulseiras e depois quando deram por isso já não havia Mayas p'ra ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá que pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o importante é que estou de volta há alguns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suficiente para constatar que este país não vai a lado nenhum se continuar a insistir neste tempo manhoso. Mas enfim, são políticas e eu nisso não me meto. Votem neles e depois queixem-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah só mais uma coisa: no México não há sushi de jeito. Também não podiam ser só virtudes. Se o México fosse uma mulher, não ter sushi de jeito, para mim, seria equivalente a ter buço ou os dentes da frente podres. Achei a sujeita engraçada, demos umas voltas durante uns dias, mas quando fui olhar bem encontrei esta incompatibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem sushi de jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está morta para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-282327690288141813?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/282327690288141813/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=282327690288141813' title='14 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/282327690288141813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/282327690288141813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/10/era-uma-vez-no-mexico.html' title='Era uma vez no México'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6457227000867080693</id><published>2010-09-24T04:23:00.001-07:00</published><updated>2010-09-24T19:50:40.520-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Há malta que devia levar com um ouriço gigante nos cornos!</title><content type='html'>Se calhar fui um bocado longe demais com o título... Comecei assim logo a abrir, com linguagem grosseira e maldosa, sem ponta de sensibilidade. Se foi isto que sentiram, peço desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que este título não é nenhum insulto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um desejo do fundo do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pedido aos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu bem o mereço. Sou honesto. Sou trabalhador (bem sei que estou a escrever este texto durante o horário de trabalho mas enfim... para português a fasquia também não é muito alta). Sou do Benfica. Sejamos francos, tudo isto me ajudará a fazer boa figura ao pessoal das togas brancas e das harpas que mora lá em cima, no dia em que eu me finar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, eu devia poder pedir uma chuva de ouriços gigantes de vez em quando, e com isso despachar um magote de bandidagem de cada vez, contribuindo assim para um mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem, ouriços gigantes porquê? Primeiro porque estou ébrio de ódio e já não sei o que digo. Segundo porque têm espinhos afiados e porque, caindo de costas, depois de se espetarem pelo crânio de um indivíduo adentro iriam querer levantar-se e ir à vida deles, fazendo espichar um bonito efeito de sangue e miolos. Sei que é um pouco sádico este cenário mas, neste momento, o que para os outros seria horrível para mim seria fogo de artifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RAIVA QUE SINTO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então não é que hoje de manhã, ao chegar ao carro, reparei que me fizeram um imenso e poderoso risco nas portas, ao longo de todo o comprimento da viatura? 'Tá tão giro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sendo o carro preto, um risco branco fica-lhe mesmo a matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porquê do sucedido? Não sei. Não faço ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro estava bem estacionado... Não estava num local de passagem... Não estava em zona de parquímetro sem pagar... Não estava num lugar para deficientes...&lt;br /&gt;Isto embora, tenha lá ido um deficiente fazer m***a!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei uns bons 5 minutos a olhar para aquela maravilha, de boca aberta e sem grande reacção. Depois, efervesceu em mim um ódio primitivo e apeteceu-me fazer mal a pessoas. Quaisquer pessoas, sem critério. Avistei um grupo de estudantes que podia muito bem ser aviado à estalada. No final, agradecia, dava os bons dias, recolocava o chapéu na cabeça e ia trabalhar. Mais aliviadinho. Mas pronto, não foi bem isto que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive de engolir o sapo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-me concluir que foi obra de um inimigo, alguém que me quer mal e que aprecia erguer o punho e gritar "Saguiiiiim!" com ar demoníaco. Gosto de pensar que tenho um vilão na minha vida e que sou uma espécie de super-herói. Mas não faria mal se o morcão me viesse defrontar em campo aberto, à homem, ao invés de me andar a lixar a viatura. É um vilão um bocado fajuto, diga-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, suspeitos? Há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeadamente alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles aqui ficam referenciados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) O meu Vizinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de eu já não espirrar em casa há muito tempo, e com isso despoletar o radar anti-barulho que este senhor tem enfiado na peida (perdoem-me o francês), não há dúvida que há-de sempre figurar em toda e qualquer lista de suspeitos que eu faça. Ele odeia-me, isso é certo. O barulho que eu faço a andar no corredor, o som excruciante dos meus chinelos a bater no chão antes de eu os calçar, o horripilante tilintar dos talheres durante as minhas refeições... Tudo isto faz com que o meu vizinho já tenha arranjado uma tendinite de tanto socar a parede, em busca da quietude do mosteiro budista que ele gostaria que Benfica fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, se foi ele a fazer o risco até admito que não tenha sido de propósito. Se calhar deixou cair qualquer coisa junto do carro e ao baixar-se riscou-me a porta com a cornadura. Já era altura de cortar as pontas, como nas touradas, mas não há meio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, acho pouco provável que seja este o meu vilão. Para ir até ao meu carro fazer uma patifaria desta natureza, o homem teria de abandonar a sua tabacaria pelo menos durante 15 minutos, e todos sabemos que é coisa que ele não faz. E além disso, os vilões têm negócios de fachada mais fixes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) O Animal da Autoestrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A besta ensandecida que me ia abalroando no trânsito no outro dia e que provocou num amigo meu a reacção "Wooo wooo wooo"... A avaliar pelos gestos de ódio que o gorila com hemorroidal efectuou dirigidos à minha pessoa, não seria absurdo concluir que ele terá assumido como prioridade acabar o trabalhinho que ia começando em plena autoestrada. Na traquilidade de um parque de estacionamento e sem "Wooo wooo wooo" a atrapalhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser um forte candidato à personagem de vilão da minha vida, há que assumir que estaria mais próximo de ser um velhaco das "Wacky Races". Bem diferente do mítico e galáctico criminoso que queria para ser o meu opositor. Por isso, espero que ainda não seja por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) O Violador de Benfica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sei que já foi apanhado mas nunca fiando. Lembro que, em Portugal, "apanhado" na grande maioria das vezes significa preso em liberdade preventiva, ou até em alguns casos, uma pancadinha ameaçadora nas costas e um "Vê lá se não voltas a fazer, meu malandro..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi sobre o violador há uns tempos atrás &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2009/10/este-predio-nao-e-para-violadores.html"&gt;nesta ocasião&lt;/a&gt; e é normal assumir que ele se quis vingar. Eu não disse mal dele, atenção. Não posso dizer que seja fã da violação ou que a aceite enquanto hobbie. Aconselho sempre os violadores a comerem antes uma peça de fruta ou a enfiarem uma bala nos cornos. Qualquer uma das duas é melhor do que tomar à força aquilo que em circunstâncias normais NUNCA seria deles. E isto é violação 101.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o violador andava a rondar o meu prédio, como provou um cartaz colocado no hall de entrada, escrito a marcador de feltro, por um dos meus vizinhos. A verdade é que o indivíduo não conseguiu levar a dele avante comigo e, cego de fúria, é bem possível que me tenha vindo riscar o carro. Apenas uma teoria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) O pensionista que gosta de obrar em piscinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Last but not least e, quanto a mim, a hipótese mais provável. Escrevi sobre ele no meu último &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2010/09/o-dia-em-que-o-meu-mundo-parou.html"&gt;post&lt;/a&gt;, o causador da minha mais recente aversão ao exercício físico. No painel informativo da piscina onde costumo ir nadar estava um aviso que visava impedir que fossem, "uma vez mais", encontradas "&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FEZES&lt;/span&gt;" na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu exprimi a minha repulsa e ele não deve ter gostado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, não contente de espalhar m***a no sítio onde eu pratico natação lembrou-se de ir espalhalá-la também no meu meio de transporte. A mais plausível mas ainda assim difícil de considerar. Isto porque sabemos que o que os pensionistas gostam é de andar na autoestrada em contramão. Como tal, nunca que ele teria conseguido chegar inteiro a Benfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando estes artistas, não consigo dizer quem foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciava muito que Deus tivesse uma qualquer espécie de número verde para o qual eu pudesse ligar e resolver logo a questão de uma vez. Ir direito ao patrão sem passar pelos subalternos. Equivalente àquela altura em que dizemos ao telefone: "Quero falar com o gerente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, penso que se assim fosse, para mim o número estaria sempre impedido. Ou então o anjo que atendesse diria que "ia passar" e punha-me a ouvir "O Bicho" de Iran Costa em loop, para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, talvez não hajam fãs de Iran Costa no paraíso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o melhor é calar-me já senão o Iran Costa ainda se lembra de me ir riscar o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houvesse um ouriço gigante que lhe lixasse a coreografia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou de todo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6457227000867080693?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6457227000867080693/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6457227000867080693' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6457227000867080693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6457227000867080693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/09/ha-malta-que-devia-levar-com-uma-ourico.html' title='Há malta que devia levar com um ouriço gigante nos cornos!'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-9163343329918490455</id><published>2010-09-15T16:11:00.001-07:00</published><updated>2010-09-16T01:25:53.485-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O Dia em que o meu Mundo parou</title><content type='html'>O meu dia hoje foi de cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não daqueles cães maricas cheios de berloques e perfumes até à ponta do focinho, habituados às mais elaboradas mordomias. O meu dia foi de cão sarnento, dos que andam a fuçar no lixo à procura de jantar e que acabam a roer uma bota, um pneu ou uma camisola do Sporting (não que esse cenário seja minimamente credível mas depois de um dia destes sabe bem achincalhar o clube rival).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida actualmente até corre bem. Tenho um emprego agradável com malta afável e simpática. Tenho uma família que sim senhor em todos os aspectos, amigos que valem a pena e até uma mulher que por sua livre e espontânea vontade mantém a decisão insana, dizem alguns, de partilhar a vida comigo. Eu até vou para uma casa nova, para longe do burjeço do vizinho que se excita a bater na parede, e tudo isso faz de mim um tipo feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um pouco de peso a mais é certo. Mas até esse handicap está a ser combatido, dado que me inscrevi há algumas semanas numa classe de natação livre numa piscina perto do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto nada, mas mesmo nada, fazia prever o dia de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo aqui a relatá-lo, para que todos possam partilhar da minha dor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O RELATO CHOCANTE, E SEM CENAS CORTADAS, DO UNANIMEMENTE PROCLAMADO COMO UM DIA MUITÍSSIMO FEDORENTO NA PELE DO SAGUIM (TAMBÉM CONHECIDO COMO "O DIA EM QUE O MEU MUNDO PAROU")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;8:30&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca o despertador. Acordo imediatamente mas o sono e a chamada ronha impedem-me de içar o meu enorme corpo de mamute. Deixo-me estar com um fio de baba a escorrer-me pelo canto da boca. A gata mia como se estivesse a ser esventrada. Eu limpo o fio de baba e ignoro os miados angustiantes do raio da gata. Deixo-me estar. A gata mia como se estivessem agora a enforcá-la com as próprias tripas. Eu levanto-me para garantir que não é isso que a minha mulher está a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;9:20&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio de casa com o meu chapéu de abas enterrado na cabeça. Digo enterrado porque já não o uso há alguns meses e aparentemente mirrou. Ao contrário da minha cabeça que continua a crescer sem qualquer controlo desde os 4 anos de idade. O chapéu corta-me a circulação na testa. Eu não ligo porque gosto de me ver de chapéu. As pessoas na rua não. Afastam-se. Olhando-me ao espelho consigo perceber porquê. Pareço um cigano. De barba, camisa escura e chapéu de abas. Era darem-me uma guitarra e verem-me interpretar "Borbujas de amor" de Juan Luis Guerra. Só que mais gordo. Acho eu porque nunca mais o vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;9:30&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego de carro ao Colombo, chapéu a abrir-me um lenho na testa tal é a pressão, para dar boleia a um amigo meu em direcção ao escritório. O gajo ainda não chegou. Páro o carro junto à berma do passeio, 4 piscas ligados, deixando o espaço semelhante ao estádio do Belenenses disponível ao meu lado para não atrapalhar o trânsito. Um gajo ao lado faz o mesmo e pára a lata dele junto ao outro passeio, deixando apenas metade do estádio do Belém. Continua a haver todo o espaço do mundo. Uma mulher idosa pára atrás de nós e começa a apitar muito irritada, cheia de linguagem gestual. Eu deixo-me estar a gozar o espectáculo. À espera que lhe dê um AVC. Ela sai do carro. Eu penso "Tu queres ver?". Em vez de ir chatear o outro vem-me chatear a mim. Eu penso em ir buscar a tranca na mala do carro para lhe desfazer a dentadura à base de marretada mas lembro-me que é capaz de dar cadeia. Ela diz: "Então como é?". Eu pergunto: "Não passa?". Ela volta para o carro e passa. Sempre a insultar-me. Passa ela e passaria um boeing 747. Mas ainda assim não me safo de a ouvir. Continuo à espera que lhe dê um AVC. Mas o carro não se despista. Então presumo que não lhe deve ter dado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;10:20&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego ao escritório. Tiro o chapéu da cabeça exibindo uma bonita linha vermelha na testa semelhante à cicatriz de uma lobotomia. Ninguém comenta mas eu ouço os risinhos surdos vindos daqui e dali. Não ligo porque o chapéu é fixe. Stress lá num trabalho. Um telefonema, meia dúzia de calmantes e  tudo parece estar encaminhado. Mas digamos que se entrasse por ali uma família de jaguares prontos a devorar-me naquele momento não iriam achar a minha carne nada tenra. Isto para além do excesso de gordura&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;polinsaturadas que lhes causaria o tal AVC que eu desejava que tivesse dado à velha. E o que é que a velha tem a mais do que os jaguares? Nada. Excepto o mau humor. Mas adiante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;12:00&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora da natação. Nadar, descontrair, esticar os músculos, imitar uma baleia azul e fazer de conta que se está num programa da National Geographic. Tudo coisas giras. A água está a 33º. E o ambiente na piscina está ainda mais quente. Fui com um amigo que não se dá bem com esta temperatura. É natural. Ele e todos os outros que não apreciam cozeduras. Eu também sou um deles mas como preciso de perder peso prefiro pensar que é sauna / natação. Saio um pouco da piscina e decido dar um salto ao jacuzzi. Para descontrair. Entro no jacuzzi. A água deve estar a 60º. Perco a sensibilidade da cintura para baixo. Mas deixo-me estar. Paralítico mas feliz. Vem a responsável pela zona das piscinas. Sou expulso do jacuzzi. Diz que não posso estar ali, que tenho de pagar. Eu rio-me com a perspectiva de pagar para ser cozinhado. Saio do jacuzzi. À vista dela, como um marginal. Vou tomar banho para voltar ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;13:00&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já chove. Coisa esperta. Ainda meio molhado da banhoca e já novamente molhado da chuva. Dá-me muita alegria. E desconforto também. Corro de volta para o escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;13:15&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou aquecer o meu almoço: arroz de pato da Nobre. Uma embalagem com arroz e outra com pato. Engenhoso. A ideia era aquecer uma de cada vez e depois juntá-las. Eu junto-as logo e aqueço-as juntas. Não porque fique melhor mas porque não tenho paciência para esperar. O aspecto é miserável. Levo a papa para a mesa e procuro ignorar os olhares de nojo dos meus colegas. "Parece comida de cão...", comenta alguém. Eu concordo com as orelhas cabisbaixas. Compreendo que a minha mulher não tivera tempo para preparar nada melhor no dia anterior. E eu também não a quis obrigar. Ser bondoso dá nisto. Penso em colocar o prato num dos cantos da sala e comê-lo nas 4 patas como seria coerente. Mas acabo por comer à mesa, mesmo não merecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;16:00&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia de trabalho corre stressante mas agora mais normalmente. Boa parte dos nervos já se foram e até parece que o dia tem alguma salvação. Fico a saber que o meu amigo, tendo abandonado a piscina mais cedo por a considerar algo muito próximo de um caldeirão de canibais no pico do fogo, decidiu preencher um daqueles papéis de reclamação / sugestão na secretaria. Eu acho bem, já estava na altura de alguém encostar os sacanas à parede. Só pela vingança de me terem expulso do jacuzzi. Aquilo, na realidade, não é um complexo de piscinas, digamos, normal. Pertence a uma associação de uma doença degenerativa nos ossos e é, em grande parte, destinada a tratamentos e, directa ou indirectamente, a pensionistas. Mas depois também há vagas para o público em geral, ou seja eu e o meu amigo, os únicos que deixaram de lado preconceitos e decidiram aceitar aquilo como uma piscina como outra qualquer, sem olhar ao mau aspecto que dá a tipos como nós frequentarem tal local. Ora, tudo correu bem até ele relatar o que lera no painel de informações aquando da entrega da sua reclamação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a citar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"AVISAM-SE OS ASSOCIADOS QUE UMA VEZ MAIS FORAM ENCONTRADAS &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FEZES&lt;/span&gt; NA PISCINA..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso dizer mais alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá mais alguma maneira de Deus me dizer que eu sou o Seu bobo favorito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FEZES?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só queria fazer algum desporto... Mexer-me... Tornar-me mais saudável...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FEZES?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê eu?! O que é que eu faço agora?! Continuo a ir sujeito a... Jesus, nem consigo dizer... Sinto-me sujo, como se tivesse sido violado por javalis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FEZES?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fezes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura, seria normal assumir que o meu dia tinha atingido o clímax. Mas não... Ainda não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18:00&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda enojado pela história das fezes, e sem fazer qualquer ideia de como irei lidar com a situação, "arrumo a loja" e vou-me embora para casa. Tenho ainda de ir dirigir um pequeno workshop e, num dia como este, tudo pode correr mal. Dou novamente boleia ao mesmo amigo da manhã e a uma amiga que vai no banco de trás. Serenos da vida, seguimos caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;18:20&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou na autoestrada de Cascais, rumo a Lisboa. Estou na faixa da esquerda. Faço pisca para a direita. Não vem ninguém. Lentamente, vou ocupando a faixa do meio. Na mais profunda paz. De repente, aquilo que parece ser uma mistura entre urso pardo com distúrbios mentais e o cú de uma vaca aparece lançado da faixa da direita sem fazer pisca e disposto a abalroar-nos. A minha amiga do banco de trás vê a tragédia a avançar na nossa direcção mas decide não dizer uma palavra. Para não incomodar. Porque quando um tipo leva com a frente de um chaço a enfaixar-se no seu porta bagagens, é bom que não haja nada a chateá-lo. Melhor ainda foi a reacção do meu amigo. Esse preferiu exprimir o seu pânico / indignação, ao ver a besta desvairada a aproximar-se, com a seguinte expressão: "Wooo Wooo Wooo". Sabem o que isto quer dizer? Eu também não. Mas ao menos deu para me aperceber da bonita colisão que se aproximava. Ao mesmo tempo, e a par do "Wooo Wooo Wooo" o meu amigo tentava também proteger-se com as mãos. Porque sabemos que se a outra carroça se enfiasse por ali adentro era bom que alguém lhe metesse as gânfias. Para evitar estragos maiores. Fui a tempo de me desviar e de apitar violentamente, esperando que o som fizesse explodir o cérebro diminuto do quadrúpede. E o ruminante levou a mal. Perseguiu-me e uns metros à frente colocou-se ao nosso lado, desenvolvendo toda uma panóplia de gestos em tudo semelhantes aos da velha do episódio matinal. Eu mandei-o ir pastar. E ele, cego de fúria e de assadura no escroto, seguiu em alta velocidade protagonizando novo episódio parecido com o nosso com outro carro uns metros mais à frente. Enfim. Apesar de tudo, senti-me agradecido pelo dia maligno me ter poupado de um choque no meio da autoestrada. Porque a avaliar pela sede de porrada do animal mau condutor era bem possível que não me safasse de andar à bulha por entre centenas de veículos em alta velocidade. Era capaz de correr mal e eu já não estar aqui a escrever-vos estas linhas. Ou então a escrevê-las com uma jante enterrada na cana do nariz. Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19:00&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei os meus companheiros nos locais respectivos. Estacionei o carro perto de casa. Agora vou apanhar o comboio. Tenho de comprar um bilhete de ida e volta pois não tenho passe. Passe é para os pobres. O comboio está a chegar. Há filas nas máquinas de comprar bilhetes. Que surpresa chocante. E as filas não estão a avançar. E o comboio a chegar. Duas mulheres permanecem especadas em frente ao mostrador da máquina, carregando nos botões aleatoriamente, queixando-se que "Não dá!". Eu sinto-me cansado. Podia chegar-me à frente para as ajudar mas nada faço. Não há nada que eu possa fazer. Há anos que ando de comboio e se há coisa que essa experiência me ensinou é que sempre que vou comprar bilhetes há SEMPRE alguém que permanece especado em frente do mostrador, a carregar nos botões aleatoriamente e a queixar-se que "Não dá!". Mesmo sem tempo nenhum e  a ver a minha vida a andar para trás, depois de um dia que me deixou quase literalmente de rastos, prefiro imaginar as variadas formas de como as duas mulheres podiam morrer naquele momento. Imagino-me a cortar-lhes as gargantas com o meu bilhete por carregar, à Steven Seagal, e a atirar-lhes as cabeças com violência contra à porra do mostrador que simplesmente "Não dá!". Sorrio com muita malícia. Acordo do transe, preocupado com a minha escala de valores e capacidade de distinguir o bem do mal, e carrego o bilhete na outra máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19:20&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me da escola onde vou dirigir o workshop. Apercebo-me que me esqueci da chave da mesma, que era suposto devolver. Apenas mais uma acha para a fogueira do dia 15. Nada de relevante, atendendo ao que já passei desde manhã. Caminho para a sala, com os nervos à flor da pele, receando que os formandos me esperem com archotes e forquilhas, dispostos a perseguir até à morte o impostor azarado, isto seria eu, só para coroar em beleza um dia mau. Aí eu fugiria hurrando até um moinho abandonado, eles deitariam fogo ao moinho e eu conheceria um horrível fim entre chamas e faíscas. Enquanto isso, o meu amigo gritaria lá em baixo qualquer coisa como: "Wooo Wooo Wooo" para me avisar que algo de terrível estaria para acontecer. E eu, antes de conhecer o meu fim veria num letreiro um aviso com a seguinte inscrição: "AVISAM-SE OS ASSOCIADOS QUE UMA VEZ MAIS FORAM ENCONTRADAS &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FEZES&lt;/span&gt; NO MOINHO..." Enfim, agora dispersei-me um bocadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;19:30&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à sala. Nada de aldeões raivosos sedentos de vingança mas sim um dos formandos que chegou mais cedo. Explico-lhe que o meu dia está a correr tudo menos bem enquanto tento servir-me um copo de água. O jarro resvala e produzo um fantástico efeito de cascata pela mesa de formação afora. Pergunto-me o que mais falta acontecer... Mas não obtenho resposta e dou início ao workshop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou em casa. Sendo que são agora 1:46, "O Dia em que o meu Mundo parou" conheceu o seu fim há já alguns minutos. Sobrevivi a ele e sinto-me como um daqueles veteranos de guerra, disposto a juntar-me em almoçaradas aos companheiros que, como eu, também lhe fizeram frente. Num restaurante porreiro com ambiente acolhedor. Comida caseira. Vinho da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se possível sem fezes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-9163343329918490455?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/9163343329918490455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=9163343329918490455' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/9163343329918490455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/9163343329918490455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/09/o-dia-em-que-o-meu-mundo-parou.html' title='O Dia em que o meu Mundo parou'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-446549953278079764</id><published>2010-09-02T17:04:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T17:39:44.942-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>L'appareil est prêt a fonctionner</title><content type='html'>Não restam quaisquer dúvidas: tenho um poltergeist emplastrado no chão do escritório em minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não é propriamente só no chão. É mais na base duma mesinha de apoio, com gavetas, que tenho junto ao sítio onde geralmente me sento com o computador. E isso ainda intensifica mais a gravidade da coisa. Daquilo que sei de poltergeists, que felizmente é muito pouco, são tipos para fazerem traquinices daquelas sérias e eu tenho aqui guardada uma pilha de documentos importantes que detestaria ver queimados, rasgados ou decorados com falos pintados com sangue de galinha. Parece-me ser do género de coisas que eles fazem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, e no meio desta história toda, quais são as minhas certezas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;O poltergeist fala com alguma frequência. Mais até do que eu desejaria. É que normalmente quando estou no escritório estou a escrever e, a contrário dos bons escritores, faz-me muita confusão ouvir qualquer som quando estou a redigir qualquer coisa. Se eu nem sequer ligo o iTunes, imaginam com certeza a confusão que me faz ter p'raqui um poltergeist a palrar. Quebra-me logo a concentração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;O poltergeist tem voz de mulher. Esta então não me surpreende nadinha e vocês sabem porquê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;O poltergeist fala francês. E sendo que eu não falo, isso irrita-me profundamente. Até hoje ainda não foi ordinário comigo mas sabe Deus quando é que ele vai perder a compustura. Também, verdade seja dita, não lhe dei razões para tal. Não o tenho incomodado nada, não chamei exorcistas cá a casa nos últimos tempos, não o borrifei com água benta (até porque não a tenho, para usar a cá de casa teria de o fazer com água da EPAL e calculo que não tivesse o efeito desejado), não sintonizei o canal Canção Nova na TV, enfim... Tenho sido um santo para este poltergeist, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;O poltergeist diz uma e uma só frase que é: "L'appareil est prêt a fonctionner".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés destas certezas me elucidarem de alguma forma, muito pelo contrário, enchem-me de dúvidas e de temores. A que "appareil" estará ele a referir-se? Será uma qualquer máquina demoníaca destinada a causar a morte e a destruição pelo mundo fora?... E ele, ao imaginar o início do cataclismo, esfrega as patinhas de cabra e diz, com um tom sinistro, que a geringonça está prestes a funcionar?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que se é assim julgo que até conheço a geringonça a que ele se refere. Aquela que tem em mim tais efeitos dá pelo nome de GPS e sim já quase me levou a enforcar-me numa figueira depois de uma série de enganos e trapalhadas. A dada altura parece que tudo está ligado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, lamento desiludir-vos a todos fazendo esfumaçar-se esta teia de enganos e metáforas à qual eu próprio vos atraí. Não há nenhum poltergeist na base da mesinha de apoio do meu local de trabalho em casa. Eu sei que, assim a frio, a notícia pode ser chocante mas é esta a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há é uma balança de casa de banho falante que, dada a falta de espaço deste albergue de gnomos que é a minha actual residência (desejoso de sair de Benfica!), teve de ser guardada debaixo da tal mesinha, pronta a entrar em acção sempre que alguém dela se lembrasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que ninguém se lembra... Mas ela insiste em impor a sua presença com uma constância alarmante. Volta e meia diz "L'appareil est prêt a fonctionner" como que querendo lembrar-nos que está a postos, que está presente, que pode e quer trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu no entanto continuo a ignorá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 11% de desempregados neste país e nenhum deles se enfia cá em casa a dizer-me em francês que quer trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tal, ela que vá para a fila como toda a gente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-446549953278079764?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/446549953278079764/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=446549953278079764' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/446549953278079764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/446549953278079764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/09/lappareil-est-pret-fonctionner.html' title='L&apos;appareil est prêt a fonctionner'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-135210664404532055</id><published>2010-08-27T12:15:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T16:11:57.490-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Carta aberta ao meu vizinho</title><content type='html'>Ora então parece que vou mudar de residência muito em breve. Vou-me embora de Benfica. Não, não vou ser expulso da actual casa por incumprimento de renda, essa tem sido paga a tempo e horas, mas decidi que estava na altura de seguir para outras paragens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí sim tenciono não pagar a renda. Mas isso é outra história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que imaginei quando me mudei para aqui, o dia da minha partida não será marcado por dezenas de vizinhos em lágrimas, observando com mágoa a saída do mais cintilante foco de luz e alegria que passou pela Rua da Venezuela nas últimas décadas... Para os mais desatentos, isso seria eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que imaginei no passado, afigura-se-me que não é nada disso que se irá passar. Primeiro, porque depois de 2 anos e meio de aqui estar não conheço as pessoas que moram neste prédio. E assim sendo seria estúpido se eles desatassem a chorar quando me vissem a ir embora. Segundo, porque os poucos que reconheço de vista são uma cambada de broncos mal encarados que não perceberiam a sensibilidade nem que ela lhes desse uma lambada com toda a força nas trombas. E isto, atenção, é dito por alguém que é sensível... uma vez mais, para os desatentos, estou a falar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se grande parte dos meus vizinhos nutre por mim o mesmo tipo de desprezo que eu nutro por eles, orgulho-me em dizer que há um que é especial: o camarada aqui do apartamento ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tipo encantador que gosta de exprimir o seu encanto em pancadas na parede sempre que eu, ou alguém que esteja em minha casa, faça um som ligeiramente mais alto do que uma torneira a abrir, de um ratinho a chiar ou de uma folha sêca a cair no chão. Manias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia aproveitar isto do blogue e da net para vociferar uma catrefada de insultos e ordinarices arbitrárias para me despedir do indivíduo. Mas ao invés disso, decidi ser o "bigger man" e deixar-lhe aqui uma carta aberta, de homem para homem, de modo a resolvermos a bem o mau ambiente que se gerou e que acompanhou a nossa convivência predial nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora então cá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezado Boi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoa iniciar esta carta apelidando-te de bovino mas a verdade é que não sei o teu nome e o emprego do dito animal deve-se às suas numerosas qualidades. Porque é um exemplo de força. Porque é um símbolo de nobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah e também porque é cornudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que não vás sentir a minha falta e contente decerto ficarás quando souberes que vou definitivamente para longe de ti. Muitas foram as vezes que ouvi pesadas murraças na parede da minha sala durante amenos jantares aqui passados, sempre que alguém, imaginem lá o displante,  se risse um pouco mais alto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção. Eu entendo a tua aversão ao riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse a tua aparência, acredita que também não tinha vontade nenhuma de me rir e era possível que me irritasse no mais profundo das entranhas se alguém junto a mim o fizesse. Mas também não nego que essa tua implicância me fez lembrar aquele monge velhaco do "Nome da Rosa"... Sabes qual é? Aquele que desatou a matar os outros porque tinham descoberto um livro de anedotas e ele achava que o riso era diabólico e próprio dos macacos. Qualquer coisa do género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de considerar praticamente nazi o teu horror a tudo o que é gargalhada sinto-me agradecido por não me teres vindo para aqui encher os livros de veneno. Não me interpretes mal, não me afectaria porque eu pouco leio, é mais porque não gostava que entrasses cá em casa. Gosto de ter um certo controlo nesse aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateste muitas vezes na parede, e tu sabes disso, pelos já falados risos, a principal razão, por uma ou outra expressão mais efusiva de surpresa ou alegria, como tu detestas isso, ou até pelo barulho que fazem sandálias a cair no chão, ao serem descalçadas. Esta então é a melhor. E uma vez mais estou ao teu lado nesta matéria. Aquele estalo que as sandálias fazem no contacto directo com o soalho é sem dúvida um enorme flagelo. Nem sei como aguentaste tudo isso sem fazer queixa à polícia, mas portaste-te como um homenzinho e por isso te agradeço. Ao invés, deste pancadinhas na parede. Sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que ficas assim irritadiço porque precisas de dormir à noite. Sei que és um homem de negócios... Não propriamente de negócios mas de UM negócio: uma tabacaria a 200 metros aqui do prédio. Daquelas que, para além dos tabacos, dos jornais e da pornografia, também vendem bonitos gatos de louça e outros bibelôs que, apesar de estarem à venda, já fazem parte da mobília por ali estarem há tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebo que te levantas da caminha sempre às 6 da manhã para abrir o estaminé, todos os dias do ano sem pausas semanais nem férias nem Natal nem nada mais que o valha. Podia ter pena de ti mas não tenho. Muito sinceramente, quero que te lixes. E quero que te lixes não por despeito ou por que me sinta picado pelas tuas pancadinhas carinhosas. É mesmo porque és estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta dedicação para quê?! Nunca vais a lado nenhum... Nunca gastas o dinheiro para o qual tanto te esforças em nada que se veja ou que valha a pena. Não  integras projectos de solidariedade, não visitas os amigos (se é que os tens),  não privas com prostitutas, não fazes nada.  Casa-Tabacaria. Tabacaria-Casa. A tua vida limita-se a 200 metros p'ra lá e p'ra cá. 200 metros de ambição, o terreno que pensas que já conquistaste e no qual julgas ser O MAIOR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E és pá. Fica lá com a taça.&lt;br /&gt;Fica lá com este trecho da Rua da Venezuela todo para ti. Quero lá saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente considero que quando é isto o nosso Shangri-La, é sinal que algo está errado. Até porque, e desculpa estar a tocar na ferida, não estás a ir p'ra novo, meu caro. E além disso esse penteado é um enorme entrave à aproximação das gajas. Estou só a dizer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que justifica seres ainda solteiro, e, permite-me dizê-lo, azedo com'á m***a, é o cheiro intenso a peixe frito que emana do teu casebre quase todas as noites. Que raio é aquilo, pá?! És um aficionado de peixe frito, é? E não sabes que isso, mais do que todo o barulho do mundo, justificaria eu passar o serão às marradas à mesma parede onde dás murrinhos sempre que alguém, segundo os teus parâmetros, "passa das marcas" em termos sonoros? É um pivete que não se aguenta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que nós nunca fizemos assim tanto barulho... Nem nada que se pareça. Foste mesquinho, há que dizê-lo. E também há que dizer que o meu desejo mais profundo é que venha cá para casa um de dois: ou o elenco inteiro do Circo Cardinali, anões incluídos, disposto a ensaiar toda a santa noite, ou os Pólo Norte. Aí é que ias ficar com a mãozinha feita em papa, amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao ver-teeeeee, Lisboa Lisboaaaa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pum pum pum)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdereeeeee o Bairro da Madragoaaaaa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(PUM PUM PUM)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era mais que justo e era o que merecias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está pois na hora de me despedir. Não com amizade, à Sousa Veloso, porque és uma besta, mas com a mesma rudeza com que lidaste com a minha presença durante a nossa condição de vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo desejo-te o melhor. Que alguém finalmente compre pelo menos um dos gatos de louça ordinária que vendes na tua xafarica e também que consigas acrescentar mais 100 metros ao teu percurso diário até morreres. Talvez passes a ir à tasca da esquina beber uma imperial ao final do dia. Seria uma boa maneira de gozares os teus anos dourados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço deste que não pode contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saguim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-135210664404532055?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/135210664404532055/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=135210664404532055' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/135210664404532055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/135210664404532055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/08/carta-aberta-ao-meu-vizinho.html' title='Carta aberta ao meu vizinho'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6786906847052815668</id><published>2010-08-08T16:00:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T16:49:12.389-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Ele há coisas...</title><content type='html'>Há coisas na vida para as quais não tenho resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e todos nós, diga-se. Por muito inteligentes que consigamos ser, por muito cultos ou perspicazes, há sempre uma ou outra coisa que nos escapa e nos deixa boquiabertos, com ar de mongos. Eu julgo até que é nesses momentos que toda a raça humana se encontra: novos e velhos, pobres e ricos, pretos e brancos... Tudo com a boca aberta, fio de baba pendente e ar perdido. Porque há coisas que estão destinadas a constituir mistério para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma destas questões por resolver, no que diz respeito ao meu percurso até à data, é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque é que, quando eu andava na escola, aquele que sacava mais miúdas era um indivíduo que exibia um pedaço permanente de ranho verde entre uma das narinas e o topo do lábio superior?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, tal qual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ehpá porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que o rapaz apresentava-se assim todos os dias sem excepção. E o gajedo atirava-se aos seus pés, sedentas que estavam da sua atenção, indiferentes ao aspecto repugnante e, justifica-se a comparação, mongolóide, do imberbe. Eu na altura julgava que ele não se apercebia que era ranhoso e que mantinha aquilo ali por uma questão de desleixo ou ignorância. Hoje a única certeza que tenho é que ele não só sabia que tinha ranho como o deixava ali estar como uma qualquer estratégia doentia de Dom Juan de trazer por casa. Porque se há malta que aprecia ver meninas a esfregar-se em balões ou até ter as partes baixas pisadas por sapatos com salto de agulha, então isto do ranho verde é capaz de ser o grau zero dos fetiches pervertidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o sujeito, o ranho atraía namoradas assim como aquelas fitas da cola castanha atraem e aprisionam moscas. Era certinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu nunca percebi porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ao mesmo tempo, aceito que o mundo é mesmo assim, há coisas que também só têm piada se ficarem no limbo das certezas. Será que há vida depois da morte? Haverá seres extraterrestres? O universo é mesmo infinito? Porque é afrodisíaco o ranho verde? Tantos e tão maravilhosos mistérios que, só por si, concentram a piada que é estar vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quero crer que isto do ranho não está ao alcance de qualquer um. Há que saber usá-lo. Não foi com certeza com muco que conquistei a minha mulher. Uma vez atirei-lhe com um copo de galão em cheio na cara, em golfadas, mas isso foi porque me engasguei e não porque estivesse a fazer uso de algum tipo de charme. Sei o que estão a pensar: galão e ranho não são de todo a mesma coisa... Mas quando se apanha com café com leite regurgitado na tromba é igualmente nojento. Se fosse ranho a reacção dela teria sido a mesma: um sorriso gracioso, um movimento suave em direcção à porta e o caminho até ao duche de casa em doces passadas, sem dizer palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os choninhas todos do mundo podiam imitar o mítico pedaço de ranho verde que, estou certo, pouco conseguiriam retirar do look. Aquele indivíduo exibia-o com mestria, com um tipo de autoconfiança arrogante de quem está seguro do seu ranho, de quem tem a certeza que é "o maior". E que só irá partilhar o muco com a tipa que o merecer. Que foram muitas, na altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados estes anos todos penso que fiz as pazes com o universo. Continuo a pensar nisto bem mais do que devia, bem sei, mas resolvi aceitar que nunca vou entender exactamente o que se passou. Havia ranho, não há dúvida disso. Ele era bem evidente, com um tom de verde que de tão vivo às vezes parecia ter luz própria (o que devia dar um jeitão à noite a atravessar as ruas) e a sua consistência era perfeita: não tão rijo que o fizesse secar e não tão mole que o tornasse líquido e escorregadio. Estava no ponto. Exactamente no ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o indivíduo deve ser, seguramente, alguém que sim senhor. Daqueles que aparecem nas revistas agarrados às miúdas dos Morangos ou àquelas outras que não se sabe bem o que fazem, embora se desconfie que estão isentas de impostos. Estou certo que o tipo hoje tem tudo: dinheiro, sucesso, coca e muitas beldades no seu leito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suficiente de fama e fortuna para garantir que na redacção da revista vai haver alguém que abra as fotos no Photoshop...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E QUE LHE APAGUE A PORRA DO RANHO!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6786906847052815668?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6786906847052815668/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6786906847052815668' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6786906847052815668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6786906847052815668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/08/ele-ha-coisas.html' title='Ele há coisas...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-8482106870578952684</id><published>2010-07-18T11:59:00.000-07:00</published><updated>2010-07-18T12:50:01.988-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Ah a praia</title><content type='html'>Ah a praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brisa suave que enternece os corpos semi-nus, expostos ao calor da nossa maior estrela, dona da luz sagrada que alimenta corpo e alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah a maravilhosa praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou grande fã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje passei por uma. Não estava tempo para isso mas ainda assim apeteceu-me lá tomar café. E como também não tinha mais nada para fazer, decidi tirar partido do computador e dissertei... Dissertei sobre o que se passava à minha volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É praticamente meio-dia e estou sentado, de portátil ao colo, numa esplanada da praia do Baleal. Perto de Peniche. Estou aqui sentado a escrever baboseiras porque, e apesar das centenas de pessoas que se encontram a chafurdar na areia e nas ondas neste preciso momento, NÃO ESTÁ TEMPO DE PRAIA. Ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que às vezes parece que tenho de gritar para me darem alguma atenção. Isto cansa, pá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem, porque é que eu digo que não está tempo de praia?&lt;br /&gt;Porque está frio e o céu está encoberto. Isto para mim é não estar tempo de praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas claro que há sempre um magote de jagunços a pensar o contrário. Deus os abençoe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cá não entrava nesta água hoje nem que o Figueiras (porque todos sabemos que na altura das férias o Figueiras entra em acção e substitui a maior parte dos apresentadores de concursos da SIC) me oferecesse um milhão de euros ou uma noite com uma espantosa modelo - viram como não indiquei o nome da modelo? Para me salvaguardar de possíveis represálias ou olhares de nojo lançados pela minha mulher. Isto é assim, escrever disparates muito bem mas sempre com um olho no burro e outro no cigano, que este menino ninguém apanha desprevenido. É o apanhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, se no caso da modelo ver-me-ia forçado a rejeitar a oferta graças ao amor incondicional que sinto pela minha cara-metade (embrulha!) já no caso do dinheiro só não aceitaria porque então um milhão de euros seria efectivamente o preço da minha morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu entrasse neste mar morreria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pestanejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem um último insulto aos meus inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, neste momento a questão para a qual se exige resposta é: porque estou eu a escrever estas linhas agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a praia é um palco de bizarria que me merece comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: EU estou cá.&lt;br /&gt;A partir daqui deveria ser sempre a subir não é? Mas não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda agora se levantou uma estrangeira que se sentou na minha mesa a beber um galão. Eu só a autorizei a tirar uma cadeira mas ela achou que esse consentimento se alargava a ocupar 50% do meu espaço. Ah e quando eu falo em estrangeira falo em 80 quilos de norueguesa! Daquelas que, com uma patada, me viraria a cabeça ao contrário, a 180º, como aquele famoso golpe do Bruce Lee que punha os inimigos a “nanar”. Pronto, ao menos agora a Helga foi à vida dela. Já não é mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco, à minha esquerda um emigrante português quase certamente radicado em França, gritava obscenidades em conversa amena com a mulher. Pelo que percebi, não estava zangado com ela, estava zangado com uma qualquer situação. E as obscenidades, gritadas num misto das duas línguas, portanto em luso-francês, não suscitavam na esposa qualquer reacção adversa mas sim um olhar de respeito e admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero isso para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã ao pequeno almoço vou experimentar ser ordinário com a minha mulher em luso-francês. A ver se resulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha direita, bamboleia-se uma mulher a quem me apetece pedir por Deus para não voltar a usar biquíni. Claro que todos nós temos o direito democrático de o usar, eu incluído, mas quando o nosso corpo se assemelha a uma alforreca gigante, isso deveria ficar automaticamente fora de questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também à minha direita, uma septuagenária vagueia confusa por entre as mesas da esplanada. A julgar pela atitude e pela maneira como está vestida, dá a entender que veio aqui ter por engano. Seguiu uma indicação errada para a Pastelaria Versalhes, fornecida ou por mim ou por outra septuagenária, e quando deu por ela estava a ouvir os berros irados do emigrante. Eu podia ajudá-la mas sempre me foi incutido que não devemos falar com estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se esta velha tem um olhar sinistro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao topar para o horizonte, sou obrigado a constatar que este tempo manhoso não afasta os fiéis resistentes aqui da praia. Como os admiro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua incontrolável fixação pelo “tostanço” faz com que para aqui viessem mesmo que houvesse alerta de tsunami. “É da maneira que corre uma aragenzinha...”, diriam eles, amarrados aos bares de praia. Os bravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto lembra-me que ontem, aqui mesmo neste local, vi uma rapariga cuja pele se assemelhava ao tipo de madeira que os meus pais têm no tecto do corredor de casa deles. Mogno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a miúda era loira, daquelas que costumam ser muito branquinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nestas alturas que recordo o saudoso Michael Jackson…aquilo que o homem teve de ouvir, as bocas, as críticas e os risos de gozo… e tudo o que sempre quis fazer foi o inverso DAQUILO QUE FAZEM TODOS OS OUTROS NO PLANETA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um branco quer ser preto, é sexy e atraente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um preto que ser branco, é maluco, é esquizo e é freak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda por cima é pedófilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para acamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá-se lá perceber o mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou uma nova família aqui à praia.&lt;br /&gt;Os miúdos têm pouca vontade de se aventurar pelo areal adentro. Uma das crianças puxa os calções do pai, suplicando: “Mas está bué da vento...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai ignora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atendendo ao aspecto do bicho considero já ser uma grande sorte não ter aplicado a tão portuguesa lambada no focinho ao garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os vejo lá ao fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais determinados, faça frio, chuva ou granizo, a passar o raio do dia aqui enfiados. E os miúdos mais atrás, a arrastar os pés, em plena agonia pela sua triste sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem graça que nisto da praia, parece que com a idade as pessoas vão perdendo o bom senso. Ao que parece, os mais pequenos têm uma noção, digamos, mais sã, de quando realmente vale a pena vir apanhar sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente é quando o há. Não é assim tão complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe avisto o salva-vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprecio muitíssimo esta profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem que treina afincadamente, com todas as privações adjacentes, que estuda os mistérios do mar e do tempo, que ouve mais do que o comum dos mortais, que vê mais longe e mais fundo do que todos nós, que é obrigado a ter a destreza de um tubarão, a coragem de um verdadeiro herói...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre, SEMPRE, com um único objectivo: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;papar gajas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai-se a ver e é hora de almoçar. Vou-me embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei muito deste bocadinho. Por acaso, nem por isso.&lt;br /&gt;Mas também agora já passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim quem me tira uma boa piscina tira-me tudo.&lt;br /&gt;Claro que não tenho o imenso prazer de sentir areia a assar-me as partes baixas mas no fundo, e digam o que disserem, não sentir isso até acaba por ser positivo.&lt;br /&gt;São gostos."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-8482106870578952684?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/8482106870578952684/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=8482106870578952684' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8482106870578952684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8482106870578952684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/07/ah-praia_18.html' title='Ah a praia'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-1254549326600823099</id><published>2010-07-10T17:30:00.000-07:00</published><updated>2010-07-11T02:06:58.399-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O Fim está próximo</title><content type='html'>É amanhã que a minha mulher faz anos.&lt;br /&gt;Para mim, esta é sempre uma fase complicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que me preocupe que ela esteja a envelhecer ou pense arranjar outra. Por enquanto esta que tenho ainda se encontra em bom estado e, como sempre fui poupadinho, vai dando para as curvas nessa longa autoestrada que é a vida.&lt;br /&gt;Bom, poesia barata à parte, o meu problema é outro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que é que eu lhe vou dar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, fica aqui a confissão, eu tenho um grave problema no que concerne a ofertar presentes à minha amada. Invariavelmente são estúpidos. E nas vezes que não são, são idiotas. Alterna entre o idiota e o estúpido, vá. E, sem saber como, ela continua comigo. Talvez esteja à espera que venha uma prenda boa para depois sim me mandar pastar. Isso seria um plano inteligente... mas também não quero estar  aqui a dar-lhe ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho grande jeito para ofertas, seja no aniversário ou no Natal, e isso sempre foi bem notório ao longo da nossa relação. Para vos ajudar a compreender o meu problema, elaborei aquele que pode ser o ranking das prendas mais imbecis que eu já alguma vez lhe dei... Estão preparados? Então aqui vai na mesma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TOP 6 DAS OFERTAS MAIS "WHAT DA FUCK?!" COM QUE EU JÁ SURPREENDI A MINHA POBRE MULHER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;6&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um "Relvinhas"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é um "relvinhas", perguntam vocês?&lt;br /&gt;O objecto em questão pode ter esse nome ou também, e como foi apelidado por alguém conhecido, podem referir-se a ele como "aquele boneco esquisitóide com aspecto de feto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, um "Relvinhas" é uma espécie de divertida cabeça, coberta com um material que contém sementes de relva na zona cimeira. Se regarmos regularmente a relva cresce e parece que a cabeça tem cabelo, podendo fazer-se penteados e tudo. Há quem diga que é muito giro, mas normalmente quem o diz tem um fio de baba permanente a pender-lhe do lábio inferior. E isso retira-lhe toda a credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quando uma criança de 5 anos recebe isto de um pai, é querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a mesma criança de 5 anos constrói uma peça destas para oferecer à avó, é adorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é um rapaz de 25 a dá-la à namorada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perturbador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela, Deus a abençoe, lá regou o boneco todos os dias até que este apodrecesse e ambos concordássemos que o melhor era deitá-lo no lixo. E só nesta altura me apercebi que oferecer uma coisa destas não tinha sido aquela ideia genial que eu sempre achei que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma Luz de Presença&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi talvez a primeira de todas.&lt;br /&gt;E porquê não sei... nunca soube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a Luz de Presença à venda, provavelmente numa loja de artigos para bébés, e achei que seria querido oferecê-la à minha cara metade. Claro que ela ficou uma bela dezena de segundos a olhar para aquilo e, em silêncio, a tentar medir a minha sanidade mental, até perceber que não só aquela oferta tinha sido intencional como eu ainda esperava um elogio ou um beijinho carinhoso em resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E recebi-o. O beijinho carinhoso.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que na cabeça dela ecoava o grito "O QUE É QUE EU VOU FAZER COM ESTA M***A!!!", mas tudo bem. Este teatro tão bem encenado, apenas justificável pelo habitual período de charme que marca o início de qualquer relação, fez com que eu só desconfiasse que a prenda tinha sido um fiasco uns meses mais tarde. Bem engendrado, sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Um Guarda-chuva com Asas de Abelha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próprio dia em que lhe ofereci tão bizarro objecto, chovia torrencialmente. Antes de enfrentarmos a hostilidade do dilúvio, perguntei-lhe se não queria aproveitar e experimentar o seu novo guarda-chuva. Ao que ela respondeu rapidamente "Não, não..." atirando-se para baixo da chuva a correr e arriscando uma pneumonia daquelas que não se esquece... Este episódio parece que conta tudo acerca deste presente. Inútil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E invisível também. Não sei onde está. Mas tenho a certeza que ela tratou do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia qualquer, na minha ausência... o guarda-chuva com asas de abelha, um grelhador a carvão e uma caixa de fósforos... vocês façam a matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um Coelho a Pilhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse passado toda a minha infância e adolescência enfiado num poço, sem ver nada nem ninguém, até compreendia o meu fascínio quando me apresentaram esta porcaria num Shopping. E a minha mais-que-tudo tinha de possuir um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a ver se nos entendemos, é um boneco de um coelho no qual se enfiam pilhas e, a partir daí, o boneco move-se. Mal e porcamente mas move-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ofereci-lhe isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me dela, sentada na cama, gota de suor na testa, a olhar para a estúpida maquineta. E nem nesse dia ela me enfiou duas lambadas na tromba... A isto chama-se autocontrolo, amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando à frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Um Coelho com Sarna&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, leram bem. Não contente com o disparate anteriormente citado envolvendo o mesmo animal, desta vez decidi dar o passo em frente e ofertar-lhe a chamada "real thing". E logo com sarna! Eu sou um prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tal, sem ela nunca ter demonstrado vontade de ter qualquer animal, e muito menos um coelho, eu surpreendi-a com um ser vivo! Ali, à espera de ser tratado, alimentado, escovado e tudo mais que as pessoas de bem fazem aos animais (com isto excluo as actividades levadas a cabo por certos pastores. Separemos o trigo do joio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês dirão: "- Sim, mas tu com certeza pretendias tratar do bicho a meias com ela..." Ao que eu respondo: "- Não. Nem por isso." E ficamos por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que nesse dia teria merecido sair de casa dos pais dela com um coelho enfiado pelo rabo acima, mas não saí. Acho que foi por pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim chegamos ao primeiro do ranking...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Máquina de Hidromassagem para os Pés&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cadillac das prendas estúpidas. E de longe a mais brutalmente cara.&lt;br /&gt;Não sei o que me deu. Se muitas das outras prendas são o tipo de coisa que se oferece a uma criança pequena para deixar de fazer birra ou a um adulto psicopata para deixar de degolar inocentes, este é claramente um presente com "avó" escrito em toda a sua superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu raciocínio foi simples: ela queixava-se que ao final do dia lhe doíam os pés, eu tinha algum dinheiro, vi uma traquitana destas à venda pelo valor do PIB de um pequeno país asiático e nem hesitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez mais, no momento da oferta, sentada na cama, ela não conseguiu evitar aquele piscar de olhos nervoso, revelador de confusão e/ou ódio e/ou tristeza extrema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias seguintes, a maquineta terá trabalhado uma meia dúzia de vezes. E em todas elas fui eu que a obriguei a usá-la. Ao que parece a sensação não era assim tão espectacular. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, estou com o mesmo problema. E sou obrigado a recordar todas estas falhas para ao menos tentar não fazer outra gracinha. Coisa que já começa a ser extremamente preocupante.&lt;br /&gt;É que assim não há amor que resista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro, dizem, resiste a tudo.&lt;br /&gt;À pior das doenças, à mais terrível das catástrofes... a tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a um guarda-chuva com asas de abelha ou a um coelho com sarna...&lt;br /&gt;Sinto que estou na corda bamba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-1254549326600823099?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/1254549326600823099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=1254549326600823099' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1254549326600823099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1254549326600823099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/07/o-fim-esta-proximo.html' title='O Fim está próximo'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-2252481000501165142</id><published>2010-06-26T12:20:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T12:32:52.891-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bonecadas'/><title type='text'>Olha outro!</title><content type='html'>Poucos dias depois de ter anunciado a colaboração do &lt;a href="http://filbd.blogspot.com/"&gt;Fil&lt;/a&gt; neste blogue, prometendo fair play desde o início e comprometendo-me a postar todo e qualquer ataque ilustrado da sua autoria à minha pessoa,  rebentou a bomba na comunicação social. Alegadamente, eu teria sido filmado não só a comprar uma vuvuzela (também conhecida como "a corneta dos infernos" ou "a pior ideia de sempre desde a Super Bock sem álcool com sabor a pêssego") como a aprender a tocá-la perante o olhar desconfortável do já célebre Mabuti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o visionamento das imagens, o meu camarada &lt;a href="http://pedrocarvalho-arteblog.blogspot.com/"&gt;Pedro Carvalho&lt;/a&gt; não resistiu e a sua obra obrigou-me a alargar o leque de ilustradores também a ele. Qualquer pessoa que me representa a tocar vuvuzela merece sofrer pesadas torturas... mas para aplicá-las teria de me deslocar muitos quilómetros até Barcelos, onde ele vive, e como é sabido eu sou uma pessoa doente. Como tal, se ele assim o quiser, esta "selva" é dele também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/TCZU-SFlb2I/AAAAAAAABhQ/z-HakFA2WS4/s1600/37321_406495870838_626805838_4232668_4651449_n.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 286px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/TCZU-SFlb2I/AAAAAAAABhQ/z-HakFA2WS4/s400/37321_406495870838_626805838_4232668_4651449_n.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487166624981413730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-2252481000501165142?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/2252481000501165142/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=2252481000501165142' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2252481000501165142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2252481000501165142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/06/olha-outro.html' title='Olha outro!'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/TCZU-SFlb2I/AAAAAAAABhQ/z-HakFA2WS4/s72-c/37321_406495870838_626805838_4232668_4651449_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-1067814006843825282</id><published>2010-06-22T11:11:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:47.570-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bonecadas'/><title type='text'>Tinha de vir a BD...</title><content type='html'>A partir de hoje, "A Hora do Saguim" vai passar a ter também ilustrações e banda desenhada da autoria de &lt;a href="http://filbd.blogspot.com/"&gt;Fil&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não o conhece, Fil não é apenas o meu parceiro no projecto &lt;a href="http://zonabd.blogspot.com/"&gt;Zona&lt;/a&gt;, é muito mais do que isso. Para além de ser a sigla da Feira Internacional de Lisboa, é também um indivíduo que efectua pinturas em tela, um jogador satisfaz menos de PES e, assim como grande parte da população portuguesa, diverte-se a gozar comigo nos tempos livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorreu-me pregar-lhe um tabefe e acabar com a brincadeira pela raiz.&lt;br /&gt;Mas ousar tal acto com um sujeito que tem o dobro do meu tamanho pareceu-me pouco sensato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tal, decidi partilhar este espaço com ele, promover o achincalhe à minha pessoa e ainda sorrir e bater palmas por cima. Sou ou não sou estúpido, hem?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dos seus trabalhos apresenta o Homem Bússola ao Contrário, personagem previamente apresentada neste blogue, numa incursão à casa de banho da sua própria casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a nota de que aquilo que vão ver é um enorme exagero da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu moro num T2. Só precisaria de usar um GPS de T3 para cima...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enjoy!&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/TCD-SzVQFSI/AAAAAAAABgw/GASxuj1SrOU/s1600/Homem+Bussula-WC-final.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 262px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/TCD-SzVQFSI/AAAAAAAABgw/GASxuj1SrOU/s400/Homem+Bussula-WC-final.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485663945107707170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-1067814006843825282?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/1067814006843825282/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=1067814006843825282' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1067814006843825282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/1067814006843825282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/06/tinha-de-vir-bd.html' title='Tinha de vir a BD...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/TCD-SzVQFSI/AAAAAAAABgw/GASxuj1SrOU/s72-c/Homem+Bussula-WC-final.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-541429039201012287</id><published>2010-05-23T16:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.807-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>A propósito...</title><content type='html'>Não é que haja muita gente a esforçar-se para me agradar.&lt;br /&gt;Na realidade, o número de pessoas não chega a ultrapassar uma dezena.&lt;br /&gt;É até um pouco menos do que isso.&lt;br /&gt;Julgo que ronda mesmo o zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, embora eu não possa confirmar este valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal posso: é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;zero&lt;/span&gt; é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, e apesar de não jogar, ninguém me diz que amanhã não possa ganhar o euromilhões e consequentemente ter logo inúmeros borra botas a lamberem-me vigorosamente uma das nádegas numa busca sôfrega por migalhas. Eu sei porque era isto que eu faria se alguém meu conhecido ganhasse o euromilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tal, tendo em vista essa possibilidade, decidi aqui deixar de forma muito sumária uma lista das coisas que eu mais detesto e que deverão ser evitadas caso eu fique poderoso da noite para o dia. Actualmente isso só acontece após o banho, quando penduro uma toalha ao pescoço e corro nú pela casa com o braço em riste, como se estivesse a voar, mas antecipo que em breve o meu "poder" irá adquirir contornos reais e, digamos, menos assustadores. Seria bom voltar a receber pessoas cá em casa outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, então cá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LISTA DAS COISAS QUE EU MAIZÓDEIO NA VIDA E QUE, CASO EU GANHE O EUROMILHÕES OU APRENDA REALMENTE A VOAR COM UMA TOALHA DE BANHO PENDURADA AO PESCOÇO, DEVEM SER EVITADAS TENDO EM VISTA O MEU PLENO BEM-ESTAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pessoas a fazer segundas vozes quando ouvem músicas na rádio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Se vocês cantassem bem acham que o vosso momento de glória seria esse?! Pensem um bocado e fechem a goela! Que cambada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alguém que retira um pedaço da minha sobremesa após ter rejeitado pedir uma para si próprio(a)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Num mundo ideal, eu teria o direito de enterrar a colher no globo ocular do abusador... Mas enfim, é esta pouca vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Empregados de mesa engraçadinhos e que "gostam de conversar"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, o meu sorriso amarelo diz tudo. Mas eles não reparam porque eu estar ali ou estar uma cabaça gigante, para eles é igual. Querem é plateia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Malta que fala comigo a olhar fixamente para a minha testa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eh pá, das duas uma: ou colocam óculos de sol ou arranjam uma personalidade! Ou então tenho de começar a escrever coisas na testa, não vá esbarrar com uma destas criaturas. Qualquer indicação como "OS OLHOS 'TÃO MAIS ABAIXO, Ó CRETINO!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todo e qualquer GPS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por mais avançado ou engenhoso que seja, para mim há-de ser sempre um monte de porcas e pecinhas putrefacto e traidor! E mais não digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aqueles que se colocam entre mim e o sushi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os que haviam foram desaparecendo e ainda hoje há quem relacione o sumiço ao cheiro fortíssimo que emana do meu guarda-fatos... Se não há provas, o melhor é esquecerem o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Malta que come caracóis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Aliás, eu ofereço a cura para este comportamento bizarro. É um tratamento que não respeita a convenção dos Direitos Humanos mas garanto que é eficaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Questões financeiras, IRS, IVA e coisas assim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Às vezes penso que mais vale arranjar alguém para gerir os meu 38€ mensais e passar a descansar mais a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pessoas que não sabem dançar e que insistem em bambolear-se ridiculamente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a dança é um assunto muito sensível. Basicamente, acho que não devia existir. E então quando o "bailarino" não faz a mínima ideia do que está a fazer e ainda assim insiste em fazê-lo, temos mesmo o caldo entornado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gente que barafusta para o ar, a ver se eu ouço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Acontece muita vez. Em autocarros então é um fartote. Pelo menos era quando eu andava na cruel besta mecânica, há alguns anos atrás. Mais uma razão para eu odiar os bichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Coisas que desaparecem sem eu saber como&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A ideia que dá é que Deus, por exemplo, precisa de um xizato e como não tem nenhum lá em cima decide levar o meu emprestado. Só que, como é um tipo atarefado e já tem alguma idade, depois esquece-se e eu é que fico a arder. Às vezes, a explicação mais lógica é mesmo esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um indivíduo que ache que é "O MAIOR"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isto porque o maior, como é sabido, sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto para fazer uma pequena síntese.&lt;br /&gt;Claro que podia ficar aqui uma noite inteira a debitar informação mas penso que será mais proveitoso se a for aqui colocando aos bochechos. Só espero é que estejam a apontar,não vá o diabo tecê-las e na altura não haver acesso à net. Depois não digam que eu não avisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que eu não fiz antes uma lista das &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;coisas que gosto&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;Primeiro porque não sou um Ursinho Carinhoso, já fui num emprego anterior, e hoje não perco tempo com parvoíces. Depois porque não me apeteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque os Ursinhos Carinhosos não ganham o euromilhões.&lt;br /&gt;Se ganhassem em vez de lhes saírem corações da pança saía-lhes prostitutas de luxo do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa a prova dos nove.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-541429039201012287?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/541429039201012287/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=541429039201012287' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/541429039201012287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/541429039201012287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/05/proposito.html' title='A propósito...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-4172420025319973883</id><published>2010-05-08T15:45:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.807-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Eu se pudesse...</title><content type='html'>Já não é a primeira vez que afirmo que, se pudesse ou tivesse oportunidade, faria um singelo par de operações plásticas. Duas únicas alterações no meu aspecto físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, quem me conhece pode agora perguntar: "Então mas tu com esse aspecto de manatim com bócio, se fosses capaz, não preferias ir mais longe e fazer toda uma panóplia de upgrades que evidentemente te estão a faltar?" Nesse caso, eu responderia: "Não."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, por preguiça apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito mais fácil isolar uma sala, aplicar um soalho flutuante ou pintar uma cómoda (aviso que a partir de hoje todas as minhas analogias vão ter a ver com bricolage, prática na qual sou talento impressionante) do que criar tudo a partir da raiz. Principalmente se esse tudo tiver sido adquirido na Moviflor, as coisas lá são bem mais complicadas de montar do que as do IKEA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu, não fui comprado na Moviflor. Pelo que sei vim num pack oferta do "Rei das Meias" juntamente com quatro pares de peúgas de lã virgem e umas ceroulas. E de qualquer maneira sou demasiado complexo para me querer cansar a decidir dezenas de operações que finalmente me iriam tornar no Apolo que todos concordam que nasci para ser. É trabalheira que não quero e, como tal, concentrei os meus objectivos em apenas duas operaçõezinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim voltamos à conversa inicial. Como o Pastel de Belém que não passa de um Pastel de Nata pretencioso: na volta, vai dar ao mesmo (afinal nem todas as minhas analogias são de bricolage... Maldição! Amo demasiado a pastelaria para deixá-la de fora!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas cirurgias plásticas. Duas apenas. O primeiro número par. Dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Benfica, é o Airton. Nos jogos de cartas parece que não vale muito. Na natureza, vale uma descendência. Nos parquímetros vale cerca de hora e meia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega então o momento de desvendar qual seriam as malvadas, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então respirem fundo e procurem não negar à partida uma ciência que tenho a certeza que desconhecem por ser demasiado alternativa e, porque não dizer, avançada para as vossas mentes humildes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1ª - Adição de uma cauda de castor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2ª - Adição de bolsas faciais (como as dos hamsters).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não disse que isto era demasiado à frente para vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto que neste momento estão todos a chorar os segundos que já perderam a ler aquilo que inteligentemente denominam como "patacoadas febris" ou "barbaridades dignas de um manatim com bócio" ou até "mais uma prova de que o André devia era estar a levar os choques eléctricos"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se querem que vos diga, esse vosso sentimento é tão absurdo como aplicar chão de tacos numa cozinha (aaahhh o regresso das analogias de bricolage...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois reparem: ambas as cirurgias aumentariam as minhas potencialidades de uma forma considerável. Eu sei que "aumento" é palavra que não fica bem em qualquer frase relativa ao meu corpo. Sei bem disso. Mas neste caso os fins justificariam em muito os meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que isto do aquecimento global veio para ficar e que é a nova tendência do século XXI, então não tarda muito para que o oceano engula grande parte dos continentes. E não, não estou a referir-me ao antigo jogador do Sporting porque isso seria estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isto ficar tudo submerso, uma cauda de castor calha que nem ginjas! Não só me torna um autêntico torpedo a nadar, funcionando esta como remo, como ainda me permite aplicar um tabefe daqueles que aleijam a qualquer tubarão que me queira apresentar ao próprio esófago. É portanto arma e propulsor. E eu nem sequer estou a falar do efeito espectacular que uma cauda de castor dá no rabo de um indivíduo como eu e no quanto seria um sucesso entre as gajas. Penso que isso é um dado adquirido e é assunto que não merece ser sequer repisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto: Eu + Cauda de Castor = Eu vivo enquanto vocês todos fazem tijolo num mundo pós-apocalíptico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que assim não restam dúvidas acerca de quão positiva seria esta intervenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, as bolsas faciais eram uma história completamente diferente. Se a cauda de castor era, digamos, a sobrevivência do campeão, já as bolsas eram o prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com prazer não me estou a referir ao sexo (nem quero pensar que uso dariam certos fetichistas a estes apêndices corporais...). Estou a referir-me à minha capacidade de dar resposta a um estrondoso buffet de sushi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena estarmos com cantigas: a minha aparência de, dizem alguns, "manatim com bócio" deve-se em muito a esta diabólica invenção. Neste momento, e sem nenhum orgulho, posso dizer-me responsável pelo extermínio de boa parte dos salmões e atuns deste planeta. Eu, que até gosto de bichezas... Mas talvez goste mais daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou doente por sushi. Tanto que gosto de seguir-lhe a filosofia, respeitar o propósito para o qual foi criado. Um tipo de comida tão delicado, tão delicioso, em que todos os ingredientes e sabores se mesclam num bailado suave e sensual só poderia ser apreciado de uma forma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÀS PAZADAS E À BRUTA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim tão culturalmente sensível, bolsas faciais como às dos hamsters são a única solução para que eu consiga comer ainda mais, assemelhando-me finalmente ao ogre sedento de peixe crú que estou destinado a tornar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que eu já topei os sacanas dos ratos. Os gajos enchem a mula à nossa frente, engolindo de uma assentada bagos inteiros de milho, sementes de girassol e outras iguarias e depois vão para um canto da gaiola vomitar tudo para comer como deve ser. Aquilo que a uns repugna, a mim inspira. E é assim que eu gosto de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou agora a reunir apoios.&lt;br /&gt;Duas operações destas envolvem custos elevados e alguma ilegalidade.&lt;br /&gt;Como é um plano a médio prazo, para já não tenho pressa. É para se ir fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a bricolage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actividade que afinal não me tem tanto como talento impressionante mas sim como palhaço esforçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me preocupo porque tem um nome rabiças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu se pudesse tinha uma cauda de castor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-4172420025319973883?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/4172420025319973883/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=4172420025319973883' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4172420025319973883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4172420025319973883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/05/eu-se-pudesse.html' title='Eu se pudesse...'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-3789588844209096183</id><published>2010-04-04T15:37:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.808-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>A minha Cruz</title><content type='html'>Ok, não me orgulho da última hora e meia da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que isto pode muito bem vir a ser a ponta de um icebergue e que agora vocês estão à espera que eu me arrependa também do resto... Mas para já tenho de desiludir-vos e cingir-me à tal última hora e meia. Não sejam gulosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive a jogar PES2010, vulgo Pro Evolution Soccer, um simulador de futebol que corre na minha Playstation 3. Sabem o que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vocês é capaz de ser apenas um jogo mas para mim foi um sonho de infância tornado realidade. Lembro-me bem dos serões que passei a fazer equipas, a inventar tácticas, a sonhar que comprava jogadores e geria o meu plantel... isto enquanto o Baião saltava aos berros no Big Show Sic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram os loucos anos 90 e eu era ainda mais louco.&lt;br /&gt;Ninguém por muito puto, betinho ou gordo que fosse aceitava passar assim as últimas horas de cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém excepto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, na altura poucos eram os jogos que me ofereciam aquilo que eu desejava.&lt;br /&gt;Aquele controlo absoluto. Aquele nível de detalhe nos gráficos e na jogabilidade. Aquela confusão esquizofrénica entre o que é real e o que não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi preciso esperar muitos anos até que chegasse um que já se aproximava.&lt;br /&gt;Ao qual se seguiu outro.&lt;br /&gt;E outro.&lt;br /&gt;E outro.&lt;br /&gt;Até aquele que jogo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece uma bonita história com um final feliz, não parece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAS NÃO É!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que devia jogar um pouco melhor atendendo ao tempo que dedico a esta m****.&lt;br /&gt;Sei que o meu Benfica já devia ter sido campeão há pelo menos 3 épocas.&lt;br /&gt;Sei que esta incompetência toda só pode ser fruto da minha incrível estupidez e/ou imbecilidade, que não me permite evoluir a cada novo jogo disto que compro!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última hora e meia da minha vida foi passada a insultar violentamente bonecos na televisão, a esmurrar em desespero o comando e a minha própria perna, a lançar olhares de raiva para o tecto, maldizendo a minha existência.&lt;br /&gt;Eu juro que sinto ódio por aquela gente pixelizada! E que se me dessem uma Uzi de pixéis e me pusessem dentro do ecrã eu despachava aquela malta mais depressa do que lhes leva a dizer "Konami".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, é demais!&lt;br /&gt;Eu TODAS AS NOITES me dirijo à sala com a intenção de fazer uma ou duas partidas para "relaxar". E TODAS AS NOITES me vou deitar com o mais profundo negrume no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes até me apetece bater na minha mulher, já que não posso bater no c***** do árbitro virtual. Aliás, já estive para lhe alçar o remo quando ela me perguntou "Então, ganhaste?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insulto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho esquerdo a tremelicar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÓDIO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que me impediu de a agredir nesse dia foi o facto de eu saber que ela se iria virar a mim depois.&lt;br /&gt;Capaz de me aleijar.&lt;br /&gt;E eu nem sei se ela tem as vacinas todas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas não nos dispersemos do assunto principal. Isto é triste.&lt;br /&gt;Há dias em que fico cheio de dores na mão, tal a força que faço no comando.&lt;br /&gt;Há noites que nem durmo como deve ser, revoltado com o facto de não conseguir atinar com aquilo.&lt;br /&gt;Há semanas inteiras em que me apetece viajar para a Coreia, vestir um colete de bombas e esfregar as minhas entranhas na porra de indústria de videojogos que os gajos têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi malta entrar em depressão por causa de gajas. Por causa de dinheiro. Por causa de stress. Por causa de gajas que lhes mamam o dinheiro todo e lhes causam stress.&lt;br /&gt;Mas por causa de um jogo, nunca vi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, vou pôr um comprimido debaixo da língua. Mas antes vou beber três copos de drambuie que é para adormecer os nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, como de costume, resta-me adormecer de bruços no corredor.&lt;br /&gt;E desejar que a minha mulher, ao pisar-me a cabeça, não me pergunte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então, ganhaste?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-3789588844209096183?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/3789588844209096183/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=3789588844209096183' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3789588844209096183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3789588844209096183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/04/minha-cruz.html' title='A minha Cruz'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-3487406072579171776</id><published>2010-02-14T17:07:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.808-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O Homem-bússola ao contrário II</title><content type='html'>Mesmo quando se pensava que este vosso amigo não conseguia repetir a proeza... não só repete como consegue fazer pior. Eu não páro de me surpreender a mim próprio. No mau sentido é claro. Enquanto o prejudicado for eu e só eu, não vejo grande mal nisso. Agora quando esta maldição horrível atinge pessoas que me são queridas e que são, até ver, completamente inocentes, então é coisa para me provocar uma assadura na virilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão preparados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eh pá não se armem em esquisitos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dia:&lt;/span&gt; 14 de Fevereiro de 2010 (o muito comercial Dia dos Namorados)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Missão:&lt;/span&gt; Ir de minha casa, em Benfica, até ao restaurante Barra do Quanza em Belém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pontos a favor:&lt;/span&gt; Reserva de uma mesa para duas pessoas, em meu nome, para as 21h; a morada num papel; um taxista profissional e certamente escaldado em encontrar toda e qualquer localização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pontos contra:&lt;/span&gt; Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Desenrolar da acção:&lt;/span&gt; É dia 13 de Fevereiro, amanhã é Dia dos Namorados. O que é que eu lhe vou dar? Livros, não tem tempo para ler. Filmes, temos centenas cá em casa que nunca vimos. CD's, saca da net. Roupa, é melhor não me meter nisso. O que é que eu faço? Já sei! Jantarzinho romântico e mais não sei o quê... tudo a debitar na conta do "je". Melhor reservar a mesa já hoje. Espero que consiga. Lifecooler... procurar um que esteja aberto ao Domingo. Uma cozinha que não experimentamos todos os dias. Este é bom, africano, mas não está aberto aos Domingos. Telefono na mesma? Vamos então a isso. Estão abertos amanhã? Sim? Maravilha. Mesa para dois às 21h. Obrigado, meu bom senhor. Aponto a morada num papel. Tudo certo. Certinho. Já é dia 14. São 20h30. Ela já me deu as prendas. Eram boas. A minha vai já a seguir. Levo o carro e o GPS? Este menino é demasiado esperto para cair na mesma esparrela duas vezes. Não senhor. Para além disso, o menino quer beber vinhaça como se não houvesse amanhã. E ainda para mais está a chover a potes. Vamos antes de táxi, ok? Ela diz que quer pagar o táxi. Tão querida... Muito bem. Que pague. Entramos na viatura. Digo a morada. O gajo torce o nariz. Eu caguei. Não sou taxista. Eles é que sabem as moradas todas. São treinados para isso. Diz que a morada que eu lhe estou a dizer é vaga. Ele é que é vago. E para além disso tem um corte de cabelo que meu Deus. Mas isso é lá com ele. Digo-lhe a morada. Ele mostra que não está a ver mas dirige-se para Belém. Já não é mau. Tenho o nome do edifício onde aquilo é, que copiei do Lifecooler. Ele volta a dizer que a morada é vaga. Apetece-me dizer-lhe que vaga é a mãe dele. Mas fico na minha. Passamos por Belém. Ele diz que o edifício é mais à frente mas mais à frente já é Pedrouços. Eu não sei, não sou taxista. Chega a Pedrouços e diz que o edifício ficava lá atrás. Eu volto a não saber, mas acho que ele também não sabe. Faz inversão de marcha. Vai para o sítio que indicou. Parece abandonado, duvido que seja isto. Ele diz que é mais à frente, onde é o Hotel Altis. Eu duvido que o edifício seja o Hotel Altis porque senão não seria o tal restaurante, seria... o Hotel Altis. Ainda assim agradeço. Mortinho para sair do táxi e terminar a agonia. Estou farto do homem. A minha mulher paga o táxi. Estamos ambos junto do Hotel Altis, no meio da trovoada. Damos a volta inteira ao perímetro, a apanhar chuva em recantos do corpo onde o sol não brilha. Nada. Vamos pedir indicações ao recepcionista do Hotel Altis. O homem assusta-se. Diz que é na área ao lado, a mesma que me pareceu abandonada há pouco. Eu agradeço e vou novamente para o meio da tempestade. Estou farto do homem. Eu e a minha mulher enfrentamos o temporal, já encharcados. Damos a volta ao perímetro. Nada. Lágrima, uma única. Tristeza. Já passa das 21h. Ligamos para o 118, que eu esqueci-me do número do restaurante. Dão-nos o número. Ligo, a apanhar chuva na tromba. Ninguém atende. Típico. Ninguém a quem perguntar, ninguém a quem recorrer, os meus "cojones" em jogo para salvar o Dia dos Namorados... e o resultado são duas alminhas ensopadas e desesperadas no meio de uma tempestade. Um leve soluçar começa a querer apoderar-se de mim. Fome e frio. Decido ultrapassar a estrada pela via aérea. Quase somos projectados pelo vento para a frente de um camião. Eu quase desejo ter sido colhido pelo veículo, tal a vergonha. Ambos enregelados. Volto a ligar. Ninguém atende. 21h30. Começamos a andar em direcção ao CCB. Praguejo contra tudo e todos. Principal visado: Deus. O tal que, quando não ouve as orações dos crentes se entretém a brincar com a minha vida como a sua comédia pessoal de Buster Keaton. Ele acha graça. Eu não. Chegamos ao CCB. A minha mulher funga incessantemente. O fungar dela começa a irritar-me. JÁ SEI QUE ESTÁS A FICAR DOENTE E QUE A CULPA É MINHA!!! Mas enfim, a besta sou eu. Tenho é de me irritar comigo próprio. Desisto de ligar para o restaurante. Definitivamente não sei o que se passou. Não consigo deixar de imaginar o gajo a desligar o telefone depois da minha "reserva" e a escangalhar-se a rir, no meio dos cozinheiros e empregados. Continuo a andar mas não sei para onde. O meu par evita fazer-me perguntas para não me enervar mais e eu finjo ter um plano. Mas não tenho. Não sei o que estou a fazer. Estou a andar sem destino, provavelmente a condenar-nos à morte por pneumonia. Estamos ensopados e gelados até aos ossos. Ela fala em irmos para casa. Eu concordo, cabisbaixo. Apanhamos um táxi. Ela paga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a casa. Banho a ferver. Abro uma garrafa de vinho e mandamos vir duas pizzas. Depois de algumas goladas de tinto, até parece que o plano sempre foi este...&lt;br /&gt;Mas não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso dizer mais alguma coisa? Só que se eu fosse esta mulher já me tinha pontapeado violentamente nas nádegas. Mas também, se continua comigo não merece muito mais do que isto. Quanto ao Barra do Quanza, acredito ser muito bom restaurante, sim senhor, mas a moradazinha que disponibilizam é um pouco dada ao erro. Pelo menos a avaliar pelas palavras do c****o do taxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, esta minha incrível tendência para me perder e, essencialmente, para o "disparate" anda a ganhar contornos preocupantes. É só acabar de tomar o guronsan, que a pizza não me assentou bem, e vou tomar providências. Providências essas que, se me conheço bem, não auguram nada de positivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-3487406072579171776?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/3487406072579171776/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=3487406072579171776' title='14 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3487406072579171776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3487406072579171776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/02/o-homem-bussola-ao-contrario-ii.html' title='O Homem-bússola ao contrário II'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-4514635132487494923</id><published>2010-01-29T16:33:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.808-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O Homem-bússola ao contrário</title><content type='html'>Para quem não me conhece: eu sou a pessoa com o menor sentido de orientação do mundo. Continua a ser um mistério como é que dei com o caminho para sair de dentro da minha mãe. Ainda para mais sem ninguém para pedir indicações. Curiosamente, a primeira vez que tinha um percurso a percorrer e o cumpri com sucesso foi também a última. A partir daí foi o caos total...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes ouvimos indivíduos deprimentes a dizer que se sentem perdidos. A diferença entre eles e eu é só uma: é que eu estou mesmo! Na maior parte das vezes acho que nem sei bem onde estou. E quando finalmente percebo onde estou, é hora de ir para outro sítio. E então perco-me novamente neste grande Triângulo das Bermudas que é a minha vida. Exemplos? Ainda outro dia, um amigo que contava com as minhas indicações para ir de Santa Maria da Feira para o Porto, com tabuletas do tamanho de camiões a ajudar, acabou na autoestrada a caminho de Lisboa. Muita porrada levei eu. E foi merecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois, algo de milagroso aconteceu: APARECEU O GPS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a merda foi ainda pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova disso mesmo foi o meu fim de tarde de hoje. O qual vou relatar através de frases curtas, não só porque é mais dramático mas também porque se torna mais fácil de explicar a miríade de coisas absurdas que aconteceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão preparados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vão ler na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Dia:&lt;/span&gt; 29 de Janeiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Missão:&lt;/span&gt; Ir de São Domingos de Rana até à casa de um amigo, algures atrás do shopping Alegro de Alfragide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Pontos a favor:&lt;/span&gt; O nome da rua, o número de telemóvel do meu amigo, caso precise de alguma coisa, e um extraordinário GPS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Pontos contra:&lt;/span&gt; Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Desenrolar da acção:&lt;/span&gt; Saio do meu local de trabalho. Entro no carro. Ligo o GPS. Está à procura de sinal. Retiro o braço articulado com a ventosa para prender o aparelho ao pára-brisas. O braço articulado tem a porca muito apertada e não a consigo direccionar para mim. Tenho de prender o braço articulado ao vidro do condutor, mesmo à minha esquerda. Ok, não há problema. Já tem sinal. Começo a pôr a localidade para onde quero ir. Carnaxide. Ok. Ponho o nome da rua. O GPS procura. Aparece um resultado. Deve ser esta. Cá vamos nós. Autoestrada connosco! Tudo certo. Estou a chegar à portagem. Apercebo-me que vou ter de abrir o vidro. Não vou poder abrir sem retirar o braço articulado com a ventosa. Tento retirá-lo. Não consigo. Estou a aproximar-se. Tento retirar com mais força, conduzindo ao mesmo tempo. Não sai. Cada vez mais perto. Cada vez com mais força. Não sai. Esta merda não sai. E a portagem a poucos metros já. A conduzir ao mesmo tempo. Sou forçado a parar junto a uma cabina encerrada. Luto com o braço mecânico. Violentamente. Não sai. Mais força. Sai em estrondo! Alívio. Faço marcha atrás. Ando 3 metros para o lado. Portagem. Gota de suor na testa. Pago e ponho-me a andar. Volto a colocar o braço articulado com a ventosa no vidro, agora com menos força. Ok, vai correr tudo bem. Estou na autoestrada. É ir sempre em frente. O GPS só deve dar sinal de vida daqui a alguns minutos. Mas deu já. Está a mandar-me sair da autoestrada em Oeiras. Não faz sentido. Eu saio. O GPS foi caro. Mais vale fazer o que ele manda. Rotunda do Oeiras Parque. Manda-me virar à direita. Não faz sentido. Vou voltar para onde vim. Isto está tudo doido. Caguei no GPS. Vou voltar para a autoestrada e depois logo vejo. Aproximo-me da portagem. Tento tirar o braço articulado com a ventosa do vidro que tive o cuidado de colocar com menos pressão. Não sai. Tento com mais força. Não sai. Cada vez mais perto. E a merda do braço articulado a teimar. MALDIÇÃO!!! E eu vermelho de ódio e de esforço. Não sai. A portagem a poucos metros. A vergonha a acumular-se. Não sei o que fazer. Não tenho sítio para parar como da vez anterior. Cada vez mais força. Cada vez mais perto. Veia jugular lateja no pescoço. A ventosa nunca esteve tão agarrada. Quase na portagem. Toda a força que tenho. Não quero saber. Se partir partiu. A maldita ventosa solta-se em estrondo. Quase me despisto. Suor. Páro na portagem. Pago. Ok, segunda portagem em pouco tempo. Isto é ridículo. Volto a colocar o braço mecânico com a ventosa no vidro. Quase não faço pressão. Fica pendurado. Não fica seguro. Pendurado. Reprogramo a geringonça. É desta. Voltas e voltinhas por aqueles lados. Não sei onde estou. Estou atrasado. Isso é que eu estou. Voltas e voltinhas. E mais voltinhas. Manda-me sair da autoestrada. De repente, já sei onde estou. Rotunda do Oeiras Parque à minha frente. O GPS manda-me virar à direita e voltar ao ponto de partida. Quero morrer. Desisto. Vou voltar novamente para a autoestrada. A portagem aproxima-se. Tento tirar o braço articulado com a ventosa. Não sai. Não é possível!!! Urros de raiva. Toda a força do mundo. ESTAVA POUSADO, NEM SEQUER FIZ PRESSÃO!!! Não sai. A portagem cada vez mais perto. ÓDIO!!! Cada vez mais perto. Não sai. Quase que ando ao murro ao GPS. Não sai. A portagem aproxima-se. Tenho de decidir depressa. Abro a janela. Só uma fresta. Não consigo abrir mais. Passo o cartão multibanco pela fresta. Vergonha. A mulher olha para mim como se eu fosse atrasado mental. Eu sinto-me atrasado mental. Recebo o cartão de volta pela fresta na janela. Como um leproso. Ponho-me a andar. Odeio o GPS. Vou até à zona do Alegro pelo caminho que conheço. Ao menos nesse não me perco. Desligo o maldito aparelho. Ignoro o braço articulado. Estou rodeado de papéis de portagens. A mesma mulher viu-me passar duas vezes quase seguidas na mesma direcção. Deve estar a pôr um comprimido debaixo da língua agora. Eh eh oxalá morra. Oxalá morram todos! Estou enervado. Já lá devia estar há uma hora. Ligo ao meu amigo. Não atende. Não sei o que fazer. Chego ao Alegro. Páro o carro lá perto. Ligo ao meu amigo. Não atende. Faço as pazes com o GPS. Volto a digitar o nome da rua. Há bocado dava-me um resultado, agora a busca dá-me três ruas diferentes com o mesmo nome. Não entendo. Lágrima cai. Ligo ao meu amigo. Decididamente, não vou poder contar com ele. Só eu e o GPS. Sigo caminho em direcção uma das ruas que o aparelho identificou. A que me pareceu ser a tal. Ruas isoladas. Gueto. Medo. Inversão de marcha. Desespero. Suor. Sangue. Lágrimas. Consigo sair do Gueto. Páro o carro. Desespero. Vómitos. Pergunto a um transeunte qual o nome da rua em que estou. Só para me certificar que estou completamente f***do. Milagre. É esta a rua! E o edifício em questão está mesmo à minha frente. Lá dentro, o meu amigo à minha espera. Com o telemóvel desligado. Aleluia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou em casa. Enrolado, no chão, na posição fetal. Sou o "Homem-bússola ao contrário" e isso é mais evidente do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto se conseguir encontrar a porra do caminho!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-4514635132487494923?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/4514635132487494923/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=4514635132487494923' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4514635132487494923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4514635132487494923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2010/01/o-homem-bussola-ao-contrario_29.html' title='O Homem-bússola ao contrário'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-3020571003658824252</id><published>2009-10-19T09:58:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.809-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Este prédio não é para violadores</title><content type='html'>Há umas semanas atrás, na sequência de um período prolongado de falta de luz no patamar do prédio onde moro, foi colocado um cartaz A3, escrito a caneta de feltro, com enormes letras capitais desenhadas a azul bébé. Rezava (e reza porque apesar da luz ter voltado ele ainda lá está) o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É FAVOR FECHAR A PORTA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROVAVELMENTE OS MORADORES DESTE PRÉDIO NÃO SABEM DA EXISTÊNCIA DE UM VIOLADOR QUE ANDA POR BENFICA, TELHEIRAS, CARNIDE, SETE RIOS E LARANJEIRAS. ESSE TAL VIOLADOR NORMALMENTE FICA ESCONDIDO DENTRO DOS PRÉDIOS À ESPERA DAS VÍTIMAS. PARA QUE TODAS AS PESSOAS QUE VIVEM NESTE PRÉDIO SE SINTAM SEGURAS HÁ QUE COMEÇAR A RESPEITAR UM BOCADO O PEDIDO DOS OUTROS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É FAVOR FECHAR A PORTA!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oram bem, meus amigos, eu ando inquieto. Não sei quanto aos outros inquilinos deste prédio mas eu, e aproveitando para comentar o conteúdo do próprio cartaz, não me sinto nada seguro. A questão é a seguinte: vivo sozinho com a minha mulher e só estou com ela ao final do dia. O seu trabalho é stressante e muitas vezes arrasta-se até mais tarde do que seria desejável. É comum chegar já noite cerrada ao prédio e ter de subir as escadas sozinha até à protecção do nosso lar... Portanto, até lá eu estou sozinho e CHEIO DE MEDO DE SER VIOLADO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, devido à minha exigente actividade profissional referente ao desemprego, passo grande parte do dia no escritório cá de casa. Sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, depois de ler este cartaz ninguém me tira que o violador anda à coca, entre o andar acima e abaixo do meu, a tentar perceber a melhor maneira de se aproveitar das delícias do meu corpo. Sinceramente, ando de tal forma obcecado com isto que só consegui arranjar uma maneira de enfrentar os meus temores: abrir uma caça ao homem cá no prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só através deste cartaz há inúmeras ilações que posso tirar para descobrir a sua identidade. Portanto, vamos por partes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. "(...) UM VIOLADOR QUE ANDA POR BENFICA, TELHEIRAS, CARNIDE, SETE RIOS E LARANJEIRAS."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um indivíduo destes tem sem dúvida o passe do metro e é frequentador da Linha Azul. Daí podemos retirar que tem bom gosto para transportes públicos. Sem dúvida que o metro, o comboio e o táxi estão reservados para os criminosos mais organizados, mais metódicos e sofisticados como violadores ou serial killers. Não é difícil perceber que o absurdo e fedorento autocarro está entregue aos carteiristas, burlões baratos e demais bestas. Como tal, nota mais aqui para o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. "(...) NORMALMENTE FICA ESCONDIDO DENTRO DOS PRÉDIOS À ESPERA DAS VÍTIMAS."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é sabido que o nosso prédio tem alguma humidade e que os violadores, por norma, precisam de ambientes mais quentes e secos para medrarem, não acho que estejamos 100% safos. Porque esta característica não só revela alguma timidez como ainda uma boa dose de infantilidade. Um violador seguro de si próprio não teria receio de se mostrar às vítimas, mesmo quando fossem claras as suas intenções. Mas este não. Este não corre o risco de ouvir o grito: "Largue-me, não desejo ser violada por si que é feio como uma noite de trovões!". São feitios. Positivo é o facto de sabermos que ele sabe esperar, que fica quietinho até que surja aquilo que pretende. É uma qualidade rara no povo português e que devemos, sem sombra de dúvida, valorizar neste amante indesejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3."PARA QUE TODAS AS PESSOAS QUE VIVEM NESTE PRÉDIO SE SINTAM SEGURAS (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companheiros, eu já vi as fronhas de toda a gente neste prédio. Não vi mais nem um centímetro cúbico dos seus corpos gastos e disformes, e agradeço a Deus por isso. Ora, além de mim e da minha mulher, se este indivíduo tivesse o mínimo de padrões de exigência, mais ninguém estaria em risco. Fico sem saber se é tara do violador ou se é fuga à realidade por parte dos inquilinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, até agora sei que é um sujeito tímido, paciente, com passe de Metro ou de Comboio e sem grandes critérios relativamente às pessoas com quem procura ter sexo à força. E sei também que há alguém neste prédio que faz cartazes, arrisco-me a dizê-lo, mega-espectaculares. Agora o que é que eu posso fazer de concreto com toda esta informação ainda não descobri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, o melhor é não esquecer de pôr o RAID anti-violadores, em cada andar. E se não resultar chama-se uma empresa e faz-se a desvioladorização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-3020571003658824252?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/3020571003658824252/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=3020571003658824252' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3020571003658824252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3020571003658824252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2009/10/este-predio-nao-e-para-violadores.html' title='Este prédio não é para violadores'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-7783025379992474929</id><published>2009-06-03T09:08:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.809-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis (O Regresso)</title><content type='html'>Queridíssimos e caríssimos amigos (o plural é um proforma, afinal de contas sei bem que apenas a minha mãe segue este blogue, e só o faz para se certificar que o período pós-lobotomia não começou ainda a implicar tendências suicidas. Até agora só estupidez, por isso, tudo bem.)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei se estão lembrados de um post que coloquei há uns tempos aqui na selva do saguim, mais concretamente em Fevereiro de 2008, que dava pelo nome de &lt;a href="http://horadosaguim.blogspot.com/2008/02/sermo-do-saguim-aos-apreciadores-de.html"&gt;"Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis"&lt;/a&gt;. Ora bem, nele apresentei factos concretos de uma inequívoca verdade de que o caracolame como iguaria é realmente similar a fezes ou suor de escroto, portanto coisas ruins nas quais ninguém dotado de sanidade mental haveria de querer pousar a boca. Na altura, e hoje posso confessá-lo, raros foram aqueles que concordaram comigo. A grande maioria não só me contradisse como ainda me insultou por cima. Para mim, foi um choque.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu sou um tipo com o saudável hábito de respeitar todas as opiniões e saudar especialmente aquelas que são contrárias às minhas, isto porque geralmente dão azo a animadas e fervorosas discussões, sempre sem sair dos limites da normalidade. Tenho um enorme respeito por toda a gente. Como tal, ao aperceber-me que haviam dezenas de atrasados mentais que continuavam a papar caracóis como se as suas vidas dependessem disso mesmo depois de lerem o meu post, decidi deixar-me estar. Nada posso fazer contra a burrice extrema. Basta-me ter de lidar com a minha...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Portanto, o respeito pelas opiniões alheias fez-me permanecer no exílio até agora. Momento em que me recordei da derradeira razão pela qual nunca na minha vida haveria de querer ingerir um desses pedaços de ranho ambulantes. Cá vai um flashback daqueles jeitosos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era eu miúdo e caminhava satisfeito pelas ruas de Lisboa, provavelmente cantarolando uma música dos Queen (a minha banda de eleição na altura). Passei por um quiosque e, porque era uma espécie de coleccionador compulsivo de metro e meio, não pude deixar de olhar para as revistas e cadernetas expostas. Olhei para a capa de um dos jornais. Fiquei estático. Soltei uma gota de urina. Pisquei os olhos várias vezes. Outra gota de urina. E não consegui dormir durante pelo menos uma semana. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perguntam-me vocês: seria a capa do "Crime"? Do "Diabo"? Do "Incrível"? Aquele tipo de capas que de tão bizarras conseguem marcar uma pessoa para toda a vida? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem por isso. Devia ser um "Público" ou um "Correio da Manhã", coisa mostrável a qualquer petiz, não fosse a manchete dizer algo como &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;"Idoso violado por três homens enquanto apanhava caracóis"&lt;/span&gt;!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Portanto, vamos lá recapitular e digerir esta frase aos bocadinhos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um idoso. Para quem não sabe, é um homem que é velho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi violado. Penetrado analmente, para os leigos. Por... três indivíduos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto fazia o quê? Ah pois, apanhava caracóis. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E para quê? Infelizmente para os comer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que todos nós podemos questionar: "O que é que leva três homens adultos a desejar e a consumar o acto da violação com um homem que já viveu o grosso da vida, provavelmente até tem netos, e está alegremente a apanhar caracolada?" Alguém saber a resposta é para mim arrepiante, no entanto, apenas sei que a participação dos caracóis nesta HISTÓRIA DE TERROR não pode ser mera coincidência. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É que a mim ninguém me garante que estou seguro se decidir comer caracóis. Posso muito bem sentar-me numa esplanada, pedir uma imperial e um pires dessas bichezas, e no minuto a seguir ver uma carrinha travar em grande chiadeira diante de mim para dela sairem três indivíduos sedentos de sodomia. Por muita consideração que tenha por vocês, não contem comigo para correr um risco desses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta manchete aconteceu e é apenas mais uma das razões, talvez até a principal, pela qual eu nem sequer me quero aproximar dessa "iguaria". Porque se há muitos homens que apreciam o amor físico com outros homens, duvido que haja algum que tenha desejo em ser violado por três brutamontes. Se for por três fiscais da EMEL ainda pode ser que haja, agora por três brutamontes acho pouco provável. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eh pá, por favor, eu já não sei o que vos hei-de dizer, deixem essas criaturas peganhentas em paz! A sério, vejam o aspecto do "petisco"... há unhas dos pés com um ar mais apetitoso e nós não as comemos pois não? Então... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais juízo e menos apetite por coisas nojentas, ok? Até porque algo me diz que os três violadores ainda andam aí à coca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-7783025379992474929?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/7783025379992474929/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=7783025379992474929' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7783025379992474929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7783025379992474929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2009/06/sermao-do-saguim-aos-apreciadores-de.html' title='Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis (O Regresso)'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-8529184408576218755</id><published>2009-04-08T10:01:00.001-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.809-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O último desejo de um imortal</title><content type='html'>&lt;div&gt;Descobri o segredo para a vida eterna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se me dessem a oportunidade de o anunciar ao mundo numa conferência de imprensa televisionada, seria este o discurso que faria...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"Minhas senhoras e meus senhores, muito boa noite.&lt;br /&gt;Também bom dia e boa tarde para os habitantes de todas as outras nações que estão a assistir a este meu discurso via satélite, um pouco por todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é verdade. Excusam de me sufocar com perguntas.&lt;br /&gt;Depois de centenas e centenas de anos em busca de uma resposta, de uma esperança, de uma força suplementar para a Humanidade, há um novo fôlego que surge no nosso horizonte. Descobri a forma de atingirmos a imortalidade, a nossa “fonte da eterna juventude”, algo que sempre esteve tão perto e que nós, cegos, não soubemos usar em nosso proveito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, não será pelo sentimento de ausência que choramos mais quando alguém conhecido perece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que reflictam nisto durante um minuto…&lt;br /&gt;Bom, um minuto se calhar é muito para reflectir, depois criava-se aqui um silêncio constrangedor e para além disso tenho o tempo de antena bem contado. Vamos partir do princípio que reflectiram na ausência durante um minuto, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, se nos faz sofrer assim tanto, então porque é que insistimos em desaparecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que… Nós iremos continuar a morrer, disso não há qualquer dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ligaram a TV com esperança que exista uma beberagem qualquer capaz de vos manter afastados do “soninho eterno”, uma espécie de botox para a alma, então esqueçam… É que é fatal como o destino. E antes que me chamem charlatão por estar a apregoar a imortalidade sendo que não tenho solução para a morte, ouçam bem esta palavra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAXIDERMIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutaram?&lt;br /&gt;Sabem do que se trata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não tem de se resumir a animais empalhados…&lt;br /&gt;Meus amigos, podemos ser nós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se empalharmos os nossos parentes, os nossos amigos, aqueles de quem gostamos, em vez de lhes estraçalharmos os corpos, eles nunca morrerão. Não só nos nossos corações mas também à nossa vista. Estarão perto de nós sempre que quisermos: à mesa enquanto jantamos, na cama quando vamos dormir, no duche antes de irmos para o trabalho. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma, de facto, esvai-se no ar. Mas a companhia, a sensação de conforto nos nossos corações, essa nunca desaparece. O segredo para a “vida após a morte”, aquele que se julgava ocultado algures nas passagens da Bíblia, do Alcorão ou do Livro Sagrado dos Eremitas do Deserto (se é que existe), reside nas mãos sebentas e repletas de cheiro a bicho morto de um taxidermista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia de antemão que não iria conseguir da vossa parte os urros de júbilo e os cantares de louvor a mim que sei que mereço.&lt;br /&gt;É uma ideia que precisa de tempo para entranhar-se em cada um de vocês.&lt;br /&gt;E talvez eu possa dar uma pequena ajuda. Talvez precisem de um primeiro passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me importo de ser eu a dá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um pouco mais velho do que a minha mulher e não temos filhos. Estive a fazer contas e a consultar alguns bruxos africanos e tudo indica que serei o primeiro a partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, tomei uma decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É perante vós, perante ela e perante a justiça dos homens que manifesto o meu desejo de ser empalhado quando morrer. Quero que a minha esposa me conserve na nossa sala de estar, divisão da casa onde vivemos momentos de verdadeira felicidade, exactamente ao lado da nossa televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei o que estão a pensar neste momento. Não é lá muito boa ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estou um passo à vossa frente posso acrescentar que não desejo ser empalhado de corpo inteiro. Isso seria absurdo. Apenas o busto, para facilitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreciaria imenso também que o artista que tratasse de atafulhar o meu corpo de miolo, me construísse um meio sorriso na boca. Uma expressão que me imortalizasse não só como um sujeito razoavelmente inteligente, mas também como um bon vivant, alguém que, com uma grande dose de malandrice, aprecia um cálice de Chardonnay ao final do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso seria também como que uma última oferta para a minha mulher. Algo como “estou a observar-te, estou contigo enquanto vês o teu programa favorito e ai de ti se arranjas outro para calçar as minhas pantufas”. Seria uma bonita prova de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, amigos de todo o mundo, pensem nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje mesmo, porque não convidar a bisavó para jantar? Sim, um pouco verde, é certo. Sim, sem alguns pedaços importantes da fisionomia. Mas presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é isso que importa, afinal de contas? Pois claro que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço a todos e, pela parte que me toca, sejam bem-vindos à imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado eu!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-8529184408576218755?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/8529184408576218755/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=8529184408576218755' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8529184408576218755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8529184408576218755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2009/04/o-ultimo-desejo-de-um-imortal.html' title='O último desejo de um imortal'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-8383556504415822520</id><published>2009-02-17T03:08:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>O futebol depois de Bynia</title><content type='html'>Para quem não sabe, o Benfica não só é o maior clube do mundo como também tem um papel fulcral no desenvolvimento do próprio futebol. E do desporto em geral. E consequentemente da produção de cerveja. E da continuidade do mundo tal como o conhecemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe e para quem me manda calar sempre que desenvolvo esta minha teoria. Sem Benfica, meus caros amigos quer queiram quer não, a coisa não andava para a frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo concreto? Então vamos lá a isso: BYNIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bynia é um sujeito que veio trabalhar para o Benfica há mais ou menos dois anos. Eu digo sujeito porque a palavra jogador às tantas é demasiado forte para designar a sua actividade. Mas isso não faz com que o Bynia seja menos importante para o Benfica e para o futebol moderno. A sua naturalidade é indefinida. Da testa para cima: escandinavo. Da testa para baixo: camaronês. Acho que optou pela segunda. Mas até aqui tudo bem. É dentro do campo que o rapaz faz toda a diferença. A verdade é que o Bynia reiventou todo um conceito de futebol, coisa passível de figurar num livro de filosofia, e se ele não se põe a pau ainda sou eu que o escrevo e fico com a honra e glória. Agora perguntam-me vocês: "- Mas, ó André, sendo que os Camarões não têm nenhuma escola filosófica propriamente dita, como é que este artista consegue revolucionar o que quer que seja?". Perguntam-me vocês e, se me permitem, estupidamente. Vou procurar explicar com um exemplo concreto da minha própria vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto muito de ver e jogar futebol. Claro que, hoje em dia, das raras vezes que jogo, a minha participação é muito semelhante àquela que a pedreira do Estádio do Braga tem nos jogos dos minhotos. Talvez esta seja até um pouco mais activa mas também é natural porque participa em metade dos jogos da época. Quando era miúdo pesava o mesmo que peso agora. Se eu hoje sou, digamos, gordo, então imaginem o que se passava quando tinha metade da altura. Volta e meia apareciam senhores de fato macaco na rua que me regavam com grandes mangueiras, convencidos de que eu era alguma espécie de elefante marinho e não podia estar assim "ao ar". Nesses tempos, também eu quis ser jogador de futebol mas, para além do meu notório handicap físico, não tinha lá muito jeito. E isto do jeito não tem nada de subjectivo: as bolas que deviam ir ter à baliza iam vários metros ao lado ou por cima, os passes que deviam ir ter aos meus colegas iam invariavelmente dizer "olá" aos adversários e as fintas acabavam sempre comigo espetado no chão. Sempre. Ora, houve tempos em que também eu acalentei o sonho de vir a ser jogador profissional de futebol. Mas bastaram dez segundos de lucidez para perceber que isso nunca aconteceria, e ainda bem. Por alguma razão as pessoas ainda ligam a televisão para ver "bom futebol". Porque o conceito de "bom futebol", aquele que, bem ou mal jogado, de alguma maneira procura fazer sentido, faz com que os jogadores se esforcem para conseguir o mesmo: acertar as posições, acertar os passes e fazer com que a coisa esférica entre no espaço delimitado por redes, lá do outro lado do campo. Em suma, eu abdiquei de uma carreira desportiva em prol da lógica das coisas. E durante anos vivi orgulhoso da minha decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia apareceu o Bynia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, o Bynia provou que o futebol é o que um homem quiser. Aquilo que ele faz não é jogar à bola, é um manifesto pelo direito a jogar no Benfica. Ele passa mal as bolas aos companheiros? Eu acho que nem se preocupa em fazê-lo bem, isso são preocupações menores. Ele remata à baliza contrária com intuito de marcar golos? Nem por sombras, o objectivo é fazer com que a bola se vá enterrar pela cúpula do Colombo a dentro. Ele finta, desmarca ou cumpre abnegadamente a sua posição do terreno? Nunca! Para quê, se abalroar adversários é muito mais divertido?! É vê-los a saltar como coelhos, de cada vez que o Bynia alça a perna acima do pescoço. Um fartote.&lt;br /&gt;Agora, com todas estas particularidades seria de prever que os treinadores do Benfica não só não o utilizassem como o proibissem de chegar a menos de 500 metros do Estádio da Luz. Mas ele mantém-se no plantel. Volta e meia é titular, muitas vezes até relegando colegas bem "melhores" para o banco de suplentes. E continua a merecer toda a confiança do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E à custa disso, assim evolui o futebol. Desporto esse que, se houvesse justiça, passaria a ter duas eras: AB (antes de Bynia) e DB (depois de Bynia).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-8383556504415822520?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/8383556504415822520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=8383556504415822520' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8383556504415822520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/8383556504415822520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2009/02/o-futebol-depois-de-bynia.html' title='O futebol depois de Bynia'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-6735599502855381576</id><published>2008-11-06T02:51:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Licor Beirão. Que Futuro?</title><content type='html'>Epá, por favor esclareçam-me lá esta dúvida: porque é que dá a ideia que nós TEMOS de beber Licor Beirão?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah não temos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que parece mesmo que está escrito em algum lado, nalguma lei ou assim, que o povo português é obrigado a tomar esta bebida seja de que forma for!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns anos atrás, andava o Manuel João Vieira de bar em bar a fazer a pergunta "O que é que se bebe aqui?!", para ouvir como resposta, em uníssono e num único berro heróico, "LICOR BEIRÃO". Ora, e só para garantir que estamos todos no mesmo comprimento de onda, isto nunca acontece, ok? No mundo real, na melhor das hipóteses, o histórico vocalista da banda Irmãos Catita encontraria dois indivíduos de quarenta e poucos anos, mas com aspecto de oitenta, a bebericar o bom e velho licor nacional directamente de copos engordurados pelo sebo das suas mãos enquanto dialogavam sobre "aquele golo do Carlos Manuel contra os camónes". Se estes sujeitos conseguissem ouvir em condições, ou seja, se o consumo frequente de Licor Beirão ao longo dos anos não tivesse corroído lentamente as suas traqueias até aos tímpanos, seriam eles os únicos a gritar o nome da bebida. Vamos enfrentar os factos como homenzinhos, pode ser? A malta não gosta assim tanto de Licor Beirão. Nem mesmo os beirões. E não é por lhe misturarem algumas pedras de gelo que passa a ser a bebida de eleição da juventude... Esta foi a primeira vez que esta instituição nacional procurou renascer das cinzas, mas não deve ter resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve ter resultado porque passado pouco tempo empurraram o José Diogo Quintela vestido de campino para dentro do mesmo bar, para desafiar os marialvas a largarem as conhecidas zurrapas estrangeiras e a beberem o conhecido licor. Eu sei que a ideia era fazer alusão a uma personagem que o José Diogo tinha interpretado na série dos Gato Fedorento, mas a mensagem não deixava de ser a seguinte: temos de defender os valores nacionais e beber Licor Beirão porque não é só um acto patriótico mas também prova que somos homens com H grande. Com esta medida, a marca acabou por fazer uma selecção mais refinada do target. Na realidade, uma bebida chamada Licor Beirão não é coisa que gostamos de ver uma senhora pedir no balcão de um bar. É o mesmo que vê-la dar um "pum". Digamos que não fica bem. E eu bem sei que em certas zonas do país chega a ser difícil diferenciar as senhoras dos homens, e os "puns", particularmente sonoros e animalescos, acabam por ser a forma mais educada que têm de cumprimentar quem passa. Mas não iremos por aí. Com esta campanha, aquele animado grupo de rapazes e raparigas que abraçados gritavam alegremente "LICOR BEIRÃO", ficou reduzido a dois comparsas que deitavam fora as suas vodkas e os seus whiskys para optarem pelo património português.  Mas, mais uma vez, a estratégia não deve ter resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve ter resultado porque agora comunica-se uma nova bebida, uma forma inovadora de nos impingirem o raio do licor: o CAIPIRÃO. Oh senhores, isto é para quê? É para a comunidade brasileira, é? Vamos cortar mais uma fatia do target, vamos? É que de início tínhamos toda a gente, depois eram mais os jovens, depois eram os jovens machos e agora são os jovens machos brasucas. Anseio pela nova campanha... "Agora, e devido novamente aos baixos valores de vendas, aqui na Beira decidimos produzir licor apenas para os jovens machos nordestinos que gostam de cinema francês, mas só de alguns filmes porque no geral acabam por ser maçudos sobretudo ao Domingo que é quando gostamos de dançar um sambinha e comer um bolinho de bacalhau, e que conhecem uma moça de nome Darlene que trabalhava a dias para o Coronel Jairzinho lá na fazenda de Bobotó Pacuará". Qualquer dia é aqui que estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, quanto a mim, o Licor Beirão não é assim tão bom. Não é tão espectacular quanto o pintam. E não vale a pena misturarem-lhe limas, nem gelo, nem açúcar, nem mesmo molho de barbecue, que continua a não ser "a bebida do momento". Porque é que não devolvemos o licor àquele par de indivíduos de quem falei ainda agora? Vamos ser francos, este sempre foi o público alvo, a bebida pertence-lhes. Toda esta panóplia de soluções, todo este nervosismo faz-me acreditar que se trata ou de uma promessa ou de algum acordo com um país estrangeiro, em que o governo português se comprometeu em unir todos os esforços em prol da venda deste produto. Para quê? Não sei. Faça eu o que fizer não me deixam entrar no Palácio de Belém para tratar dos vários assuntos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apenas sei que ando cansado e a conceber teorias parvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso urgentemente de um Licor Beirão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-6735599502855381576?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/6735599502855381576/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=6735599502855381576' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6735599502855381576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/6735599502855381576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/11/licor-beiro-que-futuro.html' title='Licor Beirão. Que Futuro?'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-5100613601919813426</id><published>2008-09-21T15:54:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>A Genialidade tem formato Outdoor</title><content type='html'>Uma destas sextas-feiras fiz uma viagem ao Norte do País. Fui ao Gerês e voltei no mesmo dia, de carro, comigo a conduzi-lo... só para se aperceberem da extrema dificuldade e do perigo iminente que constituiu esta minha aventura. Mas teve de ser, dado que se tratava de uma viagem de trabalho fui forçado a assumir a coisa com toda a seriedade que um certo pinheiro verde de cheirinho e uma determinada capa para volante com as cores da bandeira nacional permitiram. Sim, levei o meu carro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizer de uma jornada do Centro ao Norte do País num dia só, de uma incursão intensa às origens mais profundas da alma portuguesa, do fervilhar em mim de uma pseudo-alma de emigrante, ao palmilhar mais e mais quilómetros de estrada? Epá, o que eu vos digo é que há outdoors do melhor por aí. Tão sublimes que iam provocando um acidente através deste vosso amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pelo mais levezinho... um anúncio de uma empresa (atenção que há determinadas zonas do País em que o conceito de empresa é muito vasto. Uma "empresa" pode ser um anexo em pladur com meia dúzia de melões e um sujeito obeso e sebento com uma camisa cinzenta de alças acompanhado por um cão zarolho chamado BRAINE, porque segundo ele BRAINE significa castanho em inglês. Atenção que em muitos locais isto pode ser uma empresa em vias de tornar-se multinacional.) Bom, mas não nos percamos. Um anúncio de uma empresa de fabrico de lareiras. Até aqui tudo ok. O copy do outdoor, para os leigos, o copy é a mensagem escrita (toma que já almoçaste, leigo! Burro da m****), era: "Reacenda a chama em sua casa." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Picantezinho, não? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até podia ser... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SE A IMAGEM NÃO APRESENTASSE UM CASAL OCTAGENÁRIO NU, ABRAÇADO AOS BEIJOS DIANTE DE UMA LAREIRA!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, meus amigos, porque é que isto é errado? Eu sei que o Viagra veio revolucionar o sistema todo há já alguns anos, não precisam de o referir. Mas mesmo assim isto intriga-me. Antigamente, para muitos casais o chamado "mambo horizontal" levava um resfriamento, digamos, TOTAL, por volta dos sessenta anos. E eu acho isso uma boa medida. Aos sessenta anos há coisas que devem ser postas a hibernar para sempre. Há quem diga que no meu caso, essas coisas deviam seguir o mesmo caminho JÁ. Mas eu insisto em mantê-las activas contra a vontade do público e também da maioria das esquadras de polícia. De qualquer forma, não é de mim que isto se trata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter velhinhos nus abraçados não é sexy, não é ousado, não é moderno... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como é que eu... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bom... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;epá é NOJENTO, ok?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueçam lá isso, procurem uma via mais tradicional. Eu nem quero imaginar a versão 2009 desta campanha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois do outdoor do ano passado, este ano temos de ser mais p´rá frentex rapazes, hem?!&lt;br /&gt;- Chefe, chefe. Estive a pensar e só vejo uma maneira de atingirmos um novo limite.&lt;br /&gt;- Sou todo ouvidos, Bonifácio.&lt;br /&gt;- Agora, em vez de um casal de oitenta anos temos uma velha de 100. Mesmo a cair de podre, com bichezas e tudo, está a ver?&lt;br /&gt;- Estou a ver e está a agradar-me, Bonifácio.&lt;br /&gt;- Mas desta vez não temos o velho. Temos um burro! Um burro ou um boi, um dos dois. Talvez o burro! Mas que seja mesmo chocante, está a ver?!&lt;br /&gt;- Brilhante. Força nisso então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, parece-me um bocado puxadote demais. Lareiras muito bem, não me importava de ter uma, agora casais de idosos a fazer porcarias na minha sala... Digamos que há imagens mais agradáveis a reter na memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, este outdoor foi difícil de encaixar mas não me preparara minimamente para aquilo que vinha a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outdoors da Prevenção Rodoviária querem-se chocantes, querem-se directos, querem-se "sem papas na língua". Mas querer-se-ão estapafúrdios? Depois desta viagem, para mim, é difícil dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu a poucos metros de uma rotunda quando avisto um outdoor da tal Prevenção Rodoviária. O copy era o seguinte: "Não parou no STOP?". Ok, até aqui está correcto. Se um fulano não parar no STOP arrisca-se a apanhar com um velho (mais uma vez os idosos) a conduzir em contra-mão. Agora pensando bem, mesmo se pararmos no STOP nada nos garante que não somos colhidos na mesma, mas de qualquer forma mais vale parar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que os rapazes da Prevenção arranjaram como "device" para captar a nossa atenção e sugerir uma angustiante sensação de medo e consciência? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro urnas. Duas grandes e duas pequenas, com as inscrições: pai, mãe, filho e filha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem, isto chama à atenção? Chama, sim senhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama tanto que me ia espetando rotunda adentro, histérico com a estupidez a que tinha acabado de assistir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para mim, a questão é só esta: desde quando é que o macaco Adriano trabalha em publicidade? É que há ideias que não parecem ter sido geradas num mundo racional. &lt;br /&gt;Agora a sério, UMA FAMÍLIA DE URNAS?!! Mas ninguém percebeu que isto é imensamente parvo? Não vale a pena responderem, o outdoor estava lá e não resta qualquer dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tal, estes acabaram por ser os pontos altos da minha viagem. Acontecimentos fulcrais que me fizeram rir à gargalhada, fazer uma pausa de preocupação e pesar pela demência mental dos criativos envolvidos no processo e seguir o meu caminho com a leveza de espírito de saber que afinal existem por aí indivíduos um pouco mais estúpidos do que eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Deus vos dê muita saudinha e uma vida longa. Ele sabe o quanto preciso dos vossos outdoors.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-5100613601919813426?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/5100613601919813426/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=5100613601919813426' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5100613601919813426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/5100613601919813426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/09/genialidade-tem-formato-outdoor.html' title='A Genialidade tem formato Outdoor'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-4393186372953922813</id><published>2008-07-08T15:43:00.001-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Cartas de amor... quem as não tem?</title><content type='html'>Chamem-me lamechas, mas haverá coisa mais bonita do que uma comovente carta de amor? Então quando é escrita com paixão e com a ingenuidade que só uma valente catrefada de erros ortográficos e de pontuação podem transmitir... é um mimo, uma coceguinha na alma. Eu pelo menos sinto as coisas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não me conhece, ou seja toda a gente menos os meus pais, eu sou um tipo que detém aquilo a que vulgarmente se chama: poder de atracção. Não sou particularmente bonito, nada interessante do ponto de vista intelectual e já houve quem dissesse que consigo ser uma besta quando visto roupa beige. Até aqui tudo normal. No entanto, e apesar de todo este handicap, também eu consigo emanar sedução e fui alvo de uma cartinha de um(a) fã, este último fim-de-semana. Não passava de uma simples folha de papel, não tinha forma de coração, não projectava o odor das flores, não estava escrito a lilás. Era apenas um simples e amoroso papel preso no limpa pára-brisas do meu carro (na realidade o carro não é meu mas sim do meu pai, que mo empresta todos os fins-de-semana. Para quem diz que sou condutor de Domingo, claramente devia estar calado porque conduzo também ao Sábado, logo essa "boca" não se aplica. Um condutor de Domingo conduz apenas ao Domingo, eu teria de ser condutor de fim-de-semana porque pego no carro ambos Sábado e Domingo. Anda para aí muito papalvo uivador a berrar disparates à porta de minha casa todos os dias a partir das nove da noite e isto é para aprender a ter tento na língua. Condutor de Domingo o cacete!). Voltando à carta... um singelo papel no limpa pára-brisas do meu carro. Tão banal e tão sexy, meu Deus! Tremi por dentro. Se a minha mulher o visse, se ela lesse o seu potencial conteúdo lascivo e ordinário, com laivos de apertões de vão de escada. Tremi de nervosismo e li, rapidamente e às escondidas, as linhas tímidas, sedentas que eram do meu amor. Diziam o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANORMAL&lt;br /&gt;ONDE POSESTE O CÁRRO CÁBIAM DOIS&lt;br /&gt;RESPEITA OSOTROS SE QUERES SER RESPEITADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me um Don Juan. &lt;br /&gt;Amarfanhei o papel e enfiei-o no bolso, não fosse alguém perguntar-me o que era. Tinha a certeza de que se tratava de uma mulher, só podia ser. A sinceridade doce, tão meiga, do início da carta... "ANORMAL"... só podia ser para mim e nunca para nenhum outro. Apenas uma senhora se dirigiria assim a um cavalheiro. Depois, a inclusão do absurdo "poseste" em vez de puseste. Uma verdadeira maravilha digna de um ensaio surrealista de Dalí. Primeiro, tratava-me por tu, o que é simpático e ajuda a quebrar o gelo em cartas como esta. Depois, o erro ortográfico cirurgicamente plantado, inserindo matreirice e infantilidade autista à coisa. Ah que excitação me causou, que mente engenhosa esta que conseguia tocar-me no local mais íntimo e longínquo do meu coração. E que dizer dos acentos mal colocados? Estariam realmente? Creio que não, nunca uma criatura tão deliciosamente inteligente o faria por descuido. São, com toda a certeza, indicadores de direcção indiciando o possível sentido da sua casa. O ninho de pecado onde certamente me esperará com propósitos pouco cristãos. Ao que parece fica para a direita. Noto depois um idioma espanholado, sem chegar realmente a sê-lo, no uso da palavra imaginária "osotros". Aqui consigo identificar um claro convite para fugirmos para Espanha. Capaz de ser bem pensado, Portugal está cheio de gente ignorante e iletrada, pessoas como nós devem levar a sua relação adúltera para bem longe. Por esta altura grossas lágrimas corriam pela minha face abaixo, fruto da comoção incontornável que o mais puro dos sentimentos, e também a mais declarada prova de trissomia 21, provoca em mim. Então entrei no carro, meti uma primeira, espetei-me violenta e repetidamente nas demais viaturas estacionadas à frente e atrás de mim como de costume e segui o meu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para os mais curiosos, vou mesmo ter de dizer que não. Não cederei à tentação juvenil com aroma a pastilha de tutti frutti, presente naquele escrito pleno de simbolismo e vazio de sentido. Amo demasiado a minha mulher para deixar-me levar por namoricos inconsequentes e abrutalhados, potenciados por cartinhas de amor adolescentes. Não é com falinhas mansas que me levam à séria! Embora o "ANORMAL" do iníco tenha feito a minha vontade fraquejar... estou rodeado de românticos, pá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-4393186372953922813?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/4393186372953922813/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=4393186372953922813' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4393186372953922813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/4393186372953922813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/07/cartas-de-amor-quem-as-no-tem.html' title='Cartas de amor... quem as não tem?'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-7233110963744346854</id><published>2008-04-08T08:27:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Ser Benfiquista</title><content type='html'>Porque é que eu sou do Benfica? É a pergunta que já coloquei a mim próprio muitas vezes e à qual nunca obtive uma resposta convincente. No fundo, não consigo justificar-me perante o meu próprio bom senso e isso, parecendo que não, explica muita coisa. Sou do Benfica porque parte do meu cérebro não funciona em termos. Deve ser isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que alegar insanidade é o suficiente para conseguir escapulir-me a uma análise mais profunda? E porque não? Resulta em muitos julgamentos. Muito bom assassino vai parar a um quartinho almofadado para não acabar numa cadeirinha almofadada por fofinhos eléctrodos letais. Então se é assim, porque é que não posso dizer “- Sou maluco e pronto!” e ficamos por aí?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez porque seja um pouco mais exigente... Talvez por isso, vou então desconstruir a minha existência de modo a conseguir fundamentar a minha preferência clubística. À boa maneira de Gollum, esquizofrénica personagem das histórias de J.R.R. Tolkien, vou encetar um confuso e perturbado diálogo entre o meu hemisfério cerebelar esquerdo (aquele que tem juízo) e o meu hemisfério cerebelar direito (aquele que tem defeito e é 100% benfiquista). Ora aqui vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(hemisfério esquerdo) - Olha lá, o Benfica provoca-te desespero?&lt;br /&gt;(hemisfério direito) - Sim, há anos e anos, de diversas formas e feitios. Já chorei, berrei, bati em mim próprio e nos outros, sempre a chorar e a berrar, por causa das derrotas do Glorioso.&lt;br /&gt;(hemisfério esquerdo) - Estou a ver... Então e alegrias? O Benfica faz-te feliz?&lt;br /&gt;(hemisfério direito) - Epá, esporadicamente...&lt;br /&gt;(hemisfério esquerdo) - Com que frequência?&lt;br /&gt;(hemisfério direito) - Nunca (suspiro)...&lt;br /&gt;(hemisfério esquerdo) - Bem me parecia. Explica-me então porquê? Porque raio és benfiquista? &lt;br /&gt;(hemisfério direito) - Ok. Vou contar-te então uma história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTO DE UMA TARDE DE CHUVA (tentativa desesperada do meu hemisfério cerebelar direito, aquele que tem um parafuso queimado, para tentar convencer o meu hemisfério cerebelar esquerdo, aquele que é são como a Fátima Lopes que ingere Activia e nunca sofre de prisão na tripa, de que ser do Benfica é realmente boa ideia e coisa para continuar até ao fim dos dias do André, a embalagem dos dois hemisférios que se encontra a babar-se abundantemente enquanto estes se envolvem num bizarro diálogo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto passou-se há cerca de uma hora atrás, numa zona de Lisboa onde desenvolvo a minha actividade profissional (aos meus colegas que neste momento estão rebolar-se no chão, a rir às gargalhadas, enquanto exclamam “- Profissional?! Este babuíno amestrado nem à chapada conseguia ser amador, quanto mais...”, a todos eles um violento manguito na tromba). Ia eu a caminho de um café, a passar por um terreno cheio de carros estacionados quando avisto uma estranha silhueta vermelha a efectuar aquilo a que ele apelidava de “dança” mas que me parecia ser os espasmos de um flamingo com epilepsia. Era um simpático e bonacheirão arrumador de carros, vestido à Benfica dos pés à cabeça, e encontrava-se a bailar porque estava feliz... ou bebâdo... ou então um misto dos dois. Eu sorri para ele e disse para mim próprio “- Seria mais construtivo se esta besta fosse antes bulir para as obras e acartasse cimento em vez de acartar pacotes de vinho...”, e depois prossegui. Ele, protegido pelo glorioso símbolo da águia e por um farfalhudo bigode preto, riu-se para mim e exclamou-me qualquer coisa que não percebi porque a sua boca ostentava apenas dois apodrecidos dentes nas gengivas. Eu ri também, para não ser mal educado, dei-lhe uma pancada amigável nas costas e segui o meu caminho. Quando abandonava o local de lazer, o “bailarino” chamou-me de longe e veio a ziguezaguear até mim pelo meio dos carros. Pediu-me um isqueiro e avisou-me desde logo que estava metido na droga e no vinho até à ponta dos cabelos. Eu fiz um ar surpreendido, como se os meus sentidos todos já não tivessem dado conta do fedor, e pedi-lhe que tivesse cuidado com a saúde. Disse isto com a perfeita noção de que a saúde e este menino com certeza nunca sequer se encontraram. Ele ria como louco e efectuava notável malabarismo com os seus dois dentes, sempre envergando com orgulho o resplandescente fato-de-treino do Benfica. Entretanto, no meio do discurso incoerente, lá deixava escapar: “- Você ainda me vai dar cinquenta cêntimos...”. Eu olhei para aquela infeliz criatura desdentada e dei-lhe um euro, tentando impedir que voltasse a efectuar a sua “dança” diante de mim. Ele ficou todo contente com a preciosa ajuda para novo serão de festarola. Eu voltei à minha vida, impressionado com o espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o sujeito era drogado? Era. O sujeito era bêbado? Era. O sujeito tinha um aspecto tão repugnante que se adormecesse numa praia faria com que o Greenpeace processasse o Governo? Tinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então porque bailava ele? Porque ria ele? Porque é que procurava ensinar-me coisas enquanto me bufava perdigotos pestilentos para os olhos?&lt;br /&gt;Porque era do Benfica. E era feliz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é para o meu hemisfério esquerdo aprender a ficar calado! VIVA O BENFICA!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-7233110963744346854?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/7233110963744346854/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=7233110963744346854' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7233110963744346854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/7233110963744346854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/04/ser-benfiquista.html' title='Ser Benfiquista'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-3902219874962567451</id><published>2008-02-22T04:26:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Sabor a Hip Hop. Porquê, meu Deus?</title><content type='html'>Há quem admire actores de cinema, cantores, criadores artísticos da mais variada ordem e feitio. Há quem os tome como ídolos e modelos a seguir, quem reja a sua vida segundo os padrões demarcados pelas chamadas “autoridades”. É uma coisa perfeitamente normal, comum a todos os seres humanos. Eu cá, idolatro os indivíduos das pastilhas elásticas. Os produtores, o pessoal das fábricas, os publicitários do ramo e, sobretudo, os criadores de novos sabores. Tenho como objectivo para 2008 dirigir-me a uma empresa de pastilhas elásticas e passar lá a manhã a pedir autógrafos como costumava fazer quando era petiz, mas com os jogadores do Benfica. E esta febre toda porquê? Muito simples. Por causa das pastilhas com sabor a Hip Hop.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As pastilhas com sabor a Hip Hop. &lt;br /&gt;Estão a topar? Todo um movimento urbano transformado em sabor e colocado numa pastilha elástica de 4 x 3 cm. Se isto não é magia então digam-me o que é. Pois, não é magia não. É estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora a sério, mais uma vez apelo ao vosso bom senso. Eu sei que ele está aí a ressonar como um grande porco sob o efeito de um cocktail de valium, é necessário vergastá-lo vigorosamente com paus para que acorde. Ora, eu sou um grande apreciador da cultura Hip Hop. Gosto de todas as suas manifestações, desde as mais rítmicas às mais gráficas. Não vi com bons olhos o aparecimento da dança Hip Hop, algo que, quanto a mim, já existia antes com o nome de Breakdance. O que aconteceu é que os artistas de rap começaram a colaborar em grande massa com os tipos e tipas do R&amp;B, e assim o conceito de dança Hip Hop começou a definhar num estilo nada a ver com movimentos à Britney Spears (no tempo em que esta não se assemelhava a um elefante marinho bêbado). Quando esta moda cá chegou, a geração Moranguiana mamou disto como se não houvesse amanhã e hoje não há ginásio que não tenha o seu workshopzinho. Foi uma autêntica rebaldaria. Por mim tudo bem, até porque se a rebaldaria incluir gajas boas a bambolear-se parece-me sempre muito a propósito. Mas o avacalhanço do Hip Hop não podia ter ficado por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pastilhas com sabor a Hip Hop. &lt;br /&gt;Porquê, meus amigos? E a que é que saberá? A vinil? A borracha? A spray de tinta? Eu digo-vos: sabe a limão. Porquê? Sei lá, nada disto faz sentido. Se soubesse a alguma destas coisas se calhar ainda conseguia ver aqui uma luzinha no fundo do túnel mas a limão, não consigo mesmo encaixar. Acho que ainda conseguimos salvar a “honra do Convento” e ter aqui um projecto realmente interessante. Basta alargarmos os sabores a vários estilos musicais, bandas ou cantores, ficando com uma colecção de pastilhas altamente original, coleccionável e bem sucedida. Então cá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROPOSTA DO SAGUIM PARA SÉRIE DE SABORES DE PASTILHAS ELÁSTICAS, UMA COISA QUE SEJA COERENTE E NÃO TOME O CONSUMIDOR POR LORPA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pastilha com sabor a Hip Hop&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma saborosa combinação entre o sabor tóxico da borracha da sola dos ténis e o do vinil de LP´s, temperada com tinta de spray.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pastilha com sabor a Black Metal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Todo o requinte do sabor a sangue de galinha preta com extracto de sémen de mafarrico.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Pastilha com sabor a Jazz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A frieza do toque a metal do saxofone com um exótico improviso de bebidas brancas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Pastilha com sabor a Grunge&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um mix de aroma a naftalina das camisas velhas de fazenda com o cheiro a suor de quem não toma banho há semanas porque: “A vida é uma merda!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e depois edições especiais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pastilha com sabor a Ana Malhoa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Com o forte paladar do conhecido óleo bronzeador Piz Buin com uma boa dose de badalhoquice XXX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pastilha com sabor a Mickael Carreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Com gostinho a gosma para o cabelo, a creme Nívea e a óleo Johnson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pastilha com sabor a Pólo Norte / Delfins&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma mirabolante mistura de sabores que associa o paladar da peúga usada com o aroma a bafio... um mimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui estão apenas algumas ideias soltas. Cabe-vos agora a vocês, excelentíssimos produtores de pastilhas elásticas, a missão de instalar novamente a seriedade na indústria. A mesma seriedade que reinava na altura em que as pastilhas Gorila dominavam o mercado e que os sabores se limitavam às boas e velhas frutas de sempre. Agora, perguntam-me vocês: “Mas tu comprarias e mastigarias pastilhas com estes sabores que indicaste?”. Eu respondo que não, respondo por mim e por quase toda a população nacional. Mas bastaria fazer uma campanha com a incontornável Diana Chaves, essa figura mítica da publicidade, o Big Brother português que olha para nós a cada esquina, para que houvessem tsunamis de pirralhada a roer trunfas de Mickaeis Carreiras ou traseiros de Anas Malhoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, tudo é vendível no nosso país. Desde que a publicidade seja bem medíocre... a malta papa! Venham de lá essas pastilhas arrojadas, senhores!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-3902219874962567451?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/3902219874962567451/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=3902219874962567451' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3902219874962567451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3902219874962567451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/02/sabor-hip-hop-porqu-meu-deus.html' title='Sabor a Hip Hop. Porquê, meu Deus?'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-3362968906943140240</id><published>2008-02-20T07:22:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.812-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis</title><content type='html'>O que é que eu tenho contra os caracóis? Absolutamente nada. Até aí estamos entendidos. &lt;br /&gt;Porque é que eu não os como? A resposta é simples: porque a ideia de digerir um ser semelhante a um pedaço de ranho vivo, a mim, provoca-me asco, senão mesmo NOJO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho piada às pessoas que vão ver um bom filme de terror série B e depois, fazendo a sua pior careta, dizem que detestaram ver zombies esventrados ou alienígenas cobertos de muco espacial. Têm a lata de repugnar-se perante este tipo de coisas e depois, logo a seguir, ir encher o bandulho com caracóis cozidos, deixando a água castanha da cozedura, o “molhinho” como lhe chamam, escorrer abundantemente pelos cantos da boca. Ora, como é que eu hei-de explicar isto de modo a que todos percebam... A mim, não me fariam comer caracóis NEM QUE ME ENFIASSEM UM ARAME EM BRASA PELA URETRA ADENTRO!!! (e atenção que isto é coisa para doer um bocado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que se passa com esta gente? Há necessidade para isto?! &lt;br /&gt;Está a decorrer alguma guerra nuclear que limitou os alimentos no nosso país? Não? Então porque é que a malta insiste em comer estes bichos? Epá, não consigo entender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal fã de caracóis não me interprete mal, o bicho é simpático lá com os pauzinhos e mais não sei o quê... É giro para ter no quintal e fazer desenhos para as crianças. Agora daí a juntá-los todos numa panela com orégãos e cozê-los vivos vai uma grande diferença! Pensem comigo, ok? De modo a colocar o bom e velho juizínho nas vossas cabeças, o saguim vai convosco estudar os pontos negativos e positivos dos caracóis enquanto bichos para comer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pontos Negativos&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A ausência de ossos ou espinhas. &lt;br /&gt;- O ranho.&lt;br /&gt;- A cor cinzento-esverdeada.&lt;br /&gt;- Os pauzinhos à extra-terrestre.&lt;br /&gt;- O ranho.&lt;br /&gt;- A forma como se cozinha e se come, com um palito.&lt;br /&gt;- O cheiro.&lt;br /&gt;- O ranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pontos Positvos&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nenhum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bem, parece-me que temos um vencedor. Meus amigos, vocês podem dizer o seguinte: “Ok, realmente tudo o que dizes é verdade, fruto da tua inteligência superior e extraordinária sensatez. Mas, a mim, os caracóis sabem-me bem com cervejinha.” &lt;br /&gt;E aqui reside o verdadeiro busílis da questão. O caracol sabe bem com cervejinha. Porque é que a sabedoria popular nos manda comer caracóis sempre com uma imperial a acompanhar? Porque só o efeito atordoante do álcool consegue escamotear TODOS aqueles pontos negativos que enunciei ainda agora. Há quem diga que a bebida transforma um camafeu numa mulher atraente. Neste caso, transforma o PIOR pitéu da História num verdadeiro buffet de queijos franceses. No meu caso, e mais uma vez reforço, se eu estivesse em coma alcoólico profundo, acordaria caso alguém me tentasse empurrar um destes seres esquisitóides pela goela abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Se depois de todo este sermão ainda for um acérrimo activista destes bichos enquanto petisco, fique a saber que o CARACOL É HERMAFRODITA, ok? O que significa que é menino para dar para os dois lados. Agora coma... Coma e ingira estas hormonazitas todas. Eheheheheh e depois queixe-se que abichana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-3362968906943140240?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/3362968906943140240/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=3362968906943140240' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3362968906943140240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/3362968906943140240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/02/sermo-do-saguim-aos-apreciadores-de.html' title='Sermão do Saguim aos apreciadores de caracóis'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-2133538037588787654</id><published>2008-02-04T01:29:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.812-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Deixem-se de mariquices!</title><content type='html'>Vai um fonduezinho de trampa temperado com mijo?!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não? Acha repugnante? Pois, é capaz de ser é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hummm... então e se eu lhe disser que a trampa, no meio do cheiro nauseabundo e do aspecto grotesco, tem lá emplastrada uma bactéria com um nome em latim, que faz um bem imenso à saúde???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, assim já quer! Assim já gosta! Sim senhor... enormíssimo PALERMA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, está descoberta a fórmula do sucesso na venda de produtos alimentares. Há alguns anos atrás, um cientista emborrachou-se e, observando o tubo de ensaio que continha o novo iogurte de morango pasteurizado, saiu-se com uma destas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora bom, o que é que temos (ic) aqui? ´Tá aqui escrito... (ic) é ioblurtemrango... é iloburtetango... é elenurtisnango... (ic)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois vomitou. &lt;br /&gt;Entretanto, um outro cientista, mais velho e astuto, terá ouvido o ébrio devaneio e gritou bem alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É ISSO! TODA A VIDA FIZEMOS IOGURTES QUE SABEM A IOGURTES, SEM NOVAS QUALIDADES NEM BENEFÍCIOS! É SEMPRE O ESTÚPIDO DO CÁLCIO!!! SEMPRE A MESMA CANTIGA! MAS DE FUTURO NÃO, NÃO MAIS FALAREMOS EM CÁLCIO! MEUS AMIGOS, OS NOSSOS IOGURTES A PARTIR DE AGORA TÊM UMA MARAVILHOSA BACTÉRIA QUE FAZ FUNCIONAR A TRIPA, LIBERTA OS PULMÕES E AUMENTA O TAMANHO DOS SEIOS NAS MULHERES E DO PÉNIS NOS HOMENS: O L. NURTIS NANGO (ou lá o que é)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a malta aplaudiu. E a malta comprou. E a malta provou e disse com ar de entendido: &lt;br /&gt;- Ah, basta uma colherada para sentir logo a saúdinha a subir por mim acima...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, não é saúdinha, são mesmo gases. São gases porque, na minha ideia, esta história dos nomes em latim é tudo uma grande fantochada que deve ter tido o seu início mais ou menos como descrito ainda agora. O problema é que o tuga mama tudo o que lhe impingem, acredita mesmo que quantos mais nomes em latim mamar mais saudável se sentirá. E depois, tanto iogurte reflecte-se como? Flatulências, pois claro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nomes em latim intrigam-me porque eu não entendo o seu significado. Como é que eu sei que os tais “mestres iogurteiros” não me estão a mandar dar uma volta ao bilhar grande, ou a outros sítios piores de índole ordinária? Ao menos era o que eu faria se estivesse no lugar deles, seria uma excelente forma de insultar pessoas sem sofrer pesadas consequências. Como é que eu sei se Bifidus Activus não é latim para “Tu que estás a mamar esta mistela, crendo piamente que isto te vai proteger, és, no verdadeiro sentido da palavra, um pató do c******!!!”?! Resta-me confiar que devem haver leis que controlam estas coisas, mas todos sabemos que em Portugal o conceito de leis limita-se apenas às multas de estacionamento ilegal ou excesso de velocidade… o suficiente para pagar as minis e as sandes de torresmo dos senhores agentes da autoridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quanto a vocês, mas tudo isto me faz imensa confusão. Pelo que me diz o meu avô, antes não haviam estas modernices todas. Um pão era um pão, um copo de leite era um copo de leite e um sabão azul e branco não passava disso. Hoje tudo tem jojoba, aloé vera, ginseng e outras coisas da mesma família, Onde estão as sopas de cavalo cansado? Não tinham L. Casei Imunitass mas davam uma estaleca que faz favor! Pelo menos antigamente as pessoas trabalhavam no duro e sempre com esse mesmo combustível. Hoje em dia o português está mais exigente, quer coisas que não entende mas que o fazem acreditar que são do melhor que há para a saúde. Pessoal, sigam antes o meu conselho. Bebam vinho, ok? Vinho tinto à portuguesa! Deixem-se de mariquices e emborquem antes carrascudo de pacote… resultou com os nossos avós porque não há-de resultar connosco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este país só vai entrar nos eixos quando os portugueses deixarem de complicar e passarem a andar constantemente a tresandar a bêbado, com as unhas pretas e os narizes de cor grená! Eu já ando a dar o exemplo…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5925875296381883419-2133538037588787654?l=horadosaguim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://horadosaguim.blogspot.com/feeds/2133538037588787654/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5925875296381883419&amp;postID=2133538037588787654' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2133538037588787654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5925875296381883419/posts/default/2133538037588787654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://horadosaguim.blogspot.com/2008/02/deixem-se-de-mariquices.html' title='Deixem-se de mariquices!'/><author><name>André Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07091301109216062898</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0cC7dIDrq0o/S7d4neH4PTI/AAAAAAAABYM/4y21XWCGSS4/S220/Fotos-0017.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5925875296381883419.post-4250009482012910506</id><published>2008-01-14T08:18:00.000-08:00</published><updated>2010-06-26T11:50:21.812-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos'/><title type='text'>Para quem não sabe, há coisas erradas em mim</title><content type='html'>Sinto que está na hora de assumir algo que está errado em mim, deixando de escamotear e omitir aquilo que é demasiado evidente. Algo que está errado em mim... qualquer pessoa que já se deu ao trabalho de ler um ou outro post deste blogue (Olá mãe!) deve estar agora a pensar: "Este indivíduo devia era descobrir aquilo que NÃO tem de errado!"... mas pronto, as coisas são como são e ninguém me tira o valor desta descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EU SOU UM INDIVÍDUO QUE... COMO É QUE EU HEI-DE COLOCAR ISTO... ORA BEM... HUMMM... DEVOLVE COISAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta altura, devem estar a pensar: "Isso é positivo. Hoje em dias as pessoas são egoístas e não há nada mais filantrópico do que devolver amor quando se recebe amor, devolver amizade quando é isso que se recebe, devolver compreensão quando se é compreendido...". Mas não é nada disso, meus amigos. Eu devolvo as coisas que ninguém quer de volta, e isto é um problema sério e patológico que eu tenho. Vamos a exemplos? Então, vamos lá a isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu na Praia da Luz, muito anos antes de lá terem passado os McCann por isso não vale a pena fazerem insinuações do tipo: "Ah eu bem me parecia que este tipo era demente e, pelos disparates que escreve, é menino para estar metido com os bandidos lá naquela trapalhada toda.", arrastando-me pela areia com molenguice. A dada altura, um gigantesco estrangeiro com fronha de viking lança uma bola na minha direcção. Eu decido ser um bom cidadão português, sempre desejando fazer com que os turistas se sintam em casa, pego na bola e devolvo-a ao antipático nórdico que olha para mim raivosamente. É aí que eu percebo que acabo de devolver uma bola do estúpido jogo de nome Petangue, e também prestes a devolver a minha alma ao criador. A única coisa que fez com que a veia do pescoço do viking parasse de latejar foi o facto de eu não passar de uma pequena criatura palerma, com excesso de peso e boné à tótó. A mulher viking, que estava a jogar com ele e por isso com um semblante não menos carregado, disse-lhe qualquer coisa na língua lá deles e acabou por ficar tudo sereno mas sobre uma enorme tensão. Eu afastei-me com o rabinho entre as pernas e a sensação nítida de que mais valia ter ficado quieto. Neste caso, apesar da culpa ser minha, o Petangue não deixa de ser um jogo efectivamente estúpido. Estamos na praia, ao ar livre, a apanhar o ar fresco do mar, solzinho bom e o que fazemos? Estamos curvados a mandar bolinhas... Não faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, este episódio marcou toda a minha infância: a parvoíce do momento, a hesitação do quase-assassínio, a veia do viking a latejar, as gotas de suor na minha testa... Passei anos mais calmos, a reprimir este meu defeito de ser um indivíduo que... como é que eu hei-de colocar isto... ora bem... hummm... devolve coisas. Até há uns dias atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Episódio 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desloquei-me a Santo António dos Cavaleiros para assistir a um concerto da banda de um amigo meu. Até aí tudo bem, todos conhecem as chamadas "boogie nights" de Santo António, a loucura e o calor da noite, estava maravilhado com o espírito rebelde da metrópole nocturna: "EPÁ QUE ESPECTÁCULO!!!", pensei eu. O meu amigo malhava na guitarra-baixo como se não houvesse amanhã, uma autêntica estrela do rock num bar marginal. Eu sei que os tocadores de guitarra-baixo não é costume darem show mas este meu amigo é assim, e é assim que os Santo Antónios dos Cavaleirenses gostam dele. A dada altura esse meu amigo decide dar um salto no ar, assinalando um acorde mais violento, e, para dar mais excitação ao acto, cospe vigorosamente a palheta que tinha presa na boca. A palheta cai no chão afundada numa poça de baba. Eu, que não vi o acto repugnante do meu amigo roqueiro, apanho a palheta e começo a tentar devolver-lha no meio do concerto. A minha namorada e os amigos que estavam sentados comigo escondem a cara com as mãos, eu permaneço em pé a tentar devolver a palheta com um sorriso estúpido, ninguém da banda me liga nenhuma. No fim da música, o meu amigo roqueiro dá-me uma palmada nas costas e diz-me com simpatia: "Podes ficar com ela, campeão." mostrando que possuía várias dezenas de palhetas perto de si. Eu sento-me, todo contente, julgando que fui prestável. A minha namorada explica-me o que se passou e eu escondo a cara com as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, o proble
